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As Nossas Voltas

A vida dá muitas voltas, e foi numa dessas voltas, que nos tornamos emigrantes e viemos parar a Paris. Um blog sobre um pouco de mim, um pouco de nós, o dia-a-dia e não só.Simples mas cheio de ternura e dedicação!

A MINHA DESPEDIDA DE SOLTEIRA...

... Foi há 5 anos atrás...

Uma belíssima surpresa organizada pelas minhas amigas e família...

 

As imagens falam por si...

 

Vestidas de cheerleaders...

Rumo à Baixa do Porto...

Com direito a uma Limusine...

 

Escusado será dizer que fizemos imenso sucesso naquele dia!

 

E por mais anos que passem, guardarei para SEMPRE, na minha memória,

aquele inesquecível dia 28 de Abril de 2012! 

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CARRINHOS DE COMPRAS ESPECIAIS

Desta última vez que fomos a Stuttgart, ao entrarmos num simples supermercado, deparamo-nos  com algo que não nos deixou indiferente: uma zona especifica haviam uns carrinhos de compras com cadeiras de bebés! Mas que bela ideia esta, só é pena não existir cá em França porque era super prático para eu ir às compras com o Gui... Já tentei, algumas vezes, colocá-lo sentado no carrinho de compras mas como ele ainda é pequeno desiquilibra-se com facilidade, sem falar que aquele "assento" não é minimamente seguro, pelo que se torna demasiado perigoso.

 

Aqui fica a ideia...

 

Pode ser que algum "iluminado", responsável por alguma superfície comercial, encontre este meu post e decida colocar em prática esta ideia vinda da Alemanha.

 

Aqui em França duvido que esta ideia alguma vez seja posta em prática uma vez que aqui faltam coisas tão básicas como espaços adequados para trocar as fraldas aos bebés, espaços para aquecer a comida aos bebés, casas de banho nos supermercados, espaços destinados à amamentação, etc... etc... Enfim... Num país onde a taxa de natalidade é elevada até parece mentira o que estou aqui a escrever... Mas acreditem que é a pura realidade! Portugal está "anos luz" muito mais avançado no que diz respeito a esses espaços para mães e bebés... Achao que em Portugal só faltam mesmo estes carrinhos de compras para tudo ficar perfeito!

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SAÚDE ORAL NO BEBÉ

O aparecimento do primeiro dente é um dos acontecimentos que todos os pais aguardam ansiosamente, nessa altura, é como que o bebé deixa de ser "bebé"... Esse momento tão aguardado deve ser visto como um verdadeiro marco que dará início a outro tipo de cuidados que vão permanecer para a vida toda.

 

De uma forma geral, os primeiros dentes de um bebé aparecem por volta dos seis meses de idade, e apesar desses dentes não serem definitivos, estes são muito importantes, pelo que devem ser tratados com os mesmos cuidados dos dentes permanentes.

 

Quando começar a lavar os dentes no bebé? 

De forma a que o bebé se habitue desde cedo, o ideal é que mesmo antes de aparecerem os primeiros dentes, se crie o hábito de passar uma compressa embebida em água morna sobre a gengiva de manhã e à noite (há bebés em que os primeiros dentes só aparecem por volta de 1 ano de idade, por isso o melhor é não esperar que o primeiro dente apareça).

Assim que o primeiro dente surgir comece então a utilizar uma escova de dentes adaptada.

 

Como escolher a escova de dentes? 

Os dentes e as gengivas do bebé são muito sensíveis, por isso deve-se escolher uma escova macia especialmente desenvolvida para cuidar dos dentes dos bebés. Existem inúmeros modelos de escovas, o importante é que o modelo comprado se adapte ao bebé, caso contrário a tarefa ficará mais complicada.

 

Como incentivar um bebé a lavar os dentes?

A melhor forma de incentivar os bons hábitos de higiéne desde o início é os pais lavarem os dentes à frente do bebé: ao mostrar como se escovam os dentes, a partir de uma certa idade, o bebé vai querer imitar. É óbvio que o bebé não irá aprender de imediato como utilizar a escova correctamente (e a tarefa de fazê-lo autónomamente só irá acontecer por volta dos 6-7anos!), provavelmente só vai querer tricá-la e comer a pasta dentífrica, mas esta fase também é importante, deixe-o brincar um pouco com a escova, e no fim, ajude-o a escovar os dentes.

Se o bebé recusar-se a escovar os dentes, não insista, repita o processo no dia seguinte até que ele se mostre receptivo.

 

Qual a pasta de dentes que devemos escolher? E que quantidade devemos usar?

A pasta de dentes deve ser adaptada à faixa etária do bebé: as pastas dentífricas dos bebés são especiais e têm menos flúor do que as pastas para os adultos (o rótulo deve dizer que existe uma concentração de flúor entre 1100 e 1450 ppm, se tiver uma concentração inferior a 500 ppm, a pasta de dentes não vai proteger das cáries). 

Evite sabores intensos, prefira sabores de frutas (como o morango e a framboesa), e não se preocupe se o bebé engolir a pasta de dentes, em vez de a cuspir, pois é totalmente seguro! 

Lembre-se que estamos a falar de um bebé, por isso a quantidade de pasta a utilizar deve ser mínima, a equivalente a um grão de arroz cru (para os menores de 2 anos).

 

Com que frequência se devem lavar os dentes?

O ideal é que a higiene oral seja incorporada na rotina diária do bebé duas vezes por dia, de manhã e à noite (para os menores de 2 anos), sendo que uma delas deve ser feita depois da última refeição do bebé. 

 

 

Cá em casa foi assim...

O Gui sempre foi muito curioso, tão curioso que desde cedo ele ficava impressionado cada vez que eu ía escovar os dentes... Talvez essa curiosidade se deva ao facto de eu lavar os dentes muitas vezes, por causa do meu aparelho ortodôntico... O facto dele ter presenciado inúmeