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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

SAUDADES DO TEMPO EM QUE PODÍAMOS VIAJAR

Depois que o Gui nasceu, este é o primeiro ano que não vamos a Portugal em Março... Maldito vírus que mudou completamente as nossas vidas e nos afastou ainda mais das pessoas que amamos... 

Que saudades que tenho de fazer as malas, e no meio das tralhas, confusão e dúvidas de como iria correr a viagem, entrarmos no avião e partirmos rumo a Portugal...

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E pensar que última vez que lá fomos foi nas nossas férias de Verão...

SÓ PODE SER DO COVID...

Maternidade

Hoje foi dia de ir trabalhar, por isso acordamos cedo, levei o Gui ao peri scolaire e daqui devia deixar o Martin na ama, para só depois seguir rumo ao hospital... Só que hoje não foi assim... Deixei o Gui, e segui directa rumo ao hospital e só quando já tinha feito cerca de 1/3 do caminho, é que me apercebo depois de olhar para o retrovisor que não tinha deixado o Martin na ama... Ali estava ele a olhar para mim com os olhinhos arregalados a pensar onde raio o iria levar, quando lhe tinha dito que hoje era dia de ir para a Manu... 

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Nem queria acreditar como isto me tinha acontecido...

A sorte, é que hoje tinha conseguido sair relativamente cedo de casa, e só perdi uns 10 minutos com esta "brincadeira" de ter que voltar para trás... Mas fiquei logo a imaginar se só me apercebesse disto quando chegasse ao meu destino...  Aí seria bem pior porque com o trânsito que apanho de manhã, seria 1 hora que perderia ao certo...

 

Como é que me pude esquecer de deixar o meu Pipoquinha na ama?! Isto só pode ser efeitos secundários deste maldito vírus...

 

E por aí, alguém já passou por algo semelhante?!

CUIDADOS A TER COM A MÁSCARA CIRÚRGICA

Covid-19

Numa altura em que a máscara cirúrgica passou a fazer parte do nosso dia-a-dia, e uma vez que ainda existem muitas pessoas que parecem desconhecer os cuidados a ter com as mesmas, achei que seria pertinente falar sobre isso.

Para que o uso da máscara seja eficaz e proteja como deve ser, é preciso saber como devemos colocar e tirar a máscara.

IMG_1654.PNGTenha em atenção que o lado branco fica para dentro e o lado azul fica virado para fora. 
Além disso, enquanto estiver a utilizar a máscara, não deve tocar nela, mas se isso acontecer, lave bem as mãos imediatamente com água e sabão ou desinfecte com gel.
Não se esqueça que a máscara deve ser substituída por uma nova, ao fim de 4 horas, ou se esta ficar húmida.

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E não se esqueça, que quando retirar a máscara, e antes de lavar as mãos, deite-a num caixote de lixo, e não no chão!

DEPOIS DO COVID

Ontem, um mês depois de ter testado positivo à Covid-19, e ter estado em de baixa em casa, regressei ao trabalho...

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Maldito vírus, não vejo a hora de voltar a trabalhar como antes...

INFECÇÃO COVID APÓS A PRIMEIRA VACINA

Covid-19

E ao fim, de um mês em casa, hoje voltei ao trabalho... Mas achei que seria pertinente fazer um post sobre duas questões que muitas pessoas me colocaram:

1. Será que não apanhaste o vírus com a vacina?

2. E agora que tiveste COVID depois da primeira vacina, deves tomar a segunda dose?

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A primeira pergunta é simples de responder: não fui nem podia ser infectada através da vacina porque as vacinas não contêm vírus que causam a doença. No entanto, e foi o que me aconteceu a mim, é possível contrairmos a COVID-19 nos dias antes ou imediatamente após a vacinação e surgirem os sinais da doença poucos dias depois da vacinação. 

 

Para a segunda pergunta a resposta também é não. Os conhecimentos imunológicos sobre a este vírus estão em constante evolução, e actualmente está protocolado que as pessoas que receberam a primeira dose da vacina e que apresentam uma infecção à Covid-19, com um teste PCR positivo, nos dias seguintes a esta primeira vacinação não devem receber a segunda dose da vacina.

