Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

COISAS DE MÃE

Sempre que não trabalho o Gui fica em casa... Ontem, foi mais um desses dias... O caricato é que acabou por não ser um dia propriamente normal... Estávamos os dois a brincar, quando de repente o Gui dirige-se para uma baliza/cesto, que ele recebeu no aniversário, pega na bola e começa a encestar, várias vezes seguidas! Fiquei incrédula a olhar para ele, pois nunca ele tinha pegado na bola e encestado.

 

Corri para o telemóvel e registei aquele delicioso momento... 

IMG_7578.JPG

É certo que tanto eu como meu marido já lhe tínhamos mostrado diversas vezes para que servia aquele jogo, mas ficávamos sempre com a impressão que ele nos ignorava por completo.

 

É impressionante como um ser tão pequenino é capaz de aprender tudo tão rápido... De repente, aquele bébézinho pequenino e frágil, que passava o tempo no nosso colinho, parece ter crescido rápido de mais! 

A EMOÇÃO DOS PRIMEIROS PASSOS

O Gui deu os seus primeiros dois passos sozinho no dia em que completou o seu primeiro Aniversário, foi um momento tão inesperado e emotivo que ficará para sempre guardado na nossa memória.

 

A partir desse dia foi sempre a somar passinhos, cada vez mais destemidos e aventureiros... E se o Gui a gatinhar já não parava um segundo quieto, agora que começou a andar os riscos e as aventuras multiplicam-se... Está sempre a desafiar-nos e está sempre pronto para fazer uma asneira... E posso garantir que esta fase tem tanto de divertida como de cansativa, pois não podemos perder o Gui de vista... O mais engraçado é que quando ralhamos com ele para impedir que faça alguma uma asneira, ou quando vamos a correr atrás dele para impedir que faça algo, ele acha que estamos sempre a brincar com ele e lança um grande sorriso que acaba, quase sempre, por nos "desarmar por completo", outra vezes, começa a fugir para que corramos atrás dele... Para quem está de fora acha imensa graça a toda esta situação, mas para nós pais acaba por não ser fácil ensinar-lhe o que está certo e errado...

 

Confesso que ver o Gui começar a dar os seus primeiros passos, sem apoio, foi um misto de alegria e de medo: alegria por vê-lo crescer e atingir com sucesso mais um marco importante, e medo por recear que, num desses passos, pudesse cair e magoar-se. Sei que este sentimento de "medo" não irá desaparecer, pelo menos para já,  pois coração de mãe é mesmo assim, por mais que tentemos abstrair-nos das coisas ruins, há sempre o receio que algo de "menos bons" possa acontecer. O importante é que este "medo" seja saudável e não impeça o desenvolvimento do nosso filho, é fundamental que a criança sinta confiança que tudo vai dar certo para que na "hora H" ela seja capaz de dar os primeiros passos e possa sentir que do outro lado está alguém de braços abertos que vai segurá-la e vai ajudá-la a conquistar a sua própria liberdade.

 

Esta é, sem dúvida alguma, uma das fases de desenvolvimento que marca para sempre a vida de quem é mãe e pai... Ver o nosso Principezinho andar sozinho, com um grande sorriso e com os braços abertos, correndo na nossa direcção é das coisas mais emocionantes que existe na vida! 💙

IMG_7467.JPG

GASTROENTERITE INFANTIL

IMG_7460.JPG

Depois de passada a primeira gastroenterite do Gui achei que seria bastante útil fazer um post completo acerca deste tema.

 

1. Mas afinal, o que é uma gastroenterite?

A gastroenterite caracteriza-se por uma inflamação da mucosa do estômago (gastro) e do intestino (enterite). A causa é na maioria das vezes viral, sendo o rotavírus o principal causador da mesma. É uma doença habitualmente benigna que tem uma duração média de cerca de 4 a 5 dias e que é bastante frequente nos primeiros anos de vida.

 

2. Quais são os sintomas da doença?

De uma forma geral, o bebé/criança ao ser infetado apresenta um ou vários sintomas como: diarreia, vómitos, febre, náuseas, cólicas e/ou dor abdominal, perda de apetite ou recusa alimentar.

 

3. Qual o melhor tratamento?

O mais importante no tratamento da gastroenterite é evitar a desidratação, daí que seja fundamental uma boa hidratação oral adequada.

