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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

QUERO UMA BARBIE COM PERNAS

O Gui entrou o ano a pedir o presente que o Pai Natal não trouxe... Mal tinha acabado de abrir os olhos quando olha para mim e diz: 

- Mamã, quero uma Barbie com pernas! Por favor...

- Uma Barbie com pernas?! Mas tu já tens umas Barbie... - respondi eu ainda com sono.

- Eu quero uma Barbie com pernas, a que eu tenho não tem, é uma Sereia. Sabes, eu pedi ao Pai Natal a "Barbie com o Cheval" (que é como quem diz "com o cavalo", aqui começa o Gui a misturar o português com o francês... Eh... Eh...) mas ele nem sempre tem tudo... Podes comprar para mim, por favor?

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O papá R. ainda lhe disse que ele tinha-me a mim como Barbie, mas ele não ficou minimamente convencido com a resposta, e respondeu:

- A mamã não é uma Barbie, eu quero uma boneca com pernas...

 

Ainda não fomos comprar a dita Barbie porque estamos em quarentena, mas assim que fôr possível vamos satisfazer o seu pedido só para vermos a reacção dele. Se estivéssemos em Portugal estava cheio de sorte, porque podia lhe dar as minhas Barbies, aquelas que eu guardei com tanto carinho...

E eu a pensar que as minhas Barbies iriam ficar guardadas para as minhas netinhas... Eh... Eh... Eh...

 

E por aí, quem é fã destas bonecas?

E DE REPENTE É NATAL ❤️

Natal 2020

E num abrir e fechar de olhos chegamos a mais um Natal, este ano com um sabor bem diferente, porque vamos ficar por cá, apenas os quatro... 

O Gui tem andado em pulgas, super entusiasmado pela chegada do Pai Natal... E embora continue a não gostar da sua presença, anda há algum tempo a programar o lanchinho que lhe vai deixar na noite de Natal... 

As prendas que estão debaixo do pinheirinho diz ele que são todas para oferecer, aos avós, aos tios, aos padrinhos, aos primos, aos amigos... Pois as dele e as do mano vão ser trazidas no trenó do Pai Natal...

Já o Martin, ainda não tem noção do que estamos a falar... Mas tenho a certeza que vai delirar...

Infelizmente, este ano, trabalho nos dias 25, 26 e 27, pelo que hoje teremos que esticar bem o dia, de forma a rentabilizá-lo da melhor maneira possível...

Por isso o dia começou bem cedinho... Cá em casa, já cheira a arroz doce, bolo rei e rabanadas... E embora sejamos só os 4, acreditem que o ambiente é de muita algazarra e confusão...

Logo, fazemos questão de fazer uma videochamada aos nossos familiares mais próximos, àqueles que nos costumam receber nestes dias de festa e que tanto nos fazem falta... 

Este ano não podemos estar presentes fisicamente, mas estaremos unidos pelo coração, porque o melhor presente que podemos dar este ano, é sem dúvida o nosso AMOR!  

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E por aí, como vão passar o Natal?

QUANDO TENS UM FILHO ARTISTA...

Humor

Um dia destes ao aproximar-me da televisão reparei que havia uma mancha no chão que se estendia em baixo de uma da sala cadeiras da sala... Aproximei-me, espreitei para debaixo e qual não foi o meu espanto quando me deparei com o chão todo riscado...  

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Chamei o R. e fartamo-nos de rir com aquele achado feito pelo Gui, porque além de nenhum de nós se ter apercebido dele ter feito isso, o nome dele estava mesmo direitinho! 

É óbvio que lhe pedimos explicações sobre aquela atitude e lhe dissemos que não queríamos que aquela situação se voltasse a repetir... Apesar de tudo, confesso que achei super engraçado ele ter escrito o nome dele no chão, acho que ele anda tão orgulhoso por saber escrever o nome dele que faz questão de deixar a marca dele nos lugares menos esperados...

 

DIA DE SÃO MARTINHO

ACTIVIDADES PARA OS MAIS PEQUENOS

Hoje foi feriado aqui em França, um dos feriados mais importantes, o famoso Dia do Armistício

Com este confinamento, estivemos passamos o dia em casa, por isso aproveitamos o facto de ser também Dia de São Martinho e fizemos uma atividade direccionada para este tema... Um tema bem mais divertido para os mais Pequeninos, embora aqui seja desconhecido...

Pegamos nalgumas castanhas, plasticina, papel, palitos e uma caneta de filtro e fizemos alguns animais: quatro caracóis (a grande paixão dele desde as férias de Verão), uma minhoca, um leão, um veado, um ouriço cacheiro e uma aranha. Foi giro ver o entusiasmado e a dedicação dele, sem falar no brilho dos seus olhinhos quando olhou para o resultado final...

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No final, e para finalizar, assamos umas castanhas e comemos até não querermos mais...

E por aí, também não deixam passar esta "data em branco"?!

NOVAS MEDIDAS DE SEGURANÇA

Urgence Attentat

As férias da escola terminaram na passada sexta-feira, por isso ontem o Gui voltou a ir à escola...

Com o novo confinamento e com os dois últimos casos de terrorismo, a França viu-se obrigada a colocar o país no estado "atentado de emergência" (urgence attentat), por isso estávamos à espera que a escola nos informasse sobre as novas regras...

 

Recebemos as novas regras via e-mail, no sábado à tarde, mas sinceramente não vejo onde estão as vantagens das alterações, principalmente no que diz respeito à segurança em caso de atentado... Basicamente os pais agora não entram na escola, está um profissional no portão a receber os alunos. Mantém-se as duas entradas abertas que servem para dividir os alunos: metade dos alunos entra por um portão, e a outra metade pelo outro lado. A saída, no caso Gui dá-se por uma saída lateral que dá directamente para a sala de aula... O cúmulo é ver os miúdos todos a sair ao mesmo tempo, em fila indiana, e ficarem nesse recinto à espera que os pais os vão buscar. Sinceramente não consigo ver nenhuma vantagem nesta medida porque, além dos miúdos ficarem ao frio, não sei como vão fazer quando estiver a chover torrencialmente... Sem falar do amontoado de pais que se junta nessa saída, sem cumprirem a distância de segurança... E a segurança em caso de atentado, onde fica?!! Acho até que os miúdos ficam bem mais expostos ao perigo, sem falar da entrada/saída para o parque de estacionamento da escola, que é simplesmente surreal pois é exatamente a mesma, existindo apenas um caminho estreito onde apenas passa um carro de cada vez. 

Hoje, pela primeira vez, estavam também dois polícias para reforçar a segurança... Mas, sinceramente, confesso que não consigo ver nenhuma lógica nestas "novas medidas"...

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E a prevenção para impedir a propagação do vírus?! Essa então nem se fala... Parece que só agora é que vão começar a desinfectar, várias vezes ao dia, os puxadores das portas e o material escolar, e em vez de mandarem as informações escritas no caderno de cada aluno, vão começar a fazê-lo via e-mail... Enfim... Não consigo compreender como é que não implementaram estas medidas quando a escola começou em Setembro.

Tendo em conta a evolução da pandemia, acho que muito em breve vamos voltar a ter as escolas todas fechadas... 

AVIZINHA-SE UM NOVO CONFINAMENTO...

Duas semanas depois do recolher obrigatório, entre as 21h e as 6h, em Paris e em mais oito outras regiões, e com a rápida propagação da Pandemia, o Presidente da República - Emmanuel Macron - vai anunciar hoje, às 20h, novas medidas... Um novo confinamento está à vista, embora com medidas mais leves em relação às que tivemos na primeira vaga, de forma a evitar um colapso da economia.

 

Confesso que já estava à espera que isto fosse acontecer porque, a meu ver, as pessoas continuam a não cumprir as medidas mais básicas, como lavar/desinfectar as mãos e o distanciamento social... Sem falar, das superfícies comerciais, das escolas, dos transportes públicos, onde facilmente encontramos aglomerados de pessoas...

E nos hospitais?! Muitos parece que estiveram a "brincar" até agora... Como é possível o pessoal estar mais que em alerta para a possibilidade de uma segunda grande vaga e não se prepararem minimamente, a nível de material/equipamentos/profissionais de saúde contratados e formados?! Por este andar, e contra mim falo, vamos acabar também todos contaminados... 

 

É lamentável como existe um grande número de pessoas que não são capazes de cumprir medidas simples... Nós cá vamos cumprir a nossa parte, embora reconheça que não seja fácil ficarmos tanto tempo confinados em casa... Hoje, com o Gui de férias e o Martin um bocadinho melhor, aproveitamos os raios de sol, para ir dar uma voltinha até ao parque...

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Vamos lá ver se iremos continuar a poder dar estes passeios ou se ficaremos privados deles...

O DIA EM QUE O NOSSO MUNDO TREMEU - PARTE 3

UMA DIRECTORA DO RAM DESCOMPENSADA

Passamos o fim-de-semana incrédulos com o que tinha acontecido e só queríamos dar por encerrado este problema o mais rapidamente possível...

 

A carta de rescisão do contrato foi enviada no sábado logo de manhã, pelo R., mas na segunda-feira à hora do almoço já eu recebia uma mensagem de voz da directora do RAM, com um tom ameaçador, a dizer-me que a Aurélie ainda não tinha recebido nenhuma carta, que não percebia o que tínhamos contra ela, que tínhamos que lhe pagar os direitos, que ela lhe tinha dito que nós nunca lhe entregamos os recibos de pagamento do seu ordenado, que se calhar nós nunca declaramos a ama, e que se não fizéssemos tudo direito iriam recorrer ao tribunal do trabalho (em francês, prud'hommes)...

Nem queria acreditar em todas as barbaridades que ela me tinha dito... Como podia ela estar a fazer este tipo acusações contra nós?! Liguei-lhe de imediato e comecei a dizer-lhe que não compreendia o que se estava a passar, que a carta já tinha sido enviada e que teriam agora que aguardar pelos correios, que tudo foi sempre devidamente declarado, que se não demos os recibos foi porque não era uma obrigação nossa (ela podia imprimir directamente do site do centro de emprego), e que se havia alguém que tinha falhado com as suas funções não éramos nós, mas sim a Aurélie... Mal terminei de finalizar a última frase, a directora do RAM disse-me que o problema era eu, que não gostava da Aurélie e tinha implicado com ela desde o início... Preferi respirar fundo e terminar a conversa por ali porque sabia que não adiantava acrescentar mais nada...

 

Cerca de uns dois ou três dias depois, e tal como tinha ficado combinado, dirigi-me ao RAM com o Gui para levantar os pertences dele, que a Aurélie tinha deixado, e para verificar se os documentos e as contas estavam bem feitas... E mal entrei na sala fiz questão de demonstrar o meu descontentamento com a falta de confiança na nossa palavra... No mesmo instante, e sem eu estar à espera disso, a directora do RAM olha para mim com um ar maquiavélico e diz-me: 

- "Sabe, D. Patricia, eu e a Aurélie sabemos perfeitamente que o seu marido no outro dia estava completamente do nosso lado, bastava olhar para ele... Já reparou que ele não disse uma única palavra?! Reagiu assim para não ter que a contrariar... Vê-se perfeitamente que você é quem manda em casa e têm sérios problemas de família.... E digo-lhe mais, NUNCA VAI ENCONTRAR UMA AMA PARA O SEU FILHO, E SABE PORQUÊ?! Porque a senhora nunca vai deixar nenhuma mulher se aproximar dele, você cria uma espécie de bolha que faz com que ninguém se possa aproximar dele..."

