A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!
A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!
Andava há algum tempo para escrever este post, mas precisava de algum tempo e de alguma concentração para o escrever, para que ele ficasse o mais fiel possível da realidade... Hoje lá o consegui finalizar e, numa espécie já de saudade, porque este é sem dúvida um momento único e inesquecível, partilho-o com vocês...
Faz hoje exactamente 60 dias que passei uma "noite em branco"... O dia tinha corrido normalmente, sem nenhum sinal de que o Martin estaria prestes a nascer... Eram cerca da 1h30min, da madrugada, quando comecei a ter "contracções chatas" que me impediam de estar muito tempo na mesma posição... Passei essa noite a dar "voltas na cama, ora para a esquerda, ora para a direita", evitando fazer barulho para o R. não acordar pois tinha que ir trabalhar... Assim que o despertador do R. tocou, por volta das 5h30, disse-lhe que podia ir trabalhar mas que estivesse em "alerta" pois sabia que o Martin não iria demorar muito para nascer...
Perto das 7h, as contracções começaram a intensificar-se, a ficar mais dolorosas e regulares (todos os 5-7 minutos)... Levantei-me da cama, apesar de estar cansada, pois não me sentia confortável, e coloquei tudo o que me faltava na mala de maternidade... Peguei num papel e numa caneta e comecei a registar todas as contracções para ter um registo fidedigno... Às 10h, perdi o rolhão mucoso e as contracções começaram a ficar mais espaçadas... Fui tomar um banho para relaxar... Assim que saí do banho as contracções recomeçaram, mais dolorosas ainda, todos os 5-7 minutos... Peguei no telemóvel e enviei uma mensagem ao R. para vir para casa pois achava que não ía conseguir ficar em casa por muito mais tempo...
Era quase meio-dia quando o R. chegou a casa, não almoçamos porque não queria esperar mais tempo, e mesmo sendo mãe de segunda viagem, queria saber se estava tudo dentro da normalidade...
Assim que chegamos às urgências da Maternidade, que por sinal estavam caóticas, as contracções começaram a diminuir subitamente.... Parecia que estava a reviver o parto do Gui... Mesmo assim, entrei para ser avaliada e, durante esse tempo que durou cerca de 45 minutos, apenas senti duas contracções e fiquei a saber que apenas tinha 1cm de dilatação... A enfermeira parteira disse-me então que podia ir para casa descansar, pois não havia nada de alarmante... Mas eu sabia que descansar não era a melhor atitude a tomar, sabia que o momento estava para breve, e eu só queria que fosse algo rápido, não queria passar mais uma "noite em branco"...
Saímos das urgências e disse ao R. que o melhor seria almoçar algo rápido para depois irmos fazer uma caminhada... Fomos ao MacDonald's, comemos uma hambúrguer e, como estava muito calor, optamos por ir para o Domaine de Chamarande pois é um parque onde existem muitas "sombras"... Mal chegamos ao local e começamos a andar as contrações recomeçaram, de forma intensa e todos os 5-10minutos... Fizemos um trajecto relativamente extenso mas muito demorado, era obrigada a parar imensas vezes pois as contracções impediam-me de andar... Estava muito cansada mas sabia que o melhor era andar, para acelerar o processo... Ficamos ali cerca de 1 hora e voltamos para casa, sempre com as contracções regulares e dolorosas... À medida que o tempo passava, começava a ficar com mais dores, uma dor tão insuportável que me impedia de fazer qualquer coisa... Aguentei o máximo de tempo que pude em casa, às 20h e tal comecei a dizer que não aguentava mais e tínhamos que ir para a maternidade... Não sei como consegui jantar, mas jantei, depois foi tentar chegar ao carro... Estava cheia de dores, tentei ser forte mas as dores eram tão fortes que comecei a chorar... A muito custo, cheguei às urgências a chorar, completamente esgotada... Não aguentava mais tanta dor...
Felizmente, assim que demos entrada na urgência, apareceu uma enfermeira parteira super simpática que, vendo o meu estado, disse-nos para entrarmos de imediato... Fui examinada e ficamos a saber que já tinha 4 centímetros de dilatação... Num misto de dor e alegria, chorei compulsivamente pois sabia que o Martin ía finalmente nascer!
Como as urgências continuavam caóticas, fiquei na sala de observações e o anestesista colocou-me o catéter epidural mesmo ali... Ainda esperei uns 30 minutos até ele estar disponível, mas assim que me colocaram o catéter epidural, com a medicação em perfusão, fiquei super zen, estava tão bem que podia dormir 200 anos de tão cansada que estava...
Esperei umas duas horas até ficar disponível uma sala de partos, entretanto a enfermeira que me tinha admitido tinha ido embora e tinha ficado outra, super simpática também... Explicou-nos como tudo se iria desenvolver e deixou-nos na sala de partos... Agora era esperar até a dilatação total, para o Martin nascer...
Durante este processo de espera, eu e o R. brincámos imenso com a situação, parecia que, de repente, estávamos a reviver outra vez o parto do Gui... O tempo ía passando, e nós íamos ficando cada vez mais cansados e com mais sono.... Até que de repente, os batimentos cardíacos do Martin começaram a descer repentinamente (de 160 passaram para os 60 e tal, tal e qual como aconteceu no parto do Gui), começamos a ficar muito preocupados, de imediato a enfermeira parteira acalmou-nos, e cada vez que isto acontecia ía mudando de posição na maca... Confesso que fiquei com medo que algo pudesse acontecer... Ao mesmo tempo, comecei a tremer de forma descontrolada, tudo devido ao efeitos secundários da medicação administrada pelo catéter epidural... Procurei ficar calma e abstrair-me dos piores pensamentos, porque acreditem que é uma sensação horrível estarmos a tremer de tanto frio, que parece que temos, e não nos conseguirmos controlar... Fiz uma viagem mental até ao México tentando reviver os melhores momentos que passamos na nossa lua-de-mel... Não sei exactamente quanto tempo durou este pesadelo, talvez umas 2 horas, não sei precisar... Para nós, tempo de mais... E quando menos esperamos, tinha chegado o momento do Martin nascer...
Foi um processo relativamente rápido, confesso que não sei onde consegui arranjar tanta força... Mas assim que ele saiu e o vi, chorei de tanta felicidade...
Já o Martin, chorou de forma discreta, a enfermeira colocou-o em cima de mim, e eu pude finalmente abraçá-lo, com as poucas forças que ainda me restavam... Foi impressionante ver as semelhanças do Martin com o Gui, pareciam fotocópia um do outro de tão iguais que eram...
O R., mais uma vez, esteve sempre super calmo, cortou o cordão umbilical, depois a enfermeira limpou o Martin minimamente, pesou-o, mediu-o e tornou a colocá-lo junto do meu peito... Foi desta forma que, no dia 17/7/2019, às 3h27 da madrugada, nasceu mais um Principezinho, o Martin, com 3.890gr e 53 centímetros.
Como o Martin tinha feito muitas vezes bradicardias, no trabalho de parto, não pude amamentá-lo de imediato, teve que ficar em jejum 2 horas para saber se estava tudo bem com ele... Ficámos então os 3, juntinhos, ali naquela imensa sala, a saborear aquele sublime momento, até a enfermeira parteira confirmar que tudo podíamos estar tranquilos... O R. vestiu então o Martin, com a roupinha super fofa que tinha sido programada, a seguir foi a minha vez de me arranjar para podermos, finalmente, subir para o nosso merecido quarto e desfrutarmos deste doce momento...
Cada vez que penso nos partos do Gui e do Martin, fico impressionada com o tamanho da força que há dentro de nós depois de um parto... Estou eternamente grata a mim mesma por ter superado tudo com tanta vontade e entrega, e estou eternamente grata por todo o apoio que o R. sempre me deu...
Sabia que a dor fazia parte do processo natural do trabalho de parto, o que eu desconhecia, antes de ser mãe, é a magia que existe em pegar no bebé logo após o parto normal, e isso eu pude viver da forma mais intensa, quer no parto do Gui como do Martin... Esse momento é de facto tão maravilhoso e tão único, que não há dinheiro nenhum no Mundo que pague esse momento tão extraordinário!
Quando se fica grávida, principalmente da primeira vez, ficamos de uma forma geral ansiosas pelo nascimento do bebé, e um dos primeiros "medos" que surge é se seremos ou não capazes de “ter um parto normal ou se não seria melhor um parto por cesariana”.
Felizmente, hoje em dia é possível ter um parto normal quase sem dor, através da anestesia epidural ou recorrendo a outros métodos não farmacológicos, como a acupuntura, caminhar, um banho de imersão ou umas massagens... O importante é que a grávida esclareça todas as dúvidas com o médico e conheça se não existe nada que impeça o parto normal (uma alteração no bebé, uma infecção, uma patologia, etc...), pois caso não existam contra-indicações, o melhor é deixar a natureza agir naturalmente.
Ora o que muitas mulheres desconhecem, é que o parto normal tem inúmeras vantagens sobre sobre a cesariana pois, por incrível que possa parecer, o corpo da mulher foi preparado para isso mesmo. Por isso, é que num parto normal, a recuperação é mais rápida e os riscos de surgirem complicações na mãe e no bebé são muito menores... Basta pensarmos que o parto normal acaba por ser o término natural de uma gravidez.
Mas afinal, o que é o parto normal?
O parto normal é a maneira mais natural para o bebé nascer, no qual o bebé nasce pela via vaginal.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entende-se por parto normal aquele que se inicia espontaneamente, que tem baixo risco, mantendo-se assim até ao nascimento do bebé. O bebé nasce espontaneamente, em apresentação cefálica de vértice, entre as 37 e as 42 semanas completas de gestação. Depois do parto, a mãe e o bebé apresentam-se em boa condição.
Vantagens do parto normal para a mãe
Recuperação muito mais rápida e consequentemente menor tempo de internamento hospitalar;
Menor risco de infecção;
Favorecimento da produção de leite materno (ideal para quem quer amamentar);
Ligação imediata entre a mãe e bebé;
Involução uterina mais rápida (o útero volta ao seu tamanho normal mais rapidamente);
No caso de uma segunda gravidez, e a cada parto normal, o tempo de trabalho de parto fica mais reduzido (de uma forma geral, o primeiro trabalho de parto dura cerca de 12 horas, a partir da segunda gravidez, o tempo pode diminuir para 6 horas, existindo mulheres que conseguem ter o bebé em 3 horas ou até menos).
Vantagens do parto normal para o bebé
Maior facilidade para respirar espontaneamente (o bebé ao passar pelo canal vaginal, o seu tórax é comprimido o que faz com que os líquidos que estão dentro dos pulmões sejam expelidos com mais facilidade);
Bebé mais reactivo ao nascer (o bebé beneficia das alterações hormonais que ocorrem no corpo da mãe durante o trabalho de parto normal. Os bebés que nascem de parto normal quando ainda não tem o cordão umbilical cortado e são colocados em cima da barriga da mãe conseguem arrastar até o peito para mamar, sem precisar de nenhuma ajuda);
Maior receptividade ao toque (durante a passagem pelo canal vaginal, o corpo do bebé sofre uma espécie de massagem, fazendo com que ele fique mais desperto para o toque e não estranhe tanto o toque das pessoas ao nascer);
Bebé mais tranquilo (ao nascer o bebé pode ser imediatamente colocado em cima da mãe, o que acalma tanto a mãe como o bebé e aumenta os laços emocionais. E após estar limpo e vestido, pode permanecer todo o tempo junto da mãe, se ambos estiverem saudáveis, pois não precisa ficar em observação).
É claro que o parto normal não pode ser realizado com dia e hora marcados, mas há sempre uma data provável, que nos ajuda a estarmos preparados para a chegada do bebé. O importante é estarmos informadas, conhecer as fases do parto e saber reconhecer os sinais que o nosso corpo nos dá para irmos para a Maternidade.
O Gui nasceu de parto normal, e espero que o Martin nasça também, pois é maravilhoso podermos estar bem e não termos dores depois do parto. Caso não exista nenhuma restrição para o parto normal, não tenha receio deste momento e lembre-se que estar depois "inteira" para cuidar do bebé, sem ter as restrições que uma cirurgia acarreta, é de facto fantástico!
Achei que seria interessante fazer um post sobre o nascimento do Gui, algo onde pudesse partilhar com vocês como tudo aconteceu de forma a poder vir até aqui um dia e relembrar cada momento vivenciado...
O nascimento do Gui estava previsto por parto normal, por isso, eu como mãe de primeira viagem tudo era novo, haviam imensas dúvidas de como iria ser o dia e se seria assim tão fácil saber o momento em que deveríamos ir para a maternidade...
Li muito, procurei relembrar conhecimentos adquiridos (no meu curso de enfermagem), adquiri conhecimentos... Sentia que estava preparada, mas sabia também que a realidade podia ser diferente...
