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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

COISAS QUE FAZEM FALTA EM FRANÇA

Eu contra mim falo quando em, em 2005, criaram a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) em Portugal... Na altura muita gente achou que era algo desnecessário, mas depressa nos apercebemos o quanto esta entidade viria a ser importante... Ora é exatamente isso que falta aqui em França: a ASAE... Nem é bom imaginar a quantidade de superfícies que seriam encerradas!  Quem mora aqui em Paris e nos arredores sabe bem do que falo, nem é preciso entrar para perceber a lixeira que existe no interior de muitas superfícies comerciais, restaurantes e cafés, basta olhar para a entrada ou para a vitrine... Pergunto-te tantas vezes como é possível existirem sítios assim...

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Quem é que já fez a mesma reflexão que eu?!

A FRANÇA E OS TESTES ANTICOVID

Os testes anticovid deixaram de ser gratuitos, desde a sexta-feira passada, para as pessoas com mais de 18 anos que não estejam vacinadas.

Os testes de PCR, realizados no laboratório, custam agora 44 ​​euros, os testes antigénicos 22 euros se forem efetuados num laboratório, e 25 euros nas farmácias. Já os autotestes passam a custar 5.20 euros.

Existem, no entanto, exceções, os testes continuarão a ser reembolsados:

- ​​por motivos médicos (prescrição médica);

- nos "casos contacto" sinalados pela segurança social;

- se a pessoa apresentar sintomas da doença;

- para os maiores de idade que continuem a estudar no ensino secundário;

- e para as pessoas que possuem uma justificação médica de contra-indicação à vacinação.

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Numa altura em que a França apenas atingiu uma taxa de vacinação completa de 67.2%, a medida visa estimular a vacinação, mas também reduzir o custo com os testes.

Infelizmente, ainda existem uma percentagem considerável de pessoas que se opõe à vacinação por falta de informação.

E por aí, sabem quais são os preço dos testes anticovid?

MÁSCARAS DEIXAM DE SER OBRIGATÓRIAS EM ALGUMAS ESCOLAS PRIMÁRIAS

França

A partir de hoje, a maioria dos alunos das escolas primárias não vão precisar de usar máscaras de proteção, nomeadamente nas zonas que têm uma baixa taxa de infecção de Covid-19.

As zonas onde as máscaras deixam de ser obrigatórias nas escolas primárias devem ter menos de 50 casos de Covid-19 por 100.000 habitantes por cinco dias consecutivos. Paris e arredores ainda não estão entre os 47 departamentos onde o uso obrigatório de máscaras nas escolas primárias termina (zonas a verde no mapa), de acordo com o Ministério da Saúde.

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Por aqui esta medida não terá qualquer impacto, já que o Gui ainda anda na Maternelle, mas não deixa de ser bom saber que aos poucos a vida parece estar a voltar mais ou menos ao que era...

CONTADO NINGUÉM ACREDITA

Super Promoções

Noventa e quatro cêntimos, o preço de uma garrafa de 500 ml do famoso Listerine. É surreal a diferença de preços que existe, em determinados produtos, quando comparados com os valores praticados em Portugal... received_712638516359182.jpeg

É tão surreal para mim que achei que tinha mesmo que partilhar isto com vocês... 

(Escusado será dizer que comprei 6 garrafas para colocar em casa, o número máximo que podemos comprar a este preço...)

BEM-VINDO OUTONO

E de repente chegou o Outono e neste "corre-corre do dia-a-dia" mal tempo tive de o saudar... Há quem não goste desta estação, eu cá acho que cada uma tem a sua beleza particular... Cada uma tem coisas que nos fazem felizes...  No Outono as manhãs são mais frias, mas os abraços ganham outro encanto... O Sol aparece bem menos e passa a ser mais desejado... Outono é sinónimo de terra molhada... E quem não é que não gosta deste cheiro? É sinónimo de bolo no forno, castanhas assadas e folhas douradas... Outono é encontrar aquele velho casaco que tanto amamos e por muito tempo ficou arrumado... É sinónimo de sábados em casa, embrulhados numa manta a ver um filme no sofá... É passear debaixo da chuva. É apreciar bebidas mais quentes e preparar-se para a próxima estação... Outono é tudo isto é muito mais, por isso desfrute desta estação, pois logo, logo, uma outra estação estará de volta...

