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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

DE REGRESSO...

Ontem fez exactamente uma semana que as nossas férias de Verão terminaram, daí ter andado ausente por aqui... Passou demasiado rápido, mas deu para matar um bocadinho das SAUDADES que tínhamos da nossa Família, dos nossos Amigos e de cada cantinho do nosso Portugal!

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Entre o Norte e o Sul, passamos grandes momentos em Família e com os Amigos... Que bom que foi estarmos presentes na Romaria da Senhoria d'Agonia, nas Feiras Novas de Ponte de Lima, em todas as jantaradas que tivemos e no casamento dos nossos Amigos... Queríamos ter estado mais tempo com algumas pessoas mas infelizmente o tempo passa tão rápido que quando damos conta já está na hora da partida... Mesmo assim foi muito bom!

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É maravilhoso sentirmos que por mais que estejamos a quilómetros de distância e por mais que o tempo passe, cada vez que voltamos à "nossa casa" parece que nunca saímos de lá! ❤️

EMIGRANTE EM PARIS

        - 1 de Janeiro

        - Segunda de Páscoa (entre 23 Março e 26 de Abril)

        - 1 de Maio

        - 8 de Maio

        - Quinta-feira de Ascenção (feriado móvel: 40 dias após a Páscoa)

        - Segunda-feira de Pentecostes (feriado móvel: 50 dias após a Páscoa)

        - 14 de Julho

        - 15 de Agosto

        - 1 de Novembro

        - 11 de Novembro

        - 25 de Dezembro

ISTO É SER EMIGRANTE

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Há pessoas que pensam que a vida de emigrante é fácil pois não imaginam o quanto é difícil estar longe daquelas pessoas que amamos, isto porque nunca saíram da sua "zona de conforto" para ir à luta de uma vida melhor, num país que não é o nosso.

 

Há quem se queixe que trabalhe longe e só pode ir ao fim-de-semana a casa para estar com a família e os amigos, eu também já fui uma delas, mas acreditem que é muito mais difícil estar a 1700km de distância, e só poder estar com quem amamos duas ou três vezes por ano.

 

Cada vez que comprámos uma viagem para ir à "nossa terrinha", contámos os dias e as noites, de forma decrescente, mesmo que faltem meses, para que esta espera pareça menos demorada...

 

E se hoje estamos aqui, é porque infelizmente Portugal não nos oferecia a vida estável que tanto precisávamos... É preciso tomar decisões, lutarmos por algo melhor, e acreditarmos que no final tudo irá dar certo! Mas acreditem, que há dias bons, há dias menos bons, há dias em que sabemos que isto é o melhor para nós, e há outros em que duvidamos se vale a pena estar aqui... 

 

Estes dias, navegando pela internet, encontrei um vídeo da conhecida actriz Mafalda Pinto, conhecida da novela "Morangos com Açúcar", sobre o que é "Ser Emigrante" (desconhecia que também ela tinha emigrado). Ao ver o vídeo, revi-me em tantas coisas que achei que seria bom partilhar com vocês... Porque isto é ser emigrante...

 

 

PREPARAÇÃO PARA O PARTO

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Tal como existe em Portugal, aqui em França também existem os "Cursos de Preparação para o Parto", e embora eles possam ter abordagens diferentes, todos têm o mesmo objectivo: diminuir a ansiedade dos futuros papás, esclarecendo dúvidas, dando a conhecer exercícios e técnicas de relaxamento durante o trabalho de parto e orientando sobre os cuidados com o recém-nascido. E apesar de eu ser enfermeira, e ter algum conhecimento teórico e prático sobre este tema (pois o curso de enfermagem tem uma disciplina teórico-prática de obstetrícia, com estágio em sala de partos e internamento), considero que mesmo estando "por dentro do assunto", nunca é demais frequentar estas aulas, porque quando estamos do "outro lado"  as coisas são bem diferentes!

 

Por isso, assim que me inscrevi na maternidade sabia que teria a possibilidade de frequentar essas aulas, tinha apenas que esperar que chegasse uma carta a casa (por volta do 7º mês de gravidez), e ligar para me inscrever nas aulas que queria frequentar. 

 

A carta chegou a casa na quinta-feira antes da Páscoa, exactamente no dia em que fiz 30 semanas (7 meses), e tive a minha primeira consulta com a enfermeira parteira da maternidade, por isso aproveitei para me inscrever.

 

Basicamente o curso divide-se em 8 aulas:

  1. Respiração adaptada à Gravidez e ao Parto
  2. Parto: como preservar o períneo
  3. Como gerir as dores das contracções?
  4. O dia "J"
  5. O nascimento
  6. Visita à Sala de Partos
  7. Aleitamento Maternal e Artificial
  8. Aula com o Obstetra

 

As aulas aplicam-se às mamãs e aos papás mas, tal como acontece em Portugal, é complicado gerir o horário de trabalho para que o pai possa estar presente, daí que a maior parte dos cursos acabe por ser frequentado apenas pelas grávidas. A pensar nisso, e porque existem umas aulas mais importantes para os futuros papás, do que outras, a maternidade onde eu me inscrevi propõe que as 3 aulas mais importantes (nº 3, 5 e 6) para o casal, sejam leccionadas ao sábado, uma boa iniciativa que fez com que fosse possível inscrever o meu marido também.

