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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

E ASSIM NASCEU O GUI...

Achei que seria interessante fazer um post sobre o nascimento do Gui, algo onde pudesse partilhar com vocês como tudo aconteceu de forma a poder vir até aqui um dia e relembrar cada momento vivenciado...

 

O nascimento do Gui estava previsto por parto normal, por isso, eu como mãe de primeira viagem tudo era novo, haviam imensas dúvidas de como iria ser o dia e se seria assim tão fácil saber o momento em que deveríamos ir para a maternidade...

 

Li muito, procurei relembrar conhecimentos adquiridos (no meu curso de enfermagem), adquiri conhecimentos... Sentia que estava preparada, mas sabia também que a realidade podia ser diferente...

 

Comecei a sentir as primeiras contracções pouco antes de uma semana do Gui nascer, nada de especial, a barriga ficava dura durante uns 30 a 45 segundos e depois voltava ao normal.... Até que na sexta-feira, dia 3 de Junho, notei que as contracções eram mais frequentes e começavam a ser "chatas", o dia passou-se bem mas perto das 2h da manha estas intensificaram-se, e começaram a ficar regulares (todos os 5 minutos) e dolorosas.... Por volta das 4h, perdi o rolhão mucoso, e às 5h liguei para a maternidade... A enfermeira falou-me de uma forma tão "grosseira" que desliguei o telefone incrédula com aquele atendimento. Fiquei tão fula que decidi esperar mais um pouco... Até que às 7h da manhã estas começaram a diminuir subitamente.

 

Nessa noite praticamente não dormimos, acabando por adormecer por volta das 8h às 14h... Estava mesmo cansada, mas como as contracções tinham diminuído achei que era boa ideia fazer uma caminhada... A ideia até era boa, mas a caminhada resumiu-se a pouco mais longe de uns 300 ou 400 metros da nossa casa... Andamos praticamente "às voltinhas", parei imensas vezes pois volta e meus surgia uma contracção... Sentia-me cansada mas sabia que o melhor que tinha a fazer era andar, para acelerar o processo... Nesse dia, finalizamos a nossa mala de maternidade, e à noite compramos o nosso jantar super-calórico no KFC (eh..eh...eh..), e embora tivesse algumas dores e estivesse cansada, não tinha perdido a fome!

 

A noite estava a "chegar", eram 22h e as contracções recomeçavam, mais uma vez, mais regulares e dolorosas (5 em 5 minutos)... Às 3h tornei a ligar para a maternidade e expliquei o que se passava... A enfermeira, do outro lado, com uma voz nada simpática, aconselhou-me a ficar em casa mais 2 ou 3 horas... Parecia mesmo que o pessoal da maternidade não queria trabalhar durante a noite!

 

Contei todos os minutos, até chegar às 5h da manhã, onde decidimos ir para a maternidade pois não aguentava mais tanta dor...

 

Ao chegar, mais uma vez, as contracções tinham começado a diminuir de intensidade e não eram tão regulares, não conseguia compreender porque motivo estas só surgiam à noite... Fui examinada, tinha apenas 1cm de dilatação, mas como tinha tido muitas dores fiquei internada.

 

Era domingo de manhã, o dia estava muito cinzento, eu e o meu marido estávamos exaustos de cansaço... O dia avizinhava-se longo....

 

Tornei a ser examinada às 9h, descobri que o saco amniótico tinha rompido em casa, e não tinha dado conta, foi-nos então dito que deveria andar, fazer exercícios na bola de pilates, pois se não entrasse em trabalho de parto provocariam o parto no dia seguinte de manhã. Nessa altura as contracções eram bem menos regulares e pouco dolorosas, tinha a sensação que parecia estar a passar o papel da grávida "picuínhas"...  Não conseguia compreender porque raio é que as contracções só surgiam à noite?!

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Apesar de esgotada, andei o domingo todo a fazer o que me foi recomendado, mas nada se alterou... Às 21h as contracções regulares, dolorosas, a cada 5 minutos, recomeçavam... A enfermeira da noite veio ver-me, e como não suportava mais outra noite como a anterior, subi ao bloco de partos onde fui examinada por uma enfermeira parteira super antipática e desumana (nesta altura mantinha 1cm de dilatação)... O impressionante é que no momento que fui examinada as dores e as contracções quase que desapareceram... Mesmo assim ela deu-me 2 comprimidos de paracetamol codeína para o caso destas voltarem...