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Quem é que não querer apreciar a magia desta estação?

 

 

O ARCO DO TRIUNFO FOI EMBALADO

[Desculpem a minha ignorância]

A semana passada fui a Paris e reparei que o Arco do Triunfo estava em "obras"... Pensava eu que estava em obras, mas nesse mesmo dia recebi uma notícia a falar do que se tratava afinal....

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Pasmem-se agora, tal como eu, assim que vi que afinal tratava-se de uma obra de arte: 25.000 metros quadrados de polipropileno reciclado de cor azul prateado, amarrados por 3 mil metros de corda vermelha, como num pacote de presente. Uma obra do artista plástico búlgaro, Christo, e da sua esposa, Jeanne-Claude, que teve um custo de 14 milhões de euros, um projeto totalmente autofinanciado com a venda de obras originais do artista.

 

Christo fez uma fotomontagem na década de 1960, mas nunca se propôs fazê-la, pois achava que nunca obteria as permissões necessárias, a ideia foi repensada em 2017 para coincidir com uma exposição sua e foi aprovada pelas autoridades da cidade de Paris. Por causa da pandemia, e da presença de ninhos de aves que vivem há muito tempo no Arco do Triunfo, o projeto foi sempre adiado.

 

Para quem passar por lá, desde o dia 18 de Setembro até ao dia 3 de Outubro, pode apreciar esta obra... Eu cá, confesso que não percebo nada de obras de arte, mas não consigo encontrar nenhuma beleza nisto, sem falar do dinheiro que foi gasto...

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E vocês, o que acham?! 

"O MENINO MAU"

Lembram-se da minha vizinha que me ligou para saber se estava tudo bem connosco?! Para quem não se lembra, podem sempre voltar a ler o post aqui, para quem está a par, hoje venho contar como ela tinha o meu número de telemóvel...

 

Quando o Gui entrou na escola Maternelle, reparei que bem pertinho do nosso lugar de garagem estacionava a mãe de um menino da escola do Gui... Uns meses mais tarde, cruzamo-nos na garagem com os miúdos e confirmamos então que os dois andavam juntos, e por iniciativa dela trocámos de números de telemóvel para mais tarde podermos ir a um sítio juntos, de forma a eles poderem brincar...

 

Entretanto o tempo foi passando, a Pandemia pareceu-se e nunca o chegamos a fazer... Até que o ano passado, a escola começou novamente e eles continuram na mesma turma... Quando perguntava ao Gui sobre aquele menino, ele dizia sempre que era um "menino mau", mas nunca valorizei aquelas palavras... Até que um dia fui buscá-lo à escola e o Gui disse-me que o tal menino lhe tinha mordido num dedo da mão... Olhei para a mão dele e como não vi nenhuma marca achei que teria sido uma brincadeira entre eles... No entanto, à noite, quando o Gui foi tomar banho, reparei que tinha uma grande mordidela logo abaixo do joelho, perguntei-lhe quem tinha sido e ele respondeu que tinha sido o tal menino...

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O meu coração de mãe congelou e fiquei a imaginar a dor que o Gui devia ter sentido naquele momento... Expliquei-lhe que aquilo era muito grave e perguntei-lhe se ele tinha dito a alguém na escola... Fiquei incrédula como é que ninguém tinha visto aquilo e comecei a ficar preocupada por ele não dizer a ninguém que lhe tinham feito mal.

