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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

MALDITAS PRAGAS

 

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Hoje decidi partilhar com vocês as pragas que aparecem todos os anos, desde que moramos nesta casa...

No primeiro ano que nos mudamos para cá, em Fevereiro de 2018, havia uma enorme praga de lesmas (imagem 1)... Nunca tinha visto tantas lesmas juntas, e eram tantas que elas trepavam tudo: as janelas, as portas, as paredes... Morria de medo de cada vez que tinha que ir ao jardim no final do dia! Até que foi preciso tratar do assunto porque com o Gui pequenino ficava difícil sair para o jardim... Compramos um produto biológico e os bichinhos desapareceram.

 

No Verão de 2019 foi a vez da praga destes insectos vermelhos e pretos (imagem 2), haviam tantos e tantos que o Gui morria de medo de sair de casa, e chamava-lhes os "bichos maus"... Estes acabaram por desaparecer quando regressamos em Setembro de férias.

 

Este ano foi a praga destas minhocas com perninhas (imagem 3) que invadiram o nosso jardim... Saem debaixo da terra assim que regamos o jardim, chove, ao anoitecer e ao amanhecer... E para ser sincera, odeio estes bichinhos porque de manhã fica muito difícil arejar a casa, pois elas apesar de pequeninas são bastante rápidas e entram facilmente em casa... Até para o berço do Martin já entraram!

 

 E desse lado, mais alguém que lhe acontece o mesmo?!

 

CONTADO NINGUÉM ACREDITA

Do episódio da minha vizinha

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Esta é uma imagem do século 14, daqui de França... Agora pasmem-se quando eu vos contar a última novidade da minha vizinha do terceiro andar: resolveu montar uma piscina na varanda! Não imagino o tamanho da piscina, porque não tenho visibilidade do meu jardim, mas não deve ser muita pequena...

Agora perguntam vocês: " - Como é que ela faz para esvaziar/mudar a água da piscina?".

É aqui que está a verdadeira génia: pega num recipiente e atira a água cá para baixo, tal como se fazia aqui no século 14!!! São cerca de 20minutos a fazer isto... Agora a estratégia não é deitar a água para o nosso terraço, mas sim para o lado que dá para o condomínio... A sorte é que, no momento, os apartamentos do segundo e primeiro andares encontram-se vazios, mas confesso que estou ansiosa que ela encontre alguém que a enfrente como ela merece!

 

Resultado: apesar da água não cair do meu lado, confesso que me incomoda e muito, sem falar que passei a semana a ter pingas de água a cair do tubo que dá para o meu terraço!

 

COMO VENDER UM CARRO EM FRANÇA

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Tal como prometido, o post de hoje é sobre os passos que temos que seguir quando queremos vender o nosso carro. Confesso que pensei que fosse uma tarefa complicada, mas é algo relativamente simples de se fazer. Tudo é feito a partir do computador...

 

Assim que encontramos o possível comprador do nosso carro, é preciso declarar a venda (ou a doação) no site ANTS (Agence nationale des titres sécurisés), para isso é necessário ter algumas informações do futuro proprietário: nome completo, data de nascimento, local de nascimento e morada completa. Neste site é necessário registar a data e a hora da venda/doação e os quilómetros do veículo. No final, de ser feito este registo, aparece um código de venda/doação (code de cession) que deverá ser copiado e entregue ao futuro proprietário para que ele possa registar o carro no seu nome.

 

Além disto, são necessários dois documentos: 

- o formulário cerfa 15776*01 (certificat de cession) que é nada mais que o comprovativo de venda/doação;

- e o certificado de situação administrativa (certificat de situation administrative), que comprova que o carro não tem multas ou qualquer dívida.

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No final, e para finalizar a venda, é necessário entregar ao proprietário: 

- o exemplar número 2 do formulário cerfa 15776*02 (certificat de cession);

- o certificado de situação administrativa (com menos de 15 dias);

- o registo de propriedade do carro (carte grise), barrada, com a menção vendida, dia, mês, ano e hora, e assinada (vendu le -jour/mois/année/heure- ou cédé le -jour/mois/année/heure- et votre signature);

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- o documento que comprova que o carro fez a inspecção (contrôle technique), com uma data inferior a 6 meses, se o carro tem mais de 4 anos;

- e o código de venda (code de cession). 

