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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

CONTADO NINGUÉM ACREDITA

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Andava há algum tempo a programar a remoção de um sinal que tinha nas costas... Um sinal que por ser tão grande ressaltava aos olhos de toda a gente, sobretudo nesta época de calor.

 

Em Portugal, cheguei a consultar um dermatologista, mas optei por não o retirar, tinha receio que ficasse com uma grande cicatriz, e como não era obrigatório retirá-lo optei por mantê-lo mais algum tempo comigo...

 

Este ano lá me decidi e achei que a cicatriz ía ser um problema menor, seria mais uma marca na minha pele, no meio de outras tantas, por isso pedi à minha médica de família que me encaminhasse para um dermatologista para que pudesse fazer esta pequena cirurgia...

 

Depois de dois meses à espera, hoje lá tive consulta e, para meu espanto, tirei o sinal na mesma hora! Para o procedimento estava a médica especialista e uma enfermeira... Correu tudo super bem, não senti rigorosamente nada e fui bem atendida... O que eu não estava à espera é que a minha "colega de profissão" me desse indicação para eu própria fazer os pensos, com o material que estava mencionado na receita médica que a médica me iria dar no final.

 

E não pensem que ela sabia que eu também era enfermeira, parece que é mesmo assim, diz-se às pessoas para fazer os pensos em casa, esqueceu-se é que a sutura está nas costas, por isso acho que fica um bocadinho impossível fazê-lo.... Ou será só impressão minha?!

 

Fiquei um bocadinho parva com todo aquele ensino, mas achei que não valia a pena dizer nada, pois não era eu que iria mudar o sistema. Deram-me então a receita médica com todo o material necessário a comprar, mas confesso que ainda não o comprei, agora tenho duas opções: ou faço uma formação ao meu marido sobre tratamento de feridas cirúrgicas ou "cravo" uma amiga minha para o fazer!

SOCORRO, PRECISAMOS DE UM APARTAMENTO!

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Andamos há cerca de 3 meses há procura de um apartamento maior, pois este tem apenas um quarto, mas digo-vos que esta missão parece mais impossível do que provável! 

 

Agora com o Gui decidimos que não podemos mais morar num apartamento sem elevador, pois é super complicado sair de casa com as tralhas todas às costas... Estão a imaginar quando saímos de casa e, chegamos ao carro e apercebemo-nos que deixamos alguma coisa em casa?! Eu pessoalmente fico logo "azul" só de saber que tenho que fazer o percurso inverso com Gui ao colo... Enfim, está fora de questão mudarmos-nos para um apartamento sem elevador!

 

O apartamento terá que ter, pelo menos, um lugar de garagem no "sub-solo" pois reconhecemos que é super complicado deixar o carro estacionado ao ar livre: no inverno molhamo-nos todos e no verão quando entramos no carro parece um autêntico forno (nem o ar condicionado nos salva)! 

 

Além disso, terá que ter uma área mínima de 60m2... Pode parecer pequeno, mas acreditem que existem apartamentos com 2 quartos que chegam a ter 30m2, sem falar de Paris centro, que então aí devemos encontrar apartamentos de 2 quartos com 20m2!

 

Outro critério importante é ter uma varanda relativamente grande, para que possamos almoçar ou jantar, quando o tempo está agradável, sem falar que assim podemos também fazer os nossos grelhados, no grelhados eléctrico.

 

E, claro, não menos importante, tem que estar relativamente bem localizado em relação ao nossos locais de trabalho.

 

Os nossos critérios até podem ser podem parecer simples, mas acreditem que não é nada fácil encontrar e quando encontramos, muitas vezes não nos respondem aos nossos e-mails ou às nossas chamadas! A procura é tanta que tanto os particulares como as imobiliárias dão-se ao luxo de não responder aos pedidos!

 

Nós, por exemplo, quando finalmente pensávamos que tínhamos encontrado o apartamento que preenchia todos os nossos requisitos, vimo-nos de "mãos atadas"... Na realidade, encontramos um apartamento numa agência, através do site Leboncoin, enviamos tudo o que era preciso para constituir o dossier de candidatura, ligamos meia dúzia de vezes para obter uma resposta (um "sim ou um não"), mas simplesmente respondem que estão a analisar o dossier... E já lá vão uns 15 dias à espera de uma simples resposta! Enquanto isso, vamos sonhando para que aquele apartamento possa ser alugado por nós, pois isto de andar à procura é um sítio para se morar, não é nada fácil para estas bandas!

ESTA É A MINHA CARA...

Quando me perguntam se retiro o aparelho dentário para lavar os dentes!

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(É verdade, duas colegas de trabalho já me fizeram esta pergunta no hospital... É caso para dizer: contado ninguém acredita!)

OS MAUS PROFISSIONAIS ESTÃO EM TODO O LADO

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Ainda não vos tinha contado mais uma peripécia (se é que lhe podemos chamar assim) que me aconteceu da última vez que o Gui teve consulta com a Pediatra... 

 

Nesse dia chegamos à consulta 15 minutos mais cedo da hora marcada, porque tive a sorte de conseguir um lugar de estacionamento no mesmo instante que cheguei à Clínica. A consulta estava prevista para as 15h, mas só entramos para o consultório cerca de 25 minutos depois... A Pediatra parecia apressada, pediu-me logo as vacinas (aqui nós é que compramos as vacinas na farmácia com a devida prescrição médica), comecei a despir o Gui enquanto ela começava a preparar as vacinas para serem administradas... Dei a entender que era melhor pesar e medir o Gui antes, pois talvez depois fosse mais complicado.... Ela concordou de imediato e lá pesamos e medimos o Gui... Apenas auscultou o Gui e no minuto a seguir passamos às vacinas... Felizmente tudo correu maravilhosamente bem, e o Gui nem chorou (benditos pensos de lidocaina que são aplicados sempre uma hora antes)... Mal acaba de dar as vacinas, pergunta-me como vou pagar (se em dinheiro ou cartão), e eu lá lhe respondo, enquanto começo a vestir o Gui numa "verdadeira luta"... O Gui estava super excitado com o papel da marquesa e só queria rasgar o papel, e diga-se de passagem que fartou-se de rasgar papel e conseguiu deixar as marcas da sua passagem no consultório... Havia papel em todo o lado! (Eh... Eh... Eh...)

 

Ainda só lhe tinha vestido o bodie quando a médica me pediu se podia acabar de vestir o Gui na sala de espera porque estava atrasada nas consultas... Nem queria acreditar no que ela acabava de me dizer, e juro que pensei que tinha percebido mal... Dirigi-se a mim e, em vez de me ajudar a vestir o Gui, começa a pegar na roupa do Gui e a colocá-la dentro do saco dele... Foi aí que percebi que tinha percebido muito bem, mas perante tamanha lata fiz que não percebi e acabei por vestir o Gui no consultório...

 

Com tanto stress, quando me dirigi a ela para pagar, com cartão multibanco, esqueci-me do código do meu cartão e falhei nas duas tentativas! A pressa dela era tanta que por ela podia pagar na próxima consulta, nas eu preferi sair e assim que acabasse a próxima consulta eu entraria para pagar, pois de certeza que me iria lembrar. Saí, e passados uns 10 minutos, a consulta tinha acabo, paguei e ao sair reparei que não havia mais nenhum bebé/criança na sala de espera.

 

Confesso que vim-me embora incrédula com tanta insensibilidade, e com tanta falta de profissionalismo, e só não lhe disse nada porque várias foram às vezes que cheguei uns minutos atrasada e ela não barafustou... Felizmente, como se trata de uma Clínica, há mais que um Pediatra, e eu nunca fiz questão de dizer que queria uma consulta com "esta ou aquele" porque, felizmente, o Gui foi sempre super saudável e as consultas que fomos tendo foram sempre de rotina. 

 

A partir de agora farei questão de escolher o Pediatra quando marcar nova consulta pois acho inadmissível o que ela me propôs, ainda por mais quando a sala de espera das consultas de Pediatria é na entrada principal da Clínica junto com consultas de adultos de diferentes especialidades!

 

Tudo isto para dizer que os Maus Profissionais estão em todo o lado!

MINI-FÉRIAS

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Já vos tinha falado que íamos comemorar as nossas bodas de madeira num fim-de-semana prolongado... Pois é, é já amanhã... Juntamos o útil ao agradável,  aproveitamos o facto de ser feriado amanhã, e termos direito a fim-de-semana prolongado (de 4 dias), e partimos em direcção à La Rochelle, Île de Ré e Nantes... O bom disto tudo é que o tempo promete estar a nosso favor!

