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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

AMAMENTANDO O PRIMEIRO E O SEGUNDO FILHO

Quando o Gui tem escolinha amamentar o Martin é super tranquilo, agora quando fico com os dois em casa... O panorama muda completamente... E de que maneira...

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É muita adrenalina mesmo...

E por aí, quem confirma?!

(Eh... Eh... Eh...)

CHEIRA AO MANO 💙

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Aconteceu-me duas vezes no espaço de 15 dias... Lavei o doudou do Gui sem ele saber, e utilizei o detergente da roupa do Martin, à noite quando o Gui pegou nele estava todo espantado a olhar para o doudou, e foi nessa altura que lhe perguntei:

- O que foi Gui?

- Este doudou é meu? Cheira a Martin... - respondeu ele com um ar incrédulo.

Foi então que lhe expliquei que tinha lavado o doudou com detergente da roupa do Martin.

 

Hoje de manhã, na altura de vestir o Gui aconteceu-me uma situação semelhante... Estava ele a tirar o pijama, e como ele gosta que eu lhe mostre a roupa que vai levar, digo:

- Sabes Gui, hoje vais levar esta camisola nova que compramos.

Todo contente, pega na camisola, mas diz com um ar surpreendido: 

- Hum, essa camisola é do Martin...

Do Martin?! Não, é tua, não vês que é grande? - explico eu apressadamente.

- Mas cheira ao Mano! - responde o Gui, de imediato.

- Ah, sim... É verdade, cheira ao Mano porque eu lavei a tua camisola com a roupa do Martin.

 

Isto só para dizer que fiquei impressionada como é que ele, com apenas 3 anos, conhece tão bem o cheiro do irmão! Se isto não é Amor, o que é?! ❤️

FOI A MAMÃ QUE DISSE...

Hoje de manhã vou levar o Gui à escolinha quando numa rua um carro pára para me ceder passagem, uma vez que a rua era demasiado estreita para passarem dois carros em simultâneo... Passo então em primeiro e, num gesto de agradecimento, aceno com a mão e digo "merci"... Nisto o Gui diz-me: " Mamã, mamã, este não é Palhaço!"

- "Palhaço?! - pergunto eu curiosa

- Sim Palhaço, foi a mamã que disse... No outro dia um carro apitou e a mamã chamou-lhe Palhaço!" - respondeu de imediato o Gui cheio de razão.

E eu, assim que ouvi isto, não aguentei, escangalhei-me a rir e ainda lhe disse que ele tinha mesmo memória de Elefante! E eu a pensar que muitas vezes ninguém me está a ouvir...

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SESSÃO FOTOGRÁFICA NA MATERNIDADE - MARTIN

Quando escolhemos a Maternidade que o Martin ía nascer, fiquei um bocadinho curiosa por saber se ali também se fazia a famosa sessão fotográfica logo após o nascimento, tal como fizemos com o Gui.  Queríamos ficar com um registo igual para um dia mais tarde ambos poderem ter uma bela recordação das primeiras horas de vida...

 

A fotógrafa apareceu no quarto pouco depois do Martin fazer 24 horas de vida, e a sessão fotográfica foi feita ao segundo dia de vida. Mais uma vez ficamos encantados com este momento tão ternurento e tínhamos uma certa ansiedade para receber as fotografias tiradas naquele dia... E hoje, partilho aqui com vocês 4 dessas fotografias que retratam tão bem o nosso Amor...

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Parece que foi ontem que estávamos a caminho da Maternidade... E parece que ainda há umas horas atrás preparávamos-nos para tirar as fotografias... Mas a verdade é que já passaram mais de 3 meses desde que este Pipoquinha nasceu

 

Tempo, podes passar bem mais devagar?!

A MAMÃ ESTÁ CONTENTE ❤️

Com este tempo que convida a ficar por casa, e com o Gui de férias, confesso que a televisão tem funcionado mais horas por dia... É óbvio que às vezes coloco uns desenhos animados que o Gui gosta,  mas na maioria do tempo tenho o cuidado de colocar num programa que possa ser educativo...

