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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

MALDITAS FÉRIAS

O Gui andava super feliz com a escolinha, até que vieram as famosas férias escolares... Foram 15 dias em casa, aproveitamos e fomos três dias à Alemanha ter com os meus pais e depois foi a vez dos pais do R. darem um saltinho até aqui para matar também saudades... Sem falar que logo a seguir à escola ter começado veio o feriado do 11 de Novembro... Resumindo: foram demasiados dias de férias, passados em boa companhia, por isso voltou a ser difícil regressar à escola... 

 

Hoje foi particularmente o dia mais difícil... Parecia que estava a deixar o Gui, na sala de aula, pela primeira vez... Chorou, abraçou-se a mim e pediu-me para o levar dali... Dei-lhe um abraço bem forte e tornei-lhe a explicar que a escola era um lugar agradável e que logo ele iria tornar a gostar de estar ali... Não ficou muito convencido, a vontade de vir embora era maior... A professora não valorizou esta atitude nem fez nada para o cativar... Valeu a auxiliar da sala que o tentou tranquilizar... Assim que ela lhe pegou na mão, saí apressadamente pois sabia que seria pior se eu ficasse mais algum tempo ali...

 

Não consigo compreender porque motivo existem estas férias nesta altura do ano... Com tantas férias ao longo de um ano lectivo,  é óbvio que fica difícil o processo de integração... Eu por acaso até estou em casa porque decidimos que ficava, mais uma vez, em "congé parental", mas se já tivesse começado a trabalhar o Gui teria que ficar nos chamados "tempos livres", e teríamos que pagar cada dia que ficasse lá, que por sinal não é nada de "graça"... Não consigo ver a lógica disto... Mais parece um negócio que outra coisa... Ninguém tem tantas férias para poder ficar com os filhos em casa... Enfim, se alguém me soubesse explicar o motivo destas férias, ficaria agradecida...

 

O que eu posso dizer é que esta semana é de partir o coração quando vou levar o Gui de manhã à escola... Há sempre umas três ou quatro crianças que choram pelos pais... Entrar neste ambiente logo de manhã acaba por ser constrangedor, pois por muito que eu tente que o Gui se abstraia deste panorama, fica muito difícil...

 

Fui buscá-lo à escola e com o ar mais tristonho disse-me que "não gostava da mamã"... Perguntei-lhe se era por o ter deixado esta manhã na escola, mas de imediato disse-me que "estava a brincar e que gostava muito de mim"... Senti que me disse aquilo para demonstrar que não tinha ficado contente comigo por o ter deixado esta manhã, e fez questão de dizer que amanhã não queria ir... Em breve serão as férias de Natal... E temo que voltaremos ao mesmo...

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VAI UM PEDACINHO DE QUEIJO?!

Ora aqui está uma rubrica que me lembrei de fazer de forma a dar a conhecer um bocadinho das tradições dos franceses...  Hoje venho falar de um dos alimentos mais consumidos pelos franceses: o queijo. Existem imensas variedades de queijo por aqui e, assim como eu bebo água diariamente, os franceses comem queijo!  Mas sabem qual é a principal curiosidade?!

 

O queijo faz parte do almoço e do jantar, e é sempre comido depois do almoço/jantar e antes da sobremesa, com um pedaço de pão a acompanhar (a famosa baguette) ou então acompanhado de uma bela salada verde! 

 

Confesso que a primeira vez que vi achei super estranho, mas depressa me apercebi que era uma tradição francesa bem enraizada porque até nos menus hospitalares e escolares é obrigatório o pedacinho de queijo estar lá para ser comido depois da refeição. Por isso não estranhe se vier até cá e reparar que lhe servem um pedaço de queijo antes da sobremesa...

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DIZEM QUE É MAIS BARATO AO KILO...

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Não sei se realmente isto é prática corrente mas que achei esquisito achei... No outro dia, quando fui ao supermercado reparei que se vendiam panelas ao kilo! Fiquei tão parva a olhar para aquela promoção que tive que registar aquele momento...

Já tinha visto, na feira, pessoas a vender toalhas de casa de banho ao kilo, mas agora panelas... Nunca tinha visto tal coisa! Mas será que é mesmo mais barato?!

E vocês, já tinham visto? Ou é só por cá que isto acontece?!

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A PRIMEIRA SEMANA DO GUI NA ESCOLA

Começamos a Escola com uma semana de atraso, e tínhamos muito receio que o Gui fosse penalizado por não ter estado presente na semana de integração... Felizmente tudo parece correr bem e, ao fim de quatro dias de aulas, o Gui já diz que "a escola é mesmo fixe"!