 

Por isso andarei um bocadinho mais ausente por aqui (dêem um saltinho pelo Instagram)... Mas não se preocupem, depois digo-vos como foi...

TEMPERATURAS ANORMAIS...

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Depois de semanas de frio e com a chuva sempre "à porta", parece que a Primavera decidiu transformar-se em Verão e compensar-nos desta forma: uma semana completa cheiinha de calor!

 

Diga-se de passagem que estas temperaturas não são nada habituais para esta altura do ano, e eu até confesso que prefiro, no máximo, uns 25 graus para trabalhar... Mas uma vez que quinta-feira é feriado, e temos fim-de-semana prolongado com direito a mini-férias e tudo, estas temperaturas chegam mesmo no momento certo!

 

Só não estou a gostar nada do panorama que depois se avizinha... Novamente chuva a partir do dia 31?! Espero que essa chuva não venha para ficar pois o Principezinho cá de casa faz o seu primeiro aninho brevemente e a festa está prevista ser ao ar livre... Haver vamos...

É COM CERTEZA UMA CASA PORTUGUESA

Este fim-de-semana fartei-me de rir quando uma colega de trabalho me perguntou se eu morava num apartamento ou numa casa... Respondi-lhe que morava num apartamento e perguntei-lhe o motivo da questão... Quando ela me responde: "era para saber se eras mesmo portuguesa, porque aqui em França é fácil descobrir quando é que a casa é de um português, basta olhares para o jardim... Se encontrares estas couves altas (rapidamente fez uma pesquisa no Google e encontrou a imagem que partilho aqui com vocês) a casa é de certeza de um português!" 

 

E não é que hoje fomos visitar uma amiga que está grávida, e tem um jardim em casa, e as famosas couves portuguesas estavam lá plantadas, lembrei-me logo da peripécia  deste fim-de-semana... É caso para dizer, se vires couves num jardim, já sabes, é com certeza uma casa portuguesa! (Eh... Eh... Eh...)

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UM EXEMPLO A SEGUIR

IMG_7188.JPGQuando trabalhava em Portugal, levava sempre o almoço ou o jantar de casa, pois ir à cantina do hospital acaba por ser dispendioso no final do mês... Confesso que não me lembro exactamente quanto pagava por cada refeição, até porque foram poucas as que fiz, mas ficava sempre entre os 4 - 5€... 

 

Aqui em França, como antes do Gui nascer trabalhava apenas no turno da noite, não tinha noção dos preços que se praticavam, pois as refeições eram feitas todas em casa. Agora que recomecei a trabalhar, e mudei para o horário diurno rapidamente cheguei à conclusão que não compensa nada levar a marmita de casa...

 

A cantina do hospital, onde trabalho, pratica preços surpreendentes, e por menos de 1.5€ podemos almoçar um prato de carne ou peixe, com a quantidade de acompanhamentos que quisermos! Uma verdadeira pechincha, não acham? E se quisermos, por pouco mais de 1€, podemos levar uma entrada e uma sobremesa. 

 

Pelos visto, estes preços são praticados em várias cantinas de hospitais, uma forma de facilitar a vida a quem trabalha! É pena que em Portugal não se faça a mesma coisa...

 

Aqui fica um exemplo que todas as empresas deviam seguir...

CARRINHOS DE COMPRAS ESPECIAIS

Desta última vez que fomos a Stuttgart, ao entrarmos num simples supermercado, deparamo-nos  com algo que não nos deixou indiferente: uma zona especifica haviam uns carrinhos de compras com cadeiras de bebés! Mas que bela ideia esta, só é pena não existir cá em França porque era super prático para eu ir às compras com o Gui... Já tentei, algumas vezes, colocá-lo sentado no carrinho de compras mas como ele ainda é pequeno desiquilibra-se com facilidade, sem falar que aquele "assento" não é minimamente seguro, pelo que se torna demasiado perigoso.

 

Aqui fica a ideia...

 

Pode ser que algum "iluminado", responsável por alguma superfície comercial, encontre este meu post e decida colocar em prática esta ideia vinda da Alemanha.