No caso do bebé/criança apresentar vómitos frequentes deve-se fazer uma pausa de alimentos sólidos durante 3 a 4 horas e oferecer soluções de hidratação oral (que se compram na farmácia) em pequenas quantidades (sempre que apresentar um episódio de diarreia deve-se oferecer a solução de hidratação oral para repôr a perda de líquidos e eletrólitos).

Se tolerar os líquidos pode-se reiniciar a alimentação em pequenas quantidades, e tendo em conta o gosto do bebé.
No caso do bebé ser alimentado com leite materno deve manter-se a amamentação habitual, se fôr alimentado com leite em pó deve retomar-se o seu leite habitual em pequenas quantidades de cada vez e mais vezes por dia.

Quando o bebé é maior e já se encontra num patamar elevado na diversificação alimentar, devem evitar-se a ingestão de leite, optando-se antes pela ingestão de iogurtes naturais. Devem ainda evitar-se o consumo de doces, gorduras, alimentos condimentados ou bebidas gaseificadas. O ideal é oferecer alimentos pobres em fibra (para diminuir a diarreia, evitar o feijão, as ervilhas, os legumes verdes, a laranja, o kiwi) e optar por alimentos obstipantes (pão, banana, cenoura, arroz, batata, bolacha de água e sal).

É natural que o bebé/criança tenha menos apetite, por isso nunca se deve forçar a alimentação. Ele acabar por recuperar gradualmente o apetite quando o quadro se resolver.

 

4. Quais são os sinais de desidratação?

Os sinais de desidratação habituais são as mucosas secas e pálidas (lábios e língua), a pele seca, os olhos encovados, a urina mais concentrada (tipo amarelo torrado), uma diminuição do número/volume das micções, irritabilidade ou prostração, choro sem lágrimas e perda de peso.

Se o bebé/criança apresentar algum destes sinais é aconselhável ir ao médico rapidamente.

 

5. Como prevenir que a doença contamine outras pessoas?

Como a doença é de contágio fácil é muito importante tomar medidas para evitar a sua propagação, que passam sobretudo por medidas de higiene: 

- lavagem frequente das mãos com água e sabão depois do contacto com o bebé/criança (especial atenção antes e depois de ir ao WC ou mudar a fralda, depois de tocar em superfícies sujas, antes de comer ou manipular alimentos);

- manter os alimentos em boas condições de conservação;

- lavar bem os biberões/tetinas após as mamadas e posteriormente ferver os mesmos durante 5 minutos (pelo menos uma vez por dia);

- ferver as chupetas durante 5 minutos (pelo menos uma vez por dia).

- e lavar e cozinhar bem os alimentos.

EM CASO DE DESIDRATAÇÃO

IMG_7445.JPG 

Perante o quadro de gastroenterite do Gui, e como já tinha contado, a médica prescreveu-lhe então uma solução de re-hidratação oral (SRO) de forma a evitar que o Gui ficasse desidratado.

 

Para quem nunca ouviu falar, a solução de reidratação oral é nada mais que uma solução de electrólitos e açúcares, utilizadas nos casos de desidratação ligeira e moderada e que visam prevenir a desidratação e ajudar na realimentação. Este medicamento é essencial porque repõe os líquidos bem como todos os sais minerais perdidos nas fezes ou nos vómitos.

 

O problema das SRO é o sabor salgado que estas têm e que é difícil de disfarçar, por isso a maior parte das crianças acaba por recusar a bebida, e muitas vezes é preciso insistir de 10-10 min com uma seringa ou uma colher para que se atinjam as reais necessidades hídricas.

 

O Gui não fugiu à regra, e assim que lhe preparei a solução que a médica me prescreveu (da marca "Picot") fez a cara mais feia do mundo, torceu o nariz, e dos 200ml apenas conseguiu beber 50ml... 50ml em cerca de 5 horas!!! Tive que provar se era assim tão ruim, e de facto era quase como se estivesse a beber água do mar. Foi então que me lembrei que tinha uma solução de re-hidratação de outra marca (da marca "Adiaril"), que tinha comprado quando o Gui tinha saído da maternidade (indicação do Pediatra, no caso do Gui ter diarreias, mas que nunca cheguei a utilizar). Dissolvi o conteúdo na água e provei antes de lhe dar para ter certeza se era igual, e de facto tinha um sabor muito diferente, quase imperceptível até. Já dá para adivinhar que o resultado foi positivo e o Gui começou a beber a solução como se de água simples se tratasse! Por isso, aqui fica o conselho, no caso de desidratação, se o bebé/criança recusar a solução prescrita pelo médico vale sempre a pena experimentar uma outra marca, está visto que os sabores dependem diferem (e muito)!