Comecei a sentir as primeiras contracções pouco antes de uma semana do Gui nascer, nada de especial, a barriga ficava dura durante uns 30 a 45 segundos e depois voltava ao normal.... Até que na sexta-feira, dia 3 de Junho, notei que as contracções eram mais frequentes e começavam a ser "chatas", o dia passou-se bem mas perto das 2h da manha estas intensificaram-se, e começaram a ficar regulares (todos os 5 minutos) e dolorosas.... Por volta das 4h, perdi o rolhão mucoso, e às 5h liguei para a maternidade... A enfermeira falou-me de uma forma tão "grosseira" que desliguei o telefone incrédula com aquele atendimento. Fiquei tão fula que decidi esperar mais um pouco... Até que às 7h da manhã estas começaram a diminuir subitamente.
Nessa noite praticamente não dormimos, acabando por adormecer por volta das 8h às 14h... Estava mesmo cansada, mas como as contracções tinham diminuído achei que era boa ideia fazer uma caminhada... A ideia até era boa, mas a caminhada resumiu-se a pouco mais longe de uns 300 ou 400 metros da nossa casa... Andamos praticamente "às voltinhas", parei imensas vezes pois volta e meus surgia uma contracção... Sentia-me cansada mas sabia que o melhor que tinha a fazer era andar, para acelerar o processo... Nesse dia, finalizamos a nossa mala de maternidade, e à noite compramos o nosso jantar super-calórico no KFC (eh..eh...eh..), e embora tivesse algumas dores e estivesse cansada, não tinha perdido a fome!
A noite estava a "chegar", eram 22h e as contracções recomeçavam, mais uma vez, mais regulares e dolorosas (5 em 5 minutos)... Às 3h tornei a ligar para a maternidade e expliquei o que se passava... A enfermeira, do outro lado, com uma voz nada simpática, aconselhou-me a ficar em casa mais 2 ou 3 horas... Parecia mesmo que o pessoal da maternidade não queria trabalhar durante a noite!
Contei todos os minutos, até chegar às 5h da manhã, onde decidimos ir para a maternidade pois não aguentava mais tanta dor...
Ao chegar, mais uma vez, as contracções tinham começado a diminuir de intensidade e não eram tão regulares, não conseguia compreender porque motivo estas só surgiam à noite... Fui examinada, tinha apenas 1cm de dilatação, mas como tinha tido muitas dores fiquei internada.
Era domingo de manhã, o dia estava muito cinzento, eu e o meu marido estávamos exaustos de cansaço... O dia avizinhava-se longo....
Tornei a ser examinada às 9h, descobri que o saco amniótico tinha rompido em casa, e não tinha dado conta, foi-nos então dito que deveria andar, fazer exercícios na bola de pilates, pois se não entrasse em trabalho de parto provocariam o parto no dia seguinte de manhã. Nessa altura as contracções eram bem menos regulares e pouco dolorosas, tinha a sensação que parecia estar a passar o papel da grávida "picuínhas"... Não conseguia compreender porque raio é que as contracções só surgiam à noite?!
Apesar de esgotada, andei o domingo todo a fazer o que me foi recomendado, mas nada se alterou... Às 21h as contracções regulares, dolorosas, a cada 5 minutos, recomeçavam... A enfermeira da noite veio ver-me, e como não suportava mais outra noite como a anterior, subi ao bloco de partos onde fui examinada por uma enfermeira parteira super antipática e desumana (nesta altura mantinha 1cm de dilatação)... O impressionante é que no momento que fui examinada as dores e as contracções quase que desapareceram... Mesmo assim ela deu-me 2 comprimidos de paracetamol codeína para o caso destas voltarem...
Chegamos ao quarto e tudo recomeçava, as contracções estavam mais fortes do que nunca, o Gui mexia imenso, parecia que ele ía nascer alí mesmo... Tomei os comprimidos por volta das 00h, mas de nada adiantaram, foi a pior noite da minha vida, nunca tive tantas dores! Como tinha sido avaliada, e perante aquele atendimento, optei por não tocar à campainha, sabia que nada iriam fazer... Fui tomar um banho quente para ver se estas aliviavam, mas nada!
A noite de 5 para 6 de Junho foi a pior noite da minha vida... Pus muitas vezes em causa se estaria tudo bem, tive muito medo que algo pudesse dar errado por não chamar por ninguém... A noite foi passada em branco, esgotada e não aguentado mais, eram 7h quando a enfermeira da noite apareceu para me perguntar como tinha passado a noite... Perante o meu sofrimento disse-me que tomasse um banho e que iria tomar um pequeno-almoço leve para subir para a sala de partos... Com tanta dor não consegui comer nada, queria é que o Gui nascesse e aquelas dores desaparecessem de uma vez...
