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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

Ó TEMPO VOLTA PARA TRÁS...

Faz hoje exactamente 10 anos que eu e o meu marido (na altura namorado) fizemos a escritura do apartamento que viria a mudar totalmente as nossas vidas... Compramos o apartamento perto do Hospital de São João, por ser perto do meu local de trabalho e por estar bem localizado em relação às faculdades, por isso se um dia tivessemos oportunidade de regressar para perto da nossa família seria mais fácil vendê-lo ou alugá-lo. O apartamento que se dizia novo a estrear viria a tornar-se um fiasco...

 

Lembro-me como se fosse hoje o dia em que o fomos visitar pela primeira vez...  Estávamos em Agosto de 2007, tínhamos entrado de férias, hoje olhamos para trás e reconhecemos que fomos demasiado ingénuos quando nos mostraram o apartamento com os estores meios fechados alegando que os estores eram eléctricos e não havia luz... Faltavam alguns acabamentos, mas mesmo assim comprometemo-nos que ficaríamos com ele e fizemos uma promessa de compra e venda... E aqui começava o nosso maior erro...

 

O apartamento nunca mais nos foi mostrado, pois a construtora dizia que ainda andavam nos acabamentos finais... Fizemos a escritura sem ver o trabalho final, no dia seguinte fomos à EDP para colocarem electricidade, e tudo o que precisávamos para morar... Enquanto isso, o meu marido foi colocando o que era necessário para colocarmos lâmpadas em todas as divisões...

 

No dia em que nos colocaram a luz sofremos a nossa maior decepção: descobrimos que haviam imensas coisas danificadas, havendo indícios de que alguém tinha já lá morado... Cartas na caixa do correio, uma tigela em plástico bem no fundo de um dos armários da cozinha, entre outras tantas coisas... Ligamos de imediato para a construtora, marcamos uma reunião no local, e nesse dia ficamos a conhecer os verdadeiros "ladrões"... Relativizaram tudo, nunca reconheceram que nos enganaram, dizendo que não era nada de importante mas que iriam solucionar... Foram dois meses à espera da entrega do imóvel...

 

Cerca de dois meses depois começava a aparecer uma mancha de água no tecto da sala... Contactamos novamente a construtora... A "reparação" foi  feita uns meses depois alegando o mau tempo... Nunca vimos nenhuma intervenção na fachada exterior do prédio, apenas pintaram novamente a nossa sala... O pior estava ainda para vir...

 

Cerca de dois anos depois, num Inverno bastante chuvoso, as paredes da sala e dos quartos começavam a demonstrar infiltrações da água das chuvas.... Contactámos inúmeras vezes a empresa e de todas as pessoas, que se apresentaram no local, nenhuma mostrou qualquer indignação com o sucedido. Procurei falar com vários vizinhos para saber a gravidade da situação, mas ninguém parecia alarmado, nem mesmo a empresa do Condomínio, apesar das infiltrações serem evidentes em várias partes comuns do edifício... Sabia que ía ser uma luta difícil, e a solo, sentia que a empresa não iria ser capaz de solucionar o problema....  No dia em que decidiram "reparar" o apartamento, da parte exterior, sabíamos que aquilo não seria a nossa solução... Reclamamos com a construtora mas não nos deu razão, a chuva continuava, as infiltrações aumentavam e não obtínhamos qualquer resposta...

 

Numa das inúmeras chamadas telefónicas, para um dos funcionários da construtora, este diz-nos que o melhor seria ameaçar a empresa com um Processo em Tribunal... Aquela frase nunca mais saiu da nossa cabeça... Meses depois lá estávamos nós a recorrer a uma advogada... Entre relatórios de engenheiros (para comprovar que tínhamos razão), recolha de testemunhas, processos e a audiências no tribunal, passaram-se uns 5 ou 6 anos... 

