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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

O BICHO CABIDELA

Peripécias com o Gui

Omtem, enquanto que o Martin dormia, e uma vez que estava sol aproveitamos para cortar a relva do jardim que já estava a ficar bastante crescida... O Gui estava todo entusiasmado a ajudar quando, de repente, encontrou algo a mexer na relva...

- Olha mamã, o que encontrei... Um bicho cabidela!

Olhei para ele e tentei não me rir, aproximei-me e vi que era o insecto que eu pensava: uma cadela de abade! Perguntei outra vez o nome daquele insecto, e ele voltou a responder "bicho cabidela", corrigi-o mas ainda hoje voltou a falar do insecto e tornou a dar-lhe o mesmo nome... 

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Pelos vistos, este insecto é conhecido por uma série de nomes, ainda tentei ver se o nome que o Gui dava aparecia na lista, mas pelos vistos parece que não... Eh... Eh... Eh...

O DIA EM QUE O NOSSO MUNDO TREMEU - PARTE 4

A ESCOLHA DA NOVA AMA

Depois da terrível experiência com a primeira ama do Gui, lembrei-me imensas vezes do que a filha da madrinha da minha sogra nos disse, a primeira vez que lhe dissemos que a ama do Gui era francesa:

- "A ama é francesa?! Hum... E ela gosta mesmo de crianças? Só digo isto porque trabalho na creche e sempre achei que nós portugueses somos muito mais carinhosos e sensíveis com as crianças... Eles aqui são muito diferentes"... 

 

De facto, comentávamos muitas vezes, os dois, que a Aurélie não era muito carinhosa com o Gui, quando o Rui o ía buscar no final do dia, vinha quase sempre todo sujo, nunca lhe deu um beijo (pelo menos à nossa frente), e quando completou o primeiro aniversário nem uma palavra disse... Achava que ela era demasiado distante, mas nunca pensei que fosse louca... 

 

Depois desta experiência negativa, e tendo nós alguém daqui a dar essa opinião, decidimos que desta vez a ama teria que ser portuguesa... Além disso, tinha que ter alguns anos de experiência profissional e não ter filhos pequenos porque temíamos que o nosso filho fosse outra vez prejudicado...

 

Comecei por procurar a lista das amas, em várias zonas, não muito longe do meu local de trabalho, e liguei apenas àquelas que tinham o nome português... Fiz uma série de chamadas, e acreditem que não foi fácil encontrar alguém disponível... No meio de tantos nomes, e de tantas chamadas telefónicas, encontramos a Manuela, aquela que viria a ser a nova Ama do Gui...

Marcamos um encontro na casa dela, falamos dos horários que pretendíamos e preferi não contar o que se tinha passado com a anterior ama, para não causar uma má impressão... 

 

A Manuela só aceitava contratos a tempo completo, e apesar de nós só querermos que o Gui fosse nos dias em que eu trabalhava, durante a semana, aceitamos de imediato essa condição. Naquele dia, fizemos o contrato do Gui para começar logo depois das férias de Verão... 

 

Passei as férias de Verão a pensar no terror que o Gui tinha vivido, e só pensava que não iria aguentar se isto nos tornasse a acontecer... Felizmente a Manuela revelou-se uma ama completamente diferente... Tão diferente, que um simples beijo e carinho, de bom dia e de despedida, fazia toda a diferença... Tão diferente que nunca o obrigou a dormir no berço, apesar de ter feito algumas tentativas sem sucesso... O Gui preferia dormir sempre no sofá da sala (talvez tivesse ficado traumatizado com a outra louca)... Tão diferente que em cada festinha, a Manuela oferecia um presente... Tão diferente que quando o ía buscar, e ainda haviam "amiguinhos", o Gui queria ficar a brincar mais... Tão diferente, e ao mesmo tempo, tão normal... Coisas básicas que no início nos faziam falta, e que depois encontramos na Manuela... Foi assim que comprovamos que aquilo que nos era estranho, era realmente anormal, que aquilo que queríamos para o Gui não tínhamos encontrado da primeira vez...

 

Meses depois acabamos por contar à Manuela o motivo de termos demitido a primeira ama do Gui... E ela ficou incrédula com tudo o que se tinha passado... 

 

O Gui ficou lá até completar 3 aninhos, altura em que tinha que entrar na escolinha... Foi muito feliz, e ainda hoje relembra com carinho muitos dos momentos passados com a "Manu", como ela fazia questão que os pequeninos lhe chamassem... 

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O Martin nasceu, e não tivemos nenhuma dúvida em contratar novamente a Manu, pois sabiamos que ele ficaria bem entregue! 

MÃE SOFRE A DOBRAR

DE CORAÇÃO PARTIDO...

Ja devem ter reparado que não publiquei o último post "O dia em que o nosso Mundo tremeu" nem escrevi mais nada no blog desde a última sexta-feira...

Infelizmente, no domingo passado, o Martin sofreu um acidente doméstico, por volta das 11horas, quando na brincadeira empurrava uma cadeirinha pequena, daquelas de madeira do Ikea, e esta virou e ele caiu com ela... Resultado: pensei que se tinha magoado na mão porque tinha ficado por baixo da cadeira, mas quando peguei nele ao colo e ele começou a esfregar a boca, vi que a mão ficou cheia de sangue... Afinal tinha sido mais grave, a cadeira tinha batido exactamente nos dois dentinhos da frente! O meu coração entrou em taquicardia (tenho a certeza que ultrapassou as 100 pulsações por minuto), por temer o pior...

O R. veio logo ter comigo e depois de examinarmos a boca dele, vimos que estava a sangrar ao nível das gengivas... Abraçámo-lo muito, demos-lhe muito miminho, e pensámos que não tinha passado de um grande susto... Cerca de uns 5 minutos depois, e ainda no colinho, sentimos um barulho de algo a cair no chão... A nossa suspeita estava certa: era um dentinho da frente, exactamente o incisivo central superior direito, que tinha caído!

 

Nem queríamos acreditar! Colocamos logo o dente em leite e procurei ligar a algum dentista que estivesse de urgência... Demos-lhe paracetamol para ele não ter dor, e fiz uma dezena de chamadas, para não sei quantos números de telefone, que encontrei no Google, mas acabei por ter que ligar ao número de emergência médica (15), porque nenhum consultório estava aberto ao domingo... Encaminharam-me a chamada para um dentista que me explicou que não havia nada a fazer por se tratar de um dente de leite, e que no dia seguinte teria que ir ao dentista para fazerem um Rx de controle...