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Fiquei petrificada a ouvir todas aquelas barbaridades, respirei fundo, e sem descer ao nível dela, o nível mais rasco que eu nunca imaginei que ela fosse capaz de chegar, interrompi-a e disse-lhe:

- "Não admito que fale assim de mim e da minha família. A senhora não nos conhece de nenhum lado, nem sabe a relação que eu tenho com o meu marido. É óbvio que o meu marido nunca esteve do fosse lado, vocês sabem perfeitamente que se ele não falou porque não se sente à vontade para se exprimir em francês, e vocês sabem disso desde o início, principalmente a Aurélie. São acusações graves que acaba de fazer. Vamos terminar aqui a conversa porque eu só estou aqui para tratar de burocracias, não para falar de um assunto que já vi que não vale a pena discutir mais."

Mal acabei de dizer isto, a cara dela mudou completamente e com o ar mais cínico passou do ar de bruxa para o ar de donzela... Fizemos os cálculos, entreguei os papéis que tinha que entregar, e quando vinha embora disse-me com o ar mais cínico e com o sorriso mais amarelo: 

- "Boas férias em Portugal. Aproveitem muito..."

 

Entrei no carro, com uma vontade enorme de a mandar à M****, nem queria acreditar o que se tinha passado ali naquelas 4 paredes... Estava completamente incrédula com as palavras que ela me tinha dito... Liguei ao R. e contei-lhe o sucedido e disse-lhe que o melhor que tínhamos a fazer era tentar esquecer este pesadelo porque era demasiado cruel para ser verdade... Além disso, quem é que iria acreditar em nós?! Dois portuguesitos perdidos no meio destes abutres?!...

 

Nunca mais tornamos a falar para aquelas senhoras, e felizmente nunca mais se cruzaram no nosso caminho... Mas esta primeira experiência deixou-noscompletamente horrorizados e ficamos com "pena" das crianças que iriam ficar nas mãos daquela psicopata... Ainda por cima, naquele ano, a directora do RAM tinha ficado também directora da creche, o que para nós só nos ajudou a tomar a decisão de mudar de casa longe dali... Agora era hora para tentar tranquilizar o Gui e encontrar uma ama  para depois das férias de Verão... Estávamos mais exigentes e os critérios de selecção tinham mudado...

 

(continua e termina na próxima segunda-feira)

O DIA EM QUE O NOSSO MUNDO TREMEU - PARTE 2

O DIA DA TÃO AGUARDADA REUNIÃO

O dia da reunião parecia que nunca mais chegava, e na minha cabeça haviam três coisas que me massacravam: o tom de voz agressivo que a Aurélie  utilizou, quando me disse que o Gui era TIRÂNICO e o momento em que ela se dirigiu a ele com um tom ameaçador, a apontar o dedo... O Gui tinha apenas 12 meses e meio, um bebé indefeso e seguramente bastante assustado com o que ela lhe tinha feito...

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No dia da reunião, e tal como nos foi aconselhado, deixamos o Gui na casa dos nossos amigos, estávamos ansiosos por saber o que elas íam dizer... Chegamos, sentamo-nos e a directora do RAM começou por dizer que o motivo daquela reunião era para compreender melhor o Gui, a forma como ele vivia, as rotinas, de forma a que a Aurelie pudesse fazer uma melhor integração... Que ela tinha sido chamada na segunda-feira e ao chegar lá, depois da hora do almoço, constatou que o Gui estava realmente super stressado, chorava compulsivamente e estava todo molhado e foi impossível de o acalmar... Que também não percebia o motivo de ele estar assim, quando se encontrava num quarto arejado e num berço seguro... Interpelei-a e perguntei-lhe que não conseguia compreender o motivo da Aurélie não me ter ligado, porque motivo o meu filho foi forçado a chorar horas a fim quando eu tinha avisado que ele tinha estado 7 dias muito doente e ainda não estava em forma... Além diss, ela sabia perfeitamente que o Gui odiava dormir no berço, sozinho, gostava de dormir na presença de alguém e na sala (tudo porque vivíamos num apartamento com apenas 1 quarto)... Eu podia ter resolvido o problema, mas nem me deram qualquer hipótese... Podia ter saído do hospital, ou o R. podia ter saído do trabalho mais cedo, para nós estava fora de questão deixá-lo nesse estado... Espantosamente, a directora do RAM disse-nos que isso estava fora de questão porque não fazia sentido nós deixarmos de trabalhar a cada capricho do Gui e nem percebia o motivo de nós estarmos contra a ama...

 

Depressa compreendi que a directora do RAM estava completamente feita com a ama, sendo assim era mais do que óbvio... A reunião ía terminar muito mal...

 

Respirei fundo, tentei manter-me calma, porque queria ouvir o que a Aurélie tinha para dizer agora... Enquanto isso o R. mantinha-se calado a ouvir tanta barbaridade junta, tinha combinado comigo que não iria falar porque tinha receio de não se saber exprimir, por isso cabia-me a mim demonstrar o nosso desagrado total...

 

A Aurélie dirigiu-se a nós com um tom agressivo e disse-nos que sentia que eu nunca confiei nela e que esse era o motivo principal para o Gui nunca ficar bem na casa dela, que estava ali para mostrar a sua preocupação em relação a ele, que tinha que conhecer melhor a forma como nós o tratávamos em casa porque ele não podia ser o centro do mundo... Que a culpa era nossa porque a nossa vida girava em função dele... Que só queria colo, que não brincava com os outros meninos, que não suportava estar sozinho, que não gostava da filha mais nova dela, e que assim era difícil... Por isso teríamos que fazer um plano adaptado...

 

Cada palavra que ela dizia deixava-me com mais raiva dela, mas mesmo assim conseguimos manter a calma e decidi que era a minha vez de falar...

 

Comecei por lhe perguntar o motivo dela estar a falar com aquele tom de voz tão agressivo, quando ela diz ser tão profissional... Mas ela simplesmente negou, e o cúmulo foi quando a directora do RAM a defendeu, dizendo que aquele era um tom de voz de alguém com sentimentos que queria ajudar e fazer o melhor pelo nosso filho... 

 

Estava cada vez mais incrédula com toda aquela situação, desde quando alguém fala assim e acha que é sentimental?! Desde quando alguém que é profissional, precisa de o repetir?!...

Perguntei-lhe se achava normal o que ela tinha feito e dito na segunda-feira... Ter chegado de manhã com o Gui e ela falar para para ele toda enervada a apontar-lhe o dedo e a dizer que ele era tirânico, que sabia bem o que tinha feito...

Tirânico??? Desde quando um bebé de 12 meses pode ser tirânico??? Mas que raio de afirmações uma ama faz para uma mãe???

Se achava bem ela estar a gritar com a filha dela... E porque motivo ela afirmava que eu nunca tive confiança nela e por esse motivo o Gui nunca ficava bem...

Que a nossa vida girava em função do Gui?! Claro que sim, éramos pais de primeira viagem, e toda a gente sabe que quando o primeiro filho nasce a vida muda completamente e as prioridades deixam de ser as "nossas" e passam a ser "ele"...

Nunca ficava bem?! Mas afinal nos outros dias todos também tinha havido problemas?!

Disse-lhe que se houve um dia que não tive confiança nela, esse dia foi na terça-feira, quando a vi completamente descontrolada e irreconhecível... E confessei até que naquele dia nem sei como consegui trabalhar...

Terminei por lhe perguntar algo que nos esquecemos de fazer na entrevista de emprego: há quanto tempo ela trabalhava como ama (em francês, assistante maternelle)...

 

Num tom sempre ameaçador, a Aurélie, disse que era perfeitamente normal ela ter falado assim com o Gui, que falava assim com os bebés a partir do 4 meses, porque a partir dessa idade eles sabem bem o que estão a fazer... 

Que tirânico não era uma palavra chocante, que ela própria tinha passado por isso com a filha mais velha quando entrou para a creche, que também lhe tinham dito que ela era tirânica...

Que não tinha gritado com a filha, apenas queria que ela fosse comer e não interrompesse a nossa conversa...

Que a nossa vida não podia girar e mesmo função do Gui, ele é que se tinha que adaptar porque depois ele vai achar que é o centro do Mundo...

E que eu não tinha confiança nela porque nunca dizia ao Gui que ele ía ficar com ela, que eu criava uma espécie de "bolha" que impedia que qualquer mulher se aproximasse dele...

E respondeu-me que trabalhava desde Setembro passado, há mais ou menos 9 meses... 

 

Esta última afirmação tinha-me deixado completamente esclarecida,  afinal a experiência dela era quase nenhuma... Horrorizada com tudo o que ela tinha acabado de dizer e sobretudo com o parecer positivo da directora do RAM, fiquei sem palavras só conseguia pensar nos dias que o Gui tinha ficado com ela...

Tudo aquilo parecia demasiado surreal, tão surreal que só me vinha à cabeça que elas pudessem estar a arquitectar um plano qualquer... Lembrei-me tanto daquela reportagem de adopções forçadas no Reino Unido... Já não sabia mais o que pensar...

Foi então que a directora olhou para nós e pediu que o importante agora era estabelecer um plano porque amanhã era um novo dia e tínhamos que ver como tínhamos que agir com o Gui... 

 

Olhei para o R. e respondi-lhes que não havia mais amanhã nem depois, que o Gui não iria voltar nunca mais, e que a Aurelie estava demitida a partir daquele dia porque era impensável para nós deixarmos o Gui com uma pessoa que perdemos a confiança...

Quem me dera ter gravado a cara delas quando acabei de dizer isto... Só me lembro da Aurélie a tentar pegar nos óculos de sol e nas chaves de casa, que estavam em cima da mesa, ao mesmo tempo que barafustava a perguntar o que estavam ali a fazer então... Que não fazia sentido nenhum o que que tínhamos feito, que as filhas nem se tinham despedido do Gui  que já fazia parte da família, e que ainda tinham ficado coisas dele na casa dela...

O pior, foi quando a directora do RAM respondeu também que estávamos a agir de má fé, que devíamos ter dito logo que o Gui não ía mais, porque assim nem tínhamos feito nenhuma reunião... Que tínhamos que pagar tudo o que lhe devíamos,  incluindo os 15 dias que ainda estavam por vir porque era necessário avisar com antecedência... E que a Aurélie podia deixar o saco com os pertences do Gui ali na instituição...

 

Mais uma vez, respirei fundo, engoli em seco, e disse-lhe que para nós não tinha sido uma perda de tempo, tinham que ouvir o que tínhamos para dizer, e era lógico o Gui não continuar lá e que, não tinham que se preocupar quanto ao pagamento, pagaríamos todos os direitos tal como a lei manda...