 

Para o pagamento, o mais seguro é pedir ao futuro proprietário que pague em dinheiro ou em cheque banque (um cheque que o banco emite com o valor do dinheiro, de forma a ser mais seguro) no dia da entrega do carro. O ideal é depositar o dinheiro/ cheque, directamente no banco, juntamente com o comprador de forma a evitar uma possível burla. 

BYE BYE CARRO BEBÉ

Sabíamos que o nascimento do Martin ía obrigar a uma mudança de um dos nossos carros, particularmente do carro comercial, o primeiro carro que eu comprei 8 meses depois que comecei a trabalhar e me mudei de Lisboa para o Porto...

O meu primeiro carro, um Peugeot 206, preto, uma viatura de serviço comprada na marca com apenas 10.000km... Que máquina que era quando o comprei... Que orgulho que foi quando o paguei com o meu suor... Nunca me deixou ficar mal, foi sempre o meu fiel companheiro, tanto que foi ele que nos trouxe aos dois para ... Mas um dia sabia que teria que o deixar...

E foi assim, coloquei o anúncio num dia, em dois sites diferentes, e em 24 horas, não faltaram interessados... Recebi mais de 50 mensagens, 40 pensavam que se tratava de uma viatura de 5 lugares, quando eu tinha colocado em letras garrafais que se tratava de um veículo comercial de dois lugares... Acho que a maioria das pessoas só olhou para as fotografias... Dessas pessoas, apenas 3 se mostraram realmente interessadas para o ver... Nunca imaginei que fosse tão rápido vendê-lo até porque aqui é raro encontrarmos carros de 2 lugares, as pessoas simplesmente não se interessam... 

Num dia coloquei o anúncio, no dia seguinte já tinha uma pessoa que o queria ver... E foi exactamente a primeira pessoa que o viu que o comprou: um jovem francês de 22 anos que assim que viu o carrro quis comprá-lo... Vinha com os alguns papéis na esperança de o levar naquele instante, mas eu não estava minimamente preparada para tal, até porque era a primeira vez que vendia um carro... Expliquei-lhe que teria que ser no fim-de-semana porque precisava que o R. estivesse presente por causa dos miúdos... E embora ficasse um bocadinho decepcionado, disse que esperava...

O mais interessante é que quando veio ver o carro, a irmã e o cunhado vieram com ele, e quando lhe contei que éramos portugueses e o carro tinha vindo de Portugal, fiquei a saber que o cunhado também era português, duma terriola perto da minha...

Acho que tive sorte com o comprador que me apareceu, um jovem simpático e cheio de vontade de levar o meu carro... Cheguei a casa, aprofundei mais o assunto sobre os papéis que eram então necessários para o vender (este assunto ficará para um próximo post)....

Disse ao Gui que íamos vender o "carro bebé", como ele carinhosamente sempre o chamava (acho que por ser mais pequeno do que o outro carro que temos), também ele tinha boas recordações nele, era nele que ía no banco da frente sempre que vinha da ama ou da escola... 

No sábado, à hora marcada, fomos então entregar-lhe o carro, ao mesmo tempo que recebíamos o valor que tínhamos pedido. Dei-lhe as chaves e disse-lhe para cuidar bem dele, porque era um carro que tinha um valor sentimental para mim...

Entrei para o carro, desci o vidro, e pedi ao R. para me deixar tirar a última fotografia de despedida...

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Sei que era só um carro, mas era o meu primeiro carro... O nosso "carro bebé"... Sinto que quem o levou vai gostar tanto dele como eu gostava... Para trás ficarão 14 anos cheios de histórias e aventuras que nunca irei esquecer!

O QUARTO ANIVERSÁRIO DO GUI ❤️

O Gui completou 4 aninhos no passado sábado, e mais uma vez celebramos este dia da melhor forma possível...