Só queríamos acordar daquele pesadelo....

 

Entretanto o Martin começou a ficar com fome, e quando começou a comer reparamos que o dentinho do lado estava a mexer bastante... Estávamos incrédulos com aquela situação... Apesar de tudo, o Martin continuava super bem-disposto e cheio de energia... Comeu normalmente, e no fim foi dormir... Enquanto isso achei que deveria ser visto por alguém, caso contrário teria que faltar no meu primeiro dia de trabalho...

 

Uma vez que não havia nenhum consultório aberto, ligamos para as urgências do Hospital Universitário Pitié Salpêtrière, o maior hospital de Paris, para explicar a situação... Aconselharam-nos a passar nas urgências dentárias com o Martin, e foi exactamente isso que fizemos...

 

Ainda é esperamos quase 1 hora para ser atendidos, para o avaliarem e dizerem que o melhor seria ir no dia seguinte a um centro especializado para fazerem um Rx e extraírem provavelmente o dentinho... Deram-me um relatório médico e o contacto para onde deveria ligar... No dia seguinte, fui trabalhar, de coração apertadinho, pela consequências daquele acidente tão estúpido... Liguei logo às 9h, e consegui uma vaga para o próprio dia, mas como estava a trabalhar pedi para agendarmos a consulta no dia seguinte...

 

Não faltei no primeiro dia, mas faltei no segundo dia de trabalho, e só não faltei no primeiro porque não sabia se o Martin teria uma vaga de imediato... A dentista que nos atendeu foi super atenciosa e simpática, fez um raio-X ao Martin e detectou o que nós já prevíamos: o dentinho tinha que ser extraído! Deu-me a opção de o fazer noutro dia ou imediatamente, e eu preferi fazê-lo de uma vez... Tinha o Martin deitado em cima de mim enquanto ela o anestesiava com uma espécie de pomada, depois veio a parte pior, a parte de extrair o dentinho... 

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Confesso que me custou estar ali a segurá-lo, mas o meu coração sabia que era o melhor que eu podia fazer por ele naquele momento... Perguntei-lhe quais as soluções que haviam e disse-me que aos três anos, altura em que teria os segundos molares (os dentinhos de trás), poderia colocar uma prótese de forma a manter o espaço entre os dentes, ajudá-lo a comer melhor e para melhorar a imagem dele...

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Se tem algo que eu aprendi com a maternidade é que quando um filho sofre, nós sofremos a dobrar! É mais forte do que nós... É impossível olhar para eles e não sentir uma dor ainda maior... Quantas vezes desejamos que aquela dor passasse antes para nós... Sei que depois que fui mãe tornei-me ainda mais sensível, e se eu já era chorona, depois de ser mãe, tornei-me muito mais... Mas não me envergonho disso, muito pelo contrário, acho que é perfeitamente natural, porque ser mãe é também isso, é descobrir a maior dor de todas, talvez a maior dor do Mundo: a dor de ver um filho sofrer. Talvez essa dor seja assim tão forte porque sabemos que muitas vezes não temos os "poderes de super mãe" que gostaríamos de ter!

O DIA EM QUE O NOSSO MUNDO TREMEU - PARTE 3

UMA DIRECTORA DO RAM DESCOMPENSADA

Passamos o fim-de-semana incrédulos com o que tinha acontecido e só queríamos dar por encerrado este problema o mais rapidamente possível...

 

A carta de rescisão do contrato foi enviada no sábado logo de manhã, pelo R., mas na segunda-feira à hora do almoço já eu recebia uma mensagem de voz da directora do RAM, com um tom ameaçador, a dizer-me que a Aurélie ainda não tinha recebido nenhuma carta, que não percebia o que tínhamos contra ela, que tínhamos que lhe pagar os direitos, que ela lhe tinha dito que nós nunca lhe entregamos os recibos de pagamento do seu ordenado, que se calhar nós nunca declaramos a ama, e que se não fizéssemos tudo direito iriam recorrer ao tribunal do trabalho (em francês, prud'hommes)...

Nem queria acreditar em todas as barbaridades que ela me tinha dito... Como podia ela estar a fazer este tipo acusações contra nós?! Liguei-lhe de imediato e comecei a dizer-lhe que não compreendia o que se estava a passar, que a carta já tinha sido enviada e que teriam agora que aguardar pelos correios, que tudo foi sempre devidamente declarado, que se não demos os recibos foi porque não era uma obrigação nossa (ela podia imprimir directamente do site do centro de emprego), e que se havia alguém que tinha falhado com as suas funções não éramos nós, mas sim a Aurélie... Mal terminei de finalizar a última frase, a directora do RAM disse-me que o problema era eu, que não gostava da Aurélie e tinha implicado com ela desde o início... Preferi respirar fundo e terminar a conversa por ali porque sabia que não adiantava acrescentar mais nada...

 

Cerca de uns dois ou três dias depois, e tal como tinha ficado combinado, dirigi-me ao RAM com o Gui para levantar os pertences dele, que a Aurélie tinha deixado, e para verificar se os documentos e as contas estavam bem feitas... E mal entrei na sala fiz questão de demonstrar o meu descontentamento com a falta de confiança na nossa palavra... No mesmo instante, e sem eu estar à espera disso, a directora do RAM olha para mim com um ar maquiavélico e diz-me: 

- "Sabe, D. Patricia, eu e a Aurélie sabemos perfeitamente que o seu marido no outro dia estava completamente do nosso lado, bastava olhar para ele... Já reparou que ele não disse uma única palavra?! Reagiu assim para não ter que a contrariar... Vê-se perfeitamente que você é quem manda em casa e têm sérios problemas de família.... E digo-lhe mais, NUNCA VAI ENCONTRAR UMA AMA PARA O SEU FILHO, E SABE PORQUÊ?! Porque a senhora nunca vai deixar nenhuma mulher se aproximar dele, você cria uma espécie de bolha que faz com que ninguém se possa aproximar dele..."