 

De forma a agilizar todo o processo, informei que enviaria a carta de rescisão de contrato no sábado, em correio registado com aviso de recepção e que passaria depois no RAM para deixar todos os documentos necessários, bem como mostrar os cálculos para o pagamento do que devíamos à ama... 

 

Saímos dali completamente incrédulos com toda aquela situação e ainda hoje não consigo acreditar como é que aquela senhora que se diz directora do RAM pôde compactuar com toda aquela situação...

 

Mas a história não termina aqui... Depois disto, o filme de terror ainda continuou por mais algum tempo...

 

(continua amanhã)

O DIA EM QUE O NOSSO MUNDO TREMEU

O PESADELO DA PRIMEIRA AMA

Quando o Gui nasceu se havia receio que nós tínhamos era ter que o deixar com alguém "desconhecido" quando eu voltasse a trabalhar... Preferíamos que ele tivesse ido para uma creche porque, à partida, o risco de encontrar alguém "menos profissional" era menor, pelo menos haveriam mais adultos presentes... Infelizmente acabou por se tornar uma missão impossível, e não tivemos outra escolha se não procurarmos uma ama... Não foi fácil, mas encontramos uma, perto da nossa casa...

 

Fizemos a entrevista à ama, fomos conhecer a casa, as rotinas, o ambiente onde o Gui iria ficar e demos-lhe a conhecer as rotinas dele... A ama era francesa, chamava-se Aurélie L., tinha 31 anos, parecia simpática, prestável e afável com os bebés... Era casada, tinha duas filhas, uma de 4 anos e outra com 1mês menos do que o Gui... Parecia que reunia todas as condições que procurávamos...

 

O Gui começou a ir para a ama exactamente no dia 28 de Março, altura em que começou a fazer a integração, pois eu recomeçava a trabalhar no dia 3 de Abril...

 

Assim que comecei a trabalhar, eu levava o Gui e o R. ía buscá-lo... Mas como ele tinha algum receio de não compreender tudo o que ela fosse dizer, ficou estabelecido que ela iria escrever num caderno as coisas mais pertinentes que tivessem ocorrido durante o dia...

 

Tudo parecia normal, até que em Junho o Gui ficou uma semana em casa, doente com uma gastroenterite... Foi provavelmente a pior semana que o Gui teve doente... Vomitava imenso, tinha muita diarreia e alimentava-se muito mal, a sorte é que ele bebia muito bem a solução de hidratação prescrita pelo médico... Quando voltou para a ama, escrevi no caderno o que se tinha passado naquela semana, que o Gui esteve ausente, e pedi que ela fosse um bocadinho mais paciente porque sabia que ele ainda não estava completamente em forma, e fiz questão de lhe dizer isso pessoalmente...

 

Foi exactamente nesse dia, dia 26 de Junho de 2017, no primeiro dia que o Gui voltou depois de estar ausente durante 7 dias, que ficámos a conhecer a verdadeira Aurélie...

 

O R., como era habitual foi buscar o Gui no fim do trabalho e enviou-me uma fotografia da mensagem que a Aurélie tinha escrito no caderno... Fiquei parva a olhar para aquele texto, sem compreender o que se tinha passado, e até mostrei à minha colega que estava a trabalhar comigo... Alguma coisa de anormal tinha que ter acontecido... Liguei imediatamente para o R. para perceber melhor do que se tratava... O R. também estava desorientado com aquela situação pois ela só lhe tinha dito que o Gui tinha chorado um "bocadinho mais que o normal", mas que estava tudo explicado no caderno...

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Tentei ligar para ela, umas duas ou três vezes, mas sem qualquer sucesso... Eram 23h e uns quantos minutos quando no meu telemóvel entrou uma SMS a dizer "que tinha ido a uma aula de Yoga, para não me preocupar, que amanhã de manhã falávamos melhor"...

 

Como não me preocupar quando ela deixa uma mensagem a dizer que "devido a um acidente ela quer falar comigo pessoalmente e que chamou a responsável do RAM para intervir na casa dela, e devido a isso ela propôs uma reunião dali a 3 dias, com a responsável do RAM, comigo e com o R.?! 

 

Naquela noite não dormi, nem queria acreditar no que estava a acontecer... Ainda por cima, no dia seguinte ía trabalhar e tinha uma reunião com a Directora Dos Cuidados de Saúde do hospital onde trabalho porque tinha escrito uma carta ao hospital para pedir demissão, uma vez que a minha Chefe não me queria dar férias no Verão, alegando que não tinha direito (e eu com o Batizado do Gui todo programado)... Não tendo alternativa, e mesmo tendo acontecido esta situação muito estranha, o Gui teria mesmo que voltar  a ficar na ama...

 

