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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

MALDITOS IMPOSTOS!

impots taxes.jpgAinda não vos tinha falado do "assalto" que o Estado Francês nos fez à nossa carteira desde que viemos de férias... Passamos a vida a reclamar dos impostos que se pagam em Portugal, e chegamos aqui e descobrimos que ainda conseguimos ser mais roubados!

 

Este ano pagámos pela primeira vez todos os impostos que tínhamos direito, ou seja, os impostos sobre o salário (ao que eles chamam aqui de "Impôt sur le revenu") e o imposto de habitação (Taxe d'habitation). 

 

 

IMPÔT SUR LE REVENU

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O Impôt sur le Revenu são nada mais que os impostos que em Portugal nos são descontados todos os meses no nosso ordenado. Eu também não sabia mas aqui os impostos não são descontados no nosso salário todos os meses como em Portugal, apenas a segurança social (uma média de 23% do valor bruto do salário) é descontada todos os meses, daí que no final do ano apanha-se um grande susto quando temos que devolver o valor desse imposto: o equivalente a um salário líquido!

 

 

 

TERMINARAM AS FÉRIAS...

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Estamos de volta e trago imensas coisas para contar...  Nos próximos posts partilharei com vocês um bocadinho das minhas férias, bem como muitos dos lugares onde estivemos em Portugal (para quem me seguiu no Istagram teve acesso a essa informação de forma antecipada)...

 

As férias foram mesmo boas e, como sempre, passaram depressa... Para trás ficam momentos cheios de ternura, partilhados com a nossa família e com os nossos amigos; o cheirinho da nossa aldeia, do campo, da praia e da montanha; o ronronar do Fred, as travessuras do Garfield e o andar desajeitado do Willy (o cãozinho arraçado de Husky que os meus pais têm há 15 anos e meio), e tantas outras coisas das quais tinhamos saudades...

 

É mesmo bom recarregar baterias junto da nossa família e dos nossos amigos de sempre, é bom regressar ao nosso cantinho e sentir o carinho das pessoas... Difícil é ter que voltar... Abraçar a nossa família e os nossos amigos e dizer "foi bom estar com vocês mas temos que regressar"! 

A VIAGEM DA NOSSA VIDA

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E assim passaram 2 anos em que fizemos as malas, entrámos no carro e fizemos a maior viagem das nossas vidas... Recomeçando uma nova vida num outro país, sem amigos, sem conhecidos, apenas os dois!

 

Não foi fácil amadurecer a ideia de emigrar, muito menos de emigrar para aqui, mas quando decidimos que tinha chegado o momento, mergulhámos a fundo e decidimos que não olharíamos para trás... Confesso que o dia da partida não foi tão doloroso como imaginara... Acho que ajudou o facto dos meus pais e a minha irmã (mais nova) estarem na Alemanha, e ter apenas, em casa, a minha irmã mais velha e o meu cunhado...

 

Sabíamos que nada iria ser como até ali, e os amigos de sempre não estariam mais... Tínhamos medo da adaptação ao país, da língua, e de tantas outras coisas... Mas estávamos determinados e sabíamos que não podíamos voltar atrás, por isso tinhamos que dar o nosso melhor e acreditar que tudo iria dar certo...

 

Foram dois anos cheios de aventuras e de grande aprendizagem.

 

Confesso que os primeiros meses foram bastante complicados, longe de tudo e de todos... Arrisco até a dizer que só quem passa por uma situação semelhante é que sabe exactamente do que falo... 

 

Aos poucos fomo-nos integrando e fazendo novas amizades que foram fundamentais em todo este processo. E hoje, não posso dizer que nos sentimos como se estivéssemos em "casa"(e até acho que isto nunca vai acontecer), mas também não estamos arrependidos de ter vindo até aqui... Não nos sentimos emigrantes, não sabemos quanto tempo vamos ficar ou até se vamos um dia regressar a Portugal... Apenas queremos viver um dia de cada vez e aproveitar cada momento!

 

A vida dá tantas voltas que aprendemos que não vale a pena fazer tantos projectos, o importante é que as pessoas que amamos (mesmo longe) continuem sempre por perto.

DO LONGE SE FAZ PERTO!

Isto de terem inventado telemóveis onde podemos ter o skype e o facebook instalados foi, a meu ver, uma das melhores invenções dos últimos anos.

 

E quem é que não tem hoje em dia um telemóvel destes? Quase toda a gente tem, e se não tem é quase obrigada a ter para se manter em contacto com o mundo... Falo por experiência própria!

 

Os meus pais nunca mostraram interesse em ter um telemóvel desses, muito menos ter facebook ou skype, porque achavam que não tinham qualquer utilidade... Mas a emigração deu um empurrãozinho a que eles se modernizassem e começassem a utililizar tudo o que até aqui eles criticavam...

 

Hoje, eles são os primeiros a utilizar os telemóveis para enviar fotografias, a fazer videochamadas, a mandar mensagens pelo facebook ou até a colocar "likes"! Hoje eles reconhecem que afinal esta invenção faz todo o sentido porque nos permite encurtar a distância entre nós. 

 

Podemos estar longe, mas com estes telemóveis sentimos que estamos perto e cada vez que regressámos a Portugal, sentimos que nunca saímos dalí pois acompanhámos de perto cada mundança.

 

É tão bom estarmos sempre conectados com as pessoas mais queridas, e à conta disto vou acompanhando o meu Fredinho também...

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Só posso estar grata à pessoa que inventou estes telemóveis!

E vocês, concordam comigo?

A SAGA DOS APELIDOS

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Hoje venho falar de um assunto que nos acompanha desde o primeiro dia que aqui chegámos: os nossos apelidos! Vocês até devem pensar que temos apelidos estranhos como "Pão de Trigo"ou "Mosca", mas não é o caso! Falo do simples facto de termos que explicar a qualquer lado que vamos porquê é que temos 2 apelidos cada um! Estranho não?! 

 

Vou passar a explicar "porquê"...

 

Tudo começa no nascimento.... Aqui quando uma criança nasce, normalmente, adopta apenas o apelido do pai, isto porque antigamente todas as crianças apenas podiam ter o apelido do pai, e embora a lei tenha mudado em 2005, e se possa colocar a uma criança o apelido da mãe e do pai, os franceses não o fazem, nem se quer conseguem perceber o motivo de alguém ter dois apelidos! Dá para acreditar nisto?! Daí que cada pessoa tenha apenas com um nome próprio e um apelido! 

 

Quando se tenta explicar que em Portugal coloca-se o apelido do pai e o apelido da mãe, as caras que eles fazem são de indignação! Vai se lá perceber porquê... Afinal, a lei também existe para eles, mas nem eles a conhecem!

 

Na minha opinião, acho que faz muito mais sentido uma pessoa ter os dois apelidos! Mas ainda há mais... Eu sendo casada, na opinião deles, sou quase obrigada a ter o apelido do meu marido! Até fiz uma pesquisa na internet para ver se era obrigatório, mas apesar de não o ser, parece que fizeram disto uma tradição a seguir à risca. Nesta altura devem estar a pensar: "mas as mulheres depois ficam com dois apelidos!" Resposta errada, porque a partir do momento que as mulheres se casam, o apelido que tinham do pai desaparece e passam a utilizar o apelido do marido. Por isso, cada vez que vamos preencher um papel onde tempos que colocar o nosso nome completo, aparecem sempre dois locais onde temos que colocar o apelido de solteira (em francês, nom de naissance ou nom jeune fille) e o apelido de casada (em francês, nom d'époux (se)). 

 

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Agora imaginem o que é ser casada, como é o meu caso, ter dois apelidos e nenhum ser do meu marido!!! Grande confusão para eles... A qualquer lado que vamos sou automaticamente chamada pelo apelido dele, e tentar explicar que somos casados mas não mudei de apelido não vale a pena, porque no fim, continuam a duvidar se de facto somos casados um com o outro!!! A primeira vez que tentei explicar isto, disseram-me logo que só as pessoas dos países do leste é que não adoptam o apelido do marido... Se é verdade ou não, eu não sei, mas em Portugal aos anos que passou a ser mais vulgar as mulheres não adoptarem o apelido do marido... Eu pessoalmente acho que não faz sentido mudar de apelido... Mas isso já era tema para um outro post!

 

E eu até tenho apenas um nome próprio e 2 apelidos, que faria se eu fosse filha do Duque de Bragança... Nem quero imaginar!!!

UMA RÁDIO PORTUGUESA EM PARIS

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Por incrível que possa parecer, em Paris existe uma Rádio Portuguesa para os Portugueses que vivem aqui em França, a Rádio Alfa.

 

Uma rádio bastante antiga, que acompanhou a emigração portuguesa... A Rádio foi para o ar pela primeira vez a dia 5 de Outubro de 1987, e o seu sucesso ainda permanece. Hoje ela é ouvida pelos milhares de portugueses que vivem aqui, e por várias gerações.

 

Aqui, para além de música e noticiários portugueses, pode ouvir todos os jogos da liga portuguesa. 

 

Por isso, se é português e vive em França aqui está uma forma de matar saudades do nosso país!

UM PARQUE COM UMA HOMENAGEM A UMA PORTUGUESA

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É interessante quando vamos conhecer um lugar diferente fora do nosso país e descobrimos algo português... Foi isto que nos aconteceu na passada segunda-feira, era feriado, o dia convidava a um passseio pela natureza... Fomos à internet, pesquisámos um parque diferente para visitar, e tendo em conta as fotografias que apareciam acabámos por escolher um parque situado nos arredores de Paris, em Massy, o Parc Georges Brassens.

 

Estávamos longe de imaginar o que iríamos encontrar: o nome de uma rua em homenagem a uma portuguesa... Depressa compreendemos a sua história, uma história relatada numa espécie de exposição, que existe no parque, e que conta a coragem de uma portuguesa que lutou pelos direitos dos seus compatriotas e não só.

 

UM FERIADO NÃO REMUNERADO!

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Hoje é feriado facultativo aqui em França, é a segunda-feira de Pentecostes (em francês, Lundi de Pentecôte), um feriado móvel que acontece 50 dia após a Páscoa e que marca, para os cristãos, o dia em que o discípulos receberam pela primeira vez o Espírito Santo. 

 

E falo em "facultativo" porque ainda hoje esta data gera muita confusão no país desde que o ex-primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin (lei de 30 de Junho de 2004) decidiu transformar este feriado num "dia de solidariedade", ou seja, num dia de trabalho não-remunerado em que o Estado arrecada o dinheiro para financiar gastos adicionais gerados por pessoas incapacitadas ou dependentes.

 

A iniciativa ocorreu após a onda de calor do Verão de 2003 ter feito 15 mil mortos, aqui em França, na maioria pessoas dependentes e idosos.

 

E hoje o resultado é este: ninguém sabe ao certo quais os serviços que funcionam ou não... Porque se uns vão trabalhar, há aqueles que não o vão por terem "horas", por ser um dia oferecido pela empresa ou ser um dia de férias. Desde 2005, os franceses nunca viram com bons olhos esta medida, pois consideram-na injusta e insuficiente, sobretudo quando se aplica apenas a quem trabalha.

 

Nós cá não fomos trabalhar... 

 

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40ª FESTA FRANCO-PORTUGUESA

A maior festa associativa portuguesa em toda a Europa começa hoje no Parque do Hotel de Ville em Pontault-Combault, nos arredores de Paris. Trata-se da 40ª Festa organizada pela Associação Portuguesa Cultural e Social (APCS) de Pontault-Combault.

 

São dois dias de festa onde reina a alegria e a animação, num ambiente tipicamente português. A festa conta com o apoio da câmara municipal de Pontault-Combault e tem como objectivo divulgar Portugal, divulgar a cultura portuguesa e a língua portuguesa, unir os portugueses e os franceses, bem como juntar gerações.