Ontem, por exemplo, lembrei-me de colocar num programa sobre vida selvagem, algo que eu gosto imenso e que há muito tempo não via... Apesar disso, nem estava a ver o programa com grande atenção, e parecia que o Gui também não estava a ligar muito... De repente, todo entusiasmado, o Gui aponta para a televisão e grita: "Mamã, mamã, olha um PELICANO!". Fiquei com a cara mais parva a olhar para ele e perguntei-lhe como é que ele sabia o nome daquele animal, pois a única e última vez que eu me lembro de termos visto aquele animal foi quando fomos ao ZOO de Beauval, em Agosto de 2018... Tinha ele dois anos... Devo ter esboçado um sorriso discretamente assim que lhe perguntei isto, pois de imediato ele respondeu-me eufórico: "O Gui sabe mamã. A mamã está contente...." 

Claro que fiquei bastante contente, e ao mesmo tempo surpreendida com a super memória que ele tem... E fiz questão de lhe dizer isso mesmo para ele sentir o quanto é bom e importante apreender coisas novas!

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NINGUÉM DISSE QUE SERIA FÁCIL

"Tem dias que o bicho pega. O bebé chora. Não dorme...

O filho mais velho desobedece...

Tem dias que tem mais comida no chão do que na barriga. E mais “nãos” do que abraços...

Tem dias que a gente não coloca maquilhagem, não faz a cama, nem escova os dentes...

Tem dias que o nosso maior desejo é a nossa cama ou um banho...

Tem dias que a gente acredita que está a fazer tudo errado. Tem dias que a gente tem certeza...

Mas a verdade é que, apesar destas adversidades, ser mãe é bom demais!

Porque só quem é mãe sabe como é se sentir amada quando apenas o seu colo acalma o bebé. Por mais cansada que estejamos, tem dias que dá uma sensação indescritível de superpoder.

Porque só quem é mãe sabe como é receber um abraço e um pedido de desculpas depois de uma crise de birra e desobediência. Passar pela tempestade cansa, mas ouvir um “eu não quero te desobedecer” não tem preço.

Porque só quem é mãe sabe o que é ser resiliente. Usar cada dificuldade para se superar. Usar cada comida no chão para melhorar a próxima receita. E cada “não” para aprender uma nova forma de se comunicar e educar.

Porque só quem é mãe sabe o valor de 8, 6, 5 horas de sono. E apesar das muitas madrugadas em claro, quem é mãe sabe o sentimento de satisfação ao colocar o bebé no berço ou o filho mais velho na cama e voltar para o seu quarto sabendo que acolheu e amou o seu bem mais precioso quando ele precisava.

Porque só quem é mãe entende que realmente a alegria deixa o rosto bonito e vale mais do que uma casa arrumada.

Porque só quem é mãe aprende a lidar com as cobranças internas e externas e entende que está fazendo um bom trabalho quando ouve “mamã, és a melhor mãe do mundo”!

Eu não, eu não vivo num mar de rosas. Eu tenho sono, fico stressada, às vezes perco o controle e até grito. Sinto falta de um tempo para mim e me cobro constantemente. Mas tenho aprendido que a vida é muito curta para perder momentos preciosos por coisas de pouca importância. Para o chão, tem pano; para o sono, café; para a roupa, sabão em pó; para as notas, livros de estudo. Tudo isso vai passar e que lembranças ficarão?"

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(texto adaptado de autor desconhecido)

QUEM SE IDENTIFICA?!

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Vai se lá saber o motivo...

Eh... Eh... Eh...

PELOS OLHOS DO GUI...

O Gui olhou para mim e, ao ver a quantidade de coisas que comia, na inocência dos seus 3 anos, diz-me com o ar mais sério: "Mamã, não comas muito se não ficas outra vez com uma barriga muito gorda e ficas com o bebé aí dentro!"

Só me apetecia rir com tamanha observação mas preferi perguntar-lhe se não queria mais um irmão ou uma irmã, ao que ele me respondeu que achava melhor não pois não tinha carros de brincar suficientes para todos!

E eu a pensar que ele estava preocupado com a minha saúde... Eh... Eh... Eh...

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ESTOU CANSADA

"Às vezes, parece que ninguém nota os esforços diários de uma batalha materna.

Ninguém nota as madrugadas de insónia, os choros contidos, os banhos não tomados, o almoço quente e saboroso que se transformou num pão com manteiga e num café gelado.

Ninguém nota quando a mãe está trabalhando no limite da exaustão. Seja limpando, educando ou emprestando um imenso pedaço de si para manter aquele pequeno em perfeitas condições.

Por trás de um filho feliz, existe uma mãe despenteada, com roupa amassada e... Cansada!

Por trás de um filho feliz, existe um trabalho pesado que ninguém (ou quase ninguém) ousa se importar.

A Maternidade é uma profunda, dolorosa e imensa doação de si mesmo. 

A Maternidade é uma jornada para valentes, lugar de gente corajosa que se aventura na batalha de criar um ser humano independente: dando limites, emprestando as suas noites de sono, multiplicando as forças e amando-os para sempre, mesmo quando eles nos levam à loucura.

A Maternidade é essa insana e profunda doação do nosso próprio coração. E mesmo quando ninguém nota, lá está ela - a mãe, doando o seu corpo, multiplicando o seu amor, dividindo os seus sorrisos e vivendo na mais completa e feliz exaustão. Porque toda a Mãe sabe que a melhor recompensa, para tanto cansaço, já está nas suas mãos!

E eu, ESTOU CANSADA, acreditem! Mas jamais cansada de ser Mãe." ❤

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(Texto adaptado de maezice, por Ananda Urias)

HÁ "SACRIFÍCIOS" QUE VALEM A PENA ❤️

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Pois é, por incrível que possa parecer hoje é o meu último dia das chamadas "congé maternité" (licença de maternidade)... Não sei quem raio se lembrou de dar este nome a este tipo de licença porque se traduzirmos à letra dá algo como congé maternité = férias de maternidade!!!! Quem colocou este nome nunca deve ter tido filhos, ou se os teve nunca ficou em casa com eles... Quem tem sabe bem do que estou a falar.... 

 

Era suposto o Martin com 2 meses e meio ficar agora numa creche ou numa ama, mas mais uma vez eu e o R. decidimos fazer um bocadinho de sacrifícios e prolongar este tempo, de forma a que eu possa ficar com o Martin em casa, tal e qual como fizemos com o Gui.

 

Com isto ainda há quem pense que ganhamos milhões para poder suportar com tantas despesas que temos, há ainda aqueles que acham que na França é que dá lucro ter filhos e há ainda aqueles que acreditam que para nós é tudo mais fácil... Enfim... Claro que é preciso fazer contas às despesas que se tem, fazer sacrifícios em coisas que não nos façam tanta falta e recorrer muitas vezes às pequenas economias amealhadas até então, e embora no final o prejuízo económico seja evidente, não há riqueza no mundo que pague este tempo que dedicamos ao nosso bebé numa fase tão importante da sua tenra vida! 

 

Está mais que provado que o aumento do período em que as mães podem ficar com o bebé após o nascimento é de grande importância para o desenvolvimento infantil. O contacto com a mãe estimula as conexões no cérebro do bebé, que faz com que este se sinta seguro, acolhido e amado, condições estas que criam uma inteligência emocional que traz consequências positivas para toda a vida do bebé, em todas as relações. Por isso, aqui fica o meu testemunho, se há uma altura em que devemos fazer "sacrifícios na carteira" este é, sem dúvida, um deles!

O SEGUNDO MÊS DO MARTIN

Tal como aconteceu no primeiro mês, o segundo mesinho do Martin foi passado metade em Portugal e metade aqui... E diga-se de passagem que foi um mês repleto de transformações maravilhosas...

 

De repente aquele bebezinho dorminhoco que tínhamos até ali começou a ter percepção do mundo... Foi giro ver todo o processo de descoberta... Começou a observar todos os nossos movimentos, a ficar atento a tudo, a prestar atenção às nossas vozes e a seguir objetos com os olhos. E se há rosto e voz que ele adora é a minha e a do seu mano, é mesmo surpreendente ver o interesse que o Gui desperta no Martin! 

 

Ao contrário do Gui, o Martin é muito mais sossegado e dorminhoco. Adormece facilmente sozinho, mas não gosta de se sentir isolado, por isso nada de o colocarmos longe do barulho pois ele não gosta mesmo nada.

 

Sorri cada vez mais e mais, é super simpático tanto para nós como para rostos menos familiares, e se começarmos a falar com ele, ele esforçasse para falar connosco através de sons, é mesmo super fofo! 