 

A semana até tinha começado bem quente e repleta de sol, mas a meio da semana as temperaturas começaram a descer e a chuva resolveu aparecer... Felizmente no sábado o sol decidiu brindar-nos e pudemos, mais uma vez, realizar a festa ao ar livre.

 

Este ano, devido à Pandemia, e com as fronteiras fechadas, a festa acabou por ser bem mais pequenina pois apenas puderam estar presentes a nossa família e amigos que moram cá. 

 

O tema da festa foi escolhido pelo Gui - Blaze Monster Machine - um dos desenhos animados favoritos dele. A decoração ficou, como sempre, da minha responsabilidade e, este ano, o bolo foi feito por mim e pelo R.! É verdade, fizemos sozinhos, pela primenira vez, um Bolo de Cake Design... Eu fiz o bolinho de chocolate branco com côco e lima, e o R. fez comigo a decoração com pasta de açúcar... A parte mais complicada foi esticar a pasta de açúcar e colocá-la de forma a cobrir o bolo por completo... Cheguei a pensar que não íamos ser capazes de fazer nada de jeito, mas no final ficamos contentes com o resultado... 

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O Gui estava super feliz com a festa de aniversário, pois para além de ser a festa dele, era a primeira vez, ao fim de 3 meses, que voltava a ver a "gente toda reunida" e, a primeira vez, que voltava a sentir o sabor daquela "liberdade" que ele tinha antes... Saltou, correu e brincou como há muito tempo não fazia, e quando chegou ao carro cantou para o mano Martin até adormecer!

E não foi só o Gui que veio feliz... Nós também viemos de coração cheio! ❤️

 

PARIS JÁ NÃO ESTÁ NA ZONA VERMELHA

Paris já não está na zona vermelha para o coronavírus, com os riscos diminuindo progressivamente passamos agora para a zona laranja. A classificação laranja significa que ainda não estamos tão livres do vírus como a maioria das regiões que a França identificou como zona verde, mas as medidas restritivas anteriores ficarão facilitadas já no próximo dia 2 de Junho

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Foi ontem que o Primeiro Ministro francês, Édouard Philippe, anunciou a tão esperada segunda etapa do plano de suspensão do isolamento adotado na França para combater a epidemia do coronavírus. O país está praticamente toda em zona verde para o vírus, os resultados estão bons do ponto de vista sanitário, à exceção de três departamentos que estão em laranja – Île-de-France, onde se situa Paris, e dois territórios ultramarinos: a Guiana Francesa, na fronteira com o Brasil, e Mayotte, no oceano Índico. 

 

A partir da próxima terça-feira, nas zonas verdes, todos os cafés, bares e restaurantes poderão voltar a funcionar. Clientes e funcionários terão de usar máscaras de proteção facial, e as mesas poderão ter, no máximo, dez pessoas. Já nas zonas laranja só poderão abrir os cafés e os restaurantes que dispõem de terraços e áreas externas. 

 

As praias,  as casas de espetáculo, os museus e os monumentos também serão reabertos em todo país, e o uso de máscara será obrigatório para os visitantes. Já os torneios desportivos só serão retomados no dia 21 de Junho.

 

A grande novidade, há muito esperada, foi a reabertura de todos os parques e jardins nas zonas laranja.

 

Quanto à regra que limita os deslocamentos a uma distância máxima de 100 km do domicílio deixará de existir para todos. As viagens para outros países da União Europeia continuarão suspensas até, pelo menos, no próximo dia 15 de Junho.

 

Outra medida que abrange todos, incluindo as zonas laranjas, é a abertura de todas as escolas e colégios. Os estabelecimentos terão de respeitar as medidas de distanciamento social e, num primeiro momento, terão um número reduzido de alunos.

 

Parece que o panorama tem tendência para continuar a melhorar, nós cá ficamos particularmente felizes com a abertura dos jardins e parques pois desta forma vai ser possível festejar o Quarto Aniversário do Gui num parque ao ar livre! 

 

Agora é esperar que na terceira etapa do plano de suspensão do isolamento tudo volte a funcionar o mais normal possível... Vamos aguardar pelo dia 22 de Junho!

