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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS

Nem imaginam a azáfama que tem sido desde Maio... Entre caixotes, artigos a publicar (para vender metade das nossas coisas), organizações de eventos, somado com as inúmeras "coisas do dia-a-dia", pouco tempo tem ficado para "respirar"... 

O meu cérebro anda a mil e o meu corpo lá tem conseguido acompanhar... Mas confesso que não tem sido nada fácil gerir tanta coisa... 

Nem tempo tive de festejar o nascimento do meu sobrinho... Mas sei que a minha irmã e o meu cunhado percebem as nossas dificuldades actuais...

Agora até as videochamadas são raras e feitas sempre no "corre-corre"... 

Aos poucos a casa vai ficando vazia... Vazia de móveis, cada vez mais desorganizada, repleta de caixotes e amontoados de coisas que ainda não tiveram tempo de ser "devidamente catalogados"... 

O Gui e o Martin parecem acompanhar calmamente a situação...

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E o meu coração?! Esse nem se fala... Tem batido a 200ppl/min... O meu e o do R... 

Há dias que temos a certeza que estamos a fazer a melhor coisa do Mundo... Há outros que o medo nos invade por não sabermos se vamos tornar a encontrar o equilíbrio em Portugal... 

Há dias em que estamos motivados e cheios de energia, há outros que estamos cansados e inseguros...

Mas apesar destes sentimentos ambíguos, continuamos a encher caixotes e a fazer despedidas (que nem sempre são fáceis) porque lá no fundo o nosso desejo de partir fala mais alto...

A nossa vontade de voltar a viver em Portugal é tão grande que mesmo que o nosso plano não der certo não ficaremos arrependidos de termos tentado porque sabemos que a vida será sempre feita de escolhas... E muitas vezes, é preciso deixarmos coisas para trás...

E O MUNDO NOS CHAMA LOUCOS...

Desde que o Gui nasceu, fizemos a promessa que voltaríamos a Portugal de forma definitiva assim que ele completasse 6 anos... Ou pelo menos tentaríamos...

A ideia de ficarmos a viver para sempre num país que não é o "nosso" nunca fez parte dos nossos planos, por isso sabíamos que um dia teríamos que arriscar de novo...

A "Pandemia e o Putin" só veio agravar a economia Mundial, e Portugal não ficou de fora, o nosso coração tremeu mas decidimos que não poderíamos voltar atrás...

O momento é agora, e acreditamos que tudo vai dar certo... Mas se por acaso não der, temos o nosso plano B feito... Voltaremos para aqui e, desta vez, não iremos fazer planos para regressar tão cedo...

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QUANDO A COVID MORA EM CASA

O R. ao fim de 15 dias e de 2 testes positivos, repetiu ontem o teste à Covid-19 e hoje recebeu finalmente o resultado negativo. 

 

Para mim, estava infectado bem antes do dia 28 de Dezembro, porque começou com alguns sintomas bem antes dessa data, o problema é que ficamos sem certezas de nada pois ele sempre acreditou que era mais uma crise de sinusite... O problema é que para além das dores de cabeça insuportáveis e do "zumbido" nos ouvidos, o R. andava excessivamente cansado, com dores musculares, articulares e abdominais, por isso não descansei enquanto ele não fez o teste... Sem falar que, o Gui tinha tido duas noites super estranhas onde transpirou imenso sem qualquer motivo e andava com uma tosse irritativa, já o Martin também não andava muito bem, tinha feito duas vezes febre e andava também com bastante tosse...

 

O Martin tinha ido a uma consulta de Pediatria na semana anterior, e a médica achou melhor fazer o teste para despistar se ele tinha o vírus, porque na ama o pai de um dos meninos tinha testado positivo... Confesso que lhe custou um bocadinho, mas fiquei descansada quando o resultado foi negativo. Apesar disso, não descansei enquanto que o R. não foi fazer o teste também.

 

Felizmente, aqui, qualquer pessoa pode fazer um teste para despistar se está infectado com a Covid-19, as vezes que quiser, sem precisar de nenhuma indicação médica e de forma gratuita, por isso acabei por tomar a iniciativa e marquei-lhe um teste para descartar a hipótese que tinha na minha mente...

 

Infelizmente a minha suspeita acabou por se revelar numa certeza, o laboratório acabou por ligar ao R para lhe comunicar que estava positivo, e que teria que se isolar...