 

Hoje acordou e apenas disse uma vez que não queria ir à escola, desvalorizei aquela frase negativa e disse-lhe que tinha que tomar o pequeno-almoço para não ficar com fome e poder brincar com os novos amigos... A partir dali foi tudo demasiado simples, tão simples que até estranhei tanta vontade para regressar à escola depois de um fim-de-semana de festa cá em casa... Saiu do carro todo contente, pegou na mochila e no seu doudou, e dirigiu-se para escola apressadamente, entrou na sala de aula timidamente sem eu lhe dizer nada e nem olhou se quer para trás para me dizer um "até já"... No final do dia estava todo contente por ter estado na escola a brincar e disse até que amanhã queria ir para a escola outra vez!

 

Parece que o Principezinho Gui está mesmo muito crescido, e se em casa é um verdadeiro pestinha, na escola parece o "Anjinho Gabriel"... (Eh... Eh... Eh...) Agora é torcer para que tudo continue no bom caminho!

 

E por aí, como foi esse início de aulas?

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O PRIMEIRO DIA DE ESCOLA DO GUI

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O Gui começou a ir à escola uma semana depois desta ter começado, pois estávamos de férias em Portugal e não dava para vir antes... A directora da escola estava informada de tal e, a seu pedido, tinha mesmo entregue uma carta a informar sobre o mesmo...

 

Sabíamos que não ía ser muito bom ele perder a primeira semana de integração, mas à medida que as férias chegavam ao fim íamos explicando ao Gui o motivo dele ir para a escola assim que chegássemos à nossa casa...

 

Ontem foi o tal dia, o dia de começar a ir à escola... Comecei por acordá-lo, e mal abriu os olhos, sem me dizer o seu típico bom-dia, disse-me com um tom amuado que não queria para a escola... Contei-lhe maravilhas sobre a escola, e o motivo dele ter de ir, e deixei-o a reflectir sobre o assunto... Enquanto isso, eu vestia-me e preparava o Martin também... Sempre a resmungar, o Gui lá acabou por vir ter à sala, tomou o pequeno-almoço, coloquei-o prontinho para sair e lá fomos nós em direcção à Escola...

 

Durante o percurso de casa à escola, e por incrível que pareça, o Gui fartou-se de repetir que queria ir para a escola, mas assim que entramos na escola e fomos acompanhados à sala de aula o Gui começou a dizer que queria ficar com a mamã... Fiz-me de forte, tornei a explicar o motivo dele estar ali e prometi-lhe que o iria buscar... Ao fim de umas três tentativas, a Educadora (que não tem o ar mais simpático do mundo) pegou-lhe na mão e acompanhou-o a uma das mesas onde brincavam 3 meninas mais pequeninas... No mesmo instante, o Gui olhou para trás a chorar e a chamar por mim, disse-lhe chau e saí dali no mesmo instante... Confesso que foi duro vê-lo chamar por mim e ignorá-lo...

 

Assim que cheguei ao carro, senti que tinha um "nó na garganta e o coração apertado" só de pensar que ele podia achar que eu o tinha abandonado na "mão de pessoas estranhas"... Tentei abstrair-me daquele momento, fui para casa com o Martin, e durante aquele tempo imaginei todo o percurso que ele estaria a fazer naquele momento...

 

Eram 16h quando fui buscar o Gui, entrei na escola, dirigi-me à sala de aula para fazer fila, onde estavam já outros pais para recuperarem os filhos, e mal me viu desatou a chorar e a chamar por mim... Foram 2 ou 3 minutos ainda na fila, à espera de poder dar um abraço apertado ao meu Principezinho, e assim que ele saiu deu-me o abraço mais apertado e perguntou pelo mano...

 

Fiquei a saber que o dia tinha corrido bem, tinha chorado só quando o deixei, brincou com os alguns meninos da sala, dormiu 1h e meia, mas só almoçou o pão e a fruta... Sabia que o almoço na cantina da escola não lhe iria agradar muito, e dei por mim a reparar que ele não era o único pois haviam imensos país que já levavam com eles um lanche para dar aos filhos assim que eles saíssem da escola.

 

No regresso a casa, o Gui vinha cheio de fome, mas parecia contente, contou-me o que tinha feito durante o dia e fartei-me de rir quando ele me confidenciou que não gostou da comida da escola porque não era boa, pois ele gosta mesmo é de comer carne e arroz, e não tomates e cenouras!