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Fiquei petrificada a ouvir todas aquelas barbaridades, respirei fundo, e sem descer ao nível dela, o nível mais rasco que eu nunca imaginei que ela fosse capaz de chegar, interrompi-a e disse-lhe:

- "Não admito que fale assim de mim e da minha família. A senhora não nos conhece de nenhum lado, nem sabe a relação que eu tenho com o meu marido. É óbvio que o meu marido nunca esteve do fosse lado, vocês sabem perfeitamente que se ele não falou porque não se sente à vontade para se exprimir em francês, e vocês sabem disso desde o início, principalmente a Aurélie. São acusações graves que acaba de fazer. Vamos terminar aqui a conversa porque eu só estou aqui para tratar de burocracias, não para falar de um assunto que já vi que não vale a pena discutir mais."

Mal acabei de dizer isto, a cara dela mudou completamente e com o ar mais cínico passou do ar de bruxa para o ar de donzela... Fizemos os cálculos, entreguei os papéis que tinha que entregar, e quando vinha embora disse-me com o ar mais cínico e com o sorriso mais amarelo: 

- "Boas férias em Portugal. Aproveitem muito..."

 

Entrei no carro, com uma vontade enorme de a mandar à M****, nem queria acreditar o que se tinha passado ali naquelas 4 paredes... Estava completamente incrédula com as palavras que ela me tinha dito... Liguei ao R. e contei-lhe o sucedido e disse-lhe que o melhor que tínhamos a fazer era tentar esquecer este pesadelo porque era demasiado cruel para ser verdade... Além disso, quem é que iria acreditar em nós?! Dois portuguesitos perdidos no meio destes abutres?!...

 

Nunca mais tornamos a falar para aquelas senhoras, e felizmente nunca mais se cruzaram no nosso caminho... Mas esta primeira experiência deixou-noscompletamente horrorizados e ficamos com "pena" das crianças que iriam ficar nas mãos daquela psicopata... Ainda por cima, naquele ano, a directora do RAM tinha ficado também directora da creche, o que para nós só nos ajudou a tomar a decisão de mudar de casa longe dali... Agora era hora para tentar tranquilizar o Gui e encontrar uma ama  para depois das férias de Verão... Estávamos mais exigentes e os critérios de selecção tinham mudado...

 

(continua e termina na próxima segunda-feira)

O DIA EM QUE O NOSSO MUNDO TREMEU - PARTE 2

O DIA DA TÃO AGUARDADA REUNIÃO

O dia da reunião parecia que nunca mais chegava, e na minha cabeça haviam três coisas que me massacravam: o tom de voz agressivo que a Aurélie  utilizou, quando me disse que o Gui era TIRÂNICO e o momento em que ela se dirigiu a ele com um tom ameaçador, a apontar o dedo... O Gui tinha apenas 12 meses e meio, um bebé indefeso e seguramente bastante assustado com o que ela lhe tinha feito...

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No dia da reunião, e tal como nos foi aconselhado, deixamos o Gui na casa dos nossos amigos, estávamos ansiosos por saber o que elas íam dizer... Chegamos, sentamo-nos e a directora do RAM começou por dizer que o motivo daquela reunião era para compreender melhor o Gui, a forma como ele vivia, as rotinas, de forma a que a Aurelie pudesse fazer uma melhor integração... Que ela tinha sido chamada na segunda-feira e ao chegar lá, depois da hora do almoço, constatou que o Gui estava realmente super stressado, chorava compulsivamente e estava todo molhado e foi impossível de o acalmar... Que também não percebia o motivo de ele estar assim, quando se encontrava num quarto arejado e num berço seguro... Interpelei-a e perguntei-lhe que não conseguia compreender o motivo da Aurélie não me ter ligado, porque motivo o meu filho foi forçado a chorar horas a fim quando eu tinha avisado que ele tinha estado 7 dias muito doente e ainda não estava em forma... Além diss, ela sabia perfeitamente que o Gui odiava dormir no berço, sozinho, gostava de dormir na presença de alguém e na sala (tudo porque vivíamos num apartamento com apenas 1 quarto)... Eu podia ter resolvido o problema, mas nem me deram qualquer hipótese... Podia ter saído do hospital, ou o R. podia ter saído do trabalho mais cedo, para nós estava fora de questão deixá-lo nesse estado... Espantosamente, a directora do RAM disse-nos que isso estava fora de questão porque não fazia sentido nós deixarmos de trabalhar a cada capricho do Gui e nem percebia o motivo de nós estarmos contra a ama...

 

Depressa compreendi que a directora do RAM estava completamente feita com a ama, sendo assim era mais do que óbvio... A reunião ía terminar muito mal...

 

Respirei fundo, tentei manter-me calma, porque queria ouvir o que a Aurélie tinha para dizer agora... Enquanto isso o R. mantinha-se calado a ouvir tanta barbaridade junta, tinha combinado comigo que não iria falar porque tinha receio de não se saber exprimir, por isso cabia-me a mim demonstrar o nosso desagrado total...

 

A Aurélie dirigiu-se a nós com um tom agressivo e disse-nos que sentia que eu nunca confiei nela e que esse era o motivo principal para o Gui nunca ficar bem na casa dela, que estava ali para mostrar a sua preocupação em relação a ele, que tinha que conhecer melhor a forma como nós o tratávamos em casa porque ele não podia ser o centro do mundo... Que a culpa era nossa porque a nossa vida girava em função dele... Que só queria colo, que não brincava com os outros meninos, que não suportava estar sozinho, que não gostava da filha mais nova dela, e que assim era difícil... Por isso teríamos que fazer um plano adaptado...

 

Cada palavra que ela dizia deixava-me com mais raiva dela, mas mesmo assim conseguimos manter a calma e decidi que era a minha vez de falar...

 

Comecei por lhe perguntar o motivo dela estar a falar com aquele tom de voz tão agressivo, quando ela diz ser tão profissional... Mas ela simplesmente negou, e o cúmulo foi quando a directora do RAM a defendeu, dizendo que aquele era um tom de voz de alguém com sentimentos que queria ajudar e fazer o melhor pelo nosso filho... 

 

Estava cada vez mais incrédula com toda aquela situação, desde quando alguém fala assim e acha que é sentimental?! Desde quando alguém que é profissional, precisa de o repetir?!...