 

Aqui em França duvido que esta ideia alguma vez seja posta em prática uma vez que aqui faltam coisas tão básicas como espaços adequados para trocar as fraldas aos bebés, espaços para aquecer a comida aos bebés, casas de banho nos supermercados, espaços destinados à amamentação, etc... etc... Enfim... Num país onde a taxa de natalidade é elevada até parece mentira o que estou aqui a escrever... Mas acreditem que é a pura realidade! Portugal está "anos luz" muito mais avançado no que diz respeito a esses espaços para mães e bebés... Achao que em Portugal só faltam mesmo estes carrinhos de compras para tudo ficar perfeito!

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OS MODOS DE "GUARDAR" OS BEBÉS EM FRANÇA

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Em França, existem três formas de guardar os bebés: as creches, as "Assistantes Maternelles" ou as "Nounous".

 

As creches são normalmente públicas e subsidiadas pelas Câmaras Municipais, acolhem bebés a partir dos 2 meses até aos 3 anos e têm a desvantagem de existirem poucas vagas. As "Assistantes Maternelles" são amas com formação específica que podem acolher um máximo de 4 crianças na sua própria casa (tudo depende da licença que estas possuem), e que são supervisionadas regularmente por uma entidade. Por último, existem as "Nounous" que são uma espécie de ama sem qualquer formação e que tomam conta das crianças no próprio domicílio dos pais.

 

Depois, a partir dos 3 anos de idade, existem os jardins de infância (em francês, "école maternelle) que é um sistema gratuito.

 

As creches e as "Assistantes Maternelles" são os dois sistema mais utilizados pelas famílias para deixar os bebés, por serem muito supervisionados pelo Estado e por serem os mais comparticipados (a comparticipação varia de acordo com o salário do agregado familiar e a idade da criança). Porém, como o número de vagas nas creches é muito reduzido, e existindo uma taxa de natalidade elevada aqui, os pais vêem-se obrigados a recorrer mais às "Assistantes Maternelles"... E foi exactamente isto que aconteceu connosco!

 

Queríamos colocar o Gui numa creche, assim que eu recomeçasse a trabalhar, porque a ideia de deixarmos o nosso bem mais precioso na casa de alguém que não se conhece fazia-nos um bocadinho confusão... Mas o sistema francês tramou-nos, e depressa fomos confrontados com um sistema muito mais direccionado para que os bebés/crianças fiquem aos cuidados das "Assistantes Maternelles".

 

Só para terem uma ideia, além das vagas nas creches serem muito limitadas, só nós podemos inscrever naquela que pertence à cidade onde temos residência. Ora, no local onde moramos existe apenas uma pequena creche, fizemos a inscrição na Câmara Municipal (em francês, "Marie") quando estava grávida de 6 meses, em Abril de 2016 (pois aqui a inscrição deve ser feita nessa altura) e foi-nos dito que a vaga ficaria prevista apenas para Setembro de 2017. 

 

Faltava agora saber como iríamos encontrar a tal "Assistante Maternelle"... 

 

Felizmente, os franceses estão bem organizados nesta área, e em cada cidade, existe uma lista de "Assistantes Maternelles". É a própria Câmara Municipal que fornece essa lista e encaminha os futuros pais para o RAM (em francês, "relais assistantes maternelles"), um espaço físico destinado ao encontro de todas as amas, bebés (até aos 3 anos) e pais.

 

O RAM funciona como um espaço de informação, de acompanhamento na procura de uma "Assistante Maternelle" e, ao mesmo tempo, de escuta, onde os pais também podem ir com os bebés para que estes possam interagir com outros bebés (existe uma espécie de atelier, que promove este tipo de encontros algumas vezes por semana). Além disso, este é um local também de encontro para as "Assistantes Maternelles" que serve para melhorar a qualidade do acolhimento feito por estas, e procura combater o isolamento no domicílio promovendo encontros semanais entre todas as "Assistantes Maternelles" e os bebés. Para os bebés o RAM proporciona uma excelente oportunidade para estas conviverem com outras crianças e usufruir de uma série de actividades em grupo. 

  

Em Dezembro, dirigi-me então ao RAM e foi-me dito que não haviam Assistantes Maternelles" disponíveis, por isso teria que procurar nas cidades vizinhas... Ainda cheguei a ir a uma dessas cidades, mas acabei por não contactar ninguém... Decidimos que o melhor seria fazê-lo depois das férias de Natal... E ainda bem que assim foi, pois quando regressamos fui surpreendida com uma boa notícia: havia uma pessoa que estava disponível para acolher o Gui a partir de Março...