 

Hoje, foi o segundo dia de aulas, acordou com a mesma filosofia de não querer ir, e eu tornei-lhe a contar maravilhas da Escola, e a dizer-lhe que era normal ele agora não gostar mas que com o tempo ía passar a adorar... Lá acabou por mudar de ideias e ceder... Dirigiu-se à escola contente, mas mal chegou à sala de aula queria vir embora.... Hesitou umas 3 vezes, e quando decidiu finalmente entrar, despedi-me de longe e vim embora apressadamente pois ouvi-o a choramingar...

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Vamos lá ver quantos dias vão ser precisos para ele se integrar, até lá é continuar a torcer para que ele esteja sempre rodeado de pessoas maravilhosas!

 

E por aí, como foi que tudo se passou? Que estratégias utilizaram para tornar esta fase mais fácil? Vá lá, partilhem connosco como foi...

DE VOLTA...

Depois de 33 dias em Portugal, foi tempo de regressarmos àquela que é a nossa casa... Saímos de Portugal na sexta-feira à noite e, ao fim de mais de uma dúzia de paragens em várias estações de serviço, com o Martin a "comer" a cada 2 horas e o Gui a dizer que a nossa casa era muito longe, lá chegamos ao nosso destino, no sábado à noite... 

 

Tenho que confessar que fazer a viagem de carro não foi nada fácil, e esperamos nunca mais a voltar a fazer, pelo menos nesta condição de "emigrante"... É demasiado cansativo, são muitos quilómetros a percorrer e acabam-se por perder dias de férias na estrada... 

 

Este ano, e com o Martin tão pequenino passamos umas férias sem grandes correrias... Confesso que senti saudades das típicas férias de Verão, com muito calor, muita Praia, muito Sol, muitas saídas à noite e jantaradas... Mas claro que deu para o mais importante: matar saudades daquele que será para sempre o nosso "pedacinho de terra"...

 

Nestes 33 dias, passados em Portugal, o Gui cresceu tanto e teve oportunidade de ter experiências únicas... Foi à Praia com a avó, apanhou caranguejos que depois os fez regressar ao mar, ajudou os avós em tarefas simples do campo, viu pintainhos nascer, brincou muito com os primos, saiu muito com os avós, fartou-se de "comer torradas e beber pingos", riu muito, saltou imenso, deitou-se tarde e acordou cedo, ganhou o gosto em comer gelados e iogurtes líquidos...  Fez imensas birras porque sabia que havia sempre alguém, que de uma forma ou outra, cedia aos seus caprichos... Coisas tão simples mas que o deixaram super feliz e com vontade de ficar lá para sempre...

 

O Martin, nos seus 17 dias de vida, acabou por fazer a sua mais longa viagem... É claro que não ficará com nenhuma memória desta viagem, mas terá o registo fotográfico das suas primeiras férias de Verão, onde terá a oportunidade de ver o quanto ele foi, desde sempre, amado...

 

Já nós, regressamos de coração cheio, com a certeza que um dia teremos que voltar a morar naquele pedacinho de terra, pois é lá que somos todos muito mais Felizes... E enquanto esse dia não chega, vamos aproveitar o melhor que esta terra tem para nos dar...

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6 ANOS

Foi exactamente no dia 3 de Agosto de 2013 que, eu e o R., entrámos no nosso carro e demos a maior volta da nossa vida... Uma volta que nos deu o passaporte directo para a tão famosa "emigração"...  Eram cerca de 1600km de caminho que tínhamos pela frente, por isso decidimos que faríamos a viagem em dois dias, e passaríamos a noite em Bordeaux...

 

E assim foi, chegamos ao nosso destino no dia 4 de Agosto, num domingo quente de Verão... Hoje, olhámos para traz e recordámos aquele dia como se fosse hoje... Hoje, olhámos para trás e apercebemo-nos do quanto fomos corajosos e determinados, quando decidimos entrar no nosso Peugeot 206, de dois lugares e sem ar condicionado, munidos com os nossos objetos pessoais mais importantes, e percorrer um "caminho completamente desconhecido"... 