COISAS DE MÃE

IMG_5197.JPG

... E mais não digo!

Só espero que sábado o Gui colabore um bocadinho mais

para podermos registar belos momentos...

Depois conto-vos como foi...

COISAS DE MÃE

IMG_7278.JPG

Ultimamente as refeições do Gui têm sido uma animação, se agora é assim nem quero imaginar quando ele começar a comer sozinho... Acho que nesse altura vamos ter que emplastificar a casa toda! (Eh... Eh... Eh...) 

SOCORRO, O GUI NÃO PÁRA...

Se antes tínhamos que vigiar o Gui com muita frequência, agora é impossível deixá-lo um segundo sozinho, imaginem só que ontem demos com ele a subir para o sofá sozinho... Hoje trepou a cadeira de baloiço dele e colocou-se em pé e começou a saltar, mais tarde conseguiu subir para cima de um puff, amanhã acho que o estou a ver a subir para cima de algum móvel da sala...

 

É impressionante a rapidez e a destreza que ele começa a ter com apenas 11 meses e meio... O meu coração bate a 1000 à hora a cada segundo que eu o vejo a fazer uma "acrobacia" destas... E o pior de tudo é que, ele conhece-me tão bem que passa o tempo todo a testar-me, olha para mim e faz aquele sorriso malandro como que a anunciar que vai fazer alguma asneira!

IMG_7263.JPG

COISAS DE MÃE

IMG_7260.JPG

Depois de passarmos quatro dias longe de casa e, pensando eu que iria ser difícil o Gui dormir bem, depois de tanta agitação, eis que ele me consegue surpreender: não só dormiu a noite completa no berço como não fez chichi a noite toda! Mas que noite tão tranquila, não me lembro de uma noite assim... Vamos lá ver se esta mudança veio mesmo para ficar... 

UM BELO CAPÍTULO QUE CHEGOU AO FIM...

Antes de ficar grávida, já tinha conhecimentos sobre a importância da amamentação, conhecimentos estes adquiridos durante o meu curso de enfermagem... Talvez por isso nunca tive dúvidas que um dia, assim que tivesse um filho, fosse amamentar... Não condeno, nem julgo quem opta pelo aleitamento artificial, mas quem me segue sabe bem o quanto defendo este tipo de alimentação natural.

 

Confesso que, mesmo tendo todos os conhecimentos necessários, tive muitas dúvidas, quer durante a gravidez, quer quando o Gui nasceu... Existe uma grande distância entre o que uma pessoa pensa que vai ser capaz de fazer ao acontecer...

 

Sabia que o início não ía ser assim tão expontâneo e evidente, e confesso até que pensava que ía ser um bocadinho mais fácil...

 

No primeiro mês, desistir passou-me pela cabeça umas centenas de vezes, tinha receio de não estar a alimentar suficientemente o Gui... Depois vinham as consultas semanais onde o Gui era pesado e depressa as dúvidas desapareciam e a confiança em mim era maior.

 

Os primeiros 3 meses foram, sem dúvida, os mais cansativos, o Gui demorava imenso tempo a mamar, mamava a cada duas horas (tanto de dia como de noite), tinha algumas dores e  andava super cansada. Mas o pior aconteceu quando o Gui tinha dois meses e meio... Fiz uma mastite na mama direita e quase que desisti de amamentar... Estávamos de férias em Portugal, de um dia para o outro a mama direita começou a ficar engurgitada, e depressa se formou um grande abcesso... Parecia que tinha uma bola de ténis, na mama... As dores eram imensas... Fiz de tudo para conseguir reverter esta situação... Desde massagens, com quente e frio, passando por colocar o Gui a mamar em "N" posições diferentes até a utilização da bomba de extracção de leite... Nada resultou, o abcesso parecia querer ficar... Não dormia em condições, tinha dores horríveis e estava exausta... Comecei então a fazer febre... Entre as idas aos Centros de Saúde, anti-inflamatórios e antibiótico, acabei por ir parar ao serviço de Urgências onde fui submetida a uma drenagem de abcesso... A partir daqui as dores começaram a desaparecer... Fiquei com um dreno, tive uma semana a fazer tratamento diário (e graças à boa vontade da vizinha dos meus pais, que também é enfermeira, tive a sorte de fazer os tratamentos em casa, todos os dias vinha-me "fazer o penso")... Foram 15 dias péssimos... Coloquei tudo em questão, pensei em desistir de amamentar, mas não o fiz, e mesmo com o abcesso, e com o dreno na mama, amamentei sempre!

