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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

E ASSIM NASCEU O MARTIN ūüíô

Andava h√° algum tempo para escrever este post, mas precisava de algum tempo e de alguma concentra√ß√£o para o escrever, para que ele ficasse o mais fiel poss√≠vel da realidade... Hoje l√° o consegui finalizar e, numa esp√©cie j√° de saudade, porque este √© sem d√ļvida um momento √ļnico e inesquec√≠vel, partilho-o com voc√™s...

 

Faz hoje exactamente 60 dias que passei uma "noite em branco"... O dia tinha corrido normalmente, sem nenhum sinal de que o Martin estaria prestes a nascer... Eram cerca da 1h30min, da madrugada, quando comecei a ter "contrac√ß√Ķes chatas" que me impediam de estar muito tempo na mesma posi√ß√£o... Passei essa noite a dar "voltas na cama, ora para a esquerda, ora para a direita", evitando fazer barulho para o R. n√£o acordar pois tinha que ir trabalhar... Assim que o despertador do R. tocou, por volta das 5h30, disse-lhe que podia ir trabalhar mas que estivesse em "alerta" pois sabia que o Martin n√£o iria demorar muito para nascer...¬†

 

Perto das 7h, as contrac√ß√Ķes come√ßaram a intensificar-se, a ficar mais dolorosas e regulares (todos os 5-7 minutos)... Levantei-me da cama, ¬†apesar de estar cansada, pois n√£o me sentia confort√°vel, e coloquei tudo o que me faltava na mala de maternidade... Peguei num papel e numa caneta e comecei a registar todas as contrac√ß√Ķes para ter um registo fidedigno... ¬†√Äs 10h, perdi o rolh√£o mucoso e as contrac√ß√Ķes come√ßaram a ficar mais espa√ßadas... Fui tomar um banho para relaxar... Assim que sa√≠ do banho as contrac√ß√Ķes recome√ßaram, mais dolorosas ainda, todos os 5-7 minutos... Peguei no telem√≥vel e enviei uma mensagem ao R. para vir para casa pois achava que n√£o √≠a conseguir ficar em casa ¬†por muito mais tempo...

 

Era quase meio-dia quando o R. chegou a casa, não almoçamos porque não queria esperar mais tempo, e mesmo sendo mãe de segunda viagem, queria saber se estava tudo dentro da normalidade... 

 

Assim que chegamos √†s urg√™ncias da Maternidade, que por sinal estavam ca√≥ticas, as contrac√ß√Ķes¬†come√ßaram a diminuir subitamente.... Parecia que estava a reviver o parto do Gui... Mesmo assim, entrei¬† para ser avaliada e, durante esse tempo que durou cerca de 45 ¬†minutos, apenas senti duas contrac√ß√Ķes e fiquei a saber que apenas tinha 1cm de dilata√ß√£o... A enfermeira parteira disse-me ent√£o que podia ir para casa descansar, pois n√£o havia nada de alarmante... Mas eu sabia que descansar n√£o era a melhor atitude a tomar, sabia que o momento estava para breve, e eu s√≥ queria que fosse algo r√°pido, n√£o queria passar mais uma "noite em branco"...

 

Sa√≠mos das urg√™ncias e disse ao R. que o melhor seria almo√ßar algo r√°pido para depois irmos fazer uma caminhada... Fomos ao MacDonald's, comemos uma hamb√ļrguer e, como estava muito calor, optamos por ir para o¬†Domaine de Chamarande¬†pois¬† √© um parque onde existem muitas "sombras"... Mal chegamos ao local e come√ßamos a andar as contra√ß√Ķes recome√ßaram, de forma intensa e todos os 5-10minutos...¬†Fizemos um trajecto relativamente extenso mas muito demorado, era obrigada a parar imensas vezes pois as contrac√ß√Ķes impediam-me de andar... Estava muito cansada mas sabia que o melhor era andar, para acelerar o processo... Ficamos ali cerca de 1 hora e voltamos para casa, sempre com as contrac√ß√Ķes regulares e dolorosas... √Ä medida que o tempo passava, come√ßava a ficar com mais dores, uma dor t√£o insuport√°vel que me impedia de fazer qualquer coisa... Aguentei o m√°ximo de tempo que pude em casa, √†s 20h e tal comecei a dizer que n√£o aguentava mais e t√≠nhamos que ir para a maternidade... N√£o sei como consegui jantar, mas jantei, depois foi tentar chegar ao carro... Estava cheia de dores, tentei ser forte mas as dores eram t√£o fortes que comecei a chorar... A muito custo, cheguei √†s urg√™ncias a chorar, completamente esgotada... N√£o¬†¬†aguentava mais tanta dor...¬†

 

Felizmente, assim que demos entrada na urgência, apareceu  uma enfermeira parteira super simpática que, vendo o meu estado, disse-nos para entrarmos de imediato... Fui examinada e ficamos a saber que já tinha 4 centímetros de dilatação... Num misto de dor e alegria, chorei compulsivamente pois sabia que o Martin ía finalmente nascer! 