No dia seguinte, tentei ir uns minutos mais cedo para esclarecer o que se tinha passado, queria compreender porque motivo ela tinha chamado alguém de fora para intervir e não me ter telefonado directamente a mim... Mal ela abriu a porta, o Gui começou a chorar agarrado-se a mim como que a dizer que não queria ficar ali... Perguntei-lhe que "acidente" tinha acontecido para ela chamar outra pessoa e demonstrei toda a minha preocupação... Mas mal ouviu a palavra "acidente", parece que a tinha ofendido, começou por dizer que era um "incidente, e não um acidente, que eu tinha percebido mal... que o Gui tinha chorado compulsivamente o dia todo, que era impossível ele ficar a dormir no berço porque berrava e transpirava imenso, que ele não suportava a filha dela (que tinha um mês menos), que tínhamos que ver melhor as rotinas dele em casa, e que ele era TIRÂNICO..."  Enquanto ela dizia, enervada, todas estas barbaridades, a filha de 4 anos vinha imensas vezes ter connosco, porque ela adorava o Gui, e ela gritava com ela para estar calada e ir comer... Estava petrificada com aquele cenário, nunca a tinha visto assim... Contei baixinho até três, respirei fundo, e procurei não demonstrar o meu "pânico", disse-lhe que efectivamente ela tinha escrito "acidente", e tentei saber o motivo dela não ter ligado para mim quando eu trabalhava perto, ainda por cima ela sabia que ele ainda não estava muito bem... Sempre num tom agressivo, disse-me que a culpa era minha porque vivíamos em função dele, que eu não tinha confiança nela e ele sentia isso e era por isso que ele ficava sempre a chorar quando o deixava... Repetiu três ou quatro vezes que ela era "bastante profissional", que era especializada em crianças com necessidades especiais... E enquanto dizia isso, o Gui continuava agarrado a mim... Dirigiu-se a ele, apontando-lhe o dedo, e com um tom ameaçador, disse-lhe que ele "sabia bem o que fazia, que não podia ser assim, que o mundo não girava à volta dele, e que ele era tirânico, que ía ter que mudar"... Tinha vontade de sair dali a correr com o Gui, sem olhar para trás, mas mesmo com o coração completamente despedaçado, e incrédula com toda aquela situação, deixei o Gui e fui trabalhar... Se fosse hoje, nunca o teria feito...

 

Entrei no carro e chorei compulsivamente, liguei ao R. a contar-lhe o que se tinha passado e avisei-o que o Gui não iria nunca mais ficar lá, mas que a Aurélie não podia saber disso... Naquele dia, nem sei como consegui trabalhar... Não consegui esconder a preocupação que tinha, chorei imensas vezes por ter receio que ele não pudesse estar bem, contei à minha chefe e até ela achava a situação bastante estranha... Fui à reunião, a Diretora pediu-me para não rescindir contrato e negociou as férias de Verão comigo... Tinha um problema a menos para tratar...

 

Durante a manhã, a responsável do RAM ligou para o meu telemóvel... Lembro-me das primeiras palavras dela: "bom dia, não fique preocupada com o que aconteceu ontem, o seu filho não tem qualquer problema de saúde, mas precisamos de perceber como são as rotinas do Gui em casa porque a Aurélie não está a conseguir lidar com ele... Queremos conhecer melhor como vocês o tratam..." Ouvi incrédula tudo o que ela disse e respondi-lhe que na quinta-feira estaríamos então na tal reunião que tinha sido programa por elas... Estava ansiosa por esse dia...

 

O meu objetivo agora era encontrar alguém de confiança para o Gui ficar na próxima sexta-feira e nos outros dias que eu tivesse a trabalhar... Estávamos no final de Junho, com as férias de Verão à porta ficava difícil encontrar alguém e eu também tinha muito medo de o deixar com outra pessoa, tinhamos que ter muita atenção antes de contratar novamente alguém... Falei com as minhas duas amigas e, com algumas trocas que fiz no horário, conseguimos que o Gui ficasse com elas nos dias que eu trabalhava... O mês de Julho estava resolvido, faltavam agora alguns dias em Agosto... 

 

Liguei para a minha mãe e disse-lhe que precisava dela 15 dias em Agosto porque o Gui tinha ficado sem ama, mas não lhe consegui contar a verdade, não a queria preocupar mais do que eu estava... Felizmente, conseguimos encontrar a melhor solução para o Gui, pelo menos até às férias de Verão...

 

No final do dia, o R. foi buscar o Gui e agiu normalmente de forma a Aurélie não perceber que o Gui não iria nunca mais...

 

No dia seguinte estava de folga, precisava de desabafar... Liguei às minhas amigas e marcamos um almoço juntas... O Gui que estava super à vontade com elas, assim que as viu agarrou-se a mim e começou a chorar... Olhámos umas para as outras e rapidamente percebemos que o Gui estava realmente bastante perturbado... Felizmente à medida que o almoço ía decorrendo, o Gui foi ganhando confiança, deixando-nos mais tranquilas para os próximos dias em que ele iria ficar com elas...

 

(continua amanhã)

NO DIA MUNDIAL DA URTICÁRIA...

O GUI TEVE URTICÁRIA

No Dia Mundial da Urticária decidi falar um bocadinho deste tema e partilhar a minha experiência pessoal...

 

A data foi implementada em 2014, pela "Asociación de Afectados de Urticaria Crónica - AAUC" (uma organização espanhola sem fins lucrativos) devido à importância desta doença e ao aumento do número de casos a nível mundial. A doença ainda é bastante desconhecida, por isso existem muitos doentes que demoram anos para o correto diagnóstico, tratamento e controle do quadro.


A urticária caracteriza-se por lesões avermelhadas, com o centro mais claro e bordos mais vermelhos, e que quando pressionada com o dedo tem tendência a clarear, que dão prurido (comichão) e incomodam bastante, e são popularmente conhecidas como “empolamento da pele”. As lesões podem ter forma e tamanho variáveis, formando muitas vezes placas que acabam por desaparecer espontamente sem deixar marcas. Em alguns casos pode haver edema (inchaço) de algumas regiões (lábios, pálpebras, orelhas), conhecido como angioedema, e ocorre quando as lesões comprometem a camada mais profunda da pele (derme). A doença  não é transmissível, por isso não existe possibilidade de contágio entre pessoas.

 

Para classificar os tipos de urticária utiliza-se a duração da doença e as causas subjacentes. Assim, considera-se uma urticária aguda quando dura menos de 6 semanas e urticária crónica quando excede as 6 semanas. 