 

Confesso que tive muito medo de voltar a passar por isto novamente, e disse a mim mesmo que se voltasse a acontecer teria que desistir. Felizmente não se repetiu, o processo de amamentação acabou por se tornar natural e simples, conseguimos estabelecer aquela "relação especial tão desejada"...

 

Uns dias antes do Gui completar 10 mesinhos, recomecei a trabalhar, mas com um horário de trabalho de 12 horas/dia e com o Gui a acordar a cada 3 horas para comer, andava demasiada cansada... Foi então que achamos que era a altura de começar a introduzir o leite artificial, porque não sabíamos quanto tempo seria preciso para o Gui se habituar... Falei com a Pediatra, compramos o leite que ela nos indicou e, aos 10 meses e meio o Gui bebeu então pela primeira vez leite artificial... Em dois dias o Gui rejeitou completamente a mama e nunca mais quis mamar! Nunca pensei que ele fizesse um desmame tão repentino e fácil. Foram 10 meses e meio que ficarão bem guardadinhos na minha memória...

 

Para trás ficam só as belas recordações e também aquelas situações mais caricatas (se é que lhe podemos chamar assim)... As vezes que tive que amamentar no carro porque não haviam locais apropriados para o fazermos confortavelmente, o Gui distraísse imenso, além disso não me sentia à vontade em fazê-lo no meio de uma multidão... Sem falar daqueles cantinhos de amamentação/fraldários que não lembram ao menino Jesus, que cheiravam a esgoto, ou pareciam saunas (no Verão) ou então arcas frigoríficas (no Inverno)... 

 

E se no início tinha muito pudor, o tempo e a naturalidade do acto acabaram por resolver este meu "problema"... Tive sempre cuidado de fazê-lo discretamente, até porque aqui em França sentia-me um bocadinho "estranha", era raríssimo ver alguém a fazê-lo.. Nunca usei nenhum avental ou lenço porque o Gui suava imenso e não suportava estar tapado... Tenho algumas fotografias a amamentar que registam com carinho esses belos momentos, e lamento não o ter registado muito mais...

 

Como foram mágicos estes 10 meses e meio... Como fomos felizes... Como foi bom para mim e, muito mais ainda, para o Gui... Sinto-me uma felizarda por o ter feito e voltaria a repetir tudo novamente, mesmo com todos os obstáculos que tivemos. Quem já amamentou sabe bem do que falo, e apesar de existirem sempre alguns momentos difíceis, na realidade quase ninguém acaba por os contar porque, quando falamos da amamentação, não nos lembramos das coisas difíceis, lembramo-nos apenas das coisas maravilhosas que ela nos dá!

IMG_7223.JPG

A IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO

IMG_7170.JPG

Hoje o Gui foi ao Pediatra à consulta dos 11 meses (ainda vai fazer sábado, mas a consulta foi marcada uns dias antes), e tal como estava previsto, tendo em conta o sistema de saúde francês, o dia foi marcado por mais duas vacinas...

 

Confesso que nestas alturas, e mesmo sendo enfermeira, o coração de mãe grita mais alto, por isso custa sempre um bocadinho ver o nosso bebezinho a "sofrer" naquele momento... Mas hoje não custou rigorosamente nada, e por incrível que pareça o Gui não chorou, nem gritou... Parecia uma verdadeiro "homenzinho"... Foi mesmo engraçado ver a sua boa disposição do princípio ao fim!

 

Sei que ainda existem muitos pais que não estão cientes da importância da vacinação, outros que são contra as vacinas e optam por não vacinar os filhos, e outros que desconhecem a existência de um plano nacional de vacinação... 

 

Como mãe, e enfermeira de profissão, achei que seria bastante útil fazer um post muito resumido sobre a importância da vacinação, um tema que faz bastante sentido sobretudo, tendo em conta a existência de alguns "grupos anti-vacinação” que têm surgido no mundo inteiro.

 

O que são vacinas?