 

Como as urg√™ncias continuavam ca√≥ticas, fiquei na sala de observa√ß√Ķes e o anestesista colocou-me o cat√©ter epidural mesmo ali... Ainda esperei uns 30 minutos at√© ele estar dispon√≠vel, mas assim que me colocaram o cat√©ter epidural, com a medica√ß√£o em perfus√£o, fiquei super zen, estava t√£o bem que podia dormir 200 anos de t√£o cansada que estava...

 

Esperei umas duas horas até ficar disponível uma sala de partos, entretanto a enfermeira que me tinha admitido tinha ido embora e tinha ficado outra, super simpática também... Explicou-nos como tudo se iria desenvolver e deixou-nos na sala de partos... Agora era esperar até a dilatação total, para o Martin nascer...

 

Durante este processo de espera, eu e o R. brincámos imenso com a situação, parecia que, de repente, estávamos a reviver outra vez o parto do Gui... O tempo ía passando, e nós íamos ficando cada vez mais cansados e com mais sono.... Até que de repente, os batimentos cardíacos do Martin começaram a descer repentinamente (de 160 passaram para os 60 e tal, tal e qual como aconteceu no parto do Gui), começamos a ficar muito preocupados, de imediato a enfermeira parteira acalmou-nos, e cada vez que isto acontecia ía mudando de posição na maca... Confesso que fiquei com medo que algo pudesse acontecer... Ao mesmo tempo, comecei a tremer de forma descontrolada, tudo devido ao efeitos secundários da medicação administrada pelo catéter epidural... Procurei ficar calma e abstrair-me dos piores pensamentos, porque acreditem que é uma sensação horrível estarmos a tremer de tanto frio, que parece que temos, e não nos conseguirmos controlar... Fiz uma viagem mental até ao México tentando reviver os melhores momentos que passamos na nossa lua-de-mel... Não sei exactamente quanto tempo durou este pesadelo, talvez umas 2 horas, não sei precisar... Para nós, tempo de mais... E quando menos esperamos, tinha chegado o momento do Martin nascer... 

 

Foi um processo relativamente rápido, confesso que não sei onde consegui arranjar tanta força... Mas assim que ele saiu e o vi, chorei de tanta felicidade...

 

Já o Martin, chorou de forma discreta, a enfermeira colocou-o em cima de mim, e eu pude finalmente abraçá-lo, com as poucas forças que ainda me restavam... Foi impressionante ver as semelhanças do Martin com o Gui, pareciam fotocópia um do outro de tão iguais que eram...

 

O R., mais uma vez, esteve sempre super calmo, cortou o cordão umbilical, depois a enfermeira limpou o Martin minimamente, pesou-o, mediu-o e tornou a colocá-lo junto do meu peito...  Foi desta forma que, no dia 17/7/2019, às 3h27 da madrugada, nasceu mais um Principezinho, o Martin, com 3.890gr e 53 centímetros. 

 

Como o Martin tinha feito muitas vezes bradicardias, no trabalho de parto, não pude amamentá-lo de imediato, teve que ficar em jejum 2 horas para saber se estava tudo bem com ele... Ficámos então os 3, juntinhos, ali naquela imensa sala, a saborear aquele sublime momento, até a enfermeira parteira confirmar que tudo podíamos estar tranquilos... O R. vestiu então o Martin, com a roupinha super fofa que tinha sido programada, a seguir foi a minha vez de me arranjar para podermos, finalmente, subir para o nosso merecido quarto e desfrutarmos deste doce momento...

IMG_0272.JPG

Cada vez que penso nos partos do Gui e do Martin, fico impressionada com o tamanho da força que há dentro de nós depois de um parto... Estou eternamente grata a mim mesma por ter superado tudo com tanta vontade e entrega, e estou eternamente grata por todo o apoio que o R. sempre me deu...

 

Sabia que a dor fazia parte do processo natural do trabalho de parto, o que eu desconhecia, antes de ser m√£e, √© a magia que existe em pegar no beb√© logo ap√≥s o parto normal, e isso eu pude viver da forma mais intensa, quer no parto do Gui como do Martin... Esse momento √© de facto t√£o maravilhoso e t√£o √ļnico, que n√£o h√° dinheiro nenhum no Mundo que pague esse momento t√£o extraordin√°rio!¬†

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