Nesse mesmo dia, enviei uma fotografia e um e-mail à professora, que me ligou e que me confirmou que não tinha conhecimento de nada. Disse-lhe que conhecia a mãe do menino, mas não sabia como ela ía reagir se fosse eu a falar-lhe do assunto, por isso fiquei à espera que a professora tomasse uma atitude...

Os dias passaram, e comecei a ver que o Gui não queria levar determinadas roupas ou gorros para a escola porque o tal menino fazia-lhe mal... Expliquei-lhe que não podia ficar quieto, que tinha que se afirmar e dizer ao tal menino para parar de lhe fazer mal... Um dia o Gui chegou com o gorro desfeito de um dois lados e eu tornei a enviar um novo e-mail à professora... Uns dias depois ligou-me e, para o meu espanto, perguntou-me se tinha falado com a mãe do menino... Expliquei-lhe que o mais correcto seria a escola alertar porque a situação começava a ficar grave, e eu não queria que o Gui ficasse com medo de ir para escola. Nesse mesmo dia a professora ligou para a mãe do menino que me ligou uns minutos depois, toda alterada, porque não imaginava que o filho fizesse coisas tão cruéis... O pior foi o menino admitir que o fazia muitas vezes e que fazia mal ao Gui porque ele não se queixava nem chorava! 

A partir dali os episódio foram ficando mais espaçados, e eu fiquei mais atenta do que nunca. O pior disto tudo é o Gui pensar ainda hoje que aquele menino é o seu amigo, tanto que só fala dele!

 

Felizmente este ano, o Gui foi colocado noutra turma, e só pode ver o tal menino no recreio ou nós tempos livres... O meu maior receio foi sempre que o Gui crescesse com uma noção errada do que é uma verdadeira amizade porque o que ele precisa é de meninos que brinquem com ele e o integrem nas brincadeiras. Vamos lá ver se este ano consegue fazer novos amigos, para já o "menino mau" é o que ele considera seu melhor amigo...

O PRIMEIRO DIA DE AULAS DO GUI

Ainda não vos tinha falado da minha cara de susto assim que vi quem ía ser a professora do Gui este ano...

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Nem queria acreditar: a famosa directora da escola que vos falei da última vez aqui... Respirei fundo, contei até três baixinho, e fiz de conta que já nem me lembrava do que tinha acontecido... E assim que me viu, veio ter comigo com o maior sorriso do mundo e não perdeu a oportunidade para me perguntar como tinha sido a ida ao oftalmologista... Tentei ver o lado positivo quando ela colocou a questão, mas tenho a certeza que no fundo ela deve ter pensado que afinal ela tinha mesmo razão!

Confesso que fiquei um bocadinho apreensiva quando vi que este ano é ela, e quero acreditar que este ano não vai repetir o mesmo erro que cometeu o ano passado.

 

Hoje é dia de reunião dos pais na escola, vou ter a oportunidade de conhecê-la um bocadinho melhor... Sim, porque aqui em Franca parece que gostam de fazer as coisas ao contrário do normal: primeiro a escola começa e 15 dias depois é que há reunião da escola para os pais conhecerem o programa escolar e tirarem todas as dúvidas que tiverem. Eu pessoalmente não consigo ver a lógica disto...

E por aí, também costuma ser assim?!

RESUMO DAS NOSSAS FÉRIAS DE VERÃO

Partimos de férias no dia 9 de Agosto, rumo a Portugal, e regressamos no passado dia 2 de Setembro... Há muito que ansiávamos por esta viagem, foi a primeira vez que ficamos aqui um ano sem irmos a Portugal... Com a Pandemia, e com o meu regresso ao trabalho, ficamos limitados pelo meu número de férias... 

E mesmo com as limitações que a Pandemia ainda nos impõe, foi muito bom "pisar a nossa terrinha e abraçar os nossos"... O Gui andava super eufórico por voltar a andar de avião, tanto que essa espécie de ansiedade passava para o Martin, que embora não percebesse exactamente o que se ía passar deixava-se levar pelas emoções do mano...

