Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

UM EXEMPLO A SEGUIR

IMG_7188.JPGQuando trabalhava em Portugal, levava sempre o almoço ou o jantar de casa, pois ir à cantina do hospital acaba por ser dispendioso no final do mês... Confesso que não me lembro exactamente quanto pagava por cada refeição, até porque foram poucas as que fiz, mas ficava sempre entre os 4 - 5€... 

 

Aqui em França, como antes do Gui nascer trabalhava apenas no turno da noite, não tinha noção dos preços que se praticavam, pois as refeições eram feitas todas em casa. Agora que recomecei a trabalhar, e mudei para o horário diurno rapidamente cheguei à conclusão que não compensa nada levar a marmita de casa...

 

A cantina do hospital, onde trabalho, pratica preços surpreendentes, e por menos de 1.5€ podemos almoçar um prato de carne ou peixe, com a quantidade de acompanhamentos que quisermos! Uma verdadeira pechincha, não acham? E se quisermos, por pouco mais de 1€, podemos levar uma entrada e uma sobremesa. 

 

Pelos visto, estes preços são praticados em várias cantinas de hospitais, uma forma de facilitar a vida a quem trabalha! É pena que em Portugal não se faça a mesma coisa...

 

Aqui fica um exemplo que todas as empresas deviam seguir...

E A VIDA MUDOU...

Já devem ter reparado que ontem não publiquei nenhum post, isto de recomeçar a trabalhar e conciliar a vida profissional com a pessoal, faz com que fique sem tempo para dar um saltinho até aqui... Passo a explicar o motivo...

 

Recomecei a trabalhar no mesmo hospital, o que mudou foi o facto de deixar de trabalhar de noite e, a meu pedido, passei então para o turno diurno... O horário continua a ser de 12 horas de trabalho (das 7h45min às 19h45min), 11 horas remuneradas, pois temos 1 hora para o almoço que não é paga. 

 

A vantagem que existe no hospital que trabalho é que o horário é sempre igual, ou seja: existe um horário rotativo que nunca se altera, por isso podemos organizar a nossa vida para o ano inteiro em função disso. Só para terem uma ideia:

- numa semana trabalho 5 dias (segunda, terça, sexta, sábado e domingo)

- na semana seguinte 2 dias (quarta e quinta)

- a seguir, 3 dias (terça, sexta, sábado e domingo)

- e na última 2 dias (quarta e quinta)

- depois o horário repete-se com os 5 dias, e assim sucessivamente

Desta forma, e como a carga horária também é de 35horas/semana, acaba-se por ter muitas mais folgas do que num horário de 7horas/dia mas, não duvidem de uma coisa, nos dias em que se trabalha deixa-se mesmo de ter vida própria!

 

Este tipo de horário fixo, que não existe em Portugal é, sem dúvida, excelente. Foi com isto que conseguimos contratar uma ama para o Gui a tempo parcial, pois só precisamos que ele fique na ama durante a semana, e nos dias em que trabalho.

 

Recomecei então a trabalhar nesta segunda-feira, exactamente na "semana maior", naquela em que trabalho 5 dias... Como não havia vaga no serviço onde trabalhava de noite, mudaram-me para outro, algo que já sabia que podia acontecer, mas o importante para mim era deixar de trabalhar em horário nocturno.

 

Durante o tempo que tive de licença de maternidade, o hospital mudou completamente o programa informático para registar a informação dos doentes, medicação e afins, por isso precisava de alguma formação nesta área, além daquela que fazia parte do próprio serviço... As rotinas, as burocracias... Enfim... Quem está dentro desta área sabe bem do que falo....

 

Tive o cuidado de passar, na semana anterior, no serviço, para me apresentar à chefe e saber como iria ser a minha suposta integração... Apenas "um dia com uma colega", dizia ela... E se 1 dia eu já achava demasiado ridículo, mais ridículo foi recomeçar a trabalhar e colocar-me sozinha com uma ala só para mim...

 

Cheguei ao serviço a pensar que teria, ao menos, 1 dia para alguém me explicar minimamente as rotinas do serviço, mas nem isso me deram... Resultado: o serviço com 2 alas, com 1 enfermeira em cada ala... Veio um colega do departamento de formação, das 7h45min às 10h30min, para me explicar como funcionava o programa informático, ao mesmo tempo que me ajudava a distribuir a medicação aos doentes, e a avaliar as glicemias, as tensões arteriais e afins... (Sim, porque, tal como em Portugal, tudo é informatizado, e temos que registar tudo ao mesmo tempo que fazemos o nosso trabalho...)

 

Cheguei ao fim do dia "sufocada" com tanta informação que tinha recebido, sem falar que tinha 17 doentes, dois dos quais com alta clínica, e duas entradas de dois doentes transferidos de um outro serviço... Enfim, nunca vi disto em Portugal.... No mínimo, há sempre um mês de integração (dependendo do serviço)... Mas eu nem pedia tanto, ao menos meia dúzia de dias para me integrar minimamente em condições! No dia seguinte, como já conhecia minimamente as rotinas, acabou por correr um bocadinho melhor, mas mesmo assim ainda preciso de mais tempo, torna-se quase impossivel trabalhar correctamente assim!

 

Foram dois dias muito cansativos, porque as noites em casa também não foram propriamente para dormir... Com o Gui a acordar imensas vezes para comer, não ficou nada fácil acordar cedo, cuidar dele, levá-lo à ama e ir trabalhar... Fiquei com a sensação que passei a trabalhar de dia e de noite!

 

O que vale é que o marido acabou por se safar muito bem, e conseguiu dar o jantar ao Gui, o banho e preparar, ainda, o nosso jantar! 