 

Você sabia?!

Estudos apontam que as pessoas que já foram infectadas com a Covid-19, confirmado com um teste PCR ou antigénico, estão normalmente protegidas contra o vírus durante 3 meses, ficando com uma "memória imunitária". Assim, pensa-se que estas pessoas também só irão ter indicação para fazer uma única dose da vacina, de preferência 3 meses ou mais, depois da infecção. Isto ainda está em análise, mas ao confirmar-se a eficácia, e numa altura em que a quantidade de vacinas é escassa, será uma grande vantagem para todos nós.

SOBRE O USO DE MÁSCARAS

Covid-19

Se no início as pessoas reclamavam que não haviam máscaras de protecção à covid-19, para todos, hoje há quem reclame e diga que é um atentado à liberdade individual.... 

Oh gentinha mais complicada...

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(Depois não reclamem se forem infectados....)

MALDITO VÍRUS

Dezassete dias depois de ter testado positivo à Covid -19, e após 3 testes positivos, continuo em quarentena... O olfacto aos poucos foi aparecendo, embora não esteja como antigamente, e tirando isso, o que persiste é uma tosse irritativa que é mais persistente de manhã e no final do dia, com algumas dores de cabeça.

 

O R., tal como manda a lei, e depois de ter estado 1 semana em isolamento, e testado negativo, voltou ao trabalho no passado dia 9. E nós a pensar que íamos ficar por aqui... Até que no sábado à tarde o Gui começou a fazer febre, com perda de apetite, dor de garganta e cabeça... À noite, aparecia a tosse seca... No domingo o quadro repetia-se, a tosse seca era persistente, e o Gui pouco ou nada comia... Nós já só tínhamos um diagnóstico em mente: COVID-19!

 

Liguei para a Pediatra na segunda-feira e no final do dia o Gui teve consulta: Covid-19 quase certo, e uma adenofaringite (inflamação das amígdalas e da faringe) para ajudar "na festa". Como estou em quarentena, e o Gui está de férias (desde sexta-feira) a Pediatra não achou pertinente fazer o teste PCR ao Gui, e diga-se de passagem que ainda bem pois pouca coisa ía mudar... Receitou uns medicamentos homeopáticos e um isolamento em casa de 10 dias. Enviei um e-mail para  para o centro de férias onde o Gui estava inscrito, nos dias em que supostamente eu também trabalhava, e agora estamos os três novamente em casa: eu, o Gui e o Martin!

 

Acreditem que não é paranóia nossa, mas acho que o Martin vai para o mesmo caminho, pois começa a apresentar uma tosse seca e irritativa... Amanhã vou ligar à Pediatra para ver o que lhe pode prescrever para o ajudar a combater esta tosse... Não me parece pertinente fazer o teste ao Martin, até porque quando o R. ficou infectado em Dezembro, o Martin andou bem doentinho e fez duas vezes o teste, o qual deu sempre negativo. Por isso, se o pudermos poupar de mais um teste, é isso que vamos fazer!

 

Maldito vírus que parece que não nos quer deixar...

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"TESTAR, TESTAR, TESTAR"

Covid-19

Quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) dizia, a propósito da COVID-19, que o importante era "testar, testar, testar", o governo Francês decidiu, no início desta pandemia, que só as pessoas com saúde mais frágil, doentes internados nos hospitais e profissionais de saúde é que deveriam ser testados.

Demorou tempo, morreram muitas pessoas, e os hospitais tiveram que ficar saturados para o governo mudar de estratégia e aceitar a importância de "testar". 

Passaram a testar também todas as pessoas, desde que tivessem uma prescrição médica... Mas foram precisos mais alguns meses para reconhecerem que esse método também não era o mais lógico para "testar, testar, testar"...

Só em finais de Novembro é que o governo francês seguiu à risca esta indicação da OMS e colocou os testes à disposição do público. A partir dessa altura, passamos a poder fazer os testes nos laboratórios, nas farmácias, em consultórios médicos ou de enfermagem, com ou sem marcação, com ou sem sintomas, e sem qualquer tipo de prescrição médica, quantas vezes as pessoas quiserem ser testadas, e sem qualquer custo associado.