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A viagem de avião embora corresse bem, não deixou de ser um bocadinho cansativa, mas nada que se compare a uma viagem de carro... Tanto é, que a nossa primeira opção foi sempre irmos de avião...

 

A chegada a Portugal foi repleta de descobertas, principalmente para o Martin que já não se lembrava de quase nada... Foi muito bom sentir que ao fim de um ano, o nosso "lugar continuava lá", junto dos nossos, e apesar de tanto tempo afastados, o Gui e o Martin sentiam-se "em casa"!

 

Poucos dias depois de chegarmos a Portugal, o Gui começou a manifestar sinais de estar a ficar doente... Perda de apetite, cansaço, febre... E só depois é que começaram a aparecer bolhinhas pelo corpo todo... O Gui tinha varicela! Fomos ao médico, compramos "mil e um produtos" (claro que estou a exagerar) pois dois dias depois tínhamos reservado uma semana em São Martinho do Porto, e não queríamos que eles perdessem a oportunidade de ir à Praia de São Martinho...

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Entre cremes, banhos e protectores solares, acabamos por nos safar e conseguimos passar uns dias muito bons em São Martinho do Porto... Foi a nossa primeira vez neste pedacinho de Portugal...

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O resto dos dias passamos na casa dos nossos pais, explorando as coisas do campo, com jantaradas entre amigos e familiares, e idas à Praia... 

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Depois, e quase a acabar ainda tivemos uma festa Especial, o Batizado da nossa sobrinha...

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Foram dias simples mas repletos de magia, onde pudemos recuperar o fôlego para voltarmos até aqui novamente... Foi giro ver o Gui mais independente e preocupado em mostrar as coisas que o Martin não conhecia ou simplesmente não se lembrava... E no final, falamos novamente da promessa que fizemos: voltar definitivamente para Portugal nas próximas férias de Verão!

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E vocês, o que fizeram estas férias de Verão?

FIM DAS FÉRIAS DE VERÃO

Faz hoje uma semana que as nossas férias de Verão acabaram... Passaram demasiadamente rápido e ficaram muitas coisas por fazer mas mesmo assim deu para recarregarmos baterias...

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O pior é saber que, tal como aconteceu este ano, só tornamos a ir a Portugal nas próximas férias de Verão...

QUANDO UMA VIZINHA CUIDA DA NOSSA VIDA

Na sexta-feira, estava em casa quando o meu telemóvel tocou: era a mãe de um menino da turma do Gui que por coincidência mora no mesmo prédio que o nosso e estaciona o carro quase ao nosso lado... Fiquei espantada com aquela chamada, ainda por cima quando ela me questionou se estava tudo bem connosco porque não tinha visto o Gui no primeiro dia de aulas, e tinha reparado que os nossos carros já não saíam da garagem há muito tempo... Lá lhe expliquei estava tudo óptimo, apenas estivemos ausentes porque fomos de férias para Portugal, de avião, e tínhamos chegado no dia anterior, por isso o Gui tinha faltado no primeiro dia.

Confesso que fiquei surpresa com aquele gesto, gostei de saber que afinal ainda existem pessoas que cuidam dos outros, mesmo quando somos praticamente desconhecidos... É bom sentir que, afinal, ainda há vizinhos que cuidam de nós!

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E agora perguntam vocês: e como é que ela tinha o meu número de telemóvel? Isso explicarei num próximo post...

DIZEM POR AÍ...

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Mas nós por aqui estamos "mais que cansados" destes dias de chuva... Nunca vimos tantos dias de chuva seguidos na Primavera e no Verão! Não tem dado para fazer nada de jeito e o cúmulo é que metade do Verão já passou, e nós nem o vimos. Só para terem uma pequena ideia disto, e segundo os entendidos, este foi o mês de Julho mais chuvoso dos últimos 60 anos!