 

Desde esse dia, eu e o R. nunca mais fomos a Portugal de carro.... Até que neste Verão o Martin nasceu, mais tarde do que eu pensava, e lá tivemos de repensar as nossas férias de Verão a Portugal... Depressa chegamos à conclusão que ir de avião estaria fora de questão por uma série de motivos: o preço da viagem de avião seria exorbitante pois seria comprado em cima da hora (andaria à volta de uns 1400€ para os 4, ou para os 3, porque o Martin não paga); o cartão de cidadão do Martin jamais ficaria pronto a tempo e horas (entre fazer, receber os códigos em casa e levantar o cartão, só lá para Outubro é que teríamos o cartão de cidadão na nossa mão); fazer o título de viagem seria uma missão complicada com o Martin tão pequenino (nem quero imaginar ter que ir para Paris e apanhar uma enorme seca no Consulado, porque lá não há prioridades para ninguém...); se fossemos de avião para Portugal, teríamos apenas o nosso "pequeno desportivo", um carro antigo e pequenino, sem ar condicionado, por isso seria uma missão quase impossível irmos passear os 4; sem falar das inúmeras coisas que era preciso levar connosco... Conclusão: ir de carro para Portugal era a nossa melhor opção para estas férias de Verão!

 

E assim foi, exactamente 6 anos depois da nossa chegada, fizemos a nossa viagem inversa... No dia 3 de Agosto de 2019... Desta vez, a 4, num carro maior e com ar condicionado, com os nossos corações cheios de saudade... Foi assim, que o Martin fez a maior viagem, com apenas 17 dias de vida... Confesso que foi uma viagem muito cansativa para todos nós... Fizemos inúmeras paragens para dar de mamar ao Martin, apanhamos muito trânsito em França, e o Gui fartou-se de perguntar se ainda era "muito longe"... Eram 21h quando paramos numa terriola em Espanha,  chamada Burgos, e alugamos um quarto de hotel para descansar... E tal como aconteceu há 6 anos atrás, chegamos ao nosso destino no dia 4 de Agosto, desta vez com um grande sorriso estampado nos nossos rostos!  

 

Agora é tentar aproveitar ao máximo estas férias de Verão para que no regresso possamos levar na mala apenas boas e saudosas recordações... 

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HÁ VIZINHOS E VIZINHOS...

A semana passada, eram 20h30, quando a campainha de casa tocou... Fui até à porta, e do outro lado estava um jovem que parecia querer entregar uma encomenda... Assim que abri a porta, o jovem perguntou-me se havia algum risco de deixar fora da porta uma encomenda para a minha vizinha... Assim que ele apontou para a porta, e vi um colchão de casal encostado à parede, respondi-lhe que não me parecia que alguém iria fugir com um colchão às costas ou dentro de um carro tão facilmente... Esta minha resposta deu motivo para uma tímida gargalhada, e ainda lhe respondi que não poderia ficar com a encomenda porque não conhecia os novos inquilinos, pois tinham acabado de se mudar para cá... Mesmo assim, ele decidiu deixar a encomenda e pediu-me que se ouvisse um barulho, no corredor, mais suspeito, para "espreitar" pela porta, não fosse o colchão evaporar-se dali... É óbvio que que com o Gui e o Martin era impossível apercebermo-nos de tal coisa, e confesso até que nunca mais quis saber do raio do colchão...

 

De manhã, quando acordei, tinha um bilhete com uma mensagem da minha nova vizinha a agradecer-me por ter recepcionado a encomenda! Fiquei incrédula a olhar para o bilhete pois a meu ver não tinha feito nada de mais, e muito menos estava à espera de um agradecimento destes... Um gesto simples que me deixou com um grande sorriso logo de manhã! Afinal parece que ainda existem por aqui vizinhos simpáticos...

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CONTADO NINGUÉM ACREDITA

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Hoje trago-vos mais um episódio da nossa vida que mais parece mentira... Começo a achar que tenho mesmo "que ir à Bruxa" pois parece que só a mim é que me acontece estas coisas...

 

Então é assim... Na passada terça-feira recebi um email da companhia de electricidade a informar-me que o contrato de electricidade tinha sido então cancelado tal como eu tinha pedido... Assim que abri o email, confesso que não valorizei, calculei que fosse um erro ou um vírus qualquer mas, sem saber bem porquê, não apaguei o email... Até que ontem tornei a receber um segundo email estranho... Um email dos correios onde me era enviado um selo para colocar na caixa os produtos que tinha que restituir à companhia de electricidade...  Naquele instante que abri o email não associei um email ao outro, e só quando estava a contar isto ao R., no final do dia, é que o "tico e o teco" fizeram um clique no meu cérebro e me fizeram acreditar que talvez houvesse mesmo um problema...

 

Como já era tarde e não dava para ligar para a companhia de electricidade, acabei por não ir ao site verificar se havia algum problema por lá relatado... 