Perguntei-lhe se achava normal o que ela tinha feito e dito na segunda-feira... Ter chegado de manhã com o Gui e ela falar para para ele toda enervada a apontar-lhe o dedo e a dizer que ele era tirânico, que sabia bem o que tinha feito...

Tirânico??? Desde quando um bebé de 12 meses pode ser tirânico??? Mas que raio de afirmações uma ama faz para uma mãe???

Se achava bem ela estar a gritar com a filha dela... E porque motivo ela afirmava que eu nunca tive confiança nela e por esse motivo o Gui nunca ficava bem...

Que a nossa vida girava em função do Gui?! Claro que sim, éramos pais de primeira viagem, e toda a gente sabe que quando o primeiro filho nasce a vida muda completamente e as prioridades deixam de ser as "nossas" e passam a ser "ele"...

Nunca ficava bem?! Mas afinal nos outros dias todos também tinha havido problemas?!

Disse-lhe que se houve um dia que não tive confiança nela, esse dia foi na terça-feira, quando a vi completamente descontrolada e irreconhecível... E confessei até que naquele dia nem sei como consegui trabalhar...

Terminei por lhe perguntar algo que nos esquecemos de fazer na entrevista de emprego: há quanto tempo ela trabalhava como ama (em francês, assistante maternelle)...

 

Num tom sempre ameaçador, a Aurélie, disse que era perfeitamente normal ela ter falado assim com o Gui, que falava assim com os bebés a partir do 4 meses, porque a partir dessa idade eles sabem bem o que estão a fazer... 

Que tirânico não era uma palavra chocante, que ela própria tinha passado por isso com a filha mais velha quando entrou para a creche, que também lhe tinham dito que ela era tirânica...

Que não tinha gritado com a filha, apenas queria que ela fosse comer e não interrompesse a nossa conversa...

Que a nossa vida não podia girar e mesmo função do Gui, ele é que se tinha que adaptar porque depois ele vai achar que é o centro do Mundo...

E que eu não tinha confiança nela porque nunca dizia ao Gui que ele ía ficar com ela, que eu criava uma espécie de "bolha" que impedia que qualquer mulher se aproximasse dele...

E respondeu-me que trabalhava desde Setembro passado, há mais ou menos 9 meses... 

 

Esta última afirmação tinha-me deixado completamente esclarecida,  afinal a experiência dela era quase nenhuma... Horrorizada com tudo o que ela tinha acabado de dizer e sobretudo com o parecer positivo da directora do RAM, fiquei sem palavras só conseguia pensar nos dias que o Gui tinha ficado com ela...

Tudo aquilo parecia demasiado surreal, tão surreal que só me vinha à cabeça que elas pudessem estar a arquitectar um plano qualquer... Lembrei-me tanto daquela reportagem de adopções forçadas no Reino Unido... Já não sabia mais o que pensar...

Foi então que a directora olhou para nós e pediu que o importante agora era estabelecer um plano porque amanhã era um novo dia e tínhamos que ver como tínhamos que agir com o Gui... 

 

Olhei para o R. e respondi-lhes que não havia mais amanhã nem depois, que o Gui não iria voltar nunca mais, e que a Aurelie estava demitida a partir daquele dia porque era impensável para nós deixarmos o Gui com uma pessoa que perdemos a confiança...

Quem me dera ter gravado a cara delas quando acabei de dizer isto... Só me lembro da Aurélie a tentar pegar nos óculos de sol e nas chaves de casa, que estavam em cima da mesa, ao mesmo tempo que barafustava a perguntar o que estavam ali a fazer então... Que não fazia sentido nenhum o que que tínhamos feito, que as filhas nem se tinham despedido do Gui  que já fazia parte da família, e que ainda tinham ficado coisas dele na casa dela...

O pior, foi quando a directora do RAM respondeu também que estávamos a agir de má fé, que devíamos ter dito logo que o Gui não ía mais, porque assim nem tínhamos feito nenhuma reunião... Que tínhamos que pagar tudo o que lhe devíamos,  incluindo os 15 dias que ainda estavam por vir porque era necessário avisar com antecedência... E que a Aurélie podia deixar o saco com os pertences do Gui ali na instituição...

 

Mais uma vez, respirei fundo, engoli em seco, e disse-lhe que para nós não tinha sido uma perda de tempo, tinham que ouvir o que tínhamos para dizer, e era lógico o Gui não continuar lá e que, não tinham que se preocupar quanto ao pagamento, pagaríamos todos os direitos tal como a lei manda...

 

De forma a agilizar todo o processo, informei que enviaria a carta de rescisão de contrato no sábado, em correio registado com aviso de recepção e que passaria depois no RAM para deixar todos os documentos necessários, bem como mostrar os cálculos para o pagamento do que devíamos à ama... 

 

Saímos dali completamente incrédulos com toda aquela situação e ainda hoje não consigo acreditar como é que aquela senhora que se diz directora do RAM pôde compactuar com toda aquela situação...

 

Mas a história não termina aqui... Depois disto, o filme de terror ainda continuou por mais algum tempo...

 

(continua amanhã)

O DIA EM QUE O NOSSO MUNDO TREMEU

O PESADELO DA PRIMEIRA AMA

Quando o Gui nasceu se havia receio que nós tínhamos era ter que o deixar com alguém "desconhecido" quando eu voltasse a trabalhar... Preferíamos que ele tivesse ido para uma creche porque, à partida, o risco de encontrar alguém "menos profissional" era menor, pelo menos haveriam mais adultos presentes... Infelizmente acabou por se tornar uma missão impossível, e não tivemos outra escolha se não procurarmos uma ama... Não foi fácil, mas encontramos uma, perto da nossa casa...

 

Fizemos a entrevista à ama, fomos conhecer a casa, as rotinas, o ambiente onde o Gui iria ficar e demos-lhe a conhecer as rotinas dele... A ama era francesa, chamava-se Aurélie L., tinha 31 anos, parecia simpática, prestável e afável com os bebés... Era casada, tinha duas filhas, uma de 4 anos e outra com 1mês menos do que o Gui... Parecia que reunia todas as condições que procurávamos...

 

O Gui começou a ir para a ama exactamente no dia 28 de Março, altura em que começou a fazer a integração, pois eu recomeçava a trabalhar no dia 3 de Abril...