Ainda trabalho este fim-de-semana, depois entramos oficialmente de férias, na segunda-feira, rumo ao nosso Portugal.

Só espero que nas próximas 3 semanas o tempo esteja simplesmente fenomenal porque mesmo que digam que "dias de chuva fazem bem para a alma", fartos destes dias de chuva estamos nós!

RECORDAR É VIVER

Emigrantes em Paris

Faz hoje exactamente 8 anos que chegamos aqui a França para dar início a uma das maiores voltas da nossa vida...

Saímos da casa dos meus pais, exactamente no dia 3 de Agosto, no meu Peugeot 206 comercial, em pleno Verão, com as temperaturas a rondar os 35 graus... Lembro-me do imenso calor que passamos porque não tinhamos ar condicionado... Pernoitamos em Bordeaux, e chegamos ao nosso destino num domingo... No dia 4 de Agosto de 2013...

Lembro-me desse dia como se fosse hoje, cheios de medos e incertezas... E uma desilusão imensa com o que encontramos... Afinal, aquilo que tinhamos idealizado não correspondia ao que tinhamos encontrado... Ruas sujas, casas que mais pareciam abandonadas, e gente que parecia que não conseguia "ver os outros"... À medida que nos íamos aproximando do nosso destino descobrimos que o hospital ficava num local bastante isolado...

 

Dirigimo-nos directamente ao hospital onde ía começar a trabalhar, e no meu francês "tremido", dirigi-me à recepção e tive uma recepção surreal... Mal sabiam da minha chegada e nem sabiam do código da porta de entrada do edifício onde ía ficar... Ligaram para um serviço onde estava uma enfermeira portuguesa a trabalhar, para saber se se lembrava do código, mas também não se lembrava... Depois, ela ligou para alguém que ainda morava lá e conseguimos o código...

Entregaram-me um saco com roupa da cama, deram-me as indicações para ir para o apartamento e as chaves do apartamento... 

O meu coração "batia a mil", e se houve um momento que duvidei do que tinhamos feito foi exactamente naquele instante em que senti que agora apenas erámos os dois... O momento tinha chegado: agora só tinhamos que lutar para tudo dar certo...

A boa surpresa foi descobrir que tinha um estúdio reservado só para mim, por isso o R. iria poder ficar comigo, mesmo que não fosse "oficial"... A má foi ver o estado em que me entregaram o apartamento: cheio de pó, com as janelas abertas e uma temperatura interior a rondar os 30 graus!

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Tinhamos alugado uns quartos durante os primeiros 12 dias, porque o hospital tinha dito que o R. não podia morar comigo enquanto que estivesse no alojamento do hospital, pois iria viver com outras enfermeiras... Felizmente, conseguiram dar-me um estúdio e os planos acabaram por sair melhor do que pensávamos...

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No dia seguinte, apresentei-me no hospital, onde a Directora dos Cuidados de Saúde estava à minha espera, fui apresentada ao serviço e à tarde fomos os dois, pela primeira vez a Paris, onde tive a entrevista na Ordem dos Enfermeiros, com um dos conselheiros da Ordem. 

Comecei a trabalhar exactemente no dia 7 de Agosto... Os primeiros dias foram, sem dúvida, os mais difíceis, entre dominar a língua, a integração no local de trabalho, e a nossa instalação/limpezas no estúdio, mal tínhamos tempo para dormir...

O R. ainda voltou a Portugal, tal como tinhamos planeado, para depois regressar de vez... Dois meses depois tinhamos arranjado trabalho também para ele, e eu tinha o meu contrato indeterminado na mão... A partir daí sabíamos que tudo iria depender apenas de nós dois...

Moramos uns meses ali, mesmo ao lado do hospital, mas foi quando nos mudamos para o nosso apartamento que sentimos que a partir dali as coisas eram "afinal mesmo a sério"...