 

O protocolo, aqui, diz que a pessoa que testa positivo à Covid-19 é contactada pela segurança social, devendo isolar-se 7 dias, e após esses 7 dias pode voltar ao trabalho sem ser necessário repetir o teste (a menos que apresente sintomas e nesse caso terá que ser reavaliado pelo médico). Já as pessoas "contacto" devem fazer o teste à Covid 7 dias depois da ultima vez que estiveram com a pessoa infectada, mas se a pessoa viver na mesma casa deve fazer de imediato, e 7 dias depois do resultado positivo da pessoa infectada. Normalmente, todos os casos contacto recebem uma mensagem ou uma chamada telefónica da segurança social para serem infirmadas. Em ambos os casos, o tempo de isolamento é de 7 dias, a não ser que a pessoa "contacto" teste também positivo, e nesse caso caberá ao médico avaliar a situação.

 

Ficamos em isolamento assim que soubemos que o R estava positivo, embora só o R é que tenha recebido a chamada telefónica da segurança social, passados 3 dias. Marcamos consulta por videochamada com um médico de medicina geral de forma a ficar tudo documentado, porque nem a segurança social deu informações precisas de nada. Eu fiz o teste no dia seguinte e 7 dias depois, e ambos estavam negativos.

 

Voltei ao trabalho, 7 dias depois mesmo com o R. positivo, já o R. só vai voltar mesmo amanhã porque a empresa onde ele trabalha só permitia que ele fosse quando estivesse negativo. 

 

O cúmulo é que o hospital onde trabalho incentiva as pessoas a trabalhar mesmo que estejam positivas ou sejam caso contacto, já o R, que não  trabalha na área da saúde, não lhe permitem que transgridam as leis...

 

Confesso que acho super estranho eu ter testado sempre negativo, mas daqui a 15 dias vou fazer o teste serológico (colheita de sangue para saber se tenho anticorpos contra o vírus) para ter a certeza que não tive infectada antes do R. 

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Deste episódio todo, pude constatar, na primeira pessoa, que as medidas que o governo francês anuncia para o combate à propagação do vírus são de longe cumpridas pela população e até pelas entendidas reguladoras da saúde... Posso dizer-vos que liguei para a linha Covid-19 e a pessoa que me atendeu não soube dizer nada em relação às medidas a tomar e os passos a seguir, bastou uma pesquisa na internet para eu saber mais do que me souberam informar... Já o pessoal do hospital, senti que não aprovaram o facto de eu ter ficado 1 semana em isolamento... Depois ainda se admiram quando vêem os números de pessoas infectadas a aumentar... 

ENTRE O MEDO E A CORAGEM

COVID -19

Faz hoje exactamente um mês que recomecei a trabalhar, depois de um longo período de ausência por causa do "congé parental" que usufruí com o nascimento do Martin... Por esse motivo, não estive presente na primeira vaga da Pandemia, mas confesso que tive receio que o Estado fizesse uma requisição aos profissionais que não estavam a exercer funções na altura... Não foi o caso, acabei por usufruir desta licença até ao final, tal como tínhamos planeado, mas sabia que mais tarde ou mais cedo teria que enfrentar de perto esse inimigo tão temido...

 

Confesso que não pensei muito no meu regresso ao trabalho, até porque com o Gui e o Martin sempre cheios de energia mal tive tempo para o fazer... Mas talvez tenha sido melhor assim...  O facto de ter recomeçado a trabalhar já nesta segunda vaga, ajudou-me a enfrentar este medo com muita mais facilidade, estava rodeada por colegas que tinham estado na primeira, o que me deu uma certa confiança para não temer tanto o medo de ser contaminada ou contaminar os outros... 

 

Voltar a trabalhar no hospital tornou-me mais propícia a ter o vírus sim, a contrair a doença... Mas pior mesmo é lidar diretamente com o sofrimento dos pacientes que estão longe da família porque as visitas são proibidas... No serviço onde trabalho, os idosos são maioritariamente confusos, perguntam ou chamam pelos familiares vezes sem conta, muitos não percebem porque ninguém os vai visitar, e nós, profissionais de saúde, temos que tentar minimizar essa dor, estando mais juntos deles, transmitindo o nosso carinho, dando uma palavra amiga, mesmo que um minuto depois tenhamos que voltar a repetir o mesmo porque já se esqueceram... Mas muitas vezes, nem tempo temos para poder estar ali a "repetir o mesmo", porque os profissionais de saúde também são gente que ficam doentes, que estão cansados desta luta, e que acabam por não poder ir trabalhar... Há dias, em que trabalhamos com um número de profissionais de saúde tão reduzido que só me apetece "desaparecer", porque sei que nesses dias jamais estarei à altura para poder CUIDAR...