 

Hoje de manhã, e já com mais calma, decido então entrar no site e qual não é o meu espanto quando abro a minha página pessoal e me deparo com a mensagem: contrato anulado, apenas tem acesso às últimas facturas de electricidade. Nem queria acreditar, afinal aqueles dois emails não tinham caído no meu email por mero acaso...

 

Assim que vejo esta mensagem, liguei de imediato para a companhia de electricidade para saber como é que o meu contrato tinha sido anulado se não tinha havido nenhum pedido da minha parte... Felizmente, do outro lado estava uma senhora bastante simpática (e que, diga-se de passagem, é bastante raro por aqui) que, ao fim de quase 30 minutos a analisar o meu dossier, confirmou que de facto o contrato estava cancelado desde Fevereiro de 2019 e estava agora no nome de um Sr. Costa... Mas como raio isto era possível?!

 

Assim que ela mencionou este apelido lembrei-me de ver nas caixas de correio este apelido português, e lembro-me que até comentei na altura com o R. que havia possivelmente um português que tinha acabdo de se mudar para o nosso imóvel... 

 

Ora, segundo ela, e não me perguntem como isto é possível porque nem eu consigo compreender, houve um erro na transmissão dos dados que fez com que o nosso contrato fosse cancelado e o Sr. Costa passasse a ser o novo "proprietário" e começasse então a pagar a electricidade consumida no nosso apartamento! 

 

O cúmulo é o contrato estar cancelado desde Fevereiro de 2019 e nós continuarmos a pagar a mesma mensalidade todos os meses... Alguém consegue perceber esta "salgalhada"?! Eu não... E confesso que não perdi mais tempo a tentar perceber como raio isto aconteceu, limitei-me a certificar-me que a electricidade não seria cortada e que tudo ficaria resolvido pois nunca tinha havido nenhum cancelamento da minha parte! 

 

Do outro lado da linha, a senhora garantiu que não precisava de me preocupar que tudo ficaria resolvido, pois tudo não tinha passado de um erro, e que no dia 29 de Julho seria contactada pelo serviço clientes para esclarecer melhor esta situação!

 

Felizmente, recebi o email bem antes de irmos de férias caso contrário teria ignorado completamente os emails e com um bocadinho de "sorte" teríamos a electricidade cortada quando regressássemos de Portugal...

 

É caso para dizer: contado ninguém acredita, não acham?!

CONTADO NINGUÉM ACREDITA

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Na passada quinta-feira passada fui fazer a última ecografia para saber então se o Martin estava bem posicionado para nascer... Com tanto calor disse ao R. que o melhor seria ficar em casa com o Gui pois tinha a certeza que iria estar um calor insuportável na sala de espera, sem falar do tempo de espera que iria haver... Não conhecesse eu o funcionamento do hospital...

 

Por uma questão de comodidade, e como já tinha falado num post anterior,  desta vez escolhemos a Maternidade que fica mesmo ao lado de casa, que pertence ao sistema de saúde público, sem falar que tem boa reputação (sempre ouvi muita gente a falar que o atendimento é muito bom)... Diga-se de passagem que pelo menos, até agora, tenho que concordar que, comparado com a Clínica onde o Gui nasceu (una Clínica do sector privado), esta Maternidade não fica em nada "atrás", pelo contrário, considero até que há um melhor acompanhamento de toda a gravidez...

 

No entanto, "há um grande se não" nesta Maternidade, o tempo de espera para realizar uma ecografia... Isto se a ecografia fôr realizada pelo Director do Serviço, que foi quase sempre o meu caso.... Nesse dia há que se estar preparada para se apanhar uma grandíssima seca...

 

Se nas últimas vezes, já achei um absurdo ter que esperar 2 e 3 horas, imaginem na quinta-feira passada... Um calor insuportável na sala de espera, sem luz (para não aquecer mais o espaço), com um mini ventilador ligado (que de nada servia), numa sala de espera repleta de grávidas, e eu com quase 38 semanas (9 meses!) ter que aguentar isto tudo durante 3 horas e meia!!!! É verdade, tive exactamente 3h30min para ser atendida e ter uma consulta de 3 minutos onde, basicamente, o médico apenas verificou com o ecógrafo se o Martin estava na posição cefálica!!! 

 

A boa notícia é que o Martin está bem posicionado para nascer, mas considero um absurdo este tipo de prática pois bastava fazer esta avaliação numa das consultas de rotina que vou... Tenho a certeza que muitas das grávidas que lá estavam, como eu, não precisavam de passar por este tipo de tortura, pois é simplesmente inadmissível este tempo de espera!!!