AO FIM DE 65 DIAS EM CASA...

... E sem termos programado nada, ontem demos o nosso primeiro passeio... A ideia era nem sairmos do carro mas, pelo caminho, decidimos mudar os planos... O Gui estava eufórico com o facto de irmos passear de carro, e o Martin estava todo fascinado com tudo o que via...

O Gui foi o caminho todo a dançar e fez questão de escolher as músicas que tocavam no rádio, o Martin manteve sempre os olhos bem arregalados como se quisesse absorver tudo ao seu redor... E assim que estacionamos o carro e o Gui percebeu que afinal íamos sair, lançou o maior sorriso do Mundo... Parecia que estávamos a fazer a melhor viagem de sempre... O Martin continuava curioso e super contente, lançava gargalhadas contagiantes e admirava o céu, as árvores gigantes e todo aquele espaço tão amplo que na cabecinha dele seria a primeira vez que visitava... Não havia nada de especial naquele lugar, apenas a natureza e nós... Mas mesmo assim foi dos passeios mais memoráveis de sempre pois voltamos a sentir aquela liberdade que antes tínhamos e nem dávamos o devido valor...

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NÃO ACONTECE SÓ AOS OUTROS - PARTE 2

Ao fim de um ou dois dias a febre do Gui tinha passado, já a tosse manteve-se durante cerca de uma semana e meia... O grande problema era evitar que o Gui entrasse em contacto com o Martin e cumprisse direitinho com a lavagem das mãos, o tossir para o cotovelo, o evitar o contacto até connosco...

O R., desde o primeiro dia, passou a dormir no quarto do Gui, e assim foi durante 15 dias, o tempo de uma quarentena... Apesar de tentarmos ao máximo proteger o Martin, no dia seguinte do Gui ter ido à Pediatra, o Martin começava também a ter tosse seca... Andou uns três dias assim, depois passou a tosse produtiva.... Nunca fez febre... Até que uma semana depois, exatamente no dia 1 de Abril, o quadro do Martin agravou-se, começou a ficar com bastantes secreções e uma respiração ruidosa e abdominal... Liguei à Pediatra e no mesmo dia tivemos consulta... Depois de ser avaliado, a Pediatra confirmou o que era quase previsível: muito provavelmente o Martin estava infectado com o mesmo vírus que o Gui, além disso tinha uma bronquiolite e uma otite.

Apesar deste quadro, e por incrível que possa parecer, o Martin apenas tinha alterações a nível respiratório, o resto estava em excelente forma: nunca teve febre, nunca perdeu o apetite, nunca vomitou e manteve sempre a energia a 100%! Foi medicado com uma série de medicamentos, entre eles um antibiótico, e tomou a medicação da forma mais exemplar possível.

Confesso que a energia contagiante do Martin foi o que mais nos inspirou e deixou optimistas. Não vou negar que tivemos receio que algo pudesse correr menos bem, até porque à medida que o tempo passava, o panorama aqui em França não era o mais animador...

 

Contamos apenas a algumas pessoas o que estávamos a vivenciar, e só o fizemos porque era impossível esconder a tosse do Gui e do Martin cada vez que falávamos em videochamada...

E se por um lado procuramos proteger os outros para não se preocuparem connosco, por outro sentíamos uma vontade enorme de contar a toda a gente aquilo que estávamos a vivenciar pois queríamos que as pessoas vissem que isto não acontece só aos outros.

 

Felizmente, a nossa história teve um final feliz, mas existem muitas outras que não tiveram a mesma sorte, daí que seja fundamental mantermo-nos unidos na luta deste inimigo invisível porque o fundamental é prevenir!

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NÃO ACONTECE SÓ AOS OUTROS - PARTE 1

Fez ontem 8 semanas que ouvi o que não queria ouvir: o Gui estava infectado com a Covid-19.

Começou com uma tosse seca numa sexta-feira, enquanto dormia, três dias depois do governo francês ter decretado a quarentena obrigatória...

