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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

TALVEZ ME FALTEM PALAVRAS MAS JAMAIS SENTIMENTOS ❤️

Andamos tão preocupados no dia-a-dia com coisas banais, fartamo-nos de reclamar que a vida é muitas vezes injusta connosco, que acabamos por nos esquecer de dar valor às pessoas mais importantes da nossa vida... Sei que tenho em mim a maior sorte do Mundo, pois tenho os melhores Pais que a vida me podia dar... E embora muitas vezes me faltem as palavras para expressar isso mesmo, tenho a certeza que eles sabem que o sentimento está e estará sempre lá...

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E ASSIM NASCEU O MARTIN 💙

Andava há algum tempo para escrever este post, mas precisava de algum tempo e de alguma concentração para o escrever, para que ele ficasse o mais fiel possível da realidade... Hoje lá o consegui finalizar e, numa espécie já de saudade, porque este é sem dúvida um momento único e inesquecível, partilho-o com vocês...

 

Faz hoje exactamente 60 dias que passei uma "noite em branco"... O dia tinha corrido normalmente, sem nenhum sinal de que o Martin estaria prestes a nascer... Eram cerca da 1h30min, da madrugada, quando comecei a ter "contracções chatas" que me impediam de estar muito tempo na mesma posição... Passei essa noite a dar "voltas na cama, ora para a esquerda, ora para a direita", evitando fazer barulho para o R. não acordar pois tinha que ir trabalhar... Assim que o despertador do R. tocou, por volta das 5h30, disse-lhe que podia ir trabalhar mas que estivesse em "alerta" pois sabia que o Martin não iria demorar muito para nascer... 

 

Perto das 7h, as contracções começaram a intensificar-se, a ficar mais dolorosas e regulares (todos os 5-7 minutos)... Levantei-me da cama,  apesar de estar cansada, pois não me sentia confortável, e coloquei tudo o que me faltava na mala de maternidade... Peguei num papel e numa caneta e comecei a registar todas as contracções para ter um registo fidedigno...  Às 10h, perdi o rolhão mucoso e as contracções começaram a ficar mais espaçadas... Fui tomar um banho para relaxar... Assim que saí do banho as contracções recomeçaram, mais dolorosas ainda, todos os 5-7 minutos... Peguei no telemóvel e enviei uma mensagem ao R. para vir para casa pois achava que não ía conseguir ficar em casa  por muito mais tempo...

 

Era quase meio-dia quando o R. chegou a casa, não almoçamos porque não queria esperar mais tempo, e mesmo sendo mãe de segunda viagem, queria saber se estava tudo dentro da normalidade... 

 

Assim que chegamos às urgências da Maternidade, que por sinal estavam caóticas, as contracções começaram a diminuir subitamente.... Parecia que estava a reviver o parto do Gui... Mesmo assim, entrei  para ser avaliada e, durante esse tempo que durou cerca de 45  minutos, apenas senti duas contracções e fiquei a saber que apenas tinha 1cm de dilatação... A enfermeira parteira disse-me então que podia ir para casa descansar, pois não havia nada de alarmante... Mas eu sabia que descansar não era a melhor atitude a tomar, sabia que o momento estava para breve, e eu só queria que fosse algo rápido, não queria passar mais uma "noite em branco"...

 

Saímos das urgências e disse ao R. que o melhor seria almoçar algo rápido para depois irmos fazer uma caminhada... Fomos ao MacDonald's, comemos uma hambúrguer e, como estava muito calor, optamos por ir para o Domaine de Chamarande pois  é um parque onde existem muitas "sombras"... Mal chegamos ao local e começamos a andar as contrações recomeçaram, de forma intensa e todos os 5-10minutos... Fizemos um trajecto relativamente extenso mas muito demorado, era obrigada a parar imensas vezes pois as contracções impediam-me de andar... Estava muito cansada mas sabia que o melhor era andar, para acelerar o processo... Ficamos ali cerca de 1 hora e voltamos para casa, sempre com as contracções regulares e dolorosas... À medida que o tempo passava, começava a ficar com mais dores, uma dor tão insuportável que me impedia de fazer qualquer coisa... Aguentei o máximo de tempo que pude em casa, às 20h e tal comecei a dizer que não aguentava mais e tínhamos que ir para a maternidade... Não sei como consegui jantar, mas jantei, depois foi tentar chegar ao carro... Estava cheia de dores, tentei ser forte mas as dores eram tão fortes que comecei a chorar... A muito custo, cheguei às urgências a chorar, completamente esgotada... Não  aguentava mais tanta dor... 