 

Com isto, eram quase 22 horas quando jantamos, pois assim que cheguei a casa a primeira coisa que fiz foi correr para o chuveiro! Por isso, se ouvirem pessoas a dizer que "na França o sistema de saúde é mais organizado", enganem-se... Aqui encontramos de tudo também... Infelizmente, já cheguei à conclusão que a má organização está em todo o lado... Era tão fácil evitar tanta coisa... Enfim...

A MINHA VIDA RESUMIDA NUMA IMAGEM

Parece que desta vez os metereologistas não se enganaram e o calor veio mesmo para ficar...  Hoje foi o dia mais quente deste Verão e a partir de agora, e durante esta semana, parece que vai ser sempre assim! Por isso, e como o calor ainda não derrete gorduras localizadas, lembre-se das medidas simples que a Direccção Geral de Saúde preconiza para estes dias de maior calor (caso não se lembre, basta clicar aqui).

 

Eu cá, com a minha super barriga, tive que hibernar hoje mesmo... Também não era para menos, pois com este calor todo a sede é mais que muita, e eu não tenho outra solução se não passar os meus próximos dias assim...

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CHARTRES

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Estávamos em Outubro, e andávamos a algum tempo a querer conhecer uma nova cidade que ficasse perto de Paris... Fizemos uma pesquisa na internet e, depois de vermos algumas fotografias e alguns comentários, acabamos por querer explorar Chartres...

 

Chartres é uma cidadezinha charmosa que fica a cerca de 80km de Paris, na região de Eure-et-Loir. Possui várias construções de séculos passados, com escadarias íngremes que levam ao rio Eure e construções da época medieval. A cidade é dividida em 2 partes: a parte alta e a parte baixa.

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Na parte alta encontramos o principal ponto turístico da cidade: a famosa Catedral de Notre Dame de Chartres. Não é uma Catedral qualquer, mas sim a Catedral mais representativa da Igreja Gótica da França. A sua construção teve início em 1145 e, em 1194, após um trágico incêndio, ela foi novamente estruturada, apesar disso, boa parte do que vemos hoje ainda é dos séculos XII e XIII.

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Declarada Património Mundial pela UNESCO, a Catedral Notre-Dame de Chartres foi construída no ponto mais alto da cidade e pode ser vista a mais de 20 km de distância. Mede cerca de 130 metros de comprimento e possui entre 32 e 46 metros de largura, além disso possui 9 portões esculpidos e é adornada por mais de 4.000 estátuas.

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Não muito longe da Catedral, mais precisamente no início da "Rue des Grenêts", existe a Igreja de St-Aignan (Église de Saint-Aignan), uma igreja muito antiga que foi reconstruída no século XVI.

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Bem maior que a igreja de St-Aignan é a Igreja de Saint-Pierre (Église de Saint-Pierre), uma igreja bem antiga do século XI que ainda preserva elementos do estilo gótico e belos vitrais do século XIV.

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Na parte baixa de Chartres situa-se o centro histórico da cidade que apesar de pequeno possui ruas cheias de lojas, mercados e restaurantes que mantiveram a beleza das arquiteturas medievais.

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Visitamos Chartres num sábado à tarde e ficamos encantados com as construções pitorescas, as ruazinhas estreitas, as casas antigas nas margens do canal, e os lindos vitrais das igrejas... Algo que vale mesmo a pena fazer é a volta pela cidade no comboio turístico, pois fica-se com uma visão muito mais completa desta bela cidade!

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DEUS TE LIVRE DO MAU VIZINHO QUE É A PIOR PRAGA QUE EXISTE!

Lembram-se do post que um dia destes fiz por causa do nosso jardim ter virado um cinzeiro?! Pois é, felizmente esse problema ficou imediatamente resolvido depois do tal aviso que fiz... Desde essa altura nunca mais houveram problemas, não sei se esses vizinhos foram embora, ou se foram advertidos pelo condomínio ou se até os meus panfletos surtiram o efeito  que eu tanto pretendia... O que é certo é que desde essa altura tudo andava mais ou menos calmo...