 

Se fôr até lá, para além dos concertos com artistas portugueses, vai encontrar tendas de vendas de produtos regionais de Portugal, fumeiro, enchidos, bebidas portuguesas, comes e bebes, e não só! 

 

Este ano, como cabeças de cartaz, temos os Xutos&Pontapês e o Tony Carreira, para além dos vários artistas franco portugueses radicados em França. A entrada é gratuita!

 

O ano passado fomos até lá e gostámos por isso hoje vamos repetir... Um ambiente festivo que nos faz questionar se estamos em França ou em Portugal!

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PROGRAMAÇÃO

 

ESTOU DE REGRESSO...

image.jpgFoi uma semana repleta de emoções... É mesmo bom regressar ao nosso país e sentir que nunca partimos daqui...

 

Á minha família, aos meus amigos de sempre, ao Pedrinho que nasceu antes do meu regresso, passando pela minha advogada pela forma como defendeu o processo (agora é esperar pelo resultado do julgamento)... Só tenho razões para estar feliz!

 

No coração levarei sempre um bocadinho de todos vocês, ansiosa que cheguem as férias de Verão... E aí sim, tudo será muito ainda mais completo, estaremos todos reunidos em Portugal... O meu maridão, o meu pai, as minhas irmãs, o meu cunhado e até os amigos (tugas) que tivemos a felicidade de encontrar em França.

 

Até lá faremos como de costume, mataremos saudades pelo telefone, pelo facebook e pelo skype... E não se esqueçam: podem sempre fazer-nos uma visita, estaremos de braços abertos para vos receber!

REGRESSAR A PORTUGAL?

A semana passada saiu, no jornal "Público", esta notícia...

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Concordo plenamente que estamos "empregados, remunerados, reconhecidos, com direito a férias, subsídios de doença, licenças de maternidade e paternidade, pensões de reforma"... Mas não posso concordar com o "bem instalados"... Porque tivessemos nós em Portugal as mesmas condições de vida que tempos aqui (falo principalmente nos ordenados e sistema de saúde) e podem ter certeza que voltaríamos já hoje para o nosso país. Infelizmente não podemos ter tudo e temos que optar por aquilo que nos parece mais certo... Neste caso foi o caminho da emigração!

 

Quem sabe agora o que o futuro nos reserva? Há alturas em que penso muitas vezes no nosso futuro mais longínquo e confesso que tenho um certo medo... Um medo de aos poucos ir perdendo os laços e a cumplicidade com a família e os amigos que tivemos que "deixar", um medo de uma escolha errada, de uma luta perdida... Mas esses medos depressa são ultrapassados quando comparo o ontem com o hoje, e isso sim é o que me faz mais forte e me faz acreditar nesta luta diária, porque estar longe do nosso país é isso mesmo... É lutarmos por nos afirmarmos num país que não é o nosso, é lutarmos por aquilo que acreditamos e que nos fez sair de Portugal, é lutarmos por sermos reconhecidos... E são tantas lutas diárias que só quem emigra é que sabe... No final, saimos mais fortes, e cada vez com mais vontade de lutar!

 

Regressar a Portugal? Talvez um "dia destes"... Pode ser que o nosso governo mude as políticas e voltaremos a trabalhar no nosso país... Talvez... Até lá continuaremos aqui, pois é aqui que sentimos que os nossos maiores sonhos podem ser realizados!

VIDA DE EMIGRANTE...

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O tempo passa mesmo muito rápido... Ainda "ontem" faltava um mês e hoje já só falta 1 dia para entrar de férias e chegar a Portugal! 

 

Ser emigrante é mesmo isto, é estar longe da nossa família e dos nossos amigos e sentir saudades... Felizmente, à medida que o tempo vai passando, também vamos criando aqui novos laços de amizade, e são estes laços que tornam as coisas mais fáceis e nos ajudam a estarmos cada vez mais integrados...

 

Acho que cada um de nós devia, pelo menos uma vez na vida, sair do seu "cantinho" e emigrar, porque aqui, além de se poder aprender uma nova língua e estar em contacto com uma nova cultura, temos verdadeiramente a visão do que é o Mundo! 

 

Sei que estou aqui há pouco tempo, mas já mudei, já cresci mais um bocadinho, já tropecei e sei que vou tropeçar ainda mais vezes, e não vou dizer que é fácil... Mas no final o importante é o que se leva desta experiência... 

 

A saudade essa será sempre imensa, por isso, por muitas voltas que a vida dê, teremos sempre vontade de voltar a Portugal... E amanhã é um desses dias... 

 

Até já Portugal!

ABRIR UMA CONTA NUM BANCO EM FRANÇA

O sistema bancário francês deve ser certamente um dos mais atrasados dos países ditos “desenvolvidos”, e decididamente muito mais atrasado que o sistema bancário português.

 

Depois de reunidos todos os documentos necessários para abrir uma conta bancária, decidimos que a conta seria aberta num banco português... Dirigimo-nos ao banco que se situava mais próximo de nós, e ao fim de aproximadamente 15 minutos à espera para sermos atendidos, a funcionária perguntou-nos se tinhamos uma “rendez-vous” (como quem diz uma marcação) … Uma rendez-vous?! Como assim?! Para abrir uma conta bancária?! Sim, aqui, em França, para irmos ao banco, a maior parte das vezes, temos que marcar uma “rendez-vous”. Ora, para abrir uma conta bancária isso é quase uma regra em todos os bancos!

 

Como tínhamos alguma pressa em obter um número de conta bancária, pedimos se podia ser então para o dia seguinte… Depois de ver na sua agenda a funcionária respondeu-nos que até tínhamos sorte porque havia uma vaga dali a 3 dias, caso contrário podíamos ir a outro lado…

 

Enfim, marcamos a rendez-vous e no dia lá nos dirigimos à hora marcada, munidos com todos os documentos que eram precisos…. Quinze minutos depois da hora marcada fomos atendidos, tendo sido precisos cerca de 1h30minutos para abrir uma simples conta bancária…

 

A partir daqui foram só problemas…

 

Foi preciso esperar que chegasse tudo a casa… Sim, aqui é preciso ter muita paciência porque tudo funciona por correspondência, é preciso esperar que nos enviem uma carta com a senha pessoal online, uma outra carta com a senha do cartão multibanco, e mais outra carta a dizer que o cartão chegou ao banco…

 

Quando recebi as primeiras cartas em casa reparei que o meu nome completo estava errado, ora o banco tinha colocado o meu nome e, em vez dos meus apelidos, estavam os apelidos do meu marido. De imediato tentei telefonar para o banco mas ninguém me atendeu, foi então que me lembrei que era segunda-feira…

 

Na França os bancos não abrem à segunda-feira, em vez disso eles abrem ao sábado, regra geral, até às 14horas, o que é uma vantagem para quem trabalha de segunda à sexta… Quer dizer, isto se as pessoas marcarem uma rendez-vous com algumas semanas de antecedência!

 

Enviei então um email à pessoa que tinha aberto a conta no banco a pedir que fizessem essa correcção, pois mesmo quando acedia à minha conta online o meu nome estava errado. Pensei que o problema seria facilmente resolvido até porque para abrir a conta tínhamos deixado uma série de documentos que serviam para isso e muito mais….

 

Cerca de duas semanas mais tarde, recebo uma carta do banco a dizer que o meu cartão multibanco tinha chegado… Dirigi-me de imediato ao banco, até porque precisava do cartão, e para meu desagrado, também no cartão multibanco constava o meu nome com os apelidos do meu marido! Nunca tal isto me tinha acontecido… Ainda me lembro da funcionária a perguntar-me a quem pertenciam então os apelidos… Incrédula, tentei explicar-lhe que os meus apelidos nada tinham a ver com os do meu marido, pois embora sejamos casados o meu nome de solteira não se tinha alterado.

 

Sim, aqui em França as pessoas não conseguem perceber que sou casada e não tenho o apelido do meu marido. Aqui, as mulheres quando se casam adoptam automaticamente o apelido do marido.