 

Trabalhar com pacientes COVID-19 afeta qualquer pessoa emocionalmente... É uma doença grave, muitas vezes, os pacientes têm  uma evolução fatal e irreversível... É muito bom, quando um paciente consegue combater a doença, mas bom mesmo é quando vejo pessoas a cumprir todas as medidas necessárias para evitar uma maior contaminação...

 

Infelizmente, e apesar de todas as restrições impostas, aqui em França, as pessoas parece que não querem acreditar no que está a acontecer, teimam em não cumprir as regras mais simples, talvez por isso sejamos o país da Europa com mais casos de pessoas contaminadas... E o pior disto tudo, é que o pico desta segunda vaga ainda nem sequer chegou, sem falar que é quase certo que esta segunda vaga vai durar bem mais tempo do que a primeira...

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A PARTE DO CORONAVÍRUS QUE NINGUÉM FALA

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Estarmos em casa todos juntos, 24 horas/dia, tem se revelado um verdadeiro desafio enquanto pais... Nunca tínhamos estado tantas horas seguidas juntos, por isso é a primeira vez que a nossa criatividade foi colocada ao mais alto nível... Quem tem filhos sabe bem do que falo... 

De repente o dia parece que passou a ter 48h... Parece que passamos o dia a cozinhar... Ainda mal acordamos, e tomamos o pequeno-almoço, e já estamos a pensar o que vamos fazer para almoçar e para jantar... E a quantidade de vezes que damos por nós a fazer compras online, para encher o frigorífico e os armário?! 

Depois vem os jogos e os joguinhos com os mais pequenos, as pinturas e as plasticinas, os recortes e as corridas no jardim, os jogos de bola e as aulas de ioga (sim, porque até aulas de ioga eu já inventei para fazer com o Gui)... Mas como o Gui é um ser insaciável temos que inventar e re-inventar... 

Nesta quarentena, atrevo-me a dizer, que já fiz mais receitas novas, já arrumei mais a casa, limpei o pó e o chão, do que nos últimos 6 anos que aqui estamos...

Ninguém nos preparou para esta quarentena, ninguém nos disse o quanto isto se iria revelar uma prova enquanto pais... Mas apesar deste "cansaço saudável" estamos gratos por podermos estar todos em casa e viver esta experiência única... Quem me segue sabe que, se não fosse pelo Martin, a esta hora estava na linha da frente no combate desta Pandemia porque a minha profissão assim o exige, mas não posso negar que me sinto mais tranquila deste lado... Desta vez, não sou um super herói que veste uma farda, mas sim um super herói que fica em casa a salvar vidas e a tentar tornar vidas mais criativas... E se querem saber, tem se revelado uma grande missão!

UM EXEMPLO A SEGUIR

IMG_7188.JPGQuando trabalhava em Portugal, levava sempre o almoço ou o jantar de casa, pois ir à cantina do hospital acaba por ser dispendioso no final do mês... Confesso que não me lembro exactamente quanto pagava por cada refeição, até porque foram poucas as que fiz, mas ficava sempre entre os 4 - 5€... 

 

Aqui em França, como antes do Gui nascer trabalhava apenas no turno da noite, não tinha noção dos preços que se praticavam, pois as refeições eram feitas todas em casa. Agora que recomecei a trabalhar, e mudei para o horário diurno rapidamente cheguei à conclusão que não compensa nada levar a marmita de casa...

 

A cantina do hospital, onde trabalho, pratica preços surpreendentes, e por menos de 1.5€ podemos almoçar um prato de carne ou peixe, com a quantidade de acompanhamentos que quisermos! Uma verdadeira pechincha, não acham? E se quisermos, por pouco mais de 1€, podemos levar uma entrada e uma sobremesa. 

 

Pelos visto, estes preços são praticados em várias cantinas de hospitais, uma forma de facilitar a vida a quem trabalha! É pena que em Portugal não se faça a mesma coisa...

 

Aqui fica um exemplo que todas as empresas deviam seguir...

E A VIDA MUDOU...

Já devem ter reparado que ontem não publiquei nenhum post, isto de recomeçar a trabalhar e conciliar a vida profissional com a pessoal, faz com que fique sem tempo para dar um saltinho até aqui... Passo a explicar o motivo...

 

Recomecei a trabalhar no mesmo hospital, o que mudou foi o facto de deixar de trabalhar de noite e, a meu pedido, passei então para o turno diurno... O horário continua a ser de 12 horas de trabalho (das 7h45min às 19h45min), 11 horas remuneradas, pois temos 1 hora para o almoço que não é paga. 