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MAUS TRATOS

Contado Ninguém Acredita

Nunca mais abordei a conversa que a directora da escola do Gui teve comigo em Abril, um dia antes do confinamento... Mais uma situação marcada pela negativa que ficará guardada para sempre na minha memória... Vamos começar do princípio para enquadrar melhor o que se passou...

 

Aqui em França, aos 3 anos, quando as crianças entram para a escola existe uma avaliação de saúde feita por um médico e uma enfermeira escolar que passam para avaliar os alunos, nomeadamente a visão... Com o aparecimento da Pandemia, o Gui não fez esses testes no primeiro ano que entrou, por isso a avaliação foi feita no início do segundo ano escolar, mais precisamente em Outubro de 2020. Nesse dia, quando fui buscar o Gui à escola, a professora do Gui abordou-me e falou-me que o Gui muito provavelmente teria sérios problemas de visão, segundo a avaliação que tinha sido feita pelos profissionais de saúde, e por isso teria que consultar com alguma urgência um oftalmologista...

 

Fiquei incrédula com aquela avaliação e comecei a imaginar o que teria realmente acontecido: o Gui super incomodado com aquela avaliação, a não olhar para ninguém e a não responder... E as pessoas a achar que ele não respondia porque não via nada! Típico do Gui: fora de casa super tímido e mudo e dentro de casa exactamente o oposto! Expliquei à professora que não estava convencida com aquele resultado mas que iria consultar um oftalmologista rapidamente...

 

E assim foi, marcamos consulta no primeiro oftalmologia de crianças que nos apareceu disponível, e naquele dia tirei as dúvidas: mal entrou no consultório o Gui não disse uma única palavra e mal olhava para a pessoa que o estava a avaliar...

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Nem imaginam como me senti mal, tinha -lhe pedido para colaborar, e até lá dentro quase lhe supliquei para dizer alguma coisa nem que fosse em português... Mas nada adiantou, não deu uma palavra, e a oftalmologista disse que faria então outra consulta mas teria que colocar umas gotas antes... Peguei na prescrição médica, e disse que depois marcava a consulta através do site, pois não conhecia as minha disponibilidades... Na realidade, não tinha gostado nadinha da forma como o Gui tinha sido abordado, cheia de pressas e sem qualquer empatia, mesmo eu explicando previamente como ele era...

 

Entrei no carro e o Gui começou e dizer tudo o que tinha visto, e questionei-o porque motivo não tinha respondido dentro do consultório... É óbvio que não me deu nenhuma justificação plausível, mas eu sabia como ele era e estava consciente que tínhamos um trabalho difícil pela frente...

 

Expliquei à professora o sucedido e disse-lhe que não o ía levar de imediato a outra consulta, que preferia esperar mais um meses até eu o sentir menos tímido, porque este isolamento social todo não o tinha ajudado em nada, que seria mais uma perda de tempo e dinheiro se o fizesse novamente num curto espaço de tempo... Reforcei-lhe que não achava que ele tivesse problemas graves de visão, e que se os tivesse seriam mínimos pois nunca vimos nada de anormal nele... A professora parecia ter concordado, e nunca mais tornou a falar do assunto...

 

Passados 6 meses, a "enfermeira escolar" voltou a passar na escola e fez uma reflexão escrita de que o Gui provavelmente "precisaria de óculos porque escrevia com a cabeça muito colada à folha"... Comecei a imaginar de novo o motivo de tal comportamento: "não querer ser visto ou simplesmente esconder-se... Como seria a abordagem feita por aquela enfermeira?!"...

Naquela semana, fui à escola saber da avaliação do Gui e, sem eu abordar o assunto, a professora disse que também achava que o Gui não tinha nenhum problema de visão grave...

O mais estranho é que uns dias mais tarde a directora da escola teve um comportamento inesperado... Nesse dia, vou levar o Gui à escola, e a directora chama por mim e diz-me que precisa urgentemente de falar comigo porque o Gui tem problemas sérios de visão e eu não me preocupo em levá-lo a um especialista... Por isso, se continuar assim será obrigada a fazer uma "sinalização de maus tratos"!