Lembro-me, como se fosse hoje, de comentar com o R. que aquela tosse repentina era estranha... No domingo a febre dava sinal de que algo não estava bem... A tosse seca passava a produtiva (tinha bastante expectoração), a febre mantinha-se, juntamente com um certo cansaço e uma perda de apetite... Na terça, decidimos ligar à Pediatra porque suspeitava que estivesse infectado com algo e podia contaminar o Martin...

Assim que chegamos ao consultório e foi examinado, ouvi da Pediatra o que mais temia: o Gui estava infectado com a Covid-19, e a probabilidade disso ser verdade era de 98%.

 

Como raio o Gui tinha ficado infectado? Teria sido na última ida à Pediatra para a consulta dos 8 meses do Martin? Teria sido no aeroporto quando regressámos de Portugal? Ou teria sido o R. que tinha trazido o vírus para casa? Estaria mesmo infectado?! Nem imaginam quantas perguntas passaram na nossa cabeça... Perguntas às quais sabíamos que não teríamos respostas...

 

Será que também estávamos infectados?! Eu e o R. andávamos com algumas dores de cabeça e musculares (mais a nível cervical) há alguns dias, mas confesso que nem valorizamos... O Martin estava aparentemente óptimo... Mas apesar de todas as dúvidas que tínhamos, ficamos apenas com as nossas suspeitas porque nenhum teste de despitagem foi feito, porque simplesmente ninguém fazia.

O importante era continuar a vigiar o estado geral do Gui, e ver se a febre desaparecia, no máximo, até ao sábado seguinte, caso contrário teria que ser reavaliado... 

 

Saímos do consultório directos à farmácia com a Pediatra a reforçar a importância do isolamento social e do uso da máscara cirúrgica, como forma de evitar contaminar os outros...

 

Fomos à farmácia e embora soubéssemos que as máscaras estavam esgotadas para o público, coloquei em questão a gravidade de estarmos ali sem qualquer protecção... De imediato, e de uma forma discreta, a farmacêutica ofereceu-me quatro máscaras cirúrgicas descartáveis... Coloquei uma, e tentei explicar ao Gui que era importante ele colocar também... Nesse instante vi o pânico nos olhos do Gui, senti que estava  com medo, começou a chorar de forma descontrolada, e ficou impossível falar com ele... Só queria sair logo dali e entrar em casa... 

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Pelo caminho, tentei explicar ao Gui o que se passava, mas ele simplesmente não queria ouvir... Arrancou a máscara e disse-me que não a queria colocar mais...

 

Chegamos a casa e revelei ao R. o que a Pediatra tinha diagnosticado ao Gui, mas o R. mostrou-se incrédulo a este diagnóstico... Sabíamos que existia essa possibilidade porque as coisas "não acontecem só aos outros", mas não queríamos acreditar que poderíamos estar contaminados... 

Agora era tentar tomar todas as medidas para que o Gui ficasse logo bom e o Martin não ficasse contaminado também...

(Mas isso ficará para contar no próximo post)

O DIA D

Hoje foi o primeiro dia oficial do desconfinamento aqui em França, apesar do risco elevado de contágio que ainda existe em vários departamentos... Confesso que tenho receio dos comportamentos que as pessoas vão adoptar agora... 

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Não é por acaso que a França aparece no quinto lugar dos países que apresenta o maior número oficial de mortos da doença... Vamos esperar pelo fim do mês para vermos os resultados... Até lá, o melhor mesmo é mantermo-nos o máximo possível em casa! 

CORONAVÍRUS EM FRANÇA

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E ao fim de 52 dias, e a 4 dias do desconfinamento, consegui comprar as nossas primeiras máscaras: uma dúzia de máscaras descartáveis (cirúrgicas) paguei, precisamente, 9.40€!!!!

E diz a farmacêutica com um ar de espanto: "As reutilizáveis  foram logo vendidas, já só tenho algumas caixas destas... As máscaras chegaram hoje e já estão quase a acabar, vendeu-se imenso!!! 

Eu cá achei perfeitamente normal... Foi a primeira vez que encontrei máscaras disponíveis! 

 

A verdade é que hoje o governo francês confirmou que, no próximo dia 11, as medidas de isolamento social obrigatório serão então levantadas... E se para a maioria do país o panorama é verde, aqui na zona de Paris (concretamente na Ilê de France), e em mais quatro departamentos (Hauts de France, Grand Est e Bourgogne Franche-Comté), o panorama continua vermelho...

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Dizem eles que as pessoas que vivem nas zonas vermelhas têm que ter cuidados redobrados pois o risco de contágio ainda é grande... O que é certo é que as escolas primárias, as creches e os infantários podem abrir em qualquer zona, tudo depende da organização da Câmara Municipal...

A única diferença é que nas zonas vermelhas as crianças com mais de 11 anos não voltam para a escola, os parques/jardins permanecerão fechados e haverão regras mais rígidas nos transportes públicos. O uso de máscaras vai ser obrigatório nos transportes públicos, para passageiros a partir dos 11 anos, e no caso de incumprimento a multa será de 135 euros. 

Os centros comerciais com mais de 40 mil metros quadrados vão reabrir, excepto na região parisiense.

Deixa de ser necessário fazer a tal atestação para justificar a saída de casa, passando a ser obrigatória para viagens de mais de 100 km. Além disso, as fronteiras com os países europeus vão permanecer encerradas até, pelo menos, dia 15 de Junho.

Temo que vamos ficar mais tempo que o previsto na zona vermelha porque as pessoas continuam a não respeitar as medidas obrigatórias... E se as pessoas não cumprem as medidas nem com multas, a partir do dia 11 vai ser bem pior...

Nós cá vamos continuar o isolamento social, o Gui ainda nem sabemos se a escolinha abre... De qualquer forma, como estou em casa e a ida à escola vai ser voluntária, ele ficará comigo e com o Martin... O R. ainda não sabe quando vai recomeçar a trabalhar...

Resta-nos aguardar pelo final do mês para ver o resultado destas medidas... O nosso maior desejo é que as coisas voltem a ser como antes, o mais rapidamente possível!

PARA QUANDO AS MÁSCARAS DE PROTEÇÃO?!

Aqui em França, desde que entramos em quarentena ainda não conseguimos comprar máscaras de protecção em lado nenhum... Até hoje continuam esgotadas! Por este andar, no dia 11 de Maio, data em que o governo francês tem previsto aliviar as medidas de contenção, vamos ter que inventar máscaras com o material que cada um tem em casa...

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A PARTE DO CORONAVÍRUS QUE NINGUÉM FALA

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Estarmos em casa todos juntos, 24 horas/dia, tem se revelado um verdadeiro desafio enquanto pais... Nunca tínhamos estado tantas horas seguidas juntos, por isso é a primeira vez que a nossa criatividade foi colocada ao mais alto nível... Quem tem filhos sabe bem do que falo... 

De repente o dia parece que passou a ter 48h... Parece que passamos o dia a cozinhar... Ainda mal acordamos, e tomamos o pequeno-almoço, e já estamos a pensar o que vamos fazer para almoçar e para jantar... E a quantidade de vezes que damos por nós a fazer compras online, para encher o frigorífico e os armário?! 

Depois vem os jogos e os joguinhos com os mais pequenos, as pinturas e as plasticinas, os recortes e as corridas no jardim, os jogos de bola e as aulas de ioga (sim, porque até aulas de ioga eu já inventei para fazer com o Gui)... Mas como o Gui é um ser insaciável temos que inventar e re-inventar... 

Nesta quarentena, atrevo-me a dizer, que já fiz mais receitas novas, já arrumei mais a casa, limpei o pó e o chão, do que nos últimos 6 anos que aqui estamos...

Ninguém nos preparou para esta quarentena, ninguém nos disse o quanto isto se iria revelar uma prova enquanto pais... Mas apesar deste "cansaço saudável" estamos gratos por podermos estar todos em casa e viver esta experiência única... Quem me segue sabe que, se não fosse pelo Martin, a esta hora estava na linha da frente no combate desta Pandemia porque a minha profissão assim o exige, mas não posso negar que me sinto mais tranquila deste lado... Desta vez, não sou um super herói que veste uma farda, mas sim um super herói que fica em casa a salvar vidas e a tentar tornar vidas mais criativas... E se querem saber, tem se revelado uma grande missão!