 

Outra conquista foi vê-lo a fazer movimentos bruscos com os bracinhos e as perninhas cada vez que está excitado ou alegre... O Gui acha sempre que nestes momentos ele está a pedir uma espécie de "ajuda", por isso a maior parte das vezes diz-lhe para ter calma pois não está sozinho... 

 

Começou a interagir com alguns brinquedos, sobretudo com aqueles que se movimentam ou emitem algum som, e o Gui já percebeu do que o mano gosta, por isso preocupa-se com ele e quando vê que ele não tem nenhum brinquedo com ele vai procurar um para lhe dar.

 

Em relação à comida, de dia continua a comer a cada 2 ou 3 horas, pode ser mais ou pode ser menos, de noite continua a acordar de 2 em 2 horas... Acho que consegue ser mais comilão do que o Gui! (Eh... Eh... Eh...) À conta disso, ontem fomos à Pediatra e ficamos a saber que pesa agora 6.300gr e já mede 63.5cm! É claro que as roupas depressa deixaram de lhe servir...

 

Ontem teve direito às primeiras vacinas, às dos 2 meses, escusado será dizer que chorou e muito, durante uns 2 longos minutinhos, apesar da pediatra lhe ter prescrito uns pensos anestésicos (impregnados com liocaína) para colocar 1 hora e meia antes. Felizmente só fez um episódio de febre no final do dia que reverteu com a administração do paracetamol... 

 

As cólicas continuam bem menores, acho que o Martin sofre bem menos do que o Gui pois além de quase não chorar, tem dois ou três episódios por dia... Mas nada que a medicação não resolva.

 

Hoje olho para trás e confesso que este segundo mês passou demasiado rápido, pois com as férias de Verão e a entrada do Gui para a Escola, fiquei com a percepção que não pude "aplaudir" com calma cada nova conquista do nosso Bebé Martin... De qualquer forma, mesmo no meio desta correria foi maravilhoso sentir que o nosso Principezinho 2 continua a crescer de forma saudável!

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A PRIMEIRA SEMANA DO GUI NA ESCOLA

Começamos a Escola com uma semana de atraso, e tínhamos muito receio que o Gui fosse penalizado por não ter estado presente na semana de integração... Felizmente tudo parece correr bem e, ao fim de quatro dias de aulas, o Gui já diz que "a escola é mesmo fixe"!

 

Hoje acordou e apenas disse uma vez que não queria ir à escola, desvalorizei aquela frase negativa e disse-lhe que tinha que tomar o pequeno-almoço para não ficar com fome e poder brincar com os novos amigos... A partir dali foi tudo demasiado simples, tão simples que até estranhei tanta vontade para regressar à escola depois de um fim-de-semana de festa cá em casa... Saiu do carro todo contente, pegou na mochila e no seu doudou, e dirigiu-se para escola apressadamente, entrou na sala de aula timidamente sem eu lhe dizer nada e nem olhou se quer para trás para me dizer um "até já"... No final do dia estava todo contente por ter estado na escola a brincar e disse até que amanhã queria ir para a escola outra vez!

 

Parece que o Principezinho Gui está mesmo muito crescido, e se em casa é um verdadeiro pestinha, na escola parece o "Anjinho Gabriel"... (Eh... Eh... Eh...) Agora é torcer para que tudo continue no bom caminho!

 

E por aí, como foi esse início de aulas?

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E ASSIM NASCEU O MARTIN 💙

Andava há algum tempo para escrever este post, mas precisava de algum tempo e de alguma concentração para o escrever, para que ele ficasse o mais fiel possível da realidade... Hoje lá o consegui finalizar e, numa espécie já de saudade, porque este é sem dúvida um momento único e inesquecível, partilho-o com vocês...

 

Faz hoje exactamente 60 dias que passei uma "noite em branco"... O dia tinha corrido normalmente, sem nenhum sinal de que o Martin estaria prestes a nascer... Eram cerca da 1h30min, da madrugada, quando comecei a ter "contracções chatas" que me impediam de estar muito tempo na mesma posição... Passei essa noite a dar "voltas na cama, ora para a esquerda, ora para a direita", evitando fazer barulho para o R. não acordar pois tinha que ir trabalhar... Assim que o despertador do R. tocou, por volta das 5h30, disse-lhe que podia ir trabalhar mas que estivesse em "alerta" pois sabia que o Martin não iria demorar muito para nascer... 