Subi às 8h para o bloco de partos para ser examinada por uma enfermeira parteira, as dores continuavam insuportáveis, estava com 3 cm de dilatação, finalmente não precisava esperar mais!
Num misto de alegria e cansaço, chorei por saber que o momento finalmente tinha chegado! Fui para a sala de partos, colocaram-me o catéter epidural (que não senti nadinha a colocarem) e a partir daqui as dores desapareceram por completo, sentia-me rejuvenescida e maravilhosamente bem!
A enfermeira parteira era 5 estrelas, simples, mas atenciosa e preocupada, foi-nos explicando como tudo iria se passar... Agora só tínhamos que aguardar até à dilatação total, para o Gui nascer!
Durante esse processo de espera, eu e o meu marido brincamos imenso com a situação, imaginamos como iria ser o momento e de tão descontraído que estávamos tudo parecia bom de mais... Até que de repente, por volta do meio-dia, os batimentos cardíacos do Gui começaram a descer muito (de 160 passaram para os 60 e tal), começamos a ficar muito preocupados, vimos no olhar da enfermeira parteira que algo não estava bem... Subitamente o medo instalou-se em nós!
A enfermeira pediu apoio médico, e durante esse período foi-me colocada uma máscara de oxigénio e pedido para respirar profundamente... O medo que algo pudesse acontecer apoderou-se de mim, e sem perceber porquê comecei a tremer tanto e tanto que não conseguia parar de fazê-lo...
No início pensei que estivesse a fazer uma crise de ansiedade mas logo foi-me explicado que tudo se devia à medicação administrada pelo catéter epidural. Depois de me terem dado medicação, os batimentos do Gui recuperaram, mas eu continava a tremer tanto que só conseguia pensar que algo errado pudesse estar a acontecer ao Gui e a mim... Foi um momento realmente assustador!
Não sei exactamente quanto tempo durou este pesadelo, para nós, tempo de mais... Felizmente, aos poucos tudo se restabeleceu, mas até o Gui nascer, nunca os monitores foram tão vigiados por nós, com medo que o pesadelo voltasse a acontecer. Felizmente nada se repetiu e depois disto, foi continuar a esperar...
Desde que me colocaram o catéter epidural nunca senti qualquer dor, estava tão anestesiada, que todo o processo aconteceu sem nenhuma dor...
O momento em que vimos o Gui nascer foi realmente algo mágico, uma sensação única e indiscritível... Mal ele saiu, chorou de forma "timida" e foi colocado sobre mim... Escusado será dizer que abracei-o com as poucas forças que ainda me restavam e chorei de felicidade por ver que o nosso Gui estava finalmente juntinho aos papás! Eram exactamente 16h04min quando o nosso Principezinho nasceu!
O papá cortou depois o cordão umbilical, a enfermeira limpou o Gui minimamente, pesou-o e mediu-o e tornou a colocá-lo junto do meu peito para que eu pudesse amamentá-lo... Estivemos ali na sala, os 3, duas horas para termos a certeza que tudo estava bem!
É certo que tive muitas dores na noite anterior ao parto, vimos os batimentos do Gui descerem, ficamos preocupados e estávamos exaustos... Mas no momento que vimos o nosso Principezinho tudo foi esquecido como se se tratasse de um capítulo bem longínquo das nossas vidas!
A partir daqui, avisámos os nossos familiares e amigos e partilhámos esta notícia tanto esperada... E foi assim que no dia 6/6/2016, entrámos num novo capítulo das nossas vidas...
A duração do parto vai variar de grávida para grávida e depende de diversos factores, entre eles, o número de partos anteriores. De uma maneira geral, quando se trata da primeira gravidez, o trabalho de parto costuma ser mais longo devido à maior dificuldade de dilação da cérvix.
Em regra, existem 3 fases que ocorrem no trabalho de parto:
1ª fase do parto: dilatação do colo do útero
2ª fase do parto: expulsão do bebé
3ª fase do parto: expulsão da placenta (dequitação)
1ª FASE DO PARTO: DILATAÇÃO DO COLO DO ÚTERO
(12 a 48 horas)
Esta é a fase mais longa do trabalho de parto. A cérvix começa a dilatar e a ficar mais fina preparando-se para passagem do bebé pelo canal de parto e o nascimento. Esta fase subdivide-se em duas que correspondem aos diferentes momentos de dilatação do colo do útero: a fase latente e a fase ativa.