 

Recorremos ao tribunal para anularmos a compra e venda do apartamento, pois tínhamos sido burlados desde o início e o problema do apartamento era algo estrutural, impossível de se solucionar... Graças a todas as provas reunidas (inúmeras cartas registadas que escrevi e enviei, testemunhas, perícia dos engenheiros e também ao empenho da nossa Advogada), em Março de 2016 o Tribunal deu-nos razão total e a construtora viu-se então "obrigada" a devolver-nos o dinheiro e ficar com o apartamento... O grande problema é que esta sentença não tem data para ser cumprida, por isso continuamos a lutar para que este pesadelo chegue ao fim... Fomos obrigados a contratar um agente de execução para penhorar bens à construtora, continuamos a pagar o empréstimo de um bem que não é mais nosso, e enquanto isso pagamos os serviços à Advogada... Congelamos a nossa vida durante muito tempo, à espera do "fim", mas com o tempo vimos que não podíamos continuar com a nossa "vida parada"... E com esta "história" toda, todos os dias pensamos: quem nos dera que aquela maldito dia 30 de Novembro de 2007 não tivesse "acontecido nas nossas vidas"...

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ORA, VAMOS MEDIR A CRIANÇA...

Um dia destes eu e as minhas amigas marcamos um almocinho à última hora, e decidimos ir comer ao "Japonês"... Confesso que antes não conseguia comer nada da comida que lá servem, mas como diz o ditado: " primeiro estranha-se, depois entranha-se"... O restaurante tinha buffet livre (como dizem os franceses, "à volonté") e um preço fixo por pessoa.... O cúmulo foi ver discriminado o preço das crianças: menos de 10 anos e com menos de 1.30m de altura!!! Nem queria acreditar no que estava a ver: primeiro nem fazia referência a um mínimo de idade para uma criança não pagar, depois a associação da idade e da altura é algo que não faz qualquer sentido... Nunca tinha visto tal coisa!

 

E vocês, conhecem restaurantes asssim?!

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O FIM DO "MARCHÉ DE NOEL" NOS CHAMPS-ÉLYSÉES

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A Câmara Municipal de Paris decidiu não renovar o contrato do Mercado Natal (em francês, Marché de Noel) na célebre avenida de Paris. Ao fim de alguns meses de luta, ontem, o tribunal administrativo de Paris rejeitou o recurso, cancelando-se esta forma o Mercado natal nos Campos Elísios, na cidade de Paris! O juiz lembrou que "a convenção de ocupação do domínio público referente ao mercado Natal, assinado em 12 de Outubro de 2015, expirou em 12 de outubro de 2017", não havendo nenhuma obrigatoriedade para a renovação do contrato.

 

Acho que esta decisão apanhou muita gente de surpresa, nunca pensei que tal coisa fosse acontecer... E pensar que o ano passado foi a última vez... Falta saber o que a Câmara Municipal de Paris pretende com esta atitude... Será que tem algum trunfo na manga?! 

CRIANÇAS NOS HOSPITAIS?!

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Por incrível que possa parecer ainda existem muitas pessoas que têm o hábito de levar as crianças (e até mesmo bebés!) para os hospitais quando vão visitar alguém. Esquecem-se que as crianças não se comportam no hospital da mesma maneira que um adulto, colocam as mãos numa série de coisas que não estão propriamente "limpas" (embora possam parecer), mãos estas que muitas vezes vão levar à boca, vão sentar-se e gatinhar no chão, correr, saltar, e aborrecerem-se num espaço que em nada é interessante, expondo-se a uma série de riscos porque a família se esquece que são crianças e, por serem crianças, até a imunidade nada tem a ver com a imunidade de um adulto! 

 

Mas porque razão muitas pessoas teimam em não querer ver isto?! 