 

Perto das 7h, as contracções começaram a intensificar-se, a ficar mais dolorosas e regulares (todos os 5-7 minutos)... Levantei-me da cama,  apesar de estar cansada, pois não me sentia confortável, e coloquei tudo o que me faltava na mala de maternidade... Peguei num papel e numa caneta e comecei a registar todas as contracções para ter um registo fidedigno...  Às 10h, perdi o rolhão mucoso e as contracções começaram a ficar mais espaçadas... Fui tomar um banho para relaxar... Assim que saí do banho as contracções recomeçaram, mais dolorosas ainda, todos os 5-7 minutos... Peguei no telemóvel e enviei uma mensagem ao R. para vir para casa pois achava que não ía conseguir ficar em casa  por muito mais tempo...

 

Era quase meio-dia quando o R. chegou a casa, não almoçamos porque não queria esperar mais tempo, e mesmo sendo mãe de segunda viagem, queria saber se estava tudo dentro da normalidade... 

 

Assim que chegamos às urgências da Maternidade, que por sinal estavam caóticas, as contracções começaram a diminuir subitamente.... Parecia que estava a reviver o parto do Gui... Mesmo assim, entrei  para ser avaliada e, durante esse tempo que durou cerca de 45  minutos, apenas senti duas contracções e fiquei a saber que apenas tinha 1cm de dilatação... A enfermeira parteira disse-me então que podia ir para casa descansar, pois não havia nada de alarmante... Mas eu sabia que descansar não era a melhor atitude a tomar, sabia que o momento estava para breve, e eu só queria que fosse algo rápido, não queria passar mais uma "noite em branco"...

 

Saímos das urgências e disse ao R. que o melhor seria almoçar algo rápido para depois irmos fazer uma caminhada... Fomos ao MacDonald's, comemos uma hambúrguer e, como estava muito calor, optamos por ir para o Domaine de Chamarande pois  é um parque onde existem muitas "sombras"... Mal chegamos ao local e começamos a andar as contrações recomeçaram, de forma intensa e todos os 5-10minutos... Fizemos um trajecto relativamente extenso mas muito demorado, era obrigada a parar imensas vezes pois as contracções impediam-me de andar... Estava muito cansada mas sabia que o melhor era andar, para acelerar o processo... Ficamos ali cerca de 1 hora e voltamos para casa, sempre com as contracções regulares e dolorosas... À medida que o tempo passava, começava a ficar com mais dores, uma dor tão insuportável que me impedia de fazer qualquer coisa... Aguentei o máximo de tempo que pude em casa, às 20h e tal comecei a dizer que não aguentava mais e tínhamos que ir para a maternidade... Não sei como consegui jantar, mas jantei, depois foi tentar chegar ao carro... Estava cheia de dores, tentei ser forte mas as dores eram tão fortes que comecei a chorar... A muito custo, cheguei às urgências a chorar, completamente esgotada... Não  aguentava mais tanta dor... 

 

Felizmente, assim que demos entrada na urgência, apareceu  uma enfermeira parteira super simpática que, vendo o meu estado, disse-nos para entrarmos de imediato... Fui examinada e ficamos a saber que já tinha 4 centímetros de dilatação... Num misto de dor e alegria, chorei compulsivamente pois sabia que o Martin ía finalmente nascer! 

 

Como as urgências continuavam caóticas, fiquei na sala de observações e o anestesista colocou-me o catéter epidural mesmo ali... Ainda esperei uns 30 minutos até ele estar disponível, mas assim que me colocaram o catéter epidural, com a medicação em perfusão, fiquei super zen, estava tão bem que podia dormir 200 anos de tão cansada que estava...

 

Esperei umas duas horas até ficar disponível uma sala de partos, entretanto a enfermeira que me tinha admitido tinha ido embora e tinha ficado outra, super simpática também... Explicou-nos como tudo se iria desenvolver e deixou-nos na sala de partos... Agora era esperar até a dilatação total, para o Martin nascer...