 

A vantagem que existe no hospital que trabalho é que o horário é sempre igual, ou seja: existe um horário rotativo que nunca se altera, por isso podemos organizar a nossa vida para o ano inteiro em função disso. Só para terem uma ideia:

- numa semana trabalho 5 dias (segunda, terça, sexta, sábado e domingo)

- na semana seguinte 2 dias (quarta e quinta)

- a seguir, 3 dias (terça, sexta, sábado e domingo)

- e na última 2 dias (quarta e quinta)

- depois o horário repete-se com os 5 dias, e assim sucessivamente

Desta forma, e como a carga horária também é de 35horas/semana, acaba-se por ter muitas mais folgas do que num horário de 7horas/dia mas, não duvidem de uma coisa, nos dias em que se trabalha deixa-se mesmo de ter vida própria!

 

Este tipo de horário fixo, que não existe em Portugal é, sem dúvida, excelente. Foi com isto que conseguimos contratar uma ama para o Gui a tempo parcial, pois só precisamos que ele fique na ama durante a semana, e nos dias em que trabalho.

 

Recomecei então a trabalhar nesta segunda-feira, exactamente na "semana maior", naquela em que trabalho 5 dias... Como não havia vaga no serviço onde trabalhava de noite, mudaram-me para outro, algo que já sabia que podia acontecer, mas o importante para mim era deixar de trabalhar em horário nocturno.

 

Durante o tempo que tive de licença de maternidade, o hospital mudou completamente o programa informático para registar a informação dos doentes, medicação e afins, por isso precisava de alguma formação nesta área, além daquela que fazia parte do próprio serviço... As rotinas, as burocracias... Enfim... Quem está dentro desta área sabe bem do que falo....

 

Tive o cuidado de passar, na semana anterior, no serviço, para me apresentar à chefe e saber como iria ser a minha suposta integração... Apenas "um dia com uma colega", dizia ela... E se 1 dia eu já achava demasiado ridículo, mais ridículo foi recomeçar a trabalhar e colocar-me sozinha com uma ala só para mim...

 

Cheguei ao serviço a pensar que teria, ao menos, 1 dia para alguém me explicar minimamente as rotinas do serviço, mas nem isso me deram... Resultado: o serviço com 2 alas, com 1 enfermeira em cada ala... Veio um colega do departamento de formação, das 7h45min às 10h30min, para me explicar como funcionava o programa informático, ao mesmo tempo que me ajudava a distribuir a medicação aos doentes, e a avaliar as glicemias, as tensões arteriais e afins... (Sim, porque, tal como em Portugal, tudo é informatizado, e temos que registar tudo ao mesmo tempo que fazemos o nosso trabalho...)

 

Cheguei ao fim do dia "sufocada" com tanta informação que tinha recebido, sem falar que tinha 17 doentes, dois dos quais com alta clínica, e duas entradas de dois doentes transferidos de um outro serviço... Enfim, nunca vi disto em Portugal.... No mínimo, há sempre um mês de integração (dependendo do serviço)... Mas eu nem pedia tanto, ao menos meia dúzia de dias para me integrar minimamente em condições! No dia seguinte, como já conhecia minimamente as rotinas, acabou por correr um bocadinho melhor, mas mesmo assim ainda preciso de mais tempo, torna-se quase impossivel trabalhar correctamente assim!

 

Foram dois dias muito cansativos, porque as noites em casa também não foram propriamente para dormir... Com o Gui a acordar imensas vezes para comer, não ficou nada fácil acordar cedo, cuidar dele, levá-lo à ama e ir trabalhar... Fiquei com a sensação que passei a trabalhar de dia e de noite!

 

O que vale é que o marido acabou por se safar muito bem, e conseguiu dar o jantar ao Gui, o banho e preparar, ainda, o nosso jantar! 

 

Isto de acordar cedo fez com que o Gui adormecesse mais cedo também, por isso quando chegava a casa já ele estava a dormir! 

 

O fim-de-semana que vem promete ser interessante também... Vai ser a primeira vez que o Gui vai ter apenas o papá com ele...

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ENFERMEIRA EM FRANÇA

 

Para trabalhar em França foi preciso inscrever-me na Ordem Nacional dos Enfermeiros – Ordre National des Infirmiers (ONI) - e na Agência Regional de Saúde - Agence Régionale de Santé (ARS) – nesta última, para obter o número de ADELI.

 

A primeira etapa para iniciar a inscrição na ONI foi relativamente fácil, fui ao site da ONI - http://www.ordre-infirmiers.fr/ - fiz o dowload do documento para a inscrição, reuni toda a documentação necessária e enviei tudo por carta registada com aviso de recepção. Depois foi só esperar que me enviassem um email com a data da entrevista.

 

A data da entrevista definiu a partida para a França… Saímos de Portugal no dia 3 de Agosto, no dia 5 de manhã apresentei-me no hospital e à tarde tive a entrevista na Ordem, com um dos conselheiros da Ordem.