 

Felizmente, assim que demos entrada na urgência, apareceu  uma enfermeira parteira super simpática que, vendo o meu estado, disse-nos para entrarmos de imediato... Fui examinada e ficamos a saber que já tinha 4 centímetros de dilatação... Num misto de dor e alegria, chorei compulsivamente pois sabia que o Martin ía finalmente nascer! 

 

Como as urgências continuavam caóticas, fiquei na sala de observações e o anestesista colocou-me o catéter epidural mesmo ali... Ainda esperei uns 30 minutos até ele estar disponível, mas assim que me colocaram o catéter epidural, com a medicação em perfusão, fiquei super zen, estava tão bem que podia dormir 200 anos de tão cansada que estava...

 

Esperei umas duas horas até ficar disponível uma sala de partos, entretanto a enfermeira que me tinha admitido tinha ido embora e tinha ficado outra, super simpática também... Explicou-nos como tudo se iria desenvolver e deixou-nos na sala de partos... Agora era esperar até a dilatação total, para o Martin nascer...

 

Durante este processo de espera, eu e o R. brincámos imenso com a situação, parecia que, de repente, estávamos a reviver outra vez o parto do Gui... O tempo ía passando, e nós íamos ficando cada vez mais cansados e com mais sono.... Até que de repente, os batimentos cardíacos do Martin começaram a descer repentinamente (de 160 passaram para os 60 e tal, tal e qual como aconteceu no parto do Gui), começamos a ficar muito preocupados, de imediato a enfermeira parteira acalmou-nos, e cada vez que isto acontecia ía mudando de posição na maca... Confesso que fiquei com medo que algo pudesse acontecer... Ao mesmo tempo, comecei a tremer de forma descontrolada, tudo devido ao efeitos secundários da medicação administrada pelo catéter epidural... Procurei ficar calma e abstrair-me dos piores pensamentos, porque acreditem que é uma sensação horrível estarmos a tremer de tanto frio, que parece que temos, e não nos conseguirmos controlar... Fiz uma viagem mental até ao México tentando reviver os melhores momentos que passamos na nossa lua-de-mel... Não sei exactamente quanto tempo durou este pesadelo, talvez umas 2 horas, não sei precisar... Para nós, tempo de mais... E quando menos esperamos, tinha chegado o momento do Martin nascer... 

 

Foi um processo relativamente rápido, confesso que não sei onde consegui arranjar tanta força... Mas assim que ele saiu e o vi, chorei de tanta felicidade...

 

Já o Martin, chorou de forma discreta, a enfermeira colocou-o em cima de mim, e eu pude finalmente abraçá-lo, com as poucas forças que ainda me restavam... Foi impressionante ver as semelhanças do Martin com o Gui, pareciam fotocópia um do outro de tão iguais que eram...

 

O R., mais uma vez, esteve sempre super calmo, cortou o cordão umbilical, depois a enfermeira limpou o Martin minimamente, pesou-o, mediu-o e tornou a colocá-lo junto do meu peito...  Foi desta forma que, no dia 17/7/2019, às 3h27 da madrugada, nasceu mais um Principezinho, o Martin, com 3.890gr e 53 centímetros. 

 

Como o Martin tinha feito muitas vezes bradicardias, no trabalho de parto, não pude amamentá-lo de imediato, teve que ficar em jejum 2 horas para saber se estava tudo bem com ele... Ficámos então os 3, juntinhos, ali naquela imensa sala, a saborear aquele sublime momento, até a enfermeira parteira confirmar que tudo podíamos estar tranquilos... O R. vestiu então o Martin, com a roupinha super fofa que tinha sido programada, a seguir foi a minha vez de me arranjar para podermos, finalmente, subir para o nosso merecido quarto e desfrutarmos deste doce momento...

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Cada vez que penso nos partos do Gui e do Martin, fico impressionada com o tamanho da força que há dentro de nós depois de um parto... Estou eternamente grata a mim mesma por ter superado tudo com tanta vontade e entrega, e estou eternamente grata por todo o apoio que o R. sempre me deu...

 

Sabia que a dor fazia parte do processo natural do trabalho de parto, o que eu desconhecia, antes de ser mãe, é a magia que existe em pegar no bebé logo após o parto normal, e isso eu pude viver da forma mais intensa, quer no parto do Gui como do Martin... Esse momento é de facto tão maravilhoso e tão único, que não há dinheiro nenhum no Mundo que pague esse momento tão extraordinário

AMOR MAIOR

Faz hoje 3 anos que a nossa vida mudou para SEMPRE...

E foi a partir desse dia que descobrimos o AMOR eterno e incondicional!

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Porque "quando num filho nasce,

nasce também no coração dos pais,

um Amor Maior que a vida e mais eterno que o tempo!"