 

Durante este processo de espera, eu e o R. brincámos imenso com a situação, parecia que, de repente, estávamos a reviver outra vez o parto do Gui... O tempo ía passando, e nós íamos ficando cada vez mais cansados e com mais sono.... Até que de repente, os batimentos cardíacos do Martin começaram a descer repentinamente (de 160 passaram para os 60 e tal, tal e qual como aconteceu no parto do Gui), começamos a ficar muito preocupados, de imediato a enfermeira parteira acalmou-nos, e cada vez que isto acontecia ía mudando de posição na maca... Confesso que fiquei com medo que algo pudesse acontecer... Ao mesmo tempo, comecei a tremer de forma descontrolada, tudo devido ao efeitos secundários da medicação administrada pelo catéter epidural... Procurei ficar calma e abstrair-me dos piores pensamentos, porque acreditem que é uma sensação horrível estarmos a tremer de tanto frio, que parece que temos, e não nos conseguirmos controlar... Fiz uma viagem mental até ao México tentando reviver os melhores momentos que passamos na nossa lua-de-mel... Não sei exactamente quanto tempo durou este pesadelo, talvez umas 2 horas, não sei precisar... Para nós, tempo de mais... E quando menos esperamos, tinha chegado o momento do Martin nascer... 

 

Foi um processo relativamente rápido, confesso que não sei onde consegui arranjar tanta força... Mas assim que ele saiu e o vi, chorei de tanta felicidade...

 

Já o Martin, chorou de forma discreta, a enfermeira colocou-o em cima de mim, e eu pude finalmente abraçá-lo, com as poucas forças que ainda me restavam... Foi impressionante ver as semelhanças do Martin com o Gui, pareciam fotocópia um do outro de tão iguais que eram...

 

O R., mais uma vez, esteve sempre super calmo, cortou o cordão umbilical, depois a enfermeira limpou o Martin minimamente, pesou-o, mediu-o e tornou a colocá-lo junto do meu peito...  Foi desta forma que, no dia 17/7/2019, às 3h27 da madrugada, nasceu mais um Principezinho, o Martin, com 3.890gr e 53 centímetros. 

 

Como o Martin tinha feito muitas vezes bradicardias, no trabalho de parto, não pude amamentá-lo de imediato, teve que ficar em jejum 2 horas para saber se estava tudo bem com ele... Ficámos então os 3, juntinhos, ali naquela imensa sala, a saborear aquele sublime momento, até a enfermeira parteira confirmar que tudo podíamos estar tranquilos... O R. vestiu então o Martin, com a roupinha super fofa que tinha sido programada, a seguir foi a minha vez de me arranjar para podermos, finalmente, subir para o nosso merecido quarto e desfrutarmos deste doce momento...

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Cada vez que penso nos partos do Gui e do Martin, fico impressionada com o tamanho da força que há dentro de nós depois de um parto... Estou eternamente grata a mim mesma por ter superado tudo com tanta vontade e entrega, e estou eternamente grata por todo o apoio que o R. sempre me deu...

 

Sabia que a dor fazia parte do processo natural do trabalho de parto, o que eu desconhecia, antes de ser mãe, é a magia que existe em pegar no bebé logo após o parto normal, e isso eu pude viver da forma mais intensa, quer no parto do Gui como do Martin... Esse momento é de facto tão maravilhoso e tão único, que não há dinheiro nenhum no Mundo que pague esse momento tão extraordinário

O PRIMEIRO DIA DE ESCOLA DO GUI

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O Gui começou a ir à escola uma semana depois desta ter começado, pois estávamos de férias em Portugal e não dava para vir antes... A directora da escola estava informada de tal e, a seu pedido, tinha mesmo entregue uma carta a informar sobre o mesmo...

 

Sabíamos que não ía ser muito bom ele perder a primeira semana de integração, mas à medida que as férias chegavam ao fim íamos explicando ao Gui o motivo dele ir para a escola assim que chegássemos à nossa casa...

 

Ontem foi o tal dia, o dia de começar a ir à escola... Comecei por acordá-lo, e mal abriu os olhos, sem me dizer o seu típico bom-dia, disse-me com um tom amuado que não queria para a escola... Contei-lhe maravilhas sobre a escola, e o motivo dele ter de ir, e deixei-o a reflectir sobre o assunto... Enquanto isso, eu vestia-me e preparava o Martin também... Sempre a resmungar, o Gui lá acabou por vir ter à sala, tomou o pequeno-almoço, coloquei-o prontinho para sair e lá fomos nós em direcção à Escola...

