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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

CONTADO NINGUÉM ACREDITA

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Andava há algum tempo a programar a remoção de um sinal que tinha nas costas... Um sinal que por ser tão grande ressaltava aos olhos de toda a gente, sobretudo nesta época de calor.

 

Em Portugal, cheguei a consultar um dermatologista, mas optei por não o retirar, tinha receio que ficasse com uma grande cicatriz, e como não era obrigatório retirá-lo optei por mantê-lo mais algum tempo comigo...

 

Este ano lá me decidi e achei que a cicatriz ía ser um problema menor, seria mais uma marca na minha pele, no meio de outras tantas, por isso pedi à minha médica de família que me encaminhasse para um dermatologista para que pudesse fazer esta pequena cirurgia...

 

Depois de dois meses à espera, hoje lá tive consulta e, para meu espanto, tirei o sinal na mesma hora! Para o procedimento estava a médica especialista e uma enfermeira... Correu tudo super bem, não senti rigorosamente nada e fui bem atendida... O que eu não estava à espera é que a minha "colega de profissão" me desse indicação para eu própria fazer os pensos, com o material que estava mencionado na receita médica que a médica me iria dar no final.

 

E não pensem que ela sabia que eu também era enfermeira, parece que é mesmo assim, diz-se às pessoas para fazer os pensos em casa, esqueceu-se é que a sutura está nas costas, por isso acho que fica um bocadinho impossível fazê-lo.... Ou será só impressão minha?!

 

Fiquei um bocadinho parva com todo aquele ensino, mas achei que não valia a pena dizer nada, pois não era eu que iria mudar o sistema. Deram-me então a receita médica com todo o material necessário a comprar, mas confesso que ainda não o comprei, agora tenho duas opções: ou faço uma formação ao meu marido sobre tratamento de feridas cirúrgicas ou "cravo" uma amiga minha para o fazer!

DISPLASIA DE DESENVOLVIMENTO DA ANCA (DDA)

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Quem tem bebés já se apercebeu que durante as consultas de pediatria os médicos pegam nas coxas, abrindo-as e rodando-as, um exame clínico que é repetido ao longos das consultas, durante o primeiro ano de vida (desde o nascimento até o bebé começar a andar). Este exame tem o nome de manobra de Ortolani-Barlow. Com esta manobra, o médico, pretende girar o osso (a cabeça do fémur) para ver se ele sai e reentra no lugar. Uma manobra efetuada com algum cuidado dado à fragilidade e vulnerabilidade da articulação da anca do bebé. Além desta avaliação, o médico examina se os membros inferiores apresentam alguma diferença entre si em termos de aparência (por exemplo, assimetria nas pregas inguinais) e tamanho (encurtamento de um membro em relação ao outro).

 

Esta avaliação, que é obrigatória, vem referenciada no Boletim de Saúde do bebé, e tem como objectivo descartar a hipótese da existência de uma doença chamada: displasia de desenvolvimento da anca (DDA).

 

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A articulação da anca é uma articulação esferoidal, tipo "bola e encaixe". A “bola” é a cabeça do fémur, o "encaixe” é a superfície côncava do osso da bacia (o acetábulo). Na DDA a porção do “encaixe” não se forma normalmente, o que faz com que a "bola” possa deslizar para fora da articulação facilmente. Quando esta desliza de forma  parcial, tem o nome de subluxação; se desliza completamente para fora da articulação, dá-se o nome de luxação completa da anca. Se nada for feito a isto, com o crescimento, o fémur irá criar uma nova articulação com o osso ilíaco, prejudicando gravemente a estabilidade e a marcha.

 

A DDA começa por uma fase latente e assintomática, e é nesta fase que a doença deve ser detetada para que o sucesso do tratamento resulte por inteiro. Quando os sintomas se manifestam, a nível da estabilidade da articulação (por exemplo: encurtamento de um membro inferior; alterações da marcha) será provavelmente demasiado tarde para um tratamento simples, tendo a criança que fazer várias cirurgias, internamentos prolongados, ficando por vezes com algumas sequelas definitivas.

 

O tratamento depende da idade da criança na altura do diagnóstico:

- recém-nascidos com idade inferior a duas semanas nem sempre iniciam tratamento de imediato. A maioria das ancas instáveis em recém-nascidos estabilizam pouco tempo após o nascimento, à medida que a cabeça do fémur e acetábulo se desenvolvem, evoluindo para a cura espontânea

- até aos 6 meses de idade, geralmente, recorre-se ao uso de um dispositivo chamado "koszla", durante 2 a 3 meses, de forma a manter a articulação da anca no lugar, para que os ossos possam crescer normalmente;

- em crianças com mais de 6 meses, o procedimento é normalmente cirúrgico, com o objectivo de colocar os ossos da articulação da anca na posição correta. De seguida, a criança precisa de utilizar uma espécie de "molde em gesso", durante 3 a 4 meses, para manter a articulação na posição adequada.

 

A doença é mais frequente em crianças que apresentam alguns fatores de risco:

- fatores genéticos (como uma história familiar de DDA, sexo feminino)

- e fatores gestacionais (pouco líquido amniótico, primeiro filho, peso ao nascer superior a 4000 g, atraso de crescimento intrauterino, bebé com apresentação pélvica, cesariana, gravidez gemelar).

 

 

A DDA pode ser confirmada com a realização de uma radiografia da anca. Aqui em França, está radiografia é obrigatória quando o bebé completa o seu quarto mês de vida. Uma forma que os profissionais de saúde encontraram para se assegurarem que tudo está realmente bem. O Gui foi hoje fazer hoje esta radiografia, não havia nenhuma alteração física aparente, e o exame comprovou isso (e se querem saber, portou-se lindamente!).

 

Em Portugal penso que a radiografia só é feita no caso de suspeita da doença, de qualquer forma o mais importante é que o bebé seja avaliado mensalmente pelo médico pediatra.

 

Sei que o tema pode parecer um bocadinho maçudo, mas achei que era importante partilhar!