Vacinas são preparações produzidas com bactérias ou vírus (ou partes deles) mortos ou enfraquecidos (microorganismos vivos atenuados) que ao serem introduzidos no corpo do ser humano, provocam uma reação (imunização) do sistema imunológico, promovendo a produção de anticorpos contra aquela substância. Desta forma, a vacina vai preparar o organismo do ser humano para que, em caso de infecção por aquele agente patogênico, o sistema de defesa possa agir com força e rapidamente, o que faz com que a doença não se desenvolve (ou, em alguns casos, se desenvolve de forma branda).

 

Porque são importantes?

As vacinas são de facto importantes pois protegem-nos contra várias patologias, que antes eram responsáveis por epidemias e grande mortalidade. Foi graças à invenção das vacinas e da aplicação de planos de vacinação que várias doenças foram controladas, e algumas até erradicadas, o que permitiu uma maior longevidade para a população mundial.

Quem não se vacina não coloca apenas a própria saúde em risco, mas também a dos seus familiares bem como todas as outras pessoas com quem tem contato, além de contribuir para aumentar a propagação de doenças.

Doenças como a difteria, a tuberculose ou mesmo o sarampo, podem matar. Antes da vacina, centenas de crianças ficavam paralíticas devido à poliomielite. Estar vacinado é a melhor forma de se proteger de uma variedade de doenças graves e das suas complicações, que podem levar à morte.

  

Serão realmente seguras?

As vacinas são o resultado de muitos anos de investimento em pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico, por isso a margem de segurança é bastante elevada, além de serem seguras são consideradas essenciais para a saúde pública.

É óbvio, que como qualquer medicamento, estas possuem alguns efeitos secundários, efeitos estes que costumam ser leves e não são nada quando comparados com as doenças evitadas por essas vacinas.

O uso de vacinas tem maior custo-benefício no controle de doenças que o de medicamentos para sua cura, é muito mais fácil e barato evitar a doença do que se submeter a ela e fazer qualquer tipo de tratamento.

 

Qual o perigo da "não vacinação"?

A resistência das pessoas à vacinação é um problema que merece a nossa preocupação: em alguns países, doenças que tinham sido erradicadas, voltaram a preocupar a Organização Mundial de Saúde (OMS). O mais alarmante é, que  a maior parte dessas doenças podiam ser prevenidas através de sistemas de vacinação já  implementados nesses países, mas que as pessoas se recusam a cumprir.

É essa resistência de algumas pessoas que faz com que algumas doenças não sejam, definitivamente, erradicadas. Por exemplo: se uma criança não vacinada viajar para um país onde a doença ainda não foi erradicada, ela pode contrair essa doença e trazer o vírus para o seu país.

A não vacinação não representa risco apenas para a criança, mas sim para todas as outras pessoas com quem ela tenha contato.

 

Quando vacinar? 

De uma forma geral, a vacinação deve iniciar-se em bebé, sendo a maior parte das vacinas dada durante os primeiros 2 anos de vida. 

Cada país tem o seu próprio calendário anual de vacinação, daí que não exista um programa de vacinação universal.

Para saber se o seu esquema de vacinação está ou não em dia, nada melhor que dirigir-se a um profissional de saúde.

A título indicativo, deixo aqui o esquema de vacinação francês e o português, deste ano, que de uma forma geral se assemelham bastante...

 

1. Plano de Vacinação Francês

IMG_7182.JPG

Nota: Em França, a vacina da "Difteria, tétano e tosse convulsa", a partir dos 10 anos, segue exactamente o mesmo esquema do programa nacional de vacinação português: 25 anos, 45 anos, 65 anos e, a partir daqui, de 10/10 anos.

As grávidas, assim como o progenitor (pai), devem ser vacinação contra a "Difteria, tétano e tosse convulsa".

 

2. Plano de Vacinação Português 

IMG_7181.JPG

CARRINHOS DE COMPRAS ESPECIAIS

Desta última vez que fomos a Stuttgart, ao entrarmos num simples supermercado, deparamo-nos  com algo que não nos deixou indiferente: uma zona especifica haviam uns carrinhos de compras com cadeiras de bebés! Mas que bela ideia esta, só é pena não existir cá em França porque era super prático para eu ir às compras com o Gui... Já tentei, algumas vezes, colocá-lo sentado no carrinho de compras mas como ele ainda é pequeno desiquilibra-se com facilidade, sem falar que aquele "assento" não é minimamente seguro, pelo que se torna demasiado perigoso.