 

Tudo andava calmo até que na passada sexta-feira, por volta das 18 horas, a minha vizinha do terceiro andar decidiu lavar a varanda com a água aberta a todo o gaz... Escusado será dizer que assim que ouvi aquele barulho todo, e aquela água toda suja a cair no meu terraço, fui lá fora tentar perceber o que se passava... Olhei para cima, e qual não foi o meu espanto quando arrrogantemente ela do nada começou a dizer que não era culpa dela, que a água tinha que cair por algum lado e que ela estava no direito dela... Ora, eu, que até sou das pessoas mais calmas e pacientes do Mundo, de imediato fiquei "cega" com aquela explicação tão estúpida... Julguei que ía ter o Martin mesmo ali no jardim, de tão enervada que fiquei... Logo eu que detesto peixeirada.... Perguntei-lhe se gostava que lhe fizessem o mesmo e se o meu terraço/jardim eram agora uma lixeira a céu aberto... Mas nada do que eu dizia tinha importância, aquele ser acéfalo continuou a lavar a varanda durante uns 20minutos... Dez minutos mais tarde, o R. chegava a casa com o Gui, contei-lhe o que se tinha passado, e disse-lhe que achava que ela iria fazer aquilo mais vezes, pois vi pela cara dela que aquilo era uma situação perfeitamente normal... Com isto, o R. acabou por ter que limpar o nosso terraço, e eu limitei-me a fazer um e-mail ao Condominio...

 

O email enviado não teve nem se quer tempo de "chegar ao Condominio", e já a acéfala da vizinha, do terceiro andar, deitava um balde de água em pleno Domingo, às 14 horas, para o nosso terraço... Desta vez, a água só não apanhou o Gui porque ele tinha acabado de entrar na sala... De imediato, o R. e eu viemos até ao terraço para exigir uma explicação, e mais uma vez lá estava a acéfala com a maior cara de pau, debruçada na varanda, a dizer que não tinha feito nada de mais...  Mais uma vez, voltei a enervar-me, uma das vizinhas da frente acabou por dar-me um certo apoio, e lá voltei a enviar um novo email ao Condominio a explicar que era necessário fazer urgentemente alguma coisa....

 

Sei que ainda está muito cedo para deitar foguetes, mas desde domingo ainda "não voltou a chover" do terceiro andar, e espero bem que não volte a acontecer... Entretanto, outros vizinhos novos surgiram na vizinhança.... Felizmente, não no nosso edifício, mas no edifício ao lado.... Mais uns acéfalos que devem acreditar que os vizinhos são burros, surdos ou que moram sozinhos, pois é surreal alguém colocar a música no volume máximo durante o dia e serem 23 horas e a música continuar a tocar.... 

 

Hoje pensei que tinha um concerto cá em casa de tão alto que a música estava, comecei a imaginar como seria morar por cima ou por baixo destes inergumenes.... É óbvio que alguém acabou por chamar a polícia pois ninguém aguenta uma cena destas todos os dias... O cúmulo é que assim que a polícia foi embora, os acéfalos (um casal na casa dos 20 e tal anos) começaram a gritar da varanda e a insultar toda a gente... Cheguei a pensar que estava no meio de um filme de malucos, mas infelizmente era mesmo uma situação real... Com isto, acabei por conhecer quase todos os vizinhos, pois depressa toda a gente veio à varanda tentar perceber o que de facto se passava...Sorrateiramente espreitei da minha porta e ainda puder ouvir a acéfala a dizer cheia de razão que escusavam de chamar a polícia, que eles pagavam o aluguer e tinham o direito de ouvir a música que eles quisessem no home cinema, que a música era a vida deles e que só nós é que não compreendíamos isso... Com tanta barbaridade junta, não perdi tempo a ouvir mais, fechei a porta e voltei para o meu canto, enquanto isso uma vizinha tentava mostra-lhe que eles não moravam sozinhos e que por isso tinham que aprender a viver em comunidade....

 

Ainda agora estou incrédula com estes episódios que aconteceram nos últimos dias, nunca conheci gente tão anormal... E só tenho medo que as coisas não mudem... Pois acreditem, não há praga maior que ter vizinhos como estes!!!

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QUINTAS PEDAGÓGICAS

Se houve algo que queríamos incutir na educação do Gui era o respeito e o gosto pelos animais, por isso sempre quisemos que ele estivesse em contacto com a natureza e os animais.

 

Eu, e o R., como sempre tivemos contacto com animais, custava-me que o Gui não pudesse ter a mesma oportunidade... Os piu-pius, as galinhas, os porcos, os coelhos, as ovelhas, as vacas... No fundo, animais tão comuns na aldeia, mas que a vida na cidade acaba por torná-los numa espécie de animais raros. 

