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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

CONSULTAS VIA EMAIL!

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Após 15 dias a controlar o meu açúcar antes e depois das refeições, lá fui eu ter com o meu endocrinologista para lhe mostrar os meus resultados... Sabia perfeitamente que estava tudo controlado, mas era natural ser avaliada após a implementação do plano alimentar.

 

Ao ver os resultados, ficou satisfeito, perguntou-me se, com aquele plano alimentar, não sentia fome... Tive que ser sincera e disse-lhe a verdade, que comia mais vezes e mais do que estava descrito no plano, pois tudo dependia do que iria fazer ao longo do dia. Como já estava à espera, não me repreendeu, pois o importante eram os valores estarem sempre controlados... Nada que eu também não soubesse, mas que no fundo precisava de ouvir da parte dele.

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A partir de hoje começo a picar o dedo apenas 4 vezes ao dia, e em dias alternados: ao acordar e duas horas depois das 3 principais refeições (pequeno-almoço, almoço e jantar).

 

O melhor disto tudo é que não preciso mais de ir ao consultório para lhe mostrar os valores, a partir de agora as consultas passam a ser feitas via email... Basta que todas as semanas lhe envie os resultados dos meus valores de glicemia, e se houver algum problema aí sim terei nova consulta na Clinica! Fiquei fascinada com o facto disto ser possível, nem sei quais são os critérios para isto ser possível, mas penso que o facto de ser enfermeira ajudou para que as coisas fossem mais simplificadas... Isto sim são consultas personalizadas!

 

Será que em Portugal as coisas funcionam da mesma forma?!

PLANO ALIMENTAR PARA GRÁVIDAS COM DIABETES GESTACIONAL

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Pois é, ontem fui pela primeira vez à consulta de endocrinologia para começar a controlar mais de perto a minha diabetes gestacional... Entrei no consultório, e antes de começar qualquer explicação e qualquer ensino, o médico quis saber a minha profissão. Ora, sendo eu enfermeira estava claro que ele não me ía fazer nenhum ensino aprofundado, nem eu sentia necessidade disso pelo que se limitou a dizer-me o básico e que o importantes era seguir o plano alimentar que ele me iria dar, bem como avaliar as glicemias antes e duas horas depois das refeições, devendo os meus valores de açúcar estarem abaixo de 85mg/dl em jejujm e inferior a 120mg/dl, duas horas após as refeições. Entregou-me a prescrição médica para ir à farmácia levantar a máquina para avaliar o meu açúcar no sangue (as famosas glicemias), não entrando em pormenores com o plano alimentar (apenas salientou que não precisava de pesar o carboidratos - como a massa, o arroz e a batata), nem eu achei que fosse necessário (como devem calcular, sei perfeitamente o que um diabético deve ou não comer).

 

Só olhei para o plano alimentar quando cheguei ao carro... Fiquei petrificada quando me apercebi que tinha direito a apenas quatro refeições por dia!

 

Se há coisa que me "chocou" quando comecei a trabalhar aqui foi isso mesmo, ver que nos hospitais os doentes diabéticos (e os não diabéticos) têm direito apenas a 4 refeições por dia... Agora também comprovo que até as grávidas têem o mesmo regime! Onde é que isto já se viu?! Confesso que não concordo com isto... Acho que toda a gente (pelo menos em Portugal) tem conhecimento que o ideal é fazer 5 a 6 refeições diárias, de forma a não ficar mais do que 3 horas em jejum, para evitar flutuações excessivas nos valores de açúcar. Aqui em França não é o que acontece, eles tem a teoria das 4 refeições/dia, pois acham que é mais que suficiente.

 

Ver o meu plano alimentar composto por 4 refeições foi como me ditarem uma sentença de emagrecimento imediato! Acho que sou incapaz de comer apenas ao pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar...  E a meio da manhã, não se come nadinha? E se me deitar tarde, não tenho direito a um "mini-lanche"?! Pelos vistos não! 

 

Basicamente o plano que o meu endocrinologista me deu, passa por comer:

 

  • Pequeno-almoço: 150ml de leite com café (sem açúcar, pode-se usar adoçante) + 60gr de pão com manteiga

 

  • Almoço: 100 gr de carne ou peixe + 200gr de arroz, massa ou batata (já cozinhados) ou 80gr de pão + legumes (sem limite) + 30 gr de queijo pasteurizado ou 150ml de leite meio-gordo ou 1 iogurte natural + 1 fruta

 

  • Lanche: 30 gr de queijo pasteurizado ou 150ml de leite meio-gordo ou 1 iogurte natural + 1 fruta

 

  • Jantar: igual ao almoço

 

Já fizeram as contas das horas que devemos comer se se fizerem 4 refeições por dia, de forma a estarmos no máximo 3 horas sem comer?! Com este plano os horários para comer deviam ser algo como: 9h, 12h, 15h e 18h; sendo que das 18horas às 9 horas a pessoa ficaria 15horas sem comer!