 

Basicamente a entrevista consistiu numa série de perguntas básicas com o objectivo de avaliar o domínio do francês. No final, entregaram-me um documento de como estava apta para trabalhar em França. Estava  feito o meu registo na ONI.

 

O registo na ARS foi ainda mais simples, procurei na net o que era preciso para fazer a inscrição, incluindo a morada, dirigi-me ao local, preenchi um formulário, entreguei os documentos necessários e de imediato foi-me atribuído o número de ADELI (Automatisation des Listes).

 

 

 

Documentos necessários para a inscrição na ONI:

 

- formulário de inscrição da ONI devidamente preenchido

(http://www.ordre-infirmiers.fr/assets/files/000/inscription2010/IDE_inscription_tableau-ordre_salaries_octobre-2011%20V2.1.pdf)

- fotocópia do Diploma ou Certificado de Enfermagem original e traduzido;

- fotocópia da Declaração da Directiva Comunitária da Ordem dos Enfermeiros e traduzida (dos últimos 3 meses);

- fotocópia, frente e verso, do cartão de cidadão;

- fotocópia da Certidão de Nascimento;

- e Fotocópia da Folha de registo criminal original e traduzida.

 

 Este registo teve um custo de 30€.

 

 

 


                                                 

 

 

                                                Documentos necessários para a ARS:

 

- formulário Cerfan°10906*06  devidamente preenchido

 (https://www.formulaires.modernisation.gouv.fr/gf/cerfa_10906.do)

- documento da ONI que confere a inscrição 

- fotocópia do Diploma ou Certificado de Enfermagem original e traduzido;

- fotocópia, frente e verso, do cartão de cidadão.

E ASSIM EMIGREI…

Já todos sabem o motivo pelo qual emigrei e o motivo pelo qual vim aqui parar… Hoje achei que devia começar por contar como se desenvolveu todo este processo até chegar onde estou….

 

Comecei por fazer uma pesquisa no terreno... Não conhecia ninguém que fosse enfermeiro (a) e trabalhasse num país francófono, não tinha familiares próximos, nem amigos que vivessem num desses países… Por isso procurei saber se os meus amigos, colegas e até conhecidos podiam-me ajudar, se conheciam alguém que me pudesse orientar… Com o tempo fui-me apercebendo que este não seria o melhor caminho a seguir…

 

Comecei então a enviar currículos para várias agências de emprego que recrutavam para o estrangeiro, passei por algumas entrevistas, fiz até uma formação de francês numa dessas empresas, recebi alguns telefonemas…. Mas na verdade encontrei a melhor proposta de emprego nas Redes Socias: num grupo do Facebook.

 

A empresa oferecia: um contrato a tempo indeterminado feito directamente com o hospital, 35h de trabalho/semana, um salário atractivo, alojamento gratuito durante 6 meses… Localização: a cerca de 20km de Paris e a cerca de 15km do Aeroporto de Orly.

 

Não é que eu conhecesse alguma parte da França e até mesmo Paris, mas havia um ponto negativo nesta proposta: trabalhar apenas de noite, e esta ideia a mim não me agradava porque conhecia bem o quanto isto seria penalizante…

 

Os dias foram passando e fui reflectindo naquela proposta… Se no início fazer noites pareceu-me um obstáculo, com o tempo achei que poderia ser uma vantagem… Uma vantagem para ter tempo para aperfeiçoar a língua francesa, para me adaptar e para procurar trabalho para o meu marido…

 

Decidi então enviar o meu currículo para a empresa, fui de imediato contactada, via telemóvel, marcamos uma entrevista via skype para testar o meu nível de francês e fui seleccionada. Marcamos depois uma entrevista com o hospital (via skype) e, na mesma hora, fui contratada para trabalhar! Seria a proposta mesmo real?! Não conhecia a empresa que me estava a recrutar, não havia grandes referências na internet, e não conhecia o hospital…

 

Destino ou não, acabei por encontrar no Facebook, uma enfermeira que já tinha passado pelo mesmo processo de recrutamento, pela mesma empresa e pelo mesmo hospital… Falei com ela várias vezes pelo Facebook, contei-lhe os meus medos e tirei as minhas dúvidas…  A decisão de emigrar estava tomada!

 

Tratei de todos os documentos que eram necessários e traduzi aqueles que eram precisos… Antes de partir, e como era obrigatório, inscrevi-me na Ordre National des Infirmiers (ONI), em França, enviei todos os documentos que eram precisos, e duas semanas depois recebi a resposta… Tinha chegado o dia de emigrar!