 

A urticária aguda é muito frequente. Estudos apontam que cerca de 20-25% das pessoas vai apresentar um episódio de urticária aguda pelo menos uma vez na vida. Ocorre frequentemente em pessoas com doenças atópicas (como rinite, asma ou eczema atópico), em crianças e adultos jovens. A maior parte das situações de urticária aguda tem uma causa infeciosa, provocada por um vírus, sobretudo nas crianças. E na maioria dos casos não se chega a saber qual a causa (idiopática). Desaparece espontaneamente ao fim de umas semanas (máximo 6 semanas).

 

urticária crónica, é uma doença difícil de controlar, sobretudo quanto mais tempo tem de evolução, daí ser importante uma história clínica aprofundada e a orientação de uma referenciação atempada a um Médico Alergologista. Estima-se que apenas 1% da população possa desenvolver esta forma mais grave da doença. 

 

Relativamente às causas, consideram-se dois grandes subgrupos: urticária espontânea e urticárias induzíveis (ou urticárias físicas). Na urticária espontânea, como o próprio nome indica, as lesões aparecem espontaneamente, ou seja, não é causada por nenhum agente externo, mas sim pelo próprio organismo. Na urticária induzível existem fatores externos, como o frio, o calor, a exposição ao sol, o contato com a água, a pressão física sobre a pele e até mesmo a realização de exercícios físicos, que podem desencadear os sintomas.

 

Não existem opções terapêuticas curativas para esta doença, o tratamento é basicamente sintomático, de forma a  melhorar/eliminar os sintomas, mas que não resolvem o mecanismo que produz a urticária. 

 

Não existe qualquer tipo de tratamento natural com efeitos comprovados, e também não está indicado o uso de qualquer tipo de pomadas. No entanto o doente pode tomar algumas medidas que ajudam: evitar os elementos desencadeantes da doença (caso existam e sejam conhecidos), um duche com água morna e sabonete/gel de banho adequado a uma pele sensível, e a aplicação de um creme hidratante.

 

O Gui teve uma urticária aguda com 3 anos, estava eu grávida de quase 40 semana do Martin... Lembro-me de ficar super alarmada por não saber do que se tratava, se era contagioso e se iria passar... Tive muito receio por ele e pelo Martin que ainda estava na "minha barriga"... Começou por aparecer nos braços, depois nas pernas, nas coxas e nas nádegas, sendo que era nas pernas e coxas que estava mais exacerbado... Marquei uma consulta para saber do que se tratava e deram-me o diagnóstico de urticária... Fiquei um bocadinho mais descansada, mas confesso que tinha um certo receio que o diagnóstico pudesse não estar certo, tanto que na altura nem fui capaz de falar deste assunto aqui no blog... 

O tratamento baseou-se apenas na hidratação cutânea, felizmente ele não tinha muito prurido caso contrário teria sido pior... Ainda assim, foram precisas umas 3-4 semanas para o Gui ficar completamente sem aquelas borbulhas/placas, que felizmente nunca mais apareceram.

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E por aí, quem já passou por esta situação?

OS BIFES ANDAM NO MAR?

Ultimamente o Gui tem colocado uma série de questões em relação ao que comemos em casa, tem imensa curiosidade em saber o que vai ser o almoço ou o jantar e coloca bastantes questões sobre "a carne ou o peixe"... 

Um dia destes, perguntou-me se comíamos mesmo o pato quando comíamos arroz de pato... Outra vez pergunto-me que "carne é o frango"... Se comemos mesmo o coelho... E a última, foi quando lhe disse que o jantar era bife com arroz seco e ele, todo intrigado, perguntou-me se "os bifes andavam no mar como os peixes"...

Confesso que estas perguntas deixam-me um bocadinho desorientada, e nem me lembro se alguma vez eu questionei os meus pais sobre este assunto... Acabei por lhe explicar um bocadinho da cadeia alimentar e acho que ele compreendeu, mesmo ficando bastante intrigado com o facto de comermos certos animais que ele tanto idolatra...

Não aprofundei muito o assunto mas tenho noção que, mais tarde ou mais cedo, vou ter que o fazer porque ele tornará a fazer novas perguntas e bem mais estruturadas... 

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E por aí, também já vos colocaram este tipo de questões? Como fizeram para lhes explicar?!

 

EFEITOS DA PANDEMIA

Coisas de Mãe

O Martin tinha exactamente 8 meses quando o confinamento começou aqui em França... Foram 2 meses sem sair praticamente, apenas saíamos para as consultas de Pediatra... E mesmo depois do desconfinamento, e uma vez que existia (e existe) um risco elevado da transmissão do vírus, nunca mais fomos às compras com o Gui e o Martin... Se os levamos meia dúzia de vezes ao supermercado/shopping foi muito... 

Tinhamos uma luz que acendia no painel do carro e combinámos com o mecânico deixar o carro e ir buscá-lo no dia seguinte... Como o R. corria o risco de chegar tarde a casa, saí primeiro... Deixei o carro e liguei ao R. para saber se ía demorar, pois tinha o Gui e o Martin sem paciência para estarem à espera... Ainda demorava um bocadinho, por isso hesitei se entrava numa loja ou não...  Incrivelmente, a loja que eu queria entrar estava praticamente vazia, por isso disse ao R. que estaríamos lá à espera dele...

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Mal entramos na porta, o Martin começou a gritar eufórico com tanta coisa que via... E gritou do princípio ao fim, em todos os corredores, queria apanhar tudo e estava super entusiasmado por estar num espaço assim...  Gritava tanto que o R. nem precisou de ligar para o meu telemóvel para saber exactamente o corredor que estávamos!

É impressionante como esta Pandemia afectou as nossas vidas, tanto que uma simples saída a um supermercado/loja deixa o Martin completamente doido! Os olhinhos do Gui também brilhavam de felicidade, por ter a oportunidade de ter ido a um lugar que já não ía há bastante tempo...