 

Aqui fica a ideia...

 

Pode ser que algum "iluminado", responsável por alguma superfície comercial, encontre este meu post e decida colocar em prática esta ideia vinda da Alemanha.

 

Aqui em França duvido que esta ideia alguma vez seja posta em prática uma vez que aqui faltam coisas tão básicas como espaços adequados para trocar as fraldas aos bebés, espaços para aquecer a comida aos bebés, casas de banho nos supermercados, espaços destinados à amamentação, etc... etc... Enfim... Num país onde a taxa de natalidade é elevada até parece mentira o que estou aqui a escrever... Mas acreditem que é a pura realidade! Portugal está "anos luz" muito mais avançado no que diz respeito a esses espaços para mães e bebés... Achao que em Portugal só faltam mesmo estes carrinhos de compras para tudo ficar perfeito!

IMG_7155.JPG

SAÚDE ORAL NO BEBÉ

O aparecimento do primeiro dente é um dos acontecimentos que todos os pais aguardam ansiosamente, nessa altura, é como que o bebé deixa de ser "bebé"... Esse momento tão aguardado deve ser visto como um verdadeiro marco que dará início a outro tipo de cuidados que vão permanecer para a vida toda.

 

De uma forma geral, os primeiros dentes de um bebé aparecem por volta dos seis meses de idade, e apesar desses dentes não serem definitivos, estes são muito importantes, pelo que devem ser tratados com os mesmos cuidados dos dentes permanentes.

 

Quando começar a lavar os dentes no bebé? 

De forma a que o bebé se habitue desde cedo, o ideal é que mesmo antes de aparecerem os primeiros dentes, se crie o hábito de passar uma compressa embebida em água morna sobre a gengiva de manhã e à noite (há bebés em que os primeiros dentes só aparecem por volta de 1 ano de idade, por isso o melhor é não esperar que o primeiro dente apareça).

Assim que o primeiro dente surgir comece então a utilizar uma escova de dentes adaptada.

 

Como escolher a escova de dentes? 

Os dentes e as gengivas do bebé são muito sensíveis, por isso deve-se escolher uma escova macia especialmente desenvolvida para cuidar dos dentes dos bebés. Existem inúmeros modelos de escovas, o importante é que o modelo comprado se adapte ao bebé, caso contrário a tarefa ficará mais complicada.

 

Como incentivar um bebé a lavar os dentes?

A melhor forma de incentivar os bons hábitos de higiéne desde o início é os pais lavarem os dentes à frente do bebé: ao mostrar como se escovam os dentes, a partir de uma certa idade, o bebé vai querer imitar. É óbvio que o bebé não irá aprender de imediato como utilizar a escova correctamente (e a tarefa de fazê-lo autónomamente só irá acontecer por volta dos 6-7anos!), provavelmente só vai querer tricá-la e comer a pasta dentífrica, mas esta fase também é importante, deixe-o brincar um pouco com a escova, e no fim, ajude-o a escovar os dentes.

Se o bebé recusar-se a escovar os dentes, não insista, repita o processo no dia seguinte até que ele se mostre receptivo.

 

Qual a pasta de dentes que devemos escolher? E que quantidade devemos usar?

A pasta de dentes deve ser adaptada à faixa etária do bebé: as pastas dentífricas dos bebés são especiais e têm menos flúor do que as pastas para os adultos (o rótulo deve dizer que existe uma concentração de flúor entre 1100 e 1450 ppm, se tiver uma concentração inferior a 500 ppm, a pasta de dentes não vai proteger das cáries). 

Evite sabores intensos, prefira sabores de frutas (como o morango e a framboesa), e não se preocupe se o bebé engolir a pasta de dentes, em vez de a cuspir, pois é totalmente seguro! 

Lembre-se que estamos a falar de um bebé, por isso a quantidade de pasta a utilizar deve ser mínima, a equivalente a um grão de arroz cru (para os menores de 2 anos).

 

Com que frequência se devem lavar os dentes?

O ideal é que a higiene oral seja incorporada na rotina diária do bebé duas vezes por dia, de manhã e à noite (para os menores de 2 anos), sendo que uma delas deve ser feita depois da última refeição do bebé. 

 

 

Cá em casa foi assim...

