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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

AEROPORTOS EM PARIS

Paris tem 4 Aeroportos: dois na região metropolitana imediata, o Aeroporto de Charles de Gaulle (marcado a amarelo no mapa) e o Aeroporto de Orly (marcado a verde),  e outros dois mais distantes, o Aeroporto de Beauvais-Tillé (a rosa) e o Aeroporto Vatry (a azul).

 

 

 

 

 

O Aeroporto Charles de Gaulle (CDG) é o maior e o mais importante. Situado a cerca de 25 km a nordeste de Paris, na cidade de Roissy, é por este motivo também conhecido por “Roissy”. Tem três terminais:

    - o Terminal 1 que é o mais antigo;

    - o Terminal 2 que é o maior e é dividido em 6 terminais menores (que vão da letra A à F). Este terminal foi inicialmente construído para a Air France, mas agora recebe outras companhias aéreas;

    - e o Terminal 3 que se destina, principalmente, às companhias de baixo custo.

 

 

 

 

O Aeroporto de Orly fica a menos de 15 km a sul de Paris e é o segundo mais importante aeroporto da França. Com uma área total de 1.550ha abrange as cidades de Orly, Villeneuve-le-Roi, Athis-Mons, Paray-Vielle-Poste, Chilly-Mazzarin e Wissous.

Está dividido em dois terminais (Oeste e Sul) ligados por um autocarro. Antes da construção do Aeroporto CDG era o aeroporto mais importante de Paris.

 

 

 

 

O Aeroporto de Beauvais fica a cerca de uma hora e meia de Paris a pouco menos de 85km, está localizado perto da cidade de Beauvais, na Picardia, norte da França, sendo utlizado sobretudo pela companhia low-cost Ryanair.

 

 

 

Por último, temos o Aeroporto de Vatry que é um pequeno aeroporto civil francês.

Situado a cerca de 25 km ao sudoeste de Châlons-en-Champagne e a 150 km a leste de Paris,  é usado sazonalmente (entre Abril e Outubro) por low-costs como a Ryanair.

É o destino de voos para a Disneyland Paris, que fica a 100km.

 

 

http://www.aeroportsdeparis.fr

"ARRONDISSEMENTS DE PARIS"

Os “arrondissements de Paris” correspondem a uma divisão administrativa que dividem Paris em vinte arrondissements municipais.

 

Estes 20 arrondissements estão distribuídos segundo uma espiral que se desenvolve no sentido dos ponteiros do relógio, onde o centro é o primeiro arrondissement (localizado no Louvre).

 

Desta forma facilmente se compreende que os números mais baixos correspondem a arrondissements mais centrais enquanto os números maiores a arrondissements mais distantes do centro.

 

Se tiver o endereço de um lugar de Paris e quiser saber a que arrondissement este pertence, dê atenção sobretudo ao código postal, que irá começar sempre por 75 (código de Paris) seguido de 3 dígitos (número do distrito). Por exemplo:

                - 8, Rue de la Banque, 75002 Paris: 2eme arrondissement.

 

 

 

 

Apesar de  Paris ser dividida ao meio pelo Rio Sena, não existe nenhuma dificuldade para percorrer estes dois lados pois existem inúmeras pontes por todos os lados e a distância é bem curta entre as margens.

FRANÇA: REGIÕES E DEPARTAMENTOS

A França tem 27 regiões: 22 estão na França metropolitana (incluindo a ilha da Córsega) e 5 regiões ultramarinas (départements d'outre-mer, os DOM: Guadalupe, Martinica, Guiana Francesa, Reunião e Mayotte).

 

Por sua vez, as 22 regiões da França metropolitana estão subdivididas em 96 departamentos (départements), que estão numerados de 1 a 95 (com excepção da Córsega em que o número 20 foi substituído pelo 2A e 2B: Córsega du Sul_ 2A e a Alta Córseca_2B).

 

 

 

Os números dos departamentos fazem parte do dia-a-dia dos franceses, facilmente se encontram nas matrículas dos carros, nos códigos postais (com algumas excepções) e nos números de segurança social. 

CARTE VITALE

A partir do momento que se começa a trabalhar é nos pedido, pela entidade patronal, uma série de documentos, entre eles o número de segurança social francês.

 

Para quem está com ideias de emigrar, achei por bem deixar aqui algumas informações para não andarem perdidos como eu andei...

 

Sei bem o que é chegar a um país estranho, sem conhecer ninguém, e termos que nos desenrascar… E eu até tive sorte, porque no hospital haviam várias enfermeiras portuguesas que me ajudaram imenso... A todas as que me ajudaram, e porque elas sabem quem são, um Muito Obrigado!

 

Para fazeres a inscrição tens que te dirigir à Segurança Social (Assurance Maladie - www.ameli.fr/ ). Aqui eles pedem:

 

- o bilhete de identidade (BI) / cartão de cidadão;

- certidão de nascimento;

- comprovativo de morada;                

- e contrato de trabalho ou um recibo de pagamento (fiche de paye).