 

Felizmente, os tempos mudaram e a gravidez/parto deixou de ser uma tarefa exclusiva das mulheres, hoje o pai tem um papel mais activo que torna-se fundamental para este momento tão importante na vida do casal!

 

Ontem fui à primeira aula, e como era de prever, apenas um pai estava presente, quinta tenho mais uma, e sábado temos a primeira aula de casal de preparação para o parto (aula nº3), confesso que o meu marido anda um bocadinho assustado pois o maior medo que ele tem é não perceber termos técnicos. À conta disto, e para "descomprimir", fartamo-nos de rir cada vez que comecámos a pensar como tudo vai acontecer.

 

O momento ainda é de grande descontracção, mas à medida que o Dia "J" se aproxima vamos imaginando como irá ser... Tenho a certeza que as aulas vão ser uma peça fundamental para que este processo seja mais tranquilo. Se é uma "aventura" ser mãe/pai de primeira viagem, as coisas ficam muito mais intensas quando o somos longe do nosso país e da nossa família/amigos!

PARECE MENTIRA!

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Até podia ser uma "peta", porque hoje é o dia das mentiras, e ao início até eu pensei que me estivessem a pregar uma...

 

Como já vem sendo habitual, todos os meses, hoje fui fazer novas análises aos sangue relativas ao meu 7º mês de gravidez, entre elas umas específicas relativas ao meu grupo sanguíneo. Como tinha feito a injeção de imunoglobulina anti-D (Rh), há cerca de 15 dias, a técnica pediu-me o meu cartão de grupo sanguíneo (cartão esse que tinha sido feito no laboratório) e perguntou-me o meu apelido de solteira (em francês, nom de naissance ou nom jeune fille) e o apelido de casada (em francês, nom d'époux (se))... E foi aqui que, pela milésima vez desde que aqui estamos, a confusão começou...

 

«Como?! Você tem o mesmo apelido?? E qual é o apelido do seu marido?? Isto não pode ser, você aqui no cartão não pode ter o mesmo nome de "jeune fille" e "d'épouse"!» - diz a técnica toda eufórica, enquanto eu tentava-lhe explicar que o meu nome de casada é exactamente o mesmo de solteira, que era portuguesa, que podia ajustar ou não o apelido do meu marido... etc... etc... Mas ela estava tão alarmada com aquela situação que mais parecia que eu estava a "falar pra o boneco"... Foi então que ela lá disse: «O laboratório tem um problema no sistema informático que não permite colocar o mesmo nome, para isso temos que colocar que é solteira... Isto em breve irá resolver-se, mas para já tem que ser assim e vamos lá ver se na maternidade não lhe vão colocar problemas...»

 

E mais uma vez fiquei com a "cabeça em água"! O cartão do grupo sanguíneo feito há mais de um ano e hoje lembram-se que não pode ser assim! A única coisa que lhe pedi foi para não me mudarem os apelidos pois estou fartinha de ter que corrigir esta situação, e isso sim é que, a meu ver, me pode dar sérios problemas!!! 

 

Fiz sempre todas as colheitas de sangue no mesmo laboratório, achando eu que as coisas assim seriam mais simplificadas, mas pelos vistos não... A todo o lado que vou tenho que explicar o motivo de eu ter uns apelidos e o meu marido outros, tantos portugueses a viverem aqui e ainda ninguém quis perceber o lógico! 

 

Nem imaginam o quanto eu estou FARTA desta situação, nem sabem a quantidade de vezes que eu já tive que pedir para corrigirem os meus apelidos, pois mesmo enviando toda a documentação que comprova o meu nome eles teimam em mudar os meus apelidos... Mas se eles pensam que alguma vez eu vou mudar de apelidos para lhes facilitar a vida, estão muito enganados... Sim, ainda no outro dia falava eu com um senhor português que morava aqui há muitos anos e ele dizia-me exactamente isso: «Eu para evitar confusões, quando me nacionalizei francês, fiquei só com o apelido do meu pai». Nem queria acreditar no que ele me estava a dizer... Mas isto alguma vez "cabe na cabeça de alguém"?? No meu caso teria que esquecer os meus apelidos de família e adoptar apenas o último apelido do meu marido... Uma situação que está fora de questão!

image.jpegE com esta história toda, até me esqueci que entramos hoje no mês de Abril...

Bem-vindo Abril!