 

Ontem, estava no hospital e fiquei alarmada com a falta de consciência... O cúmulo é que se tratava de alguém que trabalha no hospital que decidiu levar a filha de 9 meses ao hospital para que as colegas de trabalho a conhecessem... A senhora não estava propriamente num serviço de internamento, estava na zona da administração do hospital, mas não deixava de ser uma zona mais limpa porque os profissionais de saúde fartam-se de passar lá (tal como eu passei nesse dia)...  Andava aquele bebezinho a gatinhar pelos corredores, e a mãe toda orgulhosa a mostrar as habilidades da filha... Fiquei incrédula a olhar para aquele cenário... Uma das colegas ainda lhe disse delicadamente que talvez ali não fosse a zona mais indicada para a filha gatinhar... O cúmulo veio a seguir, quando a mãe do bebé responde que não tem problema pois a seguir vai desinfectar as mãos da criança! Sim, desinfectar as mãos com aquela solução que utilizamos nos hospitais!!! Mas onde raio está a consciência desta mãe, que até trabalha num hospital e, supostamente, sabe dos riscos desta atitude?!

 

Sejamos mais conscientes e mais exemplos para a sociedade, e já agora aqui fica a mensagem: não levem bebés/crianças para os hospitais, a não ser quando estão doentes! 

MAIS PARECE ANEDOTA...

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Aconteceu antes de ir de férias... Num dia em que eu estava a trabalhar...

De repente, diz uma colega no trabalho:

-  "Este ano vou de férias a Portugal, pela primeira vez!" 

- " A sério?! Que bom! Vais ver que vais adorar... O país, as pessoas, a gastronomia, o clima... Mas, para onde vais exactamente?" _ respondi eu toda entusiasmada

- Vou conhecer a Capital, o Porto. A Capital de Portugal, certo?! 

Fiquei incrédula com aquela afirmação, e ainda mais parva fiquei quando ela me disse que ía de férias com o filho, de 27 anos... Será que o filho dela também achava que ía visitar a "Capital"?!

Lá lhe expliquei que a Capital era Lisboa, e que o Porto era a segunda maior cidade do país, mas que não se preocupasse, porque independentemente da zona, iria adorar visitar o nosso País! 

CONTADO NINGUÉM ACREDITA

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Andava há algum tempo a programar a remoção de um sinal que tinha nas costas... Um sinal que por ser tão grande ressaltava aos olhos de toda a gente, sobretudo nesta época de calor.

 

Em Portugal, cheguei a consultar um dermatologista, mas optei por não o retirar, tinha receio que ficasse com uma grande cicatriz, e como não era obrigatório retirá-lo optei por mantê-lo mais algum tempo comigo...

 

Este ano lá me decidi e achei que a cicatriz ía ser um problema menor, seria mais uma marca na minha pele, no meio de outras tantas, por isso pedi à minha médica de família que me encaminhasse para um dermatologista para que pudesse fazer esta pequena cirurgia...

 

Depois de dois meses à espera, hoje lá tive consulta e, para meu espanto, tirei o sinal na mesma hora! Para o procedimento estava a médica especialista e uma enfermeira... Correu tudo super bem, não senti rigorosamente nada e fui bem atendida... O que eu não estava à espera é que a minha "colega de profissão" me desse indicação para eu própria fazer os pensos, com o material que estava mencionado na receita médica que a médica me iria dar no final.

 

E não pensem que ela sabia que eu também era enfermeira, parece que é mesmo assim, diz-se às pessoas para fazer os pensos em casa, esqueceu-se é que a sutura está nas costas, por isso acho que fica um bocadinho impossível fazê-lo.... Ou será só impressão minha?!

 

Fiquei um bocadinho parva com todo aquele ensino, mas achei que não valia a pena dizer nada, pois não era eu que iria mudar o sistema. Deram-me então a receita médica com todo o material necessário a comprar, mas confesso que ainda não o comprei, agora tenho duas opções: ou faço uma formação ao meu marido sobre tratamento de feridas cirúrgicas ou "cravo" uma amiga minha para o fazer!

ESTA É A MINHA CARA...

Quando me perguntam se retiro o aparelho dentário para lavar os dentes!

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(É verdade, duas colegas de trabalho já me fizeram esta pergunta no hospital... É caso para dizer: contado ninguém acredita!)