 

Chegamos ao quarto e tudo recomeçava, as contracções estavam mais fortes do que nunca, o Gui mexia imenso, parecia que ele ía nascer alí mesmo... Tomei os comprimidos por volta das 00h, mas de nada adiantaram, foi a pior noite da minha vida, nunca tive tantas dores! Como tinha sido avaliada, e perante aquele atendimento, optei por não tocar à campainha, sabia que nada iriam fazer... Fui tomar um banho quente para ver se estas aliviavam, mas nada!

 

A noite de 5 para 6 de Junho foi a pior noite da minha vida... Pus muitas vezes em causa se estaria tudo bem, tive muito medo que algo pudesse dar errado por não chamar por ninguém... A noite foi passada em branco, esgotada e não aguentado mais, eram 7h quando a enfermeira da noite apareceu para me perguntar como tinha passado a noite...  Perante o meu sofrimento disse-me que tomasse um banho e que iria tomar um pequeno-almoço leve para subir para a sala de partos... Com tanta dor não consegui comer nada, queria é que o Gui nascesse e aquelas dores desaparecessem de uma vez...

 

Subi às 8h para o bloco de partos para ser examinada por uma enfermeira parteira, as dores continuavam insuportáveis, estava com 3 cm de dilatação, finalmente não precisava esperar mais!

 

Num misto de alegria e cansaço, chorei por saber que o momento finalmente tinha chegado! Fui para a sala de partos, colocaram-me o catéter epidural (que não senti nadinha a colocarem) e a partir daqui as dores desapareceram por completo, sentia-me rejuvenescida e maravilhosamente bem! 

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A enfermeira parteira era 5 estrelas, simples, mas atenciosa e preocupada, foi-nos explicando como tudo iria se passar... Agora só tínhamos que aguardar até à dilatação total, para o Gui nascer! 

 

Durante esse processo de espera, eu e o meu marido brincamos imenso com a situação, imaginamos como iria ser o momento e de tão descontraído que estávamos tudo parecia bom de mais... Até que de repente, por volta do meio-dia, os batimentos cardíacos do Gui começaram a descer muito (de 160 passaram para os 60 e tal), começamos a ficar muito preocupados, vimos no olhar da enfermeira parteira que algo não estava bem... Subitamente o medo instalou-se em nós!

 

A enfermeira pediu apoio médico, e durante esse período foi-me colocada uma máscara de oxigénio e pedido para respirar profundamente... O medo que algo pudesse acontecer apoderou-se de mim, e sem perceber porquê comecei a tremer tanto e tanto que não conseguia parar de fazê-lo...

 

No início pensei que estivesse a fazer uma crise de ansiedade mas logo foi-me explicado que tudo se devia à medicação administrada pelo catéter epidural. Depois de me terem dado medicação, os batimentos do Gui recuperaram, mas eu continava a tremer tanto que só conseguia pensar que algo errado pudesse estar a acontecer ao Gui e a mim... Foi um momento realmente assustador!  

 

Não sei exactamente quanto tempo durou este pesadelo, para nós, tempo de mais... Felizmente, aos poucos tudo se restabeleceu, mas até o Gui nascer, nunca os monitores foram tão vigiados por nós, com medo que o pesadelo voltasse a acontecer. Felizmente nada se repetiu e depois disto, foi continuar a esperar...

 

Desde que me colocaram o catéter epidural nunca senti qualquer dor, estava tão anestesiada, que todo o processo aconteceu sem nenhuma dor...

 

O momento em que vimos o Gui nascer foi realmente algo mágico, uma sensação única e indiscritível... Mal ele saiu, chorou de forma "timida" e foi colocado sobre mim... Escusado será dizer que abracei-o com as poucas forças que ainda me restavam e chorei de felicidade por ver que o nosso Gui estava finalmente juntinho aos papás! Eram exactamente 16h04min quando o nosso Principezinho nasceu!

 

O papá cortou depois o cordão umbilical, a enfermeira limpou o Gui minimamente, pesou-o e mediu-o e tornou a colocá-lo junto do meu peito para que eu pudesse amamentá-lo... Estivemos ali na sala, os 3, duas horas para termos a certeza que tudo estava bem!

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É certo que tive muitas dores na noite anterior ao parto, vimos os batimentos do Gui descerem, ficamos preocupados e estávamos exaustos... Mas no momento que vimos o nosso Principezinho tudo foi esquecido como se se tratasse de um capítulo bem longínquo das nossas vidas!

 

A partir daqui, avisámos os nossos familiares e amigos e partilhámos esta notícia tanto esperada... E foi assim que no dia 6/6/2016, entrámos num novo capítulo das nossas vidas...

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Se faria tudo outra vez?!

Claro que faria!

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