 

Depois disto, tens que esperar para que eles enviem uma carta para casa a pedirem para confirmares os dados, assinares e junto enviares uma fotografia e a fotocópia do BI. Umas semanas depois recebes em casa o teu cartão da Segurança Social (Carte Vitale).

 

 

ENFERMEIRA EM FRANÇA

 

Para trabalhar em França foi preciso inscrever-me na Ordem Nacional dos Enfermeiros – Ordre National des Infirmiers (ONI) - e na Agência Regional de Saúde - Agence Régionale de Santé (ARS) – nesta última, para obter o número de ADELI.

 

A primeira etapa para iniciar a inscrição na ONI foi relativamente fácil, fui ao site da ONI - http://www.ordre-infirmiers.fr/ - fiz o dowload do documento para a inscrição, reuni toda a documentação necessária e enviei tudo por carta registada com aviso de recepção. Depois foi só esperar que me enviassem um email com a data da entrevista.

 

A data da entrevista definiu a partida para a França… Saímos de Portugal no dia 3 de Agosto, no dia 5 de manhã apresentei-me no hospital e à tarde tive a entrevista na Ordem, com um dos conselheiros da Ordem.

 

Basicamente a entrevista consistiu numa série de perguntas básicas com o objectivo de avaliar o domínio do francês. No final, entregaram-me um documento de como estava apta para trabalhar em França. Estava  feito o meu registo na ONI.

 

O registo na ARS foi ainda mais simples, procurei na net o que era preciso para fazer a inscrição, incluindo a morada, dirigi-me ao local, preenchi um formulário, entreguei os documentos necessários e de imediato foi-me atribuído o número de ADELI (Automatisation des Listes).

 

 

 

Documentos necessários para a inscrição na ONI:

 

- formulário de inscrição da ONI devidamente preenchido

(http://www.ordre-infirmiers.fr/assets/files/000/inscription2010/IDE_inscription_tableau-ordre_salaries_octobre-2011%20V2.1.pdf)

- fotocópia do Diploma ou Certificado de Enfermagem original e traduzido;

- fotocópia da Declaração da Directiva Comunitária da Ordem dos Enfermeiros e traduzida (dos últimos 3 meses);

- fotocópia, frente e verso, do cartão de cidadão;

- fotocópia da Certidão de Nascimento;

- e Fotocópia da Folha de registo criminal original e traduzida.

 

 Este registo teve um custo de 30€.

 

 

 


                                                 

 

 

                                                Documentos necessários para a ARS:

 

- formulário Cerfan°10906*06  devidamente preenchido

 (https://www.formulaires.modernisation.gouv.fr/gf/cerfa_10906.do)

- documento da ONI que confere a inscrição 

- fotocópia do Diploma ou Certificado de Enfermagem original e traduzido;

- fotocópia, frente e verso, do cartão de cidadão.

E ASSIM EMIGREI…

Já todos sabem o motivo pelo qual emigrei e o motivo pelo qual vim aqui parar… Hoje achei que devia começar por contar como se desenvolveu todo este processo até chegar onde estou….

 

Comecei por fazer uma pesquisa no terreno... Não conhecia ninguém que fosse enfermeiro (a) e trabalhasse num país francófono, não tinha familiares próximos, nem amigos que vivessem num desses países… Por isso procurei saber se os meus amigos, colegas e até conhecidos podiam-me ajudar, se conheciam alguém que me pudesse orientar… Com o tempo fui-me apercebendo que este não seria o melhor caminho a seguir…

 

Comecei então a enviar currículos para várias agências de emprego que recrutavam para o estrangeiro, passei por algumas entrevistas, fiz até uma formação de francês numa dessas empresas, recebi alguns telefonemas…. Mas na verdade encontrei a melhor proposta de emprego nas Redes Socias: num grupo do Facebook.

 

A empresa oferecia: um contrato a tempo indeterminado feito directamente com o hospital, 35h de trabalho/semana, um salário atractivo, alojamento gratuito durante 6 meses… Localização: a cerca de 20km de Paris e a cerca de 15km do Aeroporto de Orly.

 

Não é que eu conhecesse alguma parte da França e até mesmo Paris, mas havia um ponto negativo nesta proposta: trabalhar apenas de noite, e esta ideia a mim não me agradava porque conhecia bem o quanto isto seria penalizante…

 

Os dias foram passando e fui reflectindo naquela proposta… Se no início fazer noites pareceu-me um obstáculo, com o tempo achei que poderia ser uma vantagem… Uma vantagem para ter tempo para aperfeiçoar a língua francesa, para me adaptar e para procurar trabalho para o meu marido…

 

Decidi então enviar o meu currículo para a empresa, fui de imediato contactada, via telemóvel, marcamos uma entrevista via skype para testar o meu nível de francês e fui seleccionada. Marcamos depois uma entrevista com o hospital (via skype) e, na mesma hora, fui contratada para trabalhar! Seria a proposta mesmo real?! Não conhecia a empresa que me estava a recrutar, não havia grandes referências na internet, e não conhecia o hospital…

 

Destino ou não, acabei por encontrar no Facebook, uma enfermeira que já tinha passado pelo mesmo processo de recrutamento, pela mesma empresa e pelo mesmo hospital… Falei com ela várias vezes pelo Facebook, contei-lhe os meus medos e tirei as minhas dúvidas…  A decisão de emigrar estava tomada!