 

Isto de acordar cedo fez com que o Gui adormecesse mais cedo também, por isso quando chegava a casa já ele estava a dormir! 

 

O fim-de-semana que vem promete ser interessante também... Vai ser a primeira vez que o Gui vai ter apenas o papá com ele...

IMG_7082.JPG 

ENFERMEIRA EM FRANÇA

 

Para trabalhar em França foi preciso inscrever-me na Ordem Nacional dos Enfermeiros – Ordre National des Infirmiers (ONI) - e na Agência Regional de Saúde - Agence Régionale de Santé (ARS) – nesta última, para obter o número de ADELI.

 

A primeira etapa para iniciar a inscrição na ONI foi relativamente fácil, fui ao site da ONI - http://www.ordre-infirmiers.fr/ - fiz o dowload do documento para a inscrição, reuni toda a documentação necessária e enviei tudo por carta registada com aviso de recepção. Depois foi só esperar que me enviassem um email com a data da entrevista.

 

A data da entrevista definiu a partida para a França… Saímos de Portugal no dia 3 de Agosto, no dia 5 de manhã apresentei-me no hospital e à tarde tive a entrevista na Ordem, com um dos conselheiros da Ordem.

 

Basicamente a entrevista consistiu numa série de perguntas básicas com o objectivo de avaliar o domínio do francês. No final, entregaram-me um documento de como estava apta para trabalhar em França. Estava  feito o meu registo na ONI.

 

O registo na ARS foi ainda mais simples, procurei na net o que era preciso para fazer a inscrição, incluindo a morada, dirigi-me ao local, preenchi um formulário, entreguei os documentos necessários e de imediato foi-me atribuído o número de ADELI (Automatisation des Listes).

 

 

 

Documentos necessários para a inscrição na ONI:

 

- formulário de inscrição da ONI devidamente preenchido

(http://www.ordre-infirmiers.fr/assets/files/000/inscription2010/IDE_inscription_tableau-ordre_salaries_octobre-2011%20V2.1.pdf)

- fotocópia do Diploma ou Certificado de Enfermagem original e traduzido;

- fotocópia da Declaração da Directiva Comunitária da Ordem dos Enfermeiros e traduzida (dos últimos 3 meses);

- fotocópia, frente e verso, do cartão de cidadão;

- fotocópia da Certidão de Nascimento;

- e Fotocópia da Folha de registo criminal original e traduzida.

 

 Este registo teve um custo de 30€.

 

 

 


                                                 

 

 

                                                Documentos necessários para a ARS:

 

- formulário Cerfan°10906*06  devidamente preenchido

 (https://www.formulaires.modernisation.gouv.fr/gf/cerfa_10906.do)

- documento da ONI que confere a inscrição 

- fotocópia do Diploma ou Certificado de Enfermagem original e traduzido;

- fotocópia, frente e verso, do cartão de cidadão.

E ASSIM EMIGREI…

Já todos sabem o motivo pelo qual emigrei e o motivo pelo qual vim aqui parar… Hoje achei que devia começar por contar como se desenvolveu todo este processo até chegar onde estou….

 

Comecei por fazer uma pesquisa no terreno... Não conhecia ninguém que fosse enfermeiro (a) e trabalhasse num país francófono, não tinha familiares próximos, nem amigos que vivessem num desses países… Por isso procurei saber se os meus amigos, colegas e até conhecidos podiam-me ajudar, se conheciam alguém que me pudesse orientar… Com o tempo fui-me apercebendo que este não seria o melhor caminho a seguir…

 

Comecei então a enviar currículos para várias agências de emprego que recrutavam para o estrangeiro, passei por algumas entrevistas, fiz até uma formação de francês numa dessas empresas, recebi alguns telefonemas…. Mas na verdade encontrei a melhor proposta de emprego nas Redes Socias: num grupo do Facebook.

 

A empresa oferecia: um contrato a tempo indeterminado feito directamente com o hospital, 35h de trabalho/semana, um salário atractivo, alojamento gratuito durante 6 meses… Localização: a cerca de 20km de Paris e a cerca de 15km do Aeroporto de Orly.

 

Não é que eu conhecesse alguma parte da França e até mesmo Paris, mas havia um ponto negativo nesta proposta: trabalhar apenas de noite, e esta ideia a mim não me agradava porque conhecia bem o quanto isto seria penalizante…

 

Os dias foram passando e fui reflectindo naquela proposta… Se no início fazer noites pareceu-me um obstáculo, com o tempo achei que poderia ser uma vantagem… Uma vantagem para ter tempo para aperfeiçoar a língua francesa, para me adaptar e para procurar trabalho para o meu marido…

 

Decidi então enviar o meu currículo para a empresa, fui de imediato contactada, via telemóvel, marcamos uma entrevista via skype para testar o meu nível de francês e fui seleccionada. Marcamos depois uma entrevista com o hospital (via skype) e, na mesma hora, fui contratada para trabalhar! Seria a proposta mesmo real?! Não conhecia a empresa que me estava a recrutar, não havia grandes referências na internet, e não conhecia o hospital…

 

Destino ou não, acabei por encontrar no Facebook, uma enfermeira que já tinha passado pelo mesmo processo de recrutamento, pela mesma empresa e pelo mesmo hospital… Falei com ela várias vezes pelo Facebook, contei-lhe os meus medos e tirei as minhas dúvidas…  A decisão de emigrar estava tomada!

 

Tratei de todos os documentos que eram necessários e traduzi aqueles que eram precisos… Antes de partir, e como era obrigatório, inscrevi-me na Ordre National des Infirmiers (ONI), em França, enviei todos os documentos que eram precisos, e duas semanas depois recebi a resposta… Tinha chegado o dia de emigrar!