 

Assim que comecei a trabalhar, eu levava o Gui e o R. ía buscá-lo... Mas como ele tinha algum receio de não compreender tudo o que ela fosse dizer, ficou estabelecido que ela iria escrever num caderno as coisas mais pertinentes que tivessem ocorrido durante o dia...

 

Tudo parecia normal, até que em Junho o Gui ficou uma semana em casa, doente com uma gastroenterite... Foi provavelmente a pior semana que o Gui teve doente... Vomitava imenso, tinha muita diarreia e alimentava-se muito mal, a sorte é que ele bebia muito bem a solução de hidratação prescrita pelo médico... Quando voltou para a ama, escrevi no caderno o que se tinha passado naquela semana, que o Gui esteve ausente, e pedi que ela fosse um bocadinho mais paciente porque sabia que ele ainda não estava completamente em forma, e fiz questão de lhe dizer isso pessoalmente...

 

Foi exactamente nesse dia, dia 26 de Junho de 2017, no primeiro dia que o Gui voltou depois de estar ausente durante 7 dias, que ficámos a conhecer a verdadeira Aurélie...

 

O R., como era habitual foi buscar o Gui no fim do trabalho e enviou-me uma fotografia da mensagem que a Aurélie tinha escrito no caderno... Fiquei parva a olhar para aquele texto, sem compreender o que se tinha passado, e até mostrei à minha colega que estava a trabalhar comigo... Alguma coisa de anormal tinha que ter acontecido... Liguei imediatamente para o R. para perceber melhor do que se tratava... O R. também estava desorientado com aquela situação pois ela só lhe tinha dito que o Gui tinha chorado um "bocadinho mais que o normal", mas que estava tudo explicado no caderno...

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Tentei ligar para ela, umas duas ou três vezes, mas sem qualquer sucesso... Eram 23h e uns quantos minutos quando no meu telemóvel entrou uma SMS a dizer "que tinha ido a uma aula de Yoga, para não me preocupar, que amanhã de manhã falávamos melhor"...

 

Como não me preocupar quando ela deixa uma mensagem a dizer que "devido a um acidente ela quer falar comigo pessoalmente e que chamou a responsável do RAM para intervir na casa dela, e devido a isso ela propôs uma reunião dali a 3 dias, com a responsável do RAM, comigo e com o R.?! 

 

Naquela noite não dormi, nem queria acreditar no que estava a acontecer... Ainda por cima, no dia seguinte ía trabalhar e tinha uma reunião com a Directora Dos Cuidados de Saúde do hospital onde trabalho porque tinha escrito uma carta ao hospital para pedir demissão, uma vez que a minha Chefe não me queria dar férias no Verão, alegando que não tinha direito (e eu com o Batizado do Gui todo programado)... Não tendo alternativa, e mesmo tendo acontecido esta situação muito estranha, o Gui teria mesmo que voltar  a ficar na ama...

 

No dia seguinte, tentei ir uns minutos mais cedo para esclarecer o que se tinha passado, queria compreender porque motivo ela tinha chamado alguém de fora para intervir e não me ter telefonado directamente a mim... Mal ela abriu a porta, o Gui começou a chorar agarrado-se a mim como que a dizer que não queria ficar ali... Perguntei-lhe que "acidente" tinha acontecido para ela chamar outra pessoa e demonstrei toda a minha preocupação... Mas mal ouviu a palavra "acidente", parece que a tinha ofendido, começou por dizer que era um "incidente, e não um acidente, que eu tinha percebido mal... que o Gui tinha chorado compulsivamente o dia todo, que era impossível ele ficar a dormir no berço porque berrava e transpirava imenso, que ele não suportava a filha dela (que tinha um mês menos), que tínhamos que ver melhor as rotinas dele em casa, e que ele era TIRÂNICO..."  Enquanto ela dizia, enervada, todas estas barbaridades, a filha de 4 anos vinha imensas vezes ter connosco, porque ela adorava o Gui, e ela gritava com ela para estar calada e ir comer... Estava petrificada com aquele cenário, nunca a tinha visto assim... Contei baixinho até três, respirei fundo, e procurei não demonstrar o meu "pânico", disse-lhe que efectivamente ela tinha escrito "acidente", e tentei saber o motivo dela não ter ligado para mim quando eu trabalhava perto, ainda por cima ela sabia que ele ainda não estava muito bem... Sempre num tom agressivo, disse-me que a culpa era minha porque vivíamos em função dele, que eu não tinha confiança nela e ele sentia isso e era por isso que ele ficava sempre a chorar quando o deixava... Repetiu três ou quatro vezes que ela era "bastante profissional", que era especializada em crianças com necessidades especiais... E enquanto dizia isso, o Gui continuava agarrado a mim... Dirigiu-se a ele, apontando-lhe o dedo, e com um tom ameaçador, disse-lhe que ele "sabia bem o que fazia, que não podia ser assim, que o mundo não girava à volta dele, e que ele era tirânico, que ía ter que mudar"... Tinha vontade de sair dali a correr com o Gui, sem olhar para trás, mas mesmo com o coração completamente despedaçado, e incrédula com toda aquela situação, deixei o Gui e fui trabalhar... Se fosse hoje, nunca o teria feito...

 

Entrei no carro e chorei compulsivamente, liguei ao R. a contar-lhe o que se tinha passado e avisei-o que o Gui não iria nunca mais ficar lá, mas que a Aurélie não podia saber disso... Naquele dia, nem sei como consegui trabalhar... Não consegui esconder a preocupação que tinha, chorei imensas vezes por ter receio que ele não pudesse estar bem, contei à minha chefe e até ela achava a situação bastante estranha... Fui à reunião, a Diretora pediu-me para não rescindir contrato e negociou as férias de Verão comigo... Tinha um problema a menos para tratar...

 

Durante a manhã, a responsável do RAM ligou para o meu telemóvel... Lembro-me das primeiras palavras dela: "bom dia, não fique preocupada com o que aconteceu ontem, o seu filho não tem qualquer problema de saúde, mas precisamos de perceber como são as rotinas do Gui em casa porque a Aurélie não está a conseguir lidar com ele... Queremos conhecer melhor como vocês o tratam..." Ouvi incrédula tudo o que ela disse e respondi-lhe que na quinta-feira estaríamos então na tal reunião que tinha sido programa por elas... Estava ansiosa por esse dia...