 

Durante o percurso de casa à escola, e por incrível que pareça, o Gui fartou-se de repetir que queria ir para a escola, mas assim que entramos na escola e fomos acompanhados à sala de aula o Gui começou a dizer que queria ficar com a mamã... Fiz-me de forte, tornei a explicar o motivo dele estar ali e prometi-lhe que o iria buscar... Ao fim de umas três tentativas, a Educadora (que não tem o ar mais simpático do mundo) pegou-lhe na mão e acompanhou-o a uma das mesas onde brincavam 3 meninas mais pequeninas... No mesmo instante, o Gui olhou para trás a chorar e a chamar por mim, disse-lhe chau e saí dali no mesmo instante... Confesso que foi duro vê-lo chamar por mim e ignorá-lo...

 

Assim que cheguei ao carro, senti que tinha um "nó na garganta e o coração apertado" só de pensar que ele podia achar que eu o tinha abandonado na "mão de pessoas estranhas"... Tentei abstrair-me daquele momento, fui para casa com o Martin, e durante aquele tempo imaginei todo o percurso que ele estaria a fazer naquele momento...

 

Eram 16h quando fui buscar o Gui, entrei na escola, dirigi-me à sala de aula para fazer fila, onde estavam já outros pais para recuperarem os filhos, e mal me viu desatou a chorar e a chamar por mim... Foram 2 ou 3 minutos ainda na fila, à espera de poder dar um abraço apertado ao meu Principezinho, e assim que ele saiu deu-me o abraço mais apertado e perguntou pelo mano...

 

Fiquei a saber que o dia tinha corrido bem, tinha chorado só quando o deixei, brincou com os alguns meninos da sala, dormiu 1h e meia, mas só almoçou o pão e a fruta... Sabia que o almoço na cantina da escola não lhe iria agradar muito, e dei por mim a reparar que ele não era o único pois haviam imensos país que já levavam com eles um lanche para dar aos filhos assim que eles saíssem da escola.

 

No regresso a casa, o Gui vinha cheio de fome, mas parecia contente, contou-me o que tinha feito durante o dia e fartei-me de rir quando ele me confidenciou que não gostou da comida da escola porque não era boa, pois ele gosta mesmo é de comer carne e arroz, e não tomates e cenouras!

 

Hoje, foi o segundo dia de aulas, acordou com a mesma filosofia de não querer ir, e eu tornei-lhe a contar maravilhas da Escola, e a dizer-lhe que era normal ele agora não gostar mas que com o tempo ía passar a adorar... Lá acabou por mudar de ideias e ceder... Dirigiu-se à escola contente, mas mal chegou à sala de aula queria vir embora.... Hesitou umas 3 vezes, e quando decidiu finalmente entrar, despedi-me de longe e vim embora apressadamente pois ouvi-o a choramingar...

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Vamos lá ver quantos dias vão ser precisos para ele se integrar, até lá é continuar a torcer para que ele esteja sempre rodeado de pessoas maravilhosas!

 

E por aí, como foi que tudo se passou? Que estratégias utilizaram para tornar esta fase mais fácil? Vá lá, partilhem connosco como foi...

OLÁ MUNDO 💙

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Já devem ter suspeitado desta minha ausência por aqui no blog... Pois é, faz hoje uma semana que eu e o R. "corríamos" para a Maternidade, com contracções rítmicas e dolorosas... Ao fim de 40 semanas e 4 dias, exactamente no dia 16 de Julho, o Martin dava sinais de que queria finalmente nascer... Mas foram precisas mais umas horas, pois ele achou que seria melhor nascer com 40 semanas e 5 dias, no dia dos 7, mais precisamente no dia 17 de Julho (17/7)  às 3h27min (hora francesa)...

 

Hoje passei só para vos dar esta excelente notícia, prometo partilhar com vocês esta minha segunda experiência do parto... Um parto normal, onde nasceu um Principezinho 2, mais gordinho que o Gui, com 3.890gr e 53cm... Mais um dia muito esperado, repleto de boas emoções que ficará para sempre na nossa memória!

 

Dá para imaginar que a nossa vida tornou a dar uma volta de 360 graus, uma volta que apesar de cansativa, mudou a nossa vida agora para 10000 vezes melhor...

 

Quanto ao Gui só posso dizer que, para já, superou em muito as nossas expectativas... Um Super Irmão, babado e protector, tal e qual a nós... Agora sim, a Família está completa! ❤️

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