O GUI FEZ 2 ANOS

Dá para acreditar que o Gui já tem dois ano?! Pois é, fez 2 anos no passado dia 6 de Junho, e hoje partilho aqui com vocês as mudanças ocorridas durante estes últimos 6 meses (já que o último post foi escrito quando fez 18 meses), já a verdadeira festa de Aniversário falarei dela no próximo post.

O Gui continua bastante crescido: mede 92cm, pesa 13Kg700gr e tem 18 dentinhos. Está numa das fases mais engraçadas mas, ao mesmo tempo, mais trabalhosa já que  as birras são o "prato principal do dia" pois quer demonstrar que já sabe o que quer e que pode mandar. 

 

Está cada vez mais confiante nas suas capacidades físicas, mas ainda não compreende bem os seus limites, por isso temos que estar sempre atrás dele  pois gosta de arriscar e aventurar-se.

 

Adora correr, e está cada vez mais rápido, e o mais engraçado é que ele tem noção disso, por isso desafia-nos imensas vezes correndo na direção oposta a nós. Descobriu que os escorregas são super divertidos, tem um fascínio por subir e trepar objetos (a imaginação dele é muito fértil daí que a nossa atenção tem que estar mais que redobrada), gosta de subir e descer móveis  (sofás, cadeiras…) sem ajuda, consegue subir e descer escadas agarrado ao corrimão, adora dançar, ver desenhos animados com música, pintar, construir legos e castelos. 

 

Nestes 6 meses, o vocabulário sofreu bastantes alterações: sabe identificar uma série de objectos e imagens quando os nomeamos, conhece os nomes das pessoas mais familiares (amigos e familiares) e é capaz de reter o nome das pessoas quando as vê pela primeira vez, conhece todos as partes do corpo, cumpre instruções simples, aponta para as imagens de um livro, e diz uma série de palavras... Ainda não é capaz de construir frases e reconheço que o número de palavras que o Gui utiliza não é imenso, mesmo assim acho perfeitamente natural já que está a aprender duas línguas em simultâneo (português e francês), e é em português que ele se exprime sempre.

 

O Gui continua a ter uma adoração por animais, principalmente por gatos, patos e pintaínhos (o seu animal favorito continua a ser o gato); adora passear ao ar livre; gosta de andar à chuva; adora estar rodeado de pessoas; receber amigos e família em casa; adora que brinquem, dancem e sorriam para ele; continua a ter um fascínio por comandos e chaves, adora carros de brincar e "carros a sério", e gosta imenso de ir passar férias a Portugal (sempre que vamos a Portugal lembra-se de muitas coisas e das pessoas que lá estão...).

 

E agora o que o Gui não gosta?! Não gosta de adormecer (é quase sempre uma grande luta), não gosta de dormir muito, não gosta que o contrariem, não gosta de estar em espaços fechados, não gosta de ser o centro das atenções, não gosta de dar beijos (só dá mesmo quando quer, por isso nem adianta pedir muito) e não gosta nada de estar doente.

 

Quanto à alimentação, confesso que pouco se alterou já que o Gui não gosta muito de inovar nem de experimentar novidades, por isso, a introdução de alimentos diferentes e texturas diferentes tem que ser feita muito lentamente para ele se poder adaptar. O leitinho, esse continua a ser o seu amigo durante a noite: um biberão por volta da 1hora da manhã e um segundo perto da hora de acordar.

 

E é desta forma que o nosso Principezinho vaí crescendo... Só queria que o tempo não passasse tão rápido, quem me dera que o tempo pudesse passar mais devagar... É tão bom chegar a casa do trabalho, abrir a porta de casa e ver o Gui correr na minha direcção a chamar por mim, "Mamã, mamã", só para me dar um grande abraço de saudade... 💙

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DOIS ANOS DE GUI ❤️

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"Você pode fazer mestrado, doutorado e até pós doutoramento.

Dar a volta ao mundo,

conhecer os 7 mares,

ir para a Lua e até para Marte.

Você pode ser incrivelmente bem sucedida

e falar todas as línguas inclusive a dos anjos.

Pode ter amigos incríveis e pais magníficos.

Pode saltar de asa-delta e nadar com golfinhos.

Sim, você pode até ter o apartamento dos sonhos

e a tão sonhada casa na praia pé na areia.

Pode ter o carro mais luxuoso do planeta

e conhecer as melhores pessoas do mundo...


Mas a experiência de ter alguém para chamar de filho,

de se doar para deixar de herança para o planeta

um ser humano bacana

é ao mesmo tempo uma das coisas mais comuns desde que o mundo é mundo,

mas é também a mais incrivelmente transformadora!


É, ainda não inventaram nada mais extraordinário do que ter filhos."

❤️

(Testo @maeforadacaixa)