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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

NÃO ENSINE O SEU FILHO A COMPARTILHAR - PARTE 2

De acordo com a Dra. Laura Markham (autora do livro “Peaceful Parent, Happy Siblings”, “Pais tranquilos, filhos felizes”, em português), forçar crianças a compartilhar não ensina as lições que nós queremos que elas aprendam”. Segundo ela, o objetivo é que as crianças cresçam e se tornem pessoas generosas, que sejam capazes de perceber e corresponder com as necessidades dos outros. Não devemos permitir que as crianças sintam que é preciso pararem o que estão a fazer para "dar" alguma coisa para outra criança só porque ela pediu. 

 

De acordo com ela, se forçarmos as crianças a compartilhar, só vamos conseguir que a criança pense que:

– se chorar o bastante, vai conseguir o que quer, mesmo que alguém já tenha o que quer;

– os pais estão sempre a comandar, por isso se eles tiverem mais ou menos paciência, vai poder jogar com isso para implorar pela sua vez;

– não gosta do irmão porque está sempre em competição com ele;  

– é gananciosa, mas que é necessário para ter o que merece;

– que o melhor é brincar rápido e de qualquer forma, mesmo que parta alguma coisa, pois não vai ter o que quer por muito tempo;  

– se gritar bem alto muitas vezes para reclamar, os pais vão acabar por ficar cansados e vão deixá-lo mais tempo com o brinquedo. 

 

O que devemos fazer então?

De acordo com a Dra. Markham, em vez de ensinar a compartilhar, devemos oferecer recursos para que elas saibam lidar com essas situações. O objectivo é que a criança perceba quando a outra quer brincar, e que ela garanta que essa criança vai poder brincar. E quando o outro tiver alguma coisa que a criança queira, nós esperamos que ela tenha o controle sobre os seus impulsos e não arranque o brinquedo da mão da outra criança, queremos que ela use palavras para entrar num acordo e poder brincar depois.

 

Ao ensinar as crianças a defenderem-se e a falar por si mesmas (e não imediatamente compartilhar os seus brinquedos), elas não vão esperar que alguém diga quando é a vez delas com o brinquedo e assim, vão poder brincar de forma mais livre. 

 

Forçar a criança a compartilhar, enfraquece a habilidade de aproveitar a brincadeira, além de enfraquecer a relação com o irmão, criando-se uma competição constante. A criança acaba por não absorver a experiência da satisfação e nem da generosidade com o outro, explica a Dra. Markham. 

 

O ideal é encorajar para que haja uma autorregulação dos "turnos" com os brinquedos, é a criança que decide por quanto tempo vai brincar e assim, vai aproveitar completamente o momento. Depois disso, ela vai dar para a outra de "coração aberto”. A Dra. Markham, acredita que isso vai ajudar a criança a ficar mais satisfeita por fazer outra pessoa feliz, acabando por ensinar a generosidade. Por sua vez, ela acredita que a experiência mais educativa ensina à criança: 

– que pode pedir o que quer. Algumas vezes vai conseguir o brinquedo mais rápido outras vezes vai ser necessário esperar um pouco;

– que pode chorar, embora não signifique que vá conseguir o brinquedo;

– que nem sempre consegue o que quer, mas que consegue algo bem melhor, pois os pais vão sempre entender e ajudar;

– que depois de chorar, vai sentir-se melhor;

– que pode brincar com outra coisa e aproveitar na mesma, enquanto que aprende a esperar pela sua vez; 

– que não tem que chorar para conseguir o que quer mais rapidamente, que cada um tem que esperar pela sua vez, pois mais tarde ou mais cedo todos conseguem; 

– a gostar do irmão quando este lhe dá o brinquedo; 

– que pode brincar o tempo que quiser, pois ninguém vai entregá-lo para o irmão. Quando ele terminar de brincar, vai entregar ao irmão, sentindo-se  uma pessoa generosa.

 

No final, o resultado é uma criança paciente, empática e bem preparada para lidar com situações mais complexas no futuro, sem falar que teremos uma família bem mais tranquila e feliz

 

 

Claro que é preciso estar ciente que esta metodologia tem que ter em conta a idade da criança. É natural que na primeira infância, a criança acha que tudo é apenas dela, inclusive a mãe e o pai, e até que as coisas acontecem por causa dela, daí emprestar não vai ser uma alternativa.