Sei que o mesmo não acontece em muitos países e confesso que custa-me a acreditar como é que isso ainda é possível! Na minha opinião, os testes deviam ser gratuitos a todas as pessoas, em qualquer país do Mundo, porque se queremos realmente proteger temos que testar para depois isolar!

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ANOSMIA

E ao terceiro dia de isolamento por causa de ter testado positivo à Covid 19, confesso que a perda de olfacto (anosmia) é o sintoma que me perturba mais em todas as minhas tarefas... É lógico que a tosse, o cansaço, as dores de cabeça e musculares também não são agradáveis, mas eu que gosto tanto de comer.... Nunca imaginei o quanto este sentido fosse tão importante para mim!

Só espero que recupere o olfacto rapidamente... Mas, sinceramente, não  me parece que isso vá acontecer... 

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FÉ... VEREIRO! ❤️

Covid na Primeira Pessoa

E de repente entramos, da forma mais estranha, no meu querido mês de Fevereiro... Eu, que nunca tinha ficado infectada com a Covid apesar de trabalhar com doentes Covid desde Outubro, nem mesmo quando o R. testou positivo no final de Dezembro... Logo hoje, uns dias depois de receber a primeira dose da vacina contra a Covid-19, recebo a resposta que mais temia: TESTE POSITIVO à COVID!

 

Comecei com dores de cabeça, dores musculares e uma sensação de frio, logo depois da vacinação, e achei que fosse a vacina que me tivesse provocado esses efeitos secundários... Até que no sábado à noite, quando estava a temperar uma carne, para o almoço de domingo, achei super estranho não sentir o cheiro da cebola... Pedi ao R para se aproximar e perguntei-lhe se a cebola era inodora, o qual me disse logo que não... Cheirei o detergente da louça, mas não cheirava rigorosamente a nada... Corri para cheirar o meu perfume e também nada senti... M**** tenho a certeza que estou infectada com a Covid-19, alertei de imediato o R!!!

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Informei o hospital que não ía trabalhar e hoje fiz um teste daqueles rápidos que se fazem na farmácia... A farmacêutica disse que iria receber os resultados por e-mail dali a uns 15-30 minutos, mas ao fim de 4 minutos já ela ligava para me alertar que o resultado do teste era bem positivo!

 

Marquei consulta com o meu médico e agora, além de 7 dias de isolamento, tenho uma série de médicamentos para atenuar toda esta sintomatologia... 

 

Só espero que o Gui e o Martin já estejam imunes à porcaria deste vírus, e que daqui a uma semana já esteja completamente em forma para festejar o meu aniversário... Não é que vá ter uma grande festa, seremos apenas os quatro, mas ao menos que esteja bem melhor para celebrar ao menos esta data em condições, já que vamos estar longe de todo e de tudo para podermos festejar todas as outras datas...

 

De qualquer forma, aqui estou eu para te receber, meu doce Fevereiro! Sejas bem-vindo... 

VAMOS SALVAR VIDAS

Vacina contra a COVID-19

Depois de ter feito o meu teste para despistar se não estava infectada com a Covid-19, o qual deu negativo, ontem chegou o dia mais esperado: o dia da vacinação. Confesso que no início fiquei um bocadinho reticente sobre os efeitos colaterais que a vacina podia causar, mas depressa me apercebi que não passava de um receio sem fundamento.

 

A ciência hoje está muito mais ágil para a obtenção de novas vacinas, existe uma tecnologia muito desenvolvida e, neste caso particular, houve um investimento de capital muito grande que permitiu que fosse possível a obtenção desta vacina num tempo record. Não nos podemos esquecer, que temos doenças como a varíola, a poliomielite, e o sarampo, que foram erradicadas com as vacinas. O mesmo irá acontecer com a Covid-19. É a vacina que vai eliminar o vírus, se é que algum dia ele vai desaparecer... Mas mesmo que não desapareça, passará a ser um vírus controlado e que ficará restrito a pequenos grupos de pessoas mais sensíveis...