 

Tratei de todos os documentos que eram necessários e traduzi aqueles que eram precisos… Antes de partir, e como era obrigatório, inscrevi-me na Ordre National des Infirmiers (ONI), em França, enviei todos os documentos que eram precisos, e duas semanas depois recebi a resposta… Tinha chegado o dia de emigrar!

ISTO SOU EU....

Sou filha de pais Portugueses, nasci na Venezuela, na cidade de Caracas, num tempo em que a emigração para este Continente era frequente... Aos 6 anos fui morar para Portugal, e foi neste país que cresci e estudei....

 

Acabei a minha Licenciatura em Enfermagem em 2005, e mal eu sabia que nesse ano o desemprego começava a aparecer no Norte do país... Por esse motivo, só consegui o meu primeiro emprego em Lisboa, no Hospital de Santa Maria, onde trabalhei 8 meses... Em Junho de 2006 fui para o Hospital de São João, no Porto, onde trabalhei 7 anos; e em 2013 decidi definitivamente que a minha vida tinha que dar uma volta maior: tinha que mudar de país!

 

Confesso que andei vários anos a alimentar essa ideia, porque sentia que a Enfermagem em Portugal era cada vez menos reconhecida, tanto profissionalmene como monetariamente. Estava farta de reclamar e de ouvir os outros a reclamar: que não tínhamos dignidade na nossa profissão, que ninguém nos reconhecia, que cada vez ganhávamos menos e exigiam mais de nós como profissionais... Fiz inúmeras greves ao longo dos 8 anos que trabalhei em Portugal e se me perguntarem o que mudou para melhor nesses 8 anos: NADA! Cada ano que passava sentia que a minha frustração era cada vez maior.... Via muitos dos meus colegas a tirar Pós-Graduações, Mestrados e Especialidades sem qualquer reconhecimento no final... Procurei saber se alguém queria emigrar comigo, mas ninguém foi capaz de se juntar a mim porque sabiam que a decisão de mudar seria um passo irreversível: demitir-se para trabalhar no estrangeiro era igual a não voltar a trabalhar em Portugal! A decisão de partir só dependia de mim... 

 

Foi tirando uns cursos de francês e enquanto isso a ideia de mudar de país ía amadurecendo.... Casei.... Viajei... E fui deixando passar o tempo... Até que um dia a "crise" colocou o meu marido no desemprego e foi aí que decidimos arriscar os dois e dar um novo rumo às nossas vidas!

 

Fomos conhecer a Suiça porque queríamos emigrar para lá... Ouvíamos dizer maravilhas deste país... Mas tornou-se uma missão impossível.... A Suiça começava a fechar portas à emigração!

 

Fomos forçados a mudar de planos: ou íamos para a Bélgica ou partíamos para a França... porque afinal tinha investido em cursos de francês!

 

Comecei por procurar agências de emprego,  comparei as condições que cada uma me oferecia e quando surgiu uma proposta para trabalhar em França aceitei! Lembro-me perfeitamente como se fosse hoje, fiz duas entrevistas por skype, uma com a empresa de recrutamento e outra com a directora de enfermagem e a enfermeira chefe do hospital e fiquei seleccionada! Nesse dia tive todas as dúvidas do mundo, tudo tinha sido tratado por computador: seria a empresa credível, seriam mesmo as condições oferecidas cumpridas... Começava aqui um novo capítulo na minha vida!

 

Lembro-me do choque que foi quando contei que tinha aceite uma proposta para ir trabalhar para a França, e que partia em 15 dias... Lembro-me do medo que senti, da angústia que vivi por saber que logo deixaria de fazer parte do dia-a-dia de muita gente...  E não vou dizer que não fiquei triste e que não chorei quando parti, porque estaria a mentir... Sei que a vida dá muitas voltas, e eu acredito na mudança, mas algumas coisas não precisavam de mudar, algumas pessoas poderiam ficar e nunca mais sair de perto de nós....

 

Hoje faz exactamente 1 ano que eu comecei a trabalhar em França, e achei que era a hora de contar ao mundo um pouco mais desta minha experiência... Hoje será apenas para comemorar esta minha pequena vitória, que ainda agora começou... Posso dizer que estou feliz e não me arrependo desta mudança porque afinal não estou sozinha nesta caminhada... Tenho saudades do "meu Portugal", das pessoas que deixei, e da vida que tinha, mas também sei que por muitas voltas que a vida dê haverá pessoas que estarão sempre no mesmo lugar! 

 

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