 

Vou aproveitar a experiência profissional que tenho, de Portugal, de forma a manter as 5 ou 6 refeições por dia a que estou habituada, pois se antes tinha necessidade de comer desta forma, hoje sinto muito mais pois não concordo que uma grávida esteja mais de 3 horas sem comer (excepto no período noturno)! 

 

E perante os valores que tive, ontem e hoje, sinto-me perfeitamente à vontade para ajustar o meu plano alimentar, tal como um diabético como em Portugal: vou acresentar um lanchinho a meio da manhã, ao lanche vou juntar 1 pão ou meia dúzia de "bolachas maria" e antes de ir dormir vou cear qualquer coisa, caso os valores do açúcar estejam baixos... 

 

O ideal da dieta, para grávidas com diabetes gestacional, é que esta seja diversificada, evitando-se ao máximo os alimentos ricos em açúcar e em gordura (como bolos, açúcar, compotas, bebidas açucaradas, doces, bolachas recheadas, gelados, enchidos, queijos, comidas pré-preparadas congeladase produtos pré-cozinhados). E de forma a reduzir o índice de glicemia (os níveis de açúcar), os alimentos ricos em carboidratos (como o arroz, a massa e o pão) devem ser consumidos preferencialmente na forma integral, e em quantidades moderadas! Fundamental, é também uma boa ingestão hídrica diária, 2 litros de água, entre as refeições e pratica diária de uma actividade física!

 

Confesso que o que mais me custa a mim são aqueles momentos em que tenho um ataque de comer uma série de doces e chocolates... 

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Mas fico-me só pela vontade... Ou se abuso mais um bocadinho, sei que tenho que fazer uma caminhada a seguir, de forma a desgastar o excesso de glicose!

 

Claro que estes momentos de loucura, felizmente, são esporádicos, e tenho conseguido controlá-los, porque sei que mais importante que a minha gula é, sem dúvida, o bem-estar do meu Principezinho!

O DOCE QUE AMARGOU!

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Faz hoje mais ou menos quinze dias que fui fazer a prova de tolerância oral à glicose (PTOG), um rastreio que se faz às grávidas para despistar a diabetes gestacional, um tipo de diabetes que pode surgir durante a gravidez, e o qual é feito entre a 24ª e a 28ª semanas de gestação.

 

Basicamente o teste consiste numa recolha de sangue para avaliar a glicemia em 3 momentos diferentes:

  • o primeiro em jejum;
  • de seguida ingere-se uma espécie de xarope contendo 75 gramas de glicose, e espera-se 1 hora até colher sangue novamente;
  • 2 horas após a ingestão do xarope, volta-se a colher sangue pela 3ª e última vez.

 

Para realizar esta prova, deve-se cumprir determinados requisitos:

  • estar em jejum há mais de 8 horas, motivo pelo qual é feito de manhã;
  • ao longo de todo o teste, não se pode sair do laboratório, devendo ficar-se sentada sem qualquer actividade física;
  • deve manter-se o jejum até ao final da prova (apenas se pode beber um pouco de água no decorrer do mesmo).

 

O diagnóstico da doença é feito quando a grávida tem, pelo menos, 2 dos 3 resultados alterados:

  • Glicemia Jejum: normal até 92 mg/dl;
  • Glicemia após 1 hora: normal até 180 mg/dl;
  • Glicemia após 2 horas: normal até 153 mg/dl.

 

Existem muitas grávidas que não conseguem fazer o teste pois o xarope provoca-lhes náuseas, e há até quem chegue a vomitar o produto, no meu caso, até que não correu mal, embora admito que não é nada agradável...

 

Acordei às 8h, pois sabia que precisaria da manhã completa para fazer a dita prova, eram 8h40min quando cheguei ao laboratório... Cheia de fome (por ter que estar em jejum), com o Gui aos saltinhos (acho que ele também queria comer... Eh... Eh...), e munida com um livro pois pensava que me seria útil para "ver passar o tempo" de forma mais rápida .

 

Entreguei as requisições na secretaria, fizeram-me algumas perguntas, escolhi o sabor do xarope que queria beber (limão ou laranja)... E optei pelo sabor a laranja uma vez que estava em jejum... Entre fazer os papéis e ser chamada foram mais ou menos 30 minutos à espera...

 

Fiz a primeira colheita de sangue e, logo de seguida, a técnica de análises clínicas, entre várias perguntas, explicou-me o procedimento e informou-se que 1 hora após beber o produto talvez não me sentisse muito bem devido à sobrecarga de açúcar... Entregou-me o xarope o qual tive que o beber de imediato, não era tão mau como imaginava, parecia uma espécie de laranjada bastante açucarada, um bocado enjoativo, mas o facto de estar refrigerado ajudou na ingestão.