 

A vacinação é importante porque promove proteção contra a Covid-19 de duas formas: proteção individual (menor risco de desenvolver a doença) e a protecção colectiva. À medida que as pessoas forem vacinadas, haverá um menor número de infecções e menos pessoas a transmitirem o vírus para outras. Desta forma, e de uma forma gradual, vamos ter uma diminuição da circulação do vírus.

 

Não é a vacina sozinha que vai salvar vidas. O que vai salvar vidas e pode tornar o nosso mundo a ser "normal" e seguro é a imunização em massa. Para isso, é preciso vacinar o maior número possível de pessoas no menor espaço de tempo. Se queremos eliminar o vírus, a sua propagação, o perigo que ele representa e até a sua letalidade, só existe a vacinação. A distanciação social, o uso da máscara e a lavagem das mãos são fundamentais e devem continuar ainda, mas a única solução é a vacina! 

 

E tu, estás disposto a salvar vidas?

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O PIOR DO MUNDO

Covid-19

Portugal tem sido notícia mundial nos últimos dias, e infelizmente pelos piores motivos, o pior país do Mundo quando falamos da Covid 19: maior número de infectados, maior número de mortes e maior risco de infecção! Como é possível o país ter passado de "bestial a besta"?! 

 

Acreditem que o número que mais me arrepia são as mortes e a pressão que os hospitais estão a sentir neste momento... O meu coração está tão apertadinho que nem quer acreditar que isto seja a realidade... 

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Nem sei como a França se tem aguentado fora destas estatísticas alarmantes, porque acreditem que o que aqui mais há é falta de consciencialização para esta Pandemia! Não sei quando voltaremos a ter as nossas vidas normais, se é que alguma vez as vamos ter... A única certeza que eu tenho é que não vai ficar tudo bem.... 

QUANDO A ESTUPIDEZ FALA MAIS ALTO

Enfermeira em tempos de Pandemia

Tinha que partilhar com vocês um episódio que aconteceu no serviço onde eu trabalho, fez ontem 8 dias... O serviço tem três alas, sendo que uma das alas era para doentes Covid... Até que no domingo, dia 17 de Janeiro, uma das doentes da ala não Covid teve a visita do filho...

 

Basicamente, aqui, os doentes internados no hospital que não estejam numa ala Covid podem receber uma visita por semana, de 1 hora, no máximo de duas pessoas, sendo que essas pessoas têm que assinar uns documentos de como se comprometem a respeitar as normas que estão em vigor devido a esta Pandemia (uso de máscara cirúrgica, nao abraçar nem beijar o doente, etc...) e é lhes recomendado fazer um teste para despiste à Covid...

 

Nesse dia, tudo parecia correr normalmente, até que uma colega passou na ala e se apercebeu que o filho da senhora tinha o nariz "fora da máscara", tocava em tudo e mais alguma coisa, estava sentado na cadeira de rodas e na bacia do banho tinha colocado algum lixo... A minha colega, tentou de forma simpática, demonstrar-lhe que não estava a agir correctamente e que estava a colocar em risco, não só a mãe como os doentes daquele sector... Mas o senhor, achou que tinha toda a razão e num tom arrogante ainda a confrontou dizendo:

- E então, o que me vai acontecer?! Nada.

Nisto, e ainda na presença da minha colega, o senhor, dirige-se à mãe, retira a máscara, beija-a na boca e vai-se embora!

 

A seguir a minha colega participou o caso ao administrador do hospital, que estava de serviço naquele dia e, no dia seguinte, o médico ligou ao dito senhor o qual o informou que ficava proibido de visitar a mãe... A estupidez era tanta que o senhor ainda teve o descaramento de insultar o médico... Estamos a falar de uma doente desorientada, com cerca de 80 anos, que tem um cancro, e de um filho que deve ter uns 50 e muitos anos...

 

Quando fui trabalhar, na terça-feira, e me contaram o caso nem queria acreditar nesta falta de civismo. O pior é que 4 dias depois, a senhora, e mais alguns doentes da ala começaram a apresentar febre e outros sintomas Covid... Fizeram o teste para despiste da doença e o resultado foi o mais temido: COVID-19 POSITIVO!