A VIAGEM DA NOSSA VIDA

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E assim passaram 2 anos em que fizemos as malas, entrámos no carro e fizemos a maior viagem das nossas vidas... Recomeçando uma nova vida num outro país, sem amigos, sem conhecidos, apenas os dois!

 

Não foi fácil amadurecer a ideia de emigrar, muito menos de emigrar para aqui, mas quando decidimos que tinha chegado o momento, mergulhámos a fundo e decidimos que não olharíamos para trás... Confesso que o dia da partida não foi tão doloroso como imaginara... Acho que ajudou o facto dos meus pais e a minha irmã (mais nova) estarem na Alemanha, e ter apenas, em casa, a minha irmã mais velha e o meu cunhado...

 

Sabíamos que nada iria ser como até ali, e os amigos de sempre não estariam mais... Tínhamos medo da adaptação ao país, da língua, e de tantas outras coisas... Mas estávamos determinados e sabíamos que não podíamos voltar atrás, por isso tinhamos que dar o nosso melhor e acreditar que tudo iria dar certo...

 

Foram dois anos cheios de aventuras e de grande aprendizagem.

 

Confesso que os primeiros meses foram bastante complicados, longe de tudo e de todos... Arrisco até a dizer que só quem passa por uma situação semelhante é que sabe exactamente do que falo... 

 

Aos poucos fomo-nos integrando e fazendo novas amizades que foram fundamentais em todo este processo. E hoje, não posso dizer que nos sentimos como se estivéssemos em "casa"(e até acho que isto nunca vai acontecer), mas também não estamos arrependidos de ter vindo até aqui... Não nos sentimos emigrantes, não sabemos quanto tempo vamos ficar ou até se vamos um dia regressar a Portugal... Apenas queremos viver um dia de cada vez e aproveitar cada momento!

 

A vida dá tantas voltas que aprendemos que não vale a pena fazer tantos projectos, o importante é que as pessoas que amamos (mesmo longe) continuem sempre por perto.

A SAGA DOS APELIDOS

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Hoje venho falar de um assunto que nos acompanha desde o primeiro dia que aqui chegámos: os nossos apelidos! Vocês até devem pensar que temos apelidos estranhos como "Pão de Trigo"ou "Mosca", mas não é o caso! Falo do simples facto de termos que explicar a qualquer lado que vamos porquê é que temos 2 apelidos cada um! Estranho não?! 

 

Vou passar a explicar "porquê"...

 

Tudo começa no nascimento.... Aqui quando uma criança nasce, normalmente, adopta apenas o apelido do pai, isto porque antigamente todas as crianças apenas podiam ter o apelido do pai, e embora a lei tenha mudado em 2005, e se possa colocar a uma criança o apelido da mãe e do pai, os franceses não o fazem, nem se quer conseguem perceber o motivo de alguém ter dois apelidos! Dá para acreditar nisto?! Daí que cada pessoa tenha apenas com um nome próprio e um apelido! 

 

Quando se tenta explicar que em Portugal coloca-se o apelido do pai e o apelido da mãe, as caras que eles fazem são de indignação! Vai se lá perceber porquê... Afinal, a lei também existe para eles, mas nem eles a conhecem!

 

Na minha opinião, acho que faz muito mais sentido uma pessoa ter os dois apelidos! Mas ainda há mais... Eu sendo casada, na opinião deles, sou quase obrigada a ter o apelido do meu marido! Até fiz uma pesquisa na internet para ver se era obrigatório, mas apesar de não o ser, parece que fizeram disto uma tradição a seguir à risca. Nesta altura devem estar a pensar: "mas as mulheres depois ficam com dois apelidos!" Resposta errada, porque a partir do momento que as mulheres se casam, o apelido que tinham do pai desaparece e passam a utilizar o apelido do marido. Por isso, cada vez que vamos preencher um papel onde tempos que colocar o nosso nome completo, aparecem sempre dois locais onde temos que colocar o apelido de solteira (em francês, nom de naissance ou nom jeune fille) e o apelido de casada (em francês, nom d'époux (se)). 

 

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Agora imaginem o que é ser casada, como é o meu caso, ter dois apelidos e nenhum ser do meu marido!!! Grande confusão para eles... A qualquer lado que vamos sou automaticamente chamada pelo apelido dele, e tentar explicar que somos casados mas não mudei de apelido não vale a pena, porque no fim, continuam a duvidar se de facto somos casados um com o outro!!! A primeira vez que tentei explicar isto, disseram-me logo que só as pessoas dos países do leste é que não adoptam o apelido do marido... Se é verdade ou não, eu não sei, mas em Portugal aos anos que passou a ser mais vulgar as mulheres não adoptarem o apelido do marido... Eu pessoalmente acho que não faz sentido mudar de apelido... Mas isso já era tema para um outro post!

 

E eu até tenho apenas um nome próprio e 2 apelidos, que faria se eu fosse filha do Duque de Bragança... Nem quero imaginar!!!