Nem queria acreditar no que acabava de ouvir, e por uns segundos respirei fundo para não perder a razão, e disse-lhe que achava muito estranho as acusações que ela acabava de me fazer quando na semana passada a professora do Gui tinha falado comigo... Tive que lhe dizer que também eu era profissional de saúde, e se estava a agir assim era por conhecer o meu filho, e que se havia alguém preocupado com ele, era eu!

O cúmulo foi quando ela ainda teve a lata de me dizer que se eu era profissional de saúde ainda era mais grave pois devia estar mais atenta!!! Mais atenta ao quê?! Nem sei como não me passei quando ela fez estas insinuações... E embora estivesse revoltada por dentro, mantive o meu ar super calmo e seguro... Falei-lhe do quanto era difícil colocar o Gui a falar com estranhos, expliquei que era impossível força-lo a falar quando ele simplesmente não queria e disse-lhe que até para mim era muito complicado esta situação porque não compreendia porque motivo ele era assim fora de casa... E disse-lhe que esta Pandemia era a grande responsável por tudo isto pois vivíamos muito isolados agora. No final, disse-lhe que iria marcar uma nova consulta, mas num oftalmologista de confiança, indicado pela Pediatra do Gui, mas que não podia prometia nada...

 

Entretanto, fui à Pediatra do Gui e contei-lhe o sucedido, também ela ficou indignada com aquelas acusações vindas de uma directora de uma escola... A Pediatra ainda tentou ligar para a "enfermeira escolar" para tentar perceber o que se passava mas não estava a trabalhar naquele dia, por isso uns dias mais tarde liguei eu e falei com ela... Enquanto isso, e no mesmo dia, a Pediatra tentou fazer um teste simples de visão, mas mais uma vez o Gui nem uma palavra deu... Gentilmente a Pediatra emprestou-me o material para fazer o teste e disse para eu fazer em casa e o R. filmar para ela ver o resultado... E assim foi, em casa o Gui respondeu tudo direitinho...

 

Mesmo assim, estava determinada a marcar uma nova consulta de oftalmologia, desta vez alguém que tivesse referências... Liguei para a Oftalmologista que a Pediatra me aconselhou e conseguimos consulta 3 meses depois...

 

Quanto à Enfermaria escolar não me inspirou confiança nenhuma, mal me deixou falar, e ainda me aconselhou levar o Gui a um psicólogo porque ela já tinha feito centenas de testes e nunca tinha encontrado uma criança como o Gui, e que não tinha que me sentir mal em pedir ajuda a uma psicóloga pois também ela tinha levado uma vez a filha dela... Sem me conhecer, sem me deixar falar, fez uma série de observações que me deixaram completamente estupefacta, disse-lhe que o problema disto tudo era estarmos isolados/confinados há mais de um ano e que o mais grave disto tudo foi ter a directora da escola a ameaçar-me com uma sinalização de maus tratos!!! 

 

O resto da história fica para um próximo post...

14 DE JULHO

Fogo de Artifício na Torre Eiffel

Hoje é o maior feriado francês, o famoso Dia da Bastilha. Este ano, fui trabalhar, mas confesso que tenho saudades de ver o fogo de artifício na Torre Eiffel...

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Um espectáculo único que começa às 21h30min com um concerto lírico, no Champs de Mars, mesmo ao pé da Torre Eiffel. Ao anoitecer, mais precisamente às 23 horas, as luzes da cidade são apagadas e é nessa altura que o tão aguardado fogo de artifício ocorre na Torre Eiffel, e este ano com o tema da Liberdade... São 35 minutos onde a Torre Eiffel brilha mais que nunca!

 

Este ano, com a Pandemia, apenas 15.000 pessoas podem estar presentes e obrigatoriamente com o famoso Passe Sanitário.