 

Eu, que tinha programado a minha primeira vacina para sexta-feira, dia 22 de Janeiro, não a pude fazer, porque exactamente no dia que fui trabalhar naquela ala, fiquei com alguns sintomas que podem ser Covid...

- "Constipação ou Covid, o melhor é tirar a dúvida antes de se vacinar!" - disse-me a médica do hospital. 

 

Com esta atitude egoísta e irresponsável, tornamos a ficar com duas alas Covid, e eu não pude ser vacinada! Hoje lá vou ter que fazer o teste para despistar se estou negativa para fazer a vacina ainda esta semana... 

 

É surreal como ainda existem pessoas que não acreditam na gravidade desta Pandemia... A isto, eu chamo de ESTUPIDEZ!!!!

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QUANDO A COVID MORA EM CASA

O R. ao fim de 15 dias e de 2 testes positivos, repetiu ontem o teste à Covid-19 e hoje recebeu finalmente o resultado negativo. 

 

Para mim, estava infectado bem antes do dia 28 de Dezembro, porque começou com alguns sintomas bem antes dessa data, o problema é que ficamos sem certezas de nada pois ele sempre acreditou que era mais uma crise de sinusite... O problema é que para além das dores de cabeça insuportáveis e do "zumbido" nos ouvidos, o R. andava excessivamente cansado, com dores musculares, articulares e abdominais, por isso não descansei enquanto ele não fez o teste... Sem falar que, o Gui tinha tido duas noites super estranhas onde transpirou imenso sem qualquer motivo e andava com uma tosse irritativa, já o Martin também não andava muito bem, tinha feito duas vezes febre e andava também com bastante tosse...

 

O Martin tinha ido a uma consulta de Pediatria na semana anterior, e a médica achou melhor fazer o teste para despistar se ele tinha o vírus, porque na ama o pai de um dos meninos tinha testado positivo... Confesso que lhe custou um bocadinho, mas fiquei descansada quando o resultado foi negativo. Apesar disso, não descansei enquanto que o R. não foi fazer o teste também.

 

Felizmente, aqui, qualquer pessoa pode fazer um teste para despistar se está infectado com a Covid-19, as vezes que quiser, sem precisar de nenhuma indicação médica e de forma gratuita, por isso acabei por tomar a iniciativa e marquei-lhe um teste para descartar a hipótese que tinha na minha mente...

 

Infelizmente a minha suspeita acabou por se revelar numa certeza, o laboratório acabou por ligar ao R para lhe comunicar que estava positivo, e que teria que se isolar...

 

O protocolo, aqui, diz que a pessoa que testa positivo à Covid-19 é contactada pela segurança social, devendo isolar-se 7 dias, e após esses 7 dias pode voltar ao trabalho sem ser necessário repetir o teste (a menos que apresente sintomas e nesse caso terá que ser reavaliado pelo médico). Já as pessoas "contacto" devem fazer o teste à Covid 7 dias depois da ultima vez que estiveram com a pessoa infectada, mas se a pessoa viver na mesma casa deve fazer de imediato, e 7 dias depois do resultado positivo da pessoa infectada. Normalmente, todos os casos contacto recebem uma mensagem ou uma chamada telefónica da segurança social para serem infirmadas. Em ambos os casos, o tempo de isolamento é de 7 dias, a não ser que a pessoa "contacto" teste também positivo, e nesse caso caberá ao médico avaliar a situação.

 

Ficamos em isolamento assim que soubemos que o R estava positivo, embora só o R é que tenha recebido a chamada telefónica da segurança social, passados 3 dias. Marcamos consulta por videochamada com um médico de medicina geral de forma a ficar tudo documentado, porque nem a segurança social deu informações precisas de nada. Eu fiz o teste no dia seguinte e 7 dias depois, e ambos estavam negativos.

 

Voltei ao trabalho, 7 dias depois mesmo com o R. positivo, já o R. só vai voltar mesmo amanhã porque a empresa onde ele trabalha só permitia que ele fosse quando estivesse negativo. 