 

Sem nunca se desculparem pelo equívoco, vim-me embora do banco, e mais uma vez fiquei à espera do novo cartão… Enquanto isso, e como precisava de um cartão multibanco, fiquei com o cartão errado….

 

Mais quinze dias e recebo então a carta a informar quer o cartão tinha chegado… Vou ao banco, dão-me o cartão e mais uma vez este vem exactamente igual: com o meu nome e os apelidos do meu marido! E embora a funcionária fosse exactamente a mesma, tive que lhe tornar a explicar tudo…. E não é porque o meu francês fosse difícil de perceber, porque ambas falávamos em português!

 

Outros quinze dias à espera e lá chega a carta a avisar… O processo repete-se… Cartão novamente errado! Farta e zangada com a situação, torno a explicar à mesma funcionária a mesma coisa, e esta, sem nunca se desculpar, diz-me que tinha encontrado o erro… Ora, segundo ela, o erro era do sistema, tinha que tirar dos meus dados pessoais que eu era casada para que o sistema não fosse buscar os apelidos do meu marido… Enfim, não era apenas o meu último apelido que estava errado, eram todos, os meus apelidos eram simplesmente eliminados e eles achavam isto normal! Só ao fim do quarto cartão é que consegui obter o correcto!


No decorrer disto, levantamos também um livro de cheques, sim, um verdadeiro livro composto por 50 cheques! Ora, nós que nunca gostámos de cheques dissemos de imediato que não seria necessário… E muito menos 50! O problema é que aqui nada é pago através das caixas multibanco: o cartão multibanco só serve mesmo para fazer pagamentos directamente nas lojas, na internet e para levantar dinheiro, nem o saldo podemos consultar! Agora compreendo porque é que aqui as caixas multibanco se chamam distributeur de billets, de facto estas só servem para levantar "billets", como quem diz, notas! Isto sem falar que é impossível mudar o código original do cartão multibanco ou mesmo obter um cheque na hora, essas opções simplesmente não existem! Um verdadeiro atraso para quem estava habituada a outras andanças...

  

E se quisermos abrir uma conta a prazo em conjunto, também não é assim tão evidente, aqui essa conta só pode estar no nome de uma pessoa sendo que o segundo titular (mesmo tratando-se do cônjuge) só pode constar se for feita uma procuração, depois tudo é enviado para o banco de França para que a conta a prazo possa ser aprovada. Uma verdadeira complicação!

 

Moral da história, quando pensamos que abrir uma conta bancária num banco de origem portuguesa nos facilita a vida chegamos à conclusão que é exactamente igual porque o sistema já está entranhado nas próprias pessoas! Enfim, um sistema verdadeiramente obsoleto!

 

 

 

Documentos Necessários Para Abrir Uma Conta Bancária

 

- Cartão de cidadão / bilhete de identidade

- Certidão de nascimento

- Comprovativo de morada (factura de electricidade, contrato de arrendamento…)

- Contrato de trabalho e um recibo de pagamento (fiche de paye)

 

 

RIB (Releve d’identité bancaire)

 

Quando abrir a conta terá então o seu Rib, o número de identidade bancária, útil para a transferência do salário, e para o pagamento de certas facturas (telemóvel, electricidade, renda de casa, etc.).

 

 

Despesas Bancárias

 

Geralmente são deduzidos cerca de 10 €/mês da conta para manutenção da conta bancária.

 

 

Principais Bancos Franceses


- Societe Generale (http://www.societegenerale.fr/) 

- BNP Paribas (http://www.bnpparibas.net/ )

- HSBC France (http://www.hsbc.fr/)

- Crédit Agricole (http://www.credit-agricole.fr/)

- Caisse d'Epargne (http://www.caisse-epargne.fr/)

 

 

 

 

Principais Bancos Portugueses em França

 

- Caixa Geral de Depósitos (www.cgd.fr/)

- Banque BCP (www.banquebcp.fr/)

 

TELEMÓVEL, TELEFONE, INTERNET E TELEVISÃO

A França deve ser um dos países da Europa que tem o preço dos Telefones (fixos e móveis), da Internet e da Televisão mais baratos.