 

O meu objetivo agora era encontrar alguém de confiança para o Gui ficar na próxima sexta-feira e nos outros dias que eu tivesse a trabalhar... Estávamos no final de Junho, com as férias de Verão à porta ficava difícil encontrar alguém e eu também tinha muito medo de o deixar com outra pessoa, tinhamos que ter muita atenção antes de contratar novamente alguém... Falei com as minhas duas amigas e, com algumas trocas que fiz no horário, conseguimos que o Gui ficasse com elas nos dias que eu trabalhava... O mês de Julho estava resolvido, faltavam agora alguns dias em Agosto... 

 

Liguei para a minha mãe e disse-lhe que precisava dela 15 dias em Agosto porque o Gui tinha ficado sem ama, mas não lhe consegui contar a verdade, não a queria preocupar mais do que eu estava... Felizmente, conseguimos encontrar a melhor solução para o Gui, pelo menos até às férias de Verão...

 

No final do dia, o R. foi buscar o Gui e agiu normalmente de forma a Aurélie não perceber que o Gui não iria nunca mais...

 

No dia seguinte estava de folga, precisava de desabafar... Liguei às minhas amigas e marcamos um almoço juntas... O Gui que estava super à vontade com elas, assim que as viu agarrou-se a mim e começou a chorar... Olhámos umas para as outras e rapidamente percebemos que o Gui estava realmente bastante perturbado... Felizmente à medida que o almoço ía decorrendo, o Gui foi ganhando confiança, deixando-nos mais tranquilas para os próximos dias em que ele iria ficar com elas...

 

(continua amanhã)

NOVAS ROTINAS

É verdade, ao fim de um longo tempo ausente do hospital, vou recomeçar a trabalhar na próxima segunda-feira... Já ando a ficar preocupada com o facto de ter que gerir os dois Pipoquinhas logo de manhã bem cedinho, porque o R. sai de casa bem mais cedo do que eu... Enfim... Levantar às 5:45, vai custar um bocadinho a todos, mas nada que não se consiga...

 

Com o Gui na escolinha, o Martin terá que ficar numa ama por isso, já começou, na quinta-feira passada, a integração... Confesso que desta vez custa-me bem menos deixar o Martin porque conheço perfeitamente a pessoa a quem o vou deixar enquanto eu estiver a trabalhar.

Um dia destes conto-vos o "o bocado mau" que passamos com a primeira ama do Gui... Nunca fiz referência a esta situação que nos aconteceu porque custou um bocadinho a digerir... Mas agora, passados 3 anos, sinto que preciso de escrever sobre esse episódio... Mas isso ficará para o próximo  post...

 

Quem não anda muito contente com estas mudanças é o Martin que, coincidência ou não, começou a pedir muito colinho quando está connosco... E se nos primeiros dias não chorou quando o deixei, ontem desatou a chorar assim que o deixei no colinho da ama e hoje chegou a dormir... O meu coração fica um bocadinho apertadinho, mas sei perfeitamente que ele fica bem, e prova disso são as fotografias e os videos que vou recebendo da ama...

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Amanhã vai ser dia do Martin ficar em casa, mas quinta e sexta, será o teste final, vai ficar 8 horas... Depois é esperar por segunda-feira para entrar na verdadeira rotina...

O MARTIN FEZ 14 MESES

O Martin completou 14 meses no passado dia 17 de Setembro,  um mês que passou demasiado rápido e que foi passado grande parte do tempo em Portugal... Não fomos a nenhuma consulta mas sabemos que pesa agora 10.400gr e mede 82.5cm de altura.

 

O Martin está cada vez mais atrevido e com uma personalidade mais marcada, tem cada vez mais confiança nele e começa a querer mostrar a sua independência. Está cada vez mais teimoso, por isso quer tudo à maneira dele e sempre que o contaríamos faz grandes birras deitando-se no chão a chorar.

 

Continua a ter o mano como o seu exemplo, por isso procura fazer tudo como ele faz... Está cada vez mais curioso e adora explorar tudo, por isso está sempre à procura da melhor forma de poder alcançar tudo o que se encontra no seu campo visual. Compreende cada vez mais palavras/frases e perguntas simples, adora imitar-nos e está sempre a a desafiar-nos... Já se apercebeu que é capaz de "mandar em nós", por isso passa a vida a testar os nossos limites...

 

Começou a ter preferência por alguns brinquedos, principalmente os brinquedos do Gui, o que nem sempre é fácil de gerir porque o Martin, ao contrário do Gui, adora partir tudo... Gosta imenso de andar de triciclo, correr com o mano (é verdade, começou a correr), morder (não há meio dele deixar de fazer isto), marcar cestos, é fascinado pelos animais e pela Natureza! Adora dançar no colo, cantar, adora que brinquem com ele, e consegue brincar algum tempo sozinho.

 

Começou a perceber como se ajustam as coisas, tenta colocar umas "coisas dentro de outras", procura empilhar blocos (embora ainda tenha muita dificuldade) e, se o estimulámos consegue recolher, com ajuda, os brinquedos que estão espalhados. A sua actividade preferida continua a ser desarrumar, adora colocar tudo fora do sítio, por isso onde ele passa parece que acabou de passar um furacão...

 

Em relação à alimentação deu-se um grande marco: o Martin aos poucos começou a rejeitar a mama, pelo que deixei de amamentar (falarei disto num próximo post). Ainda tentei reverter a situação e dar-lhe de mamar ao acordar, mas ele começou a preferir o biberão... Acho que o facto de tomar o pequeno-almoço juntamente com o Gui deixou-o com mais vontade de comer em família... E embora as noites tornassem a ser um bocadinho mais agitadas quando regressamos das férias, não voltou a querer mamar durante a noite, apenas exigia a nossa presença ao lado dele... Já em relação aos alimentos sólidos, começou a comer feijão, uvas, abacate, camarão, e não estranhou... As ervilhas ainda são algo que lhe faz muita confusão...

 

Neste mês, o acontecimento mais importante foi, sem dúvida, o Batizado do Martin, um dia muito escpecial e rodeado de muito Amor do qual eu já falei aqui...