 

Saí da sala das colheitas, sentei-me na sala de espera, com um cronómetro que a técnica me tinha dado para que dali a uma hora tornasse a fazer uma colheita de sangue. Estava decidida a ler o livro que tinha levado... Comecei a ler, mas 30 minutos após comecei a sentir-me cansada e ao mesmo tempo mal disposta... O Gui pulava cada vez mais, acho que a glicose o deixou eufórico, e eu só tinha vontade de me deitar... Guardei o livro, encostei a cabeça para trás e decidi manter-me imóvel até o cronómetro tocar... Talvez até tenha sido o melhor, pois a hora acabou por passar e fiz então a segunda colheita de sangue.

 

Ainda tinha mais uma hora pela frente.... Desta vez, nem me atrevi a pegar no livro, o Gui continuava animadíssimo, e eu tinha cada vez mais fome... A hora acabou por passar e, pela terceira vez,  tornei a ser picada para fazer a última colheita de sangue. 

 

Eram 11h45min quando saí do laboratório, fui a última pessoa a sair de lá, parece que já fazia "parte da mobília"... Cheia de fome mas contente por não ter vomitado o xarope, caso contrário, teria que repetir tudo de novo!

 

No dia seguinte levantei o resultado das análises... Não queria acreditar nos valores:

  • Glicemia Jejum: normal até 79 mg/dl;
  • Glicemia após 1 hora: normal até 191 mg/dl;
  • Glicemia após 2 horas: normal até 157 mg/dl.

 

Não estavam excessivamente altos, e apesar de não haver nenhum diagnóstico escrito nem valores de referência, nos resultados, sabia que tinha os critérios de uma Diabetes Gestacional!

 

Confesso que fiquei bastante desapontada com esta situação, sendo eu enfermeira, sabia exactamente do que se tratava... O meu marido não valorizou e até duvidou das minhas conclusões, mas eu tinha certeza do que se tratava e o que isto implicava... Um regime alimentar ainda mais apertado!

 

É claro que a primeira coisa que pensei foram nos chocolatinhos que ía deixar de comer, nos bolinhos, e até na quantidade de pão, massa, arroz e batatas que iria ter que começar a controlar... Mas quando se é mãe isto passa a ser secundário, e a vontade de fazer tudo direitinho em prol do nosso bébezinho passa a ser muito superior à vontade de comer essas gordices todas! Por isso, no mesmo dia que tive acesso aos resultados, eliminei os açúcares, os chocolates e os doces, sabia que não era a primeira nem iria ser a única, e o mais importante era, sem dúvida, ter a consciência tranquila por saber que não iria prejudicar o meu Principezinho!

 

Esperei uma semana para mostrar os resultados ao meu obstetra, data em que tinha marcada a consulta, estava tudo bem com o Gui, excepto os meus valores da PTOG... Mas isso eu já sabia! Mostrei o meu "descontentamento" com os resultados, e ele disse-me que não tinha motivos para me alarmar até porque estava tudo direitinho e o meu peso não tinha aumentado muito (5 Kg), mas mesmo assim fui encaminhada para a especialidade de endocrinologia.

 

Hoje fui à consulta e saí de lá escandalizada com a dieta que o endocrinologista me deu... Apenas 4 refeições por dia: pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar! O almoço e o jantar até que são bastante normais, agora o pequeno-almoço e o lanche da tarde... Acho que vou cair para o lado se só comer isto, e até sou capaz de emagrecer uns 5 kg daqui até à próxima consulta, que é daqui a 15 dias.

 

Agora tenho um plano alimentar e uma máquina de glicemia para controlar os valores de açúcar, antes e depois das refeições... 

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Amanhã conto-vos mais sobre este meu plano alimentar e como estão os meus primeiros valores glicemia (de açúcar no sangue).

Hoje acho que vou aproveitar para comer normalmente para ver até que ponto tenho o meu açúcar descontrolado!

 

 

 

RESTRIÇÕES ALIMENTARES NA GRAVIDEZ

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A dois dias de estarmos de férias em Portugal, o que para nós é sinónimo de grandes patuscadas e jantaradas, nada melhor que fazer um post para avisar que muitas das coisas que eu comia, que eu adorava, não posso comer enquanto estiver grávida.

 

Antes as mulheres grávidas "comiam por dois" ou continuavam a comer normalmente, não é por acaso que as nossas mães nos dizem que "comeram sempre de tudo", mas hoje não é bem assim, está mais que comprovado que durante a gravidez é fundamental ter cuidados redobrados com a alimentação, por três motivos principais:

 

  • Segurança alimentar, de forma a diminuir o risco de intoxicações alimentares;
  • Risco de contrair toxoplasmose;
  • Risco de desenvolver diabetes gestacional (ou estando já presente esta doença, controlar o desenvolvimento da doença, bem como excesso de peso e obesidade).