Por volta dos dois anos de idade, no auge do egocentrismo, a criança ainda não consegue verbalizar e reage com o corpo. Por exemplo, pode passar pelo irmão e arrancar-lhe o brinquedo da mão, porque na sua fantasia, o mundo gira ao seu redor, o outro não existe e o seu desejo é ter aquilo. Mais tarde, com a linguagem mais desenvolvida, a criança vai criar argumentos: "Não quero emprestar porque ele não é meu amigo". Tudo isto faz parte do desenvolvimento infantil, é parte do amadurecimento da criança e não vai durar para sempre. É preciso ter consciência que não há nada de errado, é apenas a construção da personalidade.

No fim da primeira infância, por volta dos seis anos de idade, é comum o sentimento de posse diminuir consideravelmente. A criança começa a compreender o seu espaço, que existem pessoas com quem precisará dividir o mundo, a situação muda e o compartilhar fica mais fácil, embora não deva ser forçado. adulto tem que respeitar que nem sempre se deve dividir, assim como ele próprio não empresta tudo o que tem aos amigos. 

 

Vivemos num mundo bastante acelerado. Queremos que tudo aconteça à nossa maneira e no nosso tempo, e acabamos por passar por cima de etapas importantes para o desenvolvimento cognitivo da criança. Por isso, se o seu filho ainda não aprendeu a dividir e compartilhar as suas coisas, respire, está tudo bem, afinal é bem normal que assim o seja... Nós cá vamos continuar a "respirar fundo" porque ainda temos muitas "brigas" por vivenciar em casa...

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E por aí, como tem sido "compartilhar" entre irmão, primos ou amigos?

NÃO ENSINE O SEU FILHO A COMPARTILHAR - PARTE 1

O Gui nunca foi um bebé egoísta, sempre gostou de compartilhar tudo, com adultos ou até crianças que não conhecia... E ao contrário do que tínhamos imaginado, quando o Martin nasceu o seu comportamento pouco ou nada mudou, talvez porque o mano não andasse, os brinquedos do mano eram de "bebé" e os dele não os podia emprestar ao mano ..

 

O tempo foi passando, o Martin e o Gui foram crescendo... E neste último Natal, as coisas começaram a ficar diferentes... Com tantos brinquedos novos o Gui surpreendentemente achou que era crescido... E num dos  fins-de-semana em que fui trabalhar cheguei a casa e encontrei o quarto do Martin todo atulhado de coisas do Gui... Perguntei ao R. o que tinha acontecido, mas foi o Gui que se apressou a dizer que não queria mais aqueles brinquedos porque eram de bebé e por isso podiam ser para o mano...

Fiquei incrédula com aquele gesto de amor, e o meu coração de mãe sentiu-se tão orgulhoso que achei que tudo iria permanecer assim tão maravilhoso, pelo menos, por mais algum tempo...

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Tornamos a remodelar os dois quartos de forma a que os brinquedos ficassem melhor organizados e um tempo depois, com o Martin a completar 18 meses, as coisas começaram a ficar bem diferentes... O Martin cada vez mais curioso e atrevido em relação a tudo o que o Gui fazia, e o Gui a sentir-se ameaçado pela presença do mano no seu quarto... Se até ali o Martin apenas se limitava a seguir o Gui, agora o Martin começava a ter vontades próprias...

 

Agora tem sido assim mais assim: o Martin só quer entrar no quarto do Gui para brincar e espalhar tudo no chão, enquanto que o Gui não suporta ver o quarto dele desarrumado, nem quer que o mano entre no quarto dele, já ele pode entrar no quarto do irmão! E se há dias que até correm mais ou menos, há outros que parece que estamos num autêntico campo de batalha... 

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Quem tem filhos sabe bem do que falo, e sabe o quanto é difícil tentar atenuar estes conflitos... 

Quem é que nunca viu duas crianças a brincar, numa sala cheia de brinquedos, e muitas vezes as duas a querer o mesmo?! É nessa altura que a "guerra começa" e junto com ela as crises de choro... Eu sempre fui ensinada a compartilhar, como se fosse algo de bom, no entanto existe um movimento que diz que não devemos ensinar os nossos filhos a compartilhar, da qual a Dra. Laura Markham (autora do livro “Peaceful Parent, Happy Siblings”) faz parte. Uma metodologia bastante interessante onde ela justifica isso de uma maneira válida, trazendo informações valiosas para criarmos os nossos filhos e torná-los pessoas simpáticas e equilibradas.... Mas isso vou deixar para o post de amanhã...

 

E vocês, também lidam com este tipo de conflitos? Como costumam resolvê-los?!