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E é desta forma que o nosso Pacotinho de Amor vai crescendo, cada vez mais atrevido, curioso e destemido... E o mais interessante desta descoberta é ver o interesse que o Martin tem, por tudo o que o mano faz... Daqui a bem pouco tempo tenho a certeza que vamos ter uma bela dupla...

NO DIA MUNDIAL DA URTICÁRIA...

O GUI TEVE URTICÁRIA

No Dia Mundial da Urticária decidi falar um bocadinho deste tema e partilhar a minha experiência pessoal...

 

A data foi implementada em 2014, pela "Asociación de Afectados de Urticaria Crónica - AAUC" (uma organização espanhola sem fins lucrativos) devido à importância desta doença e ao aumento do número de casos a nível mundial. A doença ainda é bastante desconhecida, por isso existem muitos doentes que demoram anos para o correto diagnóstico, tratamento e controle do quadro.


A urticária caracteriza-se por lesões avermelhadas, com o centro mais claro e bordos mais vermelhos, e que quando pressionada com o dedo tem tendência a clarear, que dão prurido (comichão) e incomodam bastante, e são popularmente conhecidas como “empolamento da pele”. As lesões podem ter forma e tamanho variáveis, formando muitas vezes placas que acabam por desaparecer espontamente sem deixar marcas. Em alguns casos pode haver edema (inchaço) de algumas regiões (lábios, pálpebras, orelhas), conhecido como angioedema, e ocorre quando as lesões comprometem a camada mais profunda da pele (derme). A doença  não é transmissível, por isso não existe possibilidade de contágio entre pessoas.

 

Para classificar os tipos de urticária utiliza-se a duração da doença e as causas subjacentes. Assim, considera-se uma urticária aguda quando dura menos de 6 semanas e urticária crónica quando excede as 6 semanas. 

 

A urticária aguda é muito frequente. Estudos apontam que cerca de 20-25% das pessoas vai apresentar um episódio de urticária aguda pelo menos uma vez na vida. Ocorre frequentemente em pessoas com doenças atópicas (como rinite, asma ou eczema atópico), em crianças e adultos jovens. A maior parte das situações de urticária aguda tem uma causa infeciosa, provocada por um vírus, sobretudo nas crianças. E na maioria dos casos não se chega a saber qual a causa (idiopática). Desaparece espontaneamente ao fim de umas semanas (máximo 6 semanas).

 

urticária crónica, é uma doença difícil de controlar, sobretudo quanto mais tempo tem de evolução, daí ser importante uma história clínica aprofundada e a orientação de uma referenciação atempada a um Médico Alergologista. Estima-se que apenas 1% da população possa desenvolver esta forma mais grave da doença. 

 

Relativamente às causas, consideram-se dois grandes subgrupos: urticária espontânea e urticárias induzíveis (ou urticárias físicas). Na urticária espontânea, como o próprio nome indica, as lesões aparecem espontaneamente, ou seja, não é causada por nenhum agente externo, mas sim pelo próprio organismo. Na urticária induzível existem fatores externos, como o frio, o calor, a exposição ao sol, o contato com a água, a pressão física sobre a pele e até mesmo a realização de exercícios físicos, que podem desencadear os sintomas.

 

Não existem opções terapêuticas curativas para esta doença, o tratamento é basicamente sintomático, de forma a  melhorar/eliminar os sintomas, mas que não resolvem o mecanismo que produz a urticária. 

 

Não existe qualquer tipo de tratamento natural com efeitos comprovados, e também não está indicado o uso de qualquer tipo de pomadas. No entanto o doente pode tomar algumas medidas que ajudam: evitar os elementos desencadeantes da doença (caso existam e sejam conhecidos), um duche com água morna e sabonete/gel de banho adequado a uma pele sensível, e a aplicação de um creme hidratante.

 

O Gui teve uma urticária aguda com 3 anos, estava eu grávida de quase 40 semana do Martin... Lembro-me de ficar super alarmada por não saber do que se tratava, se era contagioso e se iria passar... Tive muito receio por ele e pelo Martin que ainda estava na "minha barriga"... Começou por aparecer nos braços, depois nas pernas, nas coxas e nas nádegas, sendo que era nas pernas e coxas que estava mais exacerbado... Marquei uma consulta para saber do que se tratava e deram-me o diagnóstico de urticária... Fiquei um bocadinho mais descansada, mas confesso que tinha um certo receio que o diagnóstico pudesse não estar certo, tanto que na altura nem fui capaz de falar deste assunto aqui no blog... 

O tratamento baseou-se apenas na hidratação cutânea, felizmente ele não tinha muito prurido caso contrário teria sido pior... Ainda assim, foram precisas umas 3-4 semanas para o Gui ficar completamente sem aquelas borbulhas/placas, que felizmente nunca mais apareceram.

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E por aí, quem já passou por esta situação?

OBRIGADO SAPINHO ❤️

Hoje estou aqui para agradecer, nada melhor que terminar o mês de Setembro com um destaque dado hoje a um dos meus posts... Não escrevo para ser o "destaque do dia", mas confesso que gosto imenso quando recebo uma notificação dessas. Acho que a última vez foi há muito tempo mesmo... Talvez há uns dois anos atrás quando escrevi um post dedicado à "Minha Melhor Vizinha"... Por isso aqui estou hoje orgulhosa por este miminho que veio dar um desfecho especial a este mês de Setembro!

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Para quem não leu o meu post que mereceu um destaque especial, pode sempre clicar aqui.

"ZARAGATOA NA PRIMEIRA PESSOA"

Face à pandemia de COVID-19, a França passou a testar em grande escala a população, gratuitamente, de forma a combater a doença, não sendo preciso qualquer prescrição médica para o fazer.

 

Para fazer o diagnóstico, é feito um teste PCR, num laboratório certificado. Estes testes, são realizados por profissionais de saúde que recolhem, com uma zaragatoa (um cotonete grande), uma amostra de produto (exsudado) através do nariz até à nasofaringe. No final, essa amostra é analisada no laboratório certificado para o efeito e os resultados são enviados por email .

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Quando cheguei de férias de Verão, tinha na caixa de correio uma carta do hospital, onde trabalho, a recomendar fortemente a realização do teste, antes de re-começar a trabalhar depois da minha licença, uma vez que o Ministério da Saúde preconizava que o fizesse.