 

Viver na cidade tem estas limitações mas não deixa de ser possível conhecer a vida do campo, com os animais e com as tradições rurais... Por isso, existem inúmeras quintas pedagógicas que tentam satisfazer esta necessidade... Alguns locais são gratuitos, outros há que pagar uma quantia simbólica,  de forma a podermos colaborar na preservação do ambiente e na alimentação dos próprios animais... Em todos eles é possível sentir os sons e os cheiros do campo, passear e ver os animais, e há ainda aqueles em que é possível participar nas atividades da própria quinta: tocar num coelho ou numa cabra; alimentar uma cabra, galinhas ou patos; tocar na lã de uma ovelha; acariciar um burro ou um porquinho... As quintas pedagócias são dos programas mais giros para levar as crianças, pois o contacto com os animais da quinta é sempre motivo de grande felicidade!

 

Quantas crianças devem pensar que o leite nasce no pacote e que a fruta vem dos supermercados?!

 

As primeiras idas a estas quintas, o Gui tinha medo dos animais e nem queria se aproximar, agora que já está mais habituado o mais difícil é mesmo fazê-lo "regressar à cidade"!

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ÉCOLE MATERNELLE - PARTE 4

Hoje foi o dia tão esperado, o dia em que o Gui foi uma hora para aquela que vai ser a sua Escolinha em Setembro... 

 

A preparação foi básica, começámos por lhe dizer, ontem, que hoje iria conhecer melhor a escolinha, e hoje de manhã tornei a dizer-lhe o que iria fazer... Afinal, trata-se de uma nova etapa que se avizinha, e o Gui já consegue assimilar e perceber muita da informação que lhe é dada, por isso era fundamental que ele estivesse preparado para o que iria fazer... 

 

Desta vez, o Gui mostrou-se pouco receptivo à ideia de voltar à escola, tentei não valorizar aquele sentimento negativo por ele demonstrado e expliquei-lhe que seria muito bom começar a conhecer melhor o lugar onde ele iria brincar com muitos mais meninos...

 

Tal como combinado, chegamos à escola às 9h, o Gui continuava de "pé atrás" com toda aquela situação, mas não reclamou, apenas dava para ver na cara de descontentamento... Eram 6 crianças ao todo que iriam ficar uma hora, repartidas pelas 3 ou 4 salas, misturados com os outros meninos... O Gui foi direccionado para uma sala juntamente com outro menino, eu e a mãe do outro menino fomos até à sala com ele porque ambos não nos queriam deixar... A porta da sala abriu-se, os dois entraram e sem qualquer tipo de despedida a porta tornou a fechar-se para que eles não tivessem muito tempo de correr na nossa direcção... Confesso que, naquele momento, o meu coração ficou um bocadinho despedaçado, senti que o Gui pensou que eu o iria abandonar ali... Felizmente, não estava sozinha nesta "missão", haviam mais 5 mães como eu...

 

Passamos então para uma sala onde preenchemos uns impressos, ao mesmo tempo que partilhávamos algumas informações...  Cerca de uns 15 minutos depois, uma das animadoras dava notícias sobre o comportamento de cada criança... Um dos meninos não aguentou a pressão e acabaram por o trazer à mãe para não o traumatizar.... O Gui, tinha chorado um bocado no início, juntamente com o outro menino, mas tinha acabado por sossegar... O tempo foi passando... Mais duas meninas acabaram por se juntar às mães... Entretanto tinha chegado a hora do recreio, o Gui, o outro menino e mais uma menina, continuaram a seguir os outros e foi nesta altura que pudemos espreitar da janela para o exterior, no tal recreio que onde todos os meninos brincavam juntos...

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Dava para perceber que o Gui continuava muito tímido, a observar mais os outros...  Tinha a certeza que se ele soubesse que eu estava naquela janela a espreitar como ele se comportava, tinha corrido de imediato na minha direcção...

 

Ficámos, talvez, uns 10 minutinhos ali a olhar para eles... De repente, 1 hora tinha passado... Uma das animadoras foi buscá-los para virem ter connosco, mas mais uma vez o Gui não achou piada ter que dar a mão a mais uma pessoa estranha... Assim que me viu, esboçou o maior sorriso, agarrrou-se a mim e disse-me que queria ir para casa e ficar comigo... Abracei-o, despedi-me das outras duas mães e da educadora, e tornei a explicar ao Gui que aquele lugar ía ser muito bom para ele brincar, aprender e crescer com outros meninos... E que só depois das férias de Verão, em Portugal, é que iria voltar para conhecer melhor aquela que irá ser a sua Escolinha, pois ele agora já era um menino mais crescido... Apesar destas minhas explicações, acho que o Gui não ficou nada convencido! Haver vamos em Setembro...