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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

HÁ "SACRIFÍCIOS" QUE VALEM A PENA ❤️

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Pois é, por incrível que possa parecer hoje é o meu último dia das chamadas "congé maternité" (licença de maternidade)... Não sei quem raio se lembrou de dar este nome a este tipo de licença porque se traduzirmos à letra dá algo como congé maternité = férias de maternidade!!!! Quem colocou este nome nunca deve ter tido filhos, ou se os teve nunca ficou em casa com eles... Quem tem sabe bem do que estou a falar.... 

 

Era suposto o Martin com 2 meses e meio ficar agora numa creche ou numa ama, mas mais uma vez eu e o R. decidimos fazer um bocadinho de sacrifícios e prolongar este tempo, de forma a que eu possa ficar com o Martin em casa, tal e qual como fizemos com o Gui.

 

Com isto ainda há quem pense que ganhamos milhões para poder suportar com tantas despesas que temos, há ainda aqueles que acham que na França é que dá lucro ter filhos e há ainda aqueles que acreditam que para nós é tudo mais fácil... Enfim... Claro que é preciso fazer contas às despesas que se tem, fazer sacrifícios em coisas que não nos façam tanta falta e recorrer muitas vezes às pequenas economias amealhadas até então, e embora no final o prejuízo económico seja evidente, não há riqueza no mundo que pague este tempo que dedicamos ao nosso bebé numa fase tão importante da sua tenra vida! 

 

Está mais que provado que o aumento do período em que as mães podem ficar com o bebé após o nascimento é de grande importância para o desenvolvimento infantil. O contacto com a mãe estimula as conexões no cérebro do bebé, que faz com que este se sinta seguro, acolhido e amado, condições estas que criam uma inteligência emocional que traz consequências positivas para toda a vida do bebé, em todas as relações. Por isso, aqui fica o meu testemunho, se há uma altura em que devemos fazer "sacrifícios na carteira" este é, sem dúvida, um deles!

CONTADO NINGUÉM ACREDITA

O Gui já andava com febre desde sexta-feira, e um bocadinho aborrecido, mesmo assim a festa de Aniversário tinha corrido bem... No domingo, bem no início da tarde, começou a chorar muito e a queixar-se do ouvido direito, levamo-lo ao médico e foi-lhe diagnosticado duas otites, uma em cada ouvido...

 

Entretanto, e à conta disto, comecei a ter alguns sintomas de doença: dores de cabeça, comichão na garganta, tosse seca... Fui ao médico na terça-feira, diagnosticaram-me uma virose, e medicaram-me... Pensei que ficaria por aqui, mas estava enganada...

 

Esta noite às 5h da manhã acordei com a garganta seca e uma dor terrível no ouvido esquerdo... A primeira coisa que pensei foi que tinha uma otite (algo que nem sei se alguma vez tive na vida...)... Liguei para a médica de família para saber se me podia atender, hoje ou amanhã, mas a resposta foi negativa. Como estava em casa com o Gui, esperei que o R. chegasse a casa para ir às urgências, sozinha, do hospital aqui ao lado de casa... Cheguei às urgências por volta das 19h15, fui atendida por volta das 20h e lá confirmei o que calculava: uma otite no ouvido esquerdo! O pior estava para vir...

 

Tinha uma receita médica para comprar um antibiótico em gotas para colocar nos ouvidos... Como saí às 20h e pouco do hospital, as farmácias estavam todas fechadas (é verdade, aqui as farmácias fecham quase todas entre as 19h30 e as 20h), lembrei-me que havia uma farmácia num centro comercial, a uns 10 km daqui, que fechava às 21h, por isso dirigi-me de imediato para lá... O cúmulo, e para o meu azar, os horários de encerramento da tal farmácia tinham mudado para as 20h30, e eu cheguei às 20h32, 3 minutos mais cedo e tinha apanhado a farmácia aberta! 

 

Só me restava a última solução: dirigir-me à Polícia para saber qual era a farmácia que estava de serviço (é verdade, aqui na França quando as farmácias estão fechadas somos obrigados a dirigirmo- nos a uma Esquadra da Polícia com a receita médica e um cartão de identificação para que esta nos informe qual a farmácia que está de serviço, ao mesmo tempo, a polícia avisa o farmacêutico para que este tenha conhecimento). Nem queria acreditar quando coloquei a morada no GPS: 18km para lá chegar (uns 25 minutos de carro), que é como quem diz 36Km no total e 50 minutos para chegar a casa!!! 

 

Confesso que roguei pragas o caminho todo a quem teve a brilhante ideia de fazer esta gestão de farmácias, deve ter sido feita por alguém que nunca precisou de uma a meio da noite porque se pudessem ver o trajeto que eu tive que fazer para lá chegar... Campos e mais campos, que só rezei para o meu carro não avariar ou me furar um pneu, de tal sozinha que me senti naquele maldito percurso. 

 

Cheguei à farmácia eram quase 21h30, não se via uma alma na ruam apenas o farmacêutico estava à minha espera, só com uns 20 cm da porta aberta (pois não podia abrir mais a porta dizia ele que eram as normas por estar sozinho), olhou para a receita e disse-me que não percebia metade do que estava lá escrito e perguntou-me se a médica me tinha explicado a posologia... Disse-lhe que não, e pensei até que ele fosse ligar para o hospital...  Dirigiu-se ao balcão, trouxe a medicação e disse-me que apenas sabia que tinha que deitar 4 a 5 gotas de antibiótico em cada ouvido, e que o resto teria que confirmar com a médica que me atendeu no Serviço de Urgências! Fiquei incrédula a olhar para ele, estava sem paciência para barafustar, por isso peguei no antibiótico, cheguei ao carro, li o folheto do medicamento, e vim directa para casa! Ainda tinha outros longos 25 minutos de estrada pela frente...

 

Só de pensar que perdi mais tempo à procura de uma farmácia que ir às Urgências... E ainda dizem que na "França é que é"... Nota-se...

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