O Gui sempre foi muito curioso, tão curioso que desde cedo ele ficava impressionado cada vez que eu ía escovar os dentes... Talvez essa curiosidade se deva ao facto de eu lavar os dentes muitas vezes, por causa do meu aparelho ortodôntico... O facto dele ter presenciado inúmeras vezes este gesto fez com que fosse super fácil a adesão dele a escovar os dentes. Desde o primeiro dia, o Gui delira com o momento em que vamos lavar os dentes, um momento tão simples que não nos deixa indiferente de tão giro que é! 

 

Agora com 10 meses e meio o Gui já tem quase 6 dentinhos, por isso torna-se cada vez mais importante este gesto... Um gesto que irá marcar toda a diferença na sua saúde oral!

IMG_7150.JPG

A PRIMEIRA OTITE DO GUI

IMG_7147.JPG 

Hoje fomos ao médico e descobrimos que o Gui tem afinal uma infecção a nível dos ouvidos externos, ou seja, tem duas otites, uma em cada ouvido! Afinal, havia um grande motivo para o choro compulsivo...

 

A otite é uma das doenças mais frequentes nos bebés, tão frequente que toda a gente  sabe do que se trata... Mas o que muita gente desconhece é o motivo desta frequência... A causa deve-se ao facto dos bebés terem a Trompa de Eustáquio (ligação entre os ouvidos e a garganta) mais curta e como estes estão muito tempo deitados a passagem de vírus e bactérias, da garganta e do nariz, para o ouvido, fica facilitada. Por este motivo, é que muitas das infecções de ouvidos surgem associadas às constipações e são mais frequentes durante o Inverno.

IMG_7149.JPG

Se numa criança maior fica fácil identifica a doença, num bebé torna-se mais complicado, pois eles não sabem exprimir a dor. De uma forma geral, o bebé fica bastante irritado, grita em vez de chorar, leva frequentemente a mão ao ouvido ou esfrega a cara com as mãozinhas, tem dificuldades em adormecer e, muitas vezes, tem prurido seguido de dor.

 

A dor é talvez o sintoma mais comum, se em alguns casos, é muito leve, na maior parte das vezes a dor é tão aguda que provoca um choro contínuo no bebé. Quando isto acontece, muitas vezes, o bebé recusa o biberão porque ao engolir, o ouvido mexe-se e dói, outras vezes o bebé tem dificuldades para dormir e chora porque o ouvido dói mais quando o bebé está deitado, uma vez que a pressão no interior do ouvido aumenta na posição horizontal.

 

Uma doença tão típica mas que exige acompanhamento médico especializado, pois só o médico é capaz de avaliar o problema e recomendar o tratamento mais adequado.

 

O Gui já começou o tratamento dele, e pela primeira vez começou a tomar antibióticos... A experiência não foi nada positiva, pois ele não achou graça nenhuma ao paladar do medicamento... Falta saber se amanhã ele fica mais receptivo e se habitua ao sabor, caso contrário não sei como vou fazer para o conseguir enganar... 

COISAS DE MÃE

Esta é a segunda vez que o Gui fica doentinho... 

Talvez seja uma virose, talvez sejam os dentinhos que estão a nascer

(o Gui já tem quase 6 dentinhos),

talvez seja "isto", ou talvez seja "aquilo"...

Mas esta incerteza, 

E este compasso de espera, 

Deixa o nosso coração de mãe tão apertadinho...

Seria tão mais fácil se pudéssemos ficar doentes

no lugar dos nossos filhos...

IMG_7144.JPG

OS MODOS DE "GUARDAR" OS BEBÉS EM FRANÇA

IMG_7043.PNG

Em França, existem três formas de guardar os bebés: as creches, as "Assistantes Maternelles" ou as "Nounous".

 

As creches são normalmente públicas e subsidiadas pelas Câmaras Municipais, acolhem bebés a partir dos 2 meses até aos 3 anos e têm a desvantagem de existirem poucas vagas. As "Assistantes Maternelles" são amas com formação específica que podem acolher um máximo de 4 crianças na sua própria casa (tudo depende da licença que estas possuem), e que são supervisionadas regularmente por uma entidade. Por último, existem as "Nounous" que são uma espécie de ama sem qualquer formação e que tomam conta das crianças no próprio domicílio dos pais.

 

Depois, a partir dos 3 anos de idade, existem os jardins de infância (em francês, "école maternelle) que é um sistema gratuito.