QUANDO AS TURMAS SÃO NUMEROSAS...

Emigrantes em Paris

... E tens um filho de 4 anos super tímido (fora de casa), corres o risco que ele não tenha a devida atenção que precisa...

Foi exactamente isso que aconteceu ontem ao Gui... No dia anterior, a Educadora tinha pedido aos pais para colocarem uma garrafa de água na mochila porque este ano, por causa da Pandemia, não podiam dar água nos habituais copos que existem na escola... 

Agora percebo aquela sede toda quando o ía buscar no final do dia, tinha mais sede do que fome, e bebia a água super rápido...

Ontem, coloquei-lhe então uma garrafa  de  água, pensando eu que a tinha bebido toda... Mas pelos vistos passou novamente sede porque não conseguiu abrir a garrafa, nem teve coragem de pedir a uma pessoa para lhe abrir! Fiquei com o coração apertado quando ele me disse que não bebeu água porque não conseguiu abrir a garrafa... Perguntei-lhe porque motivo ele não tinha pedido a alguém para o ajudar, ou se alguém não estava à beira dele para o ajudar, ao que ele simplesmente me respondeu que teve vergonha de o fazer!

Tentei explicar-lhe que ele ainda é pequenino e que vai precisar muitas vezes da ajuda de outros adultos porque a mamã e o papá nem sempre vão estar perto... Acho que ele percebeu a mensagem, mas duvido que numa próxima vez ele vá pedir ajuda... 

 

São nestes pequenos pormenores que vemos a sensibilidade que existe aqui em relação às crianças. Na minha opinião esta informação devia ser dada aos pais antes de começar a escola, e na escola devia haver mais atenção se as crianças bebem água suficiente, principalmente quando as temperaturas estão altas, como se fez sentir nos últimos dias...

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REUNIÃO ESCOLAR...

Emigrantes em Paris

Ontem foi dia de reunião de Pais, na escolinha do Gui, dia de conhecer o programa lectivo, o nome dos profissionais, as regras/normas gerais, o protocolo por causa da Pandemia, entre outras coisas...

As minhas suspeitas de que esta Educadora parecia bem mais simpática e atenciosa, do que a do ano passado, parece que estavam certas. Em relação à Covid-19 confirmei que pouco ou nada se faz em especial... São 30 crianças numa sala, sem qualquer tipo de distanciamento e onde a desinfecção do material escolar é exatamente o mesmo que antes da Pandemia... Enfim, é rezar para que tudo dê mesmo certo...

 

De tudo o que foi dito e se passou na reunião, houveram duas coisas que se destacaram e achei que era giro partilhar com vocês:

- a Educadora, de origem francesa, ter crescido e vivido na China e ter um projeto para a turma sobre a cultura chinesa, a celebração do Ano Novo Chinês e a aprendizagem de algumas palavras em mandarim.

O Gui bem me dizia que também sabia falar "inglês", e fartava-se de repetir umas palavras que, a meu ver, não se pareciam com nada... Quando lhe perguntava onde tinha apreendido isso, dizia que tinha sido na escola... Achei que era da imaginação dele, mas afinal aquilo a que ele chamava inglês era mesmo "chinês"!!!

- e ter descoberto que a mãe de uma menina tem exactamente o mesmo nome próprio e o último apelido do que eu!!! 

Nunca imaginei encontrar, aqui em França, uma pessoa com o mesmo nome do que eu... O engraçado foi preenchermos um papel com os nossos dados que passava por todos os pais, e quando passo a folha para essa jovem ela pergunta-me, super espantada, se aquele era mesmo o meu nome. E o interessante é que eu sou loira e ela é de origem Africana, mais precisamente de Cabo Verde!

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E por aí, o que mudou este ano lectivo?! Se é que mudou...

AS NOVAS REGRAS ESCOLARES...

COVID-19

Hoje quando liguei a televisão, falava-se muito do novo ano escolar e fiquei com uma sensação estranha por sentir que aqui as coisas não são levadas tão a sério...

Aqui a escola começou no dia 1 de Setembro, mas o Gui só voltou à escolinha no dia 11 por causa das nossas férias de Portugal e uma vez que a professora dele só iria começar nessa altura... Achei que com esta Pandemia a escola iria enviar algumas normas específicas para os pais, mas nada disso se verificou... Voltamos à escola como se nenhuma Pandemia houvesse, e assim que chegamos lá apenas haviam duas alterações:

- as 5 turmas não entram pela entrada principal, estão agora divididas em duas partes (3 turmas entram pela entrada das traseiras e 2 pela entrada principal);

- e o uso de máscara obrigatório (para os pais e profissionais).

O distanciamento social aparece afixado nos papéis do Ministério da Saúde, mas na realidade isso não acontece e parece não incomodar muita gente... É chegar à escola e ver os pais com os miúdos, todos aglomerados à espera que abram os portões da escola...

E a desinfecção das mãos? E a avaliação da temperatura? Isso também não faz parte das medidas, nem um desinfectante das mãos existe, muito menos um termómetro à vista...

Numa altura em que a França regista um número de contágio  tão alto, pela Covid-19, confesso que fiquei chocada quando vi tão poucos cuidados no início deste ano escolar. Vamos acreditar que tudo vai dar certo e não vai haver nenhum problema...

No meio disto tudo, vem a reunião aos pais só na próxima segunda-feira para falar deste novo ano lectivo... 20 Dias depois...

É impressão minha ou a França gosta de fazer tudo ao contrário?!

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E por aí, como foi o início deste ano escolar?