 

Fizemos uma visita os três na casa da "Assistante Maternelle" e ficamos com uma boa impressão, tão boa que decidimos contratá-la.

 

Não sei como funciona em Portugal, mas aqui, a partir do momento que contratamos uma "Assistante Maternelle" passamos a ser "empregadores", por isso é obrigatório fazermos um contrato indeterminado com essa pessoa, temos que lhe pagar o ordenado ao fim do mês e declarar esse pagamento, todos os meses, ao centro de emprego, através da internet (Pajeemploi), de forma a recebermos uma ajuda monetária do Estado Francês. Uma série de burocracia como os franceses gostam...

 

Antes de começarmos a verdadeira fase de "guarda" do nosso bebé, existe um período de adaptação a que a criança tem direito, para que a integração ocorra da melhor forma possível. Este períodos pode ser de um mês, no caso do contrato ser a tempo completo, ou de uma semana, no caso de ser parcial. No caso do Gui, o período de adaptação é de uma semana, pois ficará uma média de dois dias por semana com ela, exactamente os mesmos dias em que estarei a trabalhar.

 

Não é que me agrade trabalhar 12 horas por dia e em fins de semana alternados, mas confesso que acaba por ser muito vantajoso para o Gui. Pois faz com que tenha menos turnos por semana, e nos fins-de-semana em que trabalho terá sempre o pai disponível, o que faz com que o nosso Principezinho acabe por ficar pouco tempo longe de nós!

DE REGRESSO

E de repente as férias em Portugal terminaram e nós regressamos os três a Paris... Ontem foi dia de despedidas e abraços... Sabemos que o tempo voa depressa de mais, mas também sabemos que cada despedida custa um bocadinho mais que a anterior...

 

Seria bem mais fácil se isto se tornasse mais uma simples rotina das nossas vidas... Mas o simples facto de não sabermos quanto tempo iremos ficar deste lado é o suficiente para que esta nostalgia esteja cada vez mais presente na hora da despedida!

 

E que bom que foram estes dias passados em Portugal... Procuramos aproveitar ao máximo, e ainda tivemos a sorte do tempo ter ajudado. Felizmente hoje fomos brindados aqui por um excelente dia de sol, por isso vamos passear um bocadinho e aproveitar o resto das férias que ainda me restam com o Gui... É verdade, é já no dia 3 de Abril que a nossa vida torna a dar uma grande volta... Eu regresso ao trabalho e o Gui, pela primeira vez, passará a ir para a ama. Mas não vou escrever sobre isto hoje, deixarei este tema para um outro dia...

 

Hoje o post foi para assinalar o nosso regresso aqui, amanhã prometo trazer novidades...

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DE FÉRIAS ❤️

Pois é, quem segue o blog pelo Instagram deve ter reparado que estamos de férias no nosso Portugal. Saímos hoje de Paris, no final da manhã, e chegamos a Portugal cheios de fome, bem na hora do almoço, prontos para almoçar... A segunda viagem que eu e o Gui fizemos sozinhos, porque o papá só pode vir no próximo sábado. 

 

Desta vez, a viagem foi um bocadinho mais fácil, com o Gui um bocadinho mais crescido, optamos por comprar um carrinho mais prático para viajar, o qual recomendo pela qualidade/preço: o carrinho Liteway da Chicco.

 

Confesso que a viagem foi bastante cansativa porque o Gui não consegue estar quieto um segundo, lá tive que puxar pela minha imaginação e criatividade e pelos meus dotes musicais... Eh... Eh... Eh... 

 

Por este motivo, já sabem, andarei um bocadinho mais ausente por aqui, mas prometo trazer novidades!

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COM A CASA ÀS COSTAS...

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Se há coisa que a malta aqui faz com muita frequência é mudar de casa, por isso os vizinhos são sempre diferentes... (o prédio onde eu moro foge um bocado a esta regra, mas acreditem que existem poucos edifícios assim) Por isso é muito frequente vermos as pessoas em mudanças, mas não são umas mudanças vulgares, são mudanças surreais que nos deixam de queixo caído... E sim, estamos a falar mesmo de Paris! 

 

Digamos que o carro serve para transportar quase tudo... Desde o colchão de uma cama de casal, em plena via rápida e de noite... Até o sofá da sala, em pleno domingo à hora do almoço...