 

As creches e as "Assistantes Maternelles" são os dois sistema mais utilizados pelas famílias para deixar os bebés, por serem muito supervisionados pelo Estado e por serem os mais comparticipados (a comparticipação varia de acordo com o salário do agregado familiar e a idade da criança). Porém, como o número de vagas nas creches é muito reduzido, e existindo uma taxa de natalidade elevada aqui, os pais vêem-se obrigados a recorrer mais às "Assistantes Maternelles"... E foi exactamente isto que aconteceu connosco!

 

Queríamos colocar o Gui numa creche, assim que eu recomeçasse a trabalhar, porque a ideia de deixarmos o nosso bem mais precioso na casa de alguém que não se conhece fazia-nos um bocadinho confusão... Mas o sistema francês tramou-nos, e depressa fomos confrontados com um sistema muito mais direccionado para que os bebés/crianças fiquem aos cuidados das "Assistantes Maternelles".

 

Só para terem uma ideia, além das vagas nas creches serem muito limitadas, só nós podemos inscrever naquela que pertence à cidade onde temos residência. Ora, no local onde moramos existe apenas uma pequena creche, fizemos a inscrição na Câmara Municipal (em francês, "Marie") quando estava grávida de 6 meses, em Abril de 2016 (pois aqui a inscrição deve ser feita nessa altura) e foi-nos dito que a vaga ficaria prevista apenas para Setembro de 2017. 

 

Faltava agora saber como iríamos encontrar a tal "Assistante Maternelle"... 

 

Felizmente, os franceses estão bem organizados nesta área, e em cada cidade, existe uma lista de "Assistantes Maternelles". É a própria Câmara Municipal que fornece essa lista e encaminha os futuros pais para o RAM (em francês, "relais assistantes maternelles"), um espaço físico destinado ao encontro de todas as amas, bebés (até aos 3 anos) e pais.

 

O RAM funciona como um espaço de informação, de acompanhamento na procura de uma "Assistante Maternelle" e, ao mesmo tempo, de escuta, onde os pais também podem ir com os bebés para que estes possam interagir com outros bebés (existe uma espécie de atelier, que promove este tipo de encontros algumas vezes por semana). Além disso, este é um local também de encontro para as "Assistantes Maternelles" que serve para melhorar a qualidade do acolhimento feito por estas, e procura combater o isolamento no domicílio promovendo encontros semanais entre todas as "Assistantes Maternelles" e os bebés. Para os bebés o RAM proporciona uma excelente oportunidade para estas conviverem com outras crianças e usufruir de uma série de actividades em grupo. 

  

Em Dezembro, dirigi-me então ao RAM e foi-me dito que não haviam Assistantes Maternelles" disponíveis, por isso teria que procurar nas cidades vizinhas... Ainda cheguei a ir a uma dessas cidades, mas acabei por não contactar ninguém... Decidimos que o melhor seria fazê-lo depois das férias de Natal... E ainda bem que assim foi, pois quando regressamos fui surpreendida com uma boa notícia: havia uma pessoa que estava disponível para acolher o Gui a partir de Março...

 

Fizemos uma visita os três na casa da "Assistante Maternelle" e ficamos com uma boa impressão, tão boa que decidimos contratá-la.

 

Não sei como funciona em Portugal, mas aqui, a partir do momento que contratamos uma "Assistante Maternelle" passamos a ser "empregadores", por isso é obrigatório fazermos um contrato indeterminado com essa pessoa, temos que lhe pagar o ordenado ao fim do mês e declarar esse pagamento, todos os meses, ao centro de emprego, através da internet (Pajeemploi), de forma a recebermos uma ajuda monetária do Estado Francês. Uma série de burocracia como os franceses gostam...

 

Antes de começarmos a verdadeira fase de "guarda" do nosso bebé, existe um período de adaptação a que a criança tem direito, para que a integração ocorra da melhor forma possível. Este períodos pode ser de um mês, no caso do contrato ser a tempo completo, ou de uma semana, no caso de ser parcial. No caso do Gui, o período de adaptação é de uma semana, pois ficará uma média de dois dias por semana com ela, exactamente os mesmos dias em que estarei a trabalhar.

 

Não é que me agrade trabalhar 12 horas por dia e em fins de semana alternados, mas confesso que acaba por ser muito vantajoso para o Gui. Pois faz com que tenha menos turnos por semana, e nos fins-de-semana em que trabalho terá sempre o pai disponível, o que faz com que o nosso Principezinho acabe por ficar pouco tempo longe de nós!