Agendei um dia na internet para o fazer e hoje lá fui... Deixei o Gui na escola e dirigi-me ao laboratório com o Martin... Felizmente nem do carro tive que sair, os testes são feitos directamente no carro...

Preenchi uma folha com os meus dados pessoais e o motivo do teste e uns minutos depois lá estava eu a levar com a zaragatoa... Uma não, duas, uma zaragatoa em cada narina!!! Se na primeira fechei os olhos e respirei fundo para me tentar abstrair da situação, na segunda já não consegui fazê-lo... A senhora até foi simpática e tudo, mas confesso que foi uma sensação desagradável porque senti uma espécie de dor aguda... Nada que se compare a um parto, claro, mas que não deixa de ser bastante desagradável... Bom mesmo era que inventassem outro tipo de teste tão ou mais eficaz... Agora, resta-me esperar uma semana para obter os resultados!

 

E por aí, quem já fez o teste?! O que acharam?!

OS BIFES ANDAM NO MAR?

Ultimamente o Gui tem colocado uma série de questões em relação ao que comemos em casa, tem imensa curiosidade em saber o que vai ser o almoço ou o jantar e coloca bastantes questões sobre "a carne ou o peixe"... 

Um dia destes, perguntou-me se comíamos mesmo o pato quando comíamos arroz de pato... Outra vez pergunto-me que "carne é o frango"... Se comemos mesmo o coelho... E a última, foi quando lhe disse que o jantar era bife com arroz seco e ele, todo intrigado, perguntou-me se "os bifes andavam no mar como os peixes"...

Confesso que estas perguntas deixam-me um bocadinho desorientada, e nem me lembro se alguma vez eu questionei os meus pais sobre este assunto... Acabei por lhe explicar um bocadinho da cadeia alimentar e acho que ele compreendeu, mesmo ficando bastante intrigado com o facto de comermos certos animais que ele tanto idolatra...

Não aprofundei muito o assunto mas tenho noção que, mais tarde ou mais cedo, vou ter que o fazer porque ele tornará a fazer novas perguntas e bem mais estruturadas... 

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E por aí, também já vos colocaram este tipo de questões? Como fizeram para lhes explicar?!

 

EFEITOS DA PANDEMIA

Coisas de Mãe

O Martin tinha exactamente 8 meses quando o confinamento começou aqui em França... Foram 2 meses sem sair praticamente, apenas saíamos para as consultas de Pediatra... E mesmo depois do desconfinamento, e uma vez que existia (e existe) um risco elevado da transmissão do vírus, nunca mais fomos às compras com o Gui e o Martin... Se os levamos meia dúzia de vezes ao supermercado/shopping foi muito... 

Tinhamos uma luz que acendia no painel do carro e combinámos com o mecânico deixar o carro e ir buscá-lo no dia seguinte... Como o R. corria o risco de chegar tarde a casa, saí primeiro... Deixei o carro e liguei ao R. para saber se ía demorar, pois tinha o Gui e o Martin sem paciência para estarem à espera... Ainda demorava um bocadinho, por isso hesitei se entrava numa loja ou não...  Incrivelmente, a loja que eu queria entrar estava praticamente vazia, por isso disse ao R. que estaríamos lá à espera dele...

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Mal entramos na porta, o Martin começou a gritar eufórico com tanta coisa que via... E gritou do princípio ao fim, em todos os corredores, queria apanhar tudo e estava super entusiasmado por estar num espaço assim...  Gritava tanto que o R. nem precisou de ligar para o meu telemóvel para saber exactamente o corredor que estávamos!

É impressionante como esta Pandemia afectou as nossas vidas, tanto que uma simples saída a um supermercado/loja deixa o Martin completamente doido! Os olhinhos do Gui também brilhavam de felicidade, por ter a oportunidade de ter ido a um lugar que já não ía há bastante tempo...

FRANÇA APROVA UM AUMENTO NA LICENÇA DE PATERNIDADE

NOTÍCIAS BOAS

Ontem o Presidente da República, Emmanuel Macron, anunciou que a partir de Julho, a licença de paternidade (em francês, "congé paternité") vai passar a ser de 28 dias, o dobro do tempo atual, os míseros 14 dias. Finalmente os pais vão poder estar mais presentes em casa para cuidar dos filhos recém-nascidos, durante quase um mês, e assim aumentar o vínculo entre entre eles!

Eu ainda acho que são poucos dias, mas não deixa de ser uma notícia boa para quem está a pensar ter filhos no próximo ano...

E em Portugal, qual é exactamente o tempo da licença de paternidade?! Tenho ideia que é muito mais tempo...

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QUANDO AS TURMAS SÃO NUMEROSAS...

Emigrantes em Paris

... E tens um filho de 4 anos super tímido (fora de casa), corres o risco que ele não tenha a devida atenção que precisa...

Foi exactamente isso que aconteceu ontem ao Gui... No dia anterior, a Educadora tinha pedido aos pais para colocarem uma garrafa de água na mochila porque este ano, por causa da Pandemia, não podiam dar água nos habituais copos que existem na escola... 

Agora percebo aquela sede toda quando o ía buscar no final do dia, tinha mais sede do que fome, e bebia a água super rápido...

Ontem, coloquei-lhe então uma garrafa  de  água, pensando eu que a tinha bebido toda... Mas pelos vistos passou novamente sede porque não conseguiu abrir a garrafa, nem teve coragem de pedir a uma pessoa para lhe abrir! Fiquei com o coração apertado quando ele me disse que não bebeu água porque não conseguiu abrir a garrafa... Perguntei-lhe porque motivo ele não tinha pedido a alguém para o ajudar, ou se alguém não estava à beira dele para o ajudar, ao que ele simplesmente me respondeu que teve vergonha de o fazer!

Tentei explicar-lhe que ele ainda é pequenino e que vai precisar muitas vezes da ajuda de outros adultos porque a mamã e o papá nem sempre vão estar perto... Acho que ele percebeu a mensagem, mas duvido que numa próxima vez ele vá pedir ajuda... 

 

São nestes pequenos pormenores que vemos a sensibilidade que existe aqui em relação às crianças. Na minha opinião esta informação devia ser dada aos pais antes de começar a escola, e na escola devia haver mais atenção se as crianças bebem água suficiente, principalmente quando as temperaturas estão altas, como se fez sentir nos últimos dias...

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