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Por aqui vale mesmo tudo, mas tudo mesmo, até aquelas coisas mais doidas que vocês acham que seria impensáveis ou impossíveis! 

 

Estas duas fotografias são apenas dois pequeníssimos exemplos vivenciados por aqui, mas haveria pano para fazer um verdadeiro enxoval!

UMA QUESTÃO DE SEXO...

Comprei o meu primeiro carro quando fui trabalhar para o Porto, na altura tinha 23 anos, e desde essa altura comecei a ficar mais familiarizada com coisas de mecânica... Tinha o exemplo da minha mãe, que sempre resolveu tudo sozinha nessa área (dominada mais pelos homens), por isso para mim fazia todo o sentido eu também me saber desenrascar...

 

Sempre tratei do meu carro sozinha, desde revisões, seguros, alinhamento de direcção, troca de pneus, limpezas e inspecções, nunca senti nenhum obstáculo nem nenhuma diferença no tratamento... Até ontem...

 

Marquei pela primeira vez uma inspecção do nosso carro português aqui em França, porque vamos legalizar o carro para francês (farei mais tarde um post sobre os passos a dar para fazer a legalização de um carro português)... À hora marcada compareci no centro de inspecções, no local apenas estava um funcionário com cerca de 30 anos... Expliquei porque estava ali (uma vez que o pedido tinha sido feito online) e disse que o veículo era português... Pediu-me a documentação necessária e informou-me que seriam precisos 30 minutos para a inspecção ser feita... 

 

Trinta minutos depois, entra no escritório, eu pergunto se há algum problema e ele responde que está tudo ok e já podia ir, só faltava colar a vinheta no vidro... Devolve-me a documentação do carro que lhe tinha dado e um papel com o resultado da inspecção, dirigi-se ao carro para colar a vinheta e eu limito-me a segui-lo enquanto guardo rapidamente todos os papéis...

 

Vinha toda contente por saber que o carro não tinha nenhum problema... Afinal o meu marido tinha visto defeitos no carro que não existiam... O meu marido liga a perguntar se estava tudo certo, e eu confirmo que sim.... Ao chega a casa, é curioso com o resultado, decidi ver o papel da inspecção... Afinal não estava tudo assim tão "ok", havia uma pequena lista de problemas, que embora não comprometesse a passagem na inspecção, precisavam de ser avaliados por um mecânico. Fiquei incrédula a olhar para o papel e sem perceber o motivo do rapaz do centro de inspecções não me ter explicado que o carro afinal apresenta uma série de pequenas anomalias.

 

Confesso que tinha notado um certo "ar" de machismo na sua expressão quando me viu na oficina, mas fiquei com algumas dúvidas... A partir do momento que eu lhe pergunto se o carro tem algum problema e este não me alerta sobre nada do que escreve, só posso concluir que ainda existe por aqui muita mente machista!

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TALÃO SEM PREÇO, POR FAVOR...

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A primeira vez que comprei uma prenda aqui em França e pedi um talão sem preço pensei que o funcionário da loja não estava a perceber o que eu queria por me estar a exprimir mal... Mas não, o problema não era mesmo meu!

 

Dá para acreditar nisto?! Em França existem imensas lojas que não emitem um talão do artigo comprado sem preço. Ora, nestes casos somos quase obrigados a dar o talão de compras à pessoa que está a receber o presente.

 

Fico furiosa cada vez que isto me acontece, e ontem foi mais um desses dias... Quando é assim, opto sempre por não colocar o talão na prenda, mas explico à pessoa o motivo de não existir o talão de troca... E no caso da pessoa querer trocar, aí sim sou obrigada a dar-lhe o talão com o preço!

 

Eu juro que evito comprar nas lojas que não emitem talões sem preços, mas às vezes torna-se uma missão quase impossível.

 

Mas será que só sou eu que me questiono a cerca disto?! Porque razão será que estas lojas funcionam assim?! Não será um direito do consumidor ter acesso a um talão sem preço?! 

 

Quando penso que em Portugal qualquer loja emite um talão sem preço, até mesmo as lojas dos chineses, custa-me a acreditar que este tipo de coisas aconteça por aqui! Se alguem me conseguir explicar este tipo de coisas, por favor, que me explique...