1. Fase Latente
Marca o início do trabalho de parto, e vai dos 0 aos 3-4cm de dilatação. As contrações do útero são ligeiras, irregulares e um pouco dolorosas, tornando-se progressivamente mais regulares, e intensas, cerca de 2 a 3 contrações em cada 10 minutos (cada uma com a duração de 30 a 50 segundos). Estas contracções vão ajudar a empurrar progressivamente o bebé em direção ao canal de parto.
Nesta fase começa-se a cronometrar as contrações, pois assim que estas se tornarem regulares e intensas, significa que está na hora de ir para a maternidade. Até lá, e se não houver contra-indicação, o ideal é ficar em casa e tentar relaxar com um banho quente, uma massagem ou uma sesta, aproveitando para respirar de forma profunda e tranquila.
2. Fase Activa
Inicia-se quando o colo do útero tem cerca de 3-4 cm de dilatação e dura até atingir os 10 cm (dilatação máxima do colo do útero).
A grávida é monitorizada para avaliar o nível de dilatação, bem como o bebé, através do cardiotocografia (CTG), para observação da frequência cardíaca e avaliar o nível de bem-estar deste, ao mesmo tempo que se registam as contrações uterinas.
Se assim a grávida o desejar, é nesta fase que se coloca o catéter epidural (que consiste na introdução de um catéter na coluna lombar, através do qual são administrados medicamentos para o tratamento da dor no parto).
Ao longo deste período, a intensidade da dor aumenta e as contrações tornam-se mais regulares e menos espaçadas no tempo (com 2 a 3 minutos de intervalo entre si).
Se não se der a rutura da "bolsa de água", as membranas poderão ser artificialmente rompidas. Um processo que não é doloroso e pode ajudar a aumentar o ritmo da progressão da dilatação.
À medida que o bebé pressiona a zona pélvica, a grávida terá necessidade de fazer força, contudo só o deverá fazer até que a cérvix esteja completamente dilatada (10 cm) de modo a evitar lesões, hemorragias ou outras complicações. Informação que será dada pela parteira/obstetra.
2ª FASE DO PARTO: EXPULSÃO DO BEBÉ
(2 horas para a nulípara e 1 hora para a multípara)
A segunda fase do parto inicia-se com o colo do útero completamente dilatado (10cm) e termina com a expulsão do recém-nascido.
Neste período as contrações têm frequência a cada minuto e duração de 60 ou mais segundos.
Ao mesmo tempo que o útero se contrai, o bebé exerce pressão contra a pélvis, o que aumenta a vontade de fazer força para expulsar o bebé, é aqui que o médico ou a parteira dirá quando é seguro começar a fazê-lo (é importante que em cada contração, a grávida inspire profundamente e, depois, não deixe sair o ar enquanto faz força. Além disso, deve aproveitar o intervalo entre duas contrações para descontrair e recuperar as forças).
Pode ser feito um corte no períneo (a chamada episiotomia: pequeno corte no espaço entre a vagina e o ânus), isto se o médico verificar resistência à saída da cabeça do bebé, para que seja mais fácil fazer força para expulsar o bebé, sem rasgar.
Cerca de 90% das vezes, o feto apresenta-se numa posição cefálica, ou seja, com a cabeça para baixo de maneira a ser a cabeça a primeira parte fetal a entrar no canal vaginal (contudo, este pode-se apresentar de outras formas, e algumas delas necessitam da indicação de cesariana).
Depois da cabeça do bebé estar fora, o resto do corpo desliza facilmente, e o bebé acaba por nascer. O cordão umbilical é clampado em dois pontos (de forma a evitar uma hemorragia na mãe e no bebé), e se o pai quiser pode cortar o cordão umbilical. O bebé recebe os primeiros cuidados de um médico pediatra (na mesma sala onde se encontra a mãe) e após esta observação é colocado um bocado junto à mãe, podendo ou não ser amamentado imediatamente.
A placenta ainda dentro será expulsa na terceira fase do parto.
3ª FASE DO PARTO: EXPULSÃO DA PLACENTA/DEQUITAÇÃO
(até 1 hora)
A etapa final do parto começa imediatamente após o nascimento do bebé e termina com a expulsão da placenta dentro do útero (dequitação da placenta) e membranas, após o seu desprendimento.
O útero continua a contrair-se e a placenta, devido a este mecanismo, sai então pela vagina. Após a expulsão, a equipa médica verifica se não fica nenhum resíduo da gestação na cavidade uterina e no canal de parto e de que não há hemorragias (se houver episiotomia, faz-se também a sutura da mesma).