 

O cúmulo é que o hospital onde trabalho incentiva as pessoas a trabalhar mesmo que estejam positivas ou sejam caso contacto, já o R, que não  trabalha na área da saúde, não lhe permitem que transgridam as leis...

 

Confesso que acho super estranho eu ter testado sempre negativo, mas daqui a 15 dias vou fazer o teste serológico (colheita de sangue para saber se tenho anticorpos contra o vírus) para ter a certeza que não tive infectada antes do R. 

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Deste episódio todo, pude constatar, na primeira pessoa, que as medidas que o governo francês anuncia para o combate à propagação do vírus são de longe cumpridas pela população e até pelas entendidas reguladoras da saúde... Posso dizer-vos que liguei para a linha Covid-19 e a pessoa que me atendeu não soube dizer nada em relação às medidas a tomar e os passos a seguir, bastou uma pesquisa na internet para eu saber mais do que me souberam informar... Já o pessoal do hospital, senti que não aprovaram o facto de eu ter ficado 1 semana em isolamento... Depois ainda se admiram quando vêem os números de pessoas infectadas a aumentar... 

ENTRE O MEDO E A CORAGEM

COVID -19

Faz hoje exactamente um mês que recomecei a trabalhar, depois de um longo período de ausência por causa do "congé parental" que usufruí com o nascimento do Martin... Por esse motivo, não estive presente na primeira vaga da Pandemia, mas confesso que tive receio que o Estado fizesse uma requisição aos profissionais que não estavam a exercer funções na altura... Não foi o caso, acabei por usufruir desta licença até ao final, tal como tínhamos planeado, mas sabia que mais tarde ou mais cedo teria que enfrentar de perto esse inimigo tão temido...

 

Confesso que não pensei muito no meu regresso ao trabalho, até porque com o Gui e o Martin sempre cheios de energia mal tive tempo para o fazer... Mas talvez tenha sido melhor assim...  O facto de ter recomeçado a trabalhar já nesta segunda vaga, ajudou-me a enfrentar este medo com muita mais facilidade, estava rodeada por colegas que tinham estado na primeira, o que me deu uma certa confiança para não temer tanto o medo de ser contaminada ou contaminar os outros... 

 

Voltar a trabalhar no hospital tornou-me mais propícia a ter o vírus sim, a contrair a doença... Mas pior mesmo é lidar diretamente com o sofrimento dos pacientes que estão longe da família porque as visitas são proibidas... No serviço onde trabalho, os idosos são maioritariamente confusos, perguntam ou chamam pelos familiares vezes sem conta, muitos não percebem porque ninguém os vai visitar, e nós, profissionais de saúde, temos que tentar minimizar essa dor, estando mais juntos deles, transmitindo o nosso carinho, dando uma palavra amiga, mesmo que um minuto depois tenhamos que voltar a repetir o mesmo porque já se esqueceram... Mas muitas vezes, nem tempo temos para poder estar ali a "repetir o mesmo", porque os profissionais de saúde também são gente que ficam doentes, que estão cansados desta luta, e que acabam por não poder ir trabalhar... Há dias, em que trabalhamos com um número de profissionais de saúde tão reduzido que só me apetece "desaparecer", porque sei que nesses dias jamais estarei à altura para poder CUIDAR...

 

Trabalhar com pacientes COVID-19 afeta qualquer pessoa emocionalmente... É uma doença grave, muitas vezes, os pacientes têm  uma evolução fatal e irreversível... É muito bom, quando um paciente consegue combater a doença, mas bom mesmo é quando vejo pessoas a cumprir todas as medidas necessárias para evitar uma maior contaminação...

 

Infelizmente, e apesar de todas as restrições impostas, aqui em França, as pessoas parece que não querem acreditar no que está a acontecer, teimam em não cumprir as regras mais simples, talvez por isso sejamos o país da Europa com mais casos de pessoas contaminadas... E o pior disto tudo, é que o pico desta segunda vaga ainda nem sequer chegou, sem falar que é quase certo que esta segunda vaga vai durar bem mais tempo do que a primeira...

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