O COVID E A FARINHA

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Ora aqui está um produto que não é fácil encontrar na maior parte dos supermercados: a farinha de trigo! Parece que esta pandemia mais que duplicou as vendas deste bem essencial, um pouco por todo o Mundo, e a França não é excepção... Com esta quarentena parece que as famílias decidiram colocar "mão na massa" e começaram a fazer pão, bolos, tartes e afins... Que o diga as redes socias... E eu faço parte dessa grande maioria, que passou a consumir este produto mais do que nunca... E quem diz farinha, diz ovos, açúcar, manteiga e afins... 

Confesso que, à conta do Covid, já fiz uma série de receitas novas com o Gui... Ele fica todo entusiasmado em poder ajudar na cozinha e com o resultado final do que fazemos, e no final acabamos todos mais felizes... 

 

E por aí, quem mais aderiu à farinha de trigo?

A FRANÇA E O COVID-19

Estamos em quarentena nacional há, exactamente, dois meses, desde o dia 17 de Março e ontem o Presidente da República, Emmanuel Macron, falou ao país e anunciou a necessidade deste prolongamento, até ao dia 11 de Maio. 

Numa altura em que já morreram cerca de 15 mil pessoas, e os hospitais continuam sobrelotados, com um número record de doentes nos cuidados intensivos, a epidemia parece estar longe de estar sob controle. 

 

Prevêem que daqui a 4 semanas o panorama esteja melhor, tanto que ponderam abrir gradualmente as creches, as escolas, algumas empresas e serviços. As universidades (falo das aulas presenciais) serão retomas só em Setembro, já os locais públicos, como os restaurantes, cafés, hotéis, cinemas, teatros, salas de concerto e museus vão permanecer fechados e não há previsão para serem reabertos. Os festivais, bem como outros grandes eventos, não vão poder regressar antes de meados de Julho. Vamos aguardar para ver... São apenas previsões...

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E ao fim de dois meses confinados em casa onde o que hoje é válido para um pais e inválido para outro, o Estado vem e diz que vai apostar nos testes e garantir a distribuição de máscaras ao público em geral, para serem usadas nas profissões mais expostas e nos transportes públicos.

Talvez vocês não sabem, mas quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) dizia, a propósito da COVID-19, que o importante era "testar, testar, testar", o governo Francês decidiu, desde o início desta pandemia, que só as pessoas com saúde mais frágil, doentes internados nos hospitais e profissionais de saúde é que deveriam ser  testados. 

Nunca consegui perceber como é que eles chegam ao número de infectados diários se nunca testaram as pessoas que estão em casa com sintomas e que não necessitam de hospitalização, muito menos testaram as pessoas que estiveram em contacto com outras que estariam infectadas, nem os possíveis portadores... Enfim, é óbvio que a quantidade de contaminados é muito maior, mas acho que quase ninguém está interessado em saber o verdadeiro número...

 

Só ao fim de 2 meses, a partir do dia 11 de Maio, quando as medidas de isolamento serão supostamente mais leves, é que o Estado vai apostar nos testes para todos os que apresentarem sintomas!

E só ao fim de 2 meses, é que haverão máscaras... Sim, porque as máscaras para o público sempre estiveram esgotadas, na grande maioria das farmácias, desde o início desta quarentena... Eu própria nunca consegui comprar nenhuma! O que quer dizer que existem pessoas infectadas que circulam na rua sem qualquer protecção... 

 

Confesso que não consigo estar optimista com as medidas que o Estado francês assumiu desde o início desta pandemia e tenho receio dessa abertura de creches já no próximo mês... Quando eu penso que a turma do Gui tem 28 crianças... E essas 28 crianças vão estar fechadas numa sala com duas educadoras, num espaço com pouco mais de 20m²...