 

Para conseguirmos o melhor tarifário, é preciso aderir aos pacotes a partir da internet, pois se formos directamente às lojas, para a mesma linha e para o mesmo tarifário, os preços sobem consideravelmente.

 

Para aderirmos basta ter um número de conta bancária francês, para que a encomende chegue depois a casa.

 

Aqui é possível ter um tarifário de telemóvel por 2€/mês, com 2h de chamadas/mês (para todos os telefones fixos e móveis em França e cerca de 100 destinos internacionais, incluindo Portugal), SMS/MMS ilimitados, 50 MB de internet 3G/4G.

 

Eu, por exemplo, por menos de 15€/mês tenho um tarifário de telemóvel com chamadas ilimitadas (para todos os telefones fixos e móveis na França e cerca de 100 destinos internacionais), SMS e MMS ilimitados, 3 GB de Internet 3G e 20 GB de internet 4G. Além disso, quando estou em Portugal posso usufruir praticamente das mesmas condições como se estivesse em França, isto é, posso fazer chamadas para telemóveis franceses, chamadas para fixos (para França, Portugal, Alemanha e não só), enviar SMS’s MMS’s e utilizar a Internet, sem pagar roaming, durante 35 dias por ano.

 

Em relação à Internet existem pacotes que incluem também o telefone fixo e a televisão a preços atractivos. Por cerca de 31€/mês, tenho telefone fixo (que inclui chamadas ilimitadas para os telefones fixos franceses e cerca de 107 destinos internacionais), internet ilimitada e televisão com 197 canais.

 

Para mais informações deixo algumas páginas que podem consultar:

 

http://www.touslesforfaits.fr/

www.free.fr/

www.bouyguestelecom.fr/

www.sfr.fr/

www.orange.fr/

O SISTEMA DE SAÚDE FRANCÊS

O sistema de saúde pública francesa é bem diferente do de Portugal.

 

Aqui a segurança social (Assurance Maladie) paga uma boa parte das despesas, que varia entre os 70% aos 100%, e para compensar o que a segurança social não paga, a maior parte das pessoas opta por um seguro de saúde (Mutuelle) que cobre o restante (com alguns limites).

 

Normalmente as empresas têm acordos com as Mutuelles e os funcionários podem ter acesso a esse seguro que pode ser gratuito ou comparticipado em grande parte (esse seguro pode ser familiar).

 

A partir daqui, devemos escolher um Médecin Traitant (o chamado médico de família em Portugal) para que, no caso de ser necessário, este nos envie para um médico especialista – Médecin Correspondant - com a excepção de dentistas, oftalmologistas e ginecologistas aos quais podemos ir directamente sem qualquer prejuízo monetário.


Esse médico generalista deve ser referenciado à segurança social através de uma declaração, a chamada "Déclaration de Médecin Traitant”. A este trajecto a segurança social francesa chama “Parcours de soins Coordonnés”. As idas às urgências médicas dos hospitais são consideradas dentro do “Parcours de Soins Coordonnés”. 


Podemos ir directamente a um médico (generalista ou especialista) sem passar por este percurso, mas nestes casos, a segurança social reembolsa segundo uma taxa bastante inferior (cerca de 30% em vez dos 70%). 


De forma geral, pagamos primeiro a totalidade da consulta médica e mais tarde é que somos reembolsados pela segurança social e pela Mutuelle.

Existem excepções em alguns serviços de saúde, como é o caso das farmácias, raio X e análises clinicas, na qual só pagamos o montante que não é coberto. Na maior parte dos consultórios médicos existe um aparelho que faz a leitura da Carte Vitale, sendo o valor da consulta declarado automaticamente à segurança social e à Mutuelle, restando depois esperar o reembolso por transferência bancária. Nos casos em que o médico não dispõe do aparelho, este preenche um papel que deverá ser enviado por correio à segurança social e à Mutuelle, de forma a obter o reembolso. 

 

Para mais informações, nada melhor que consultar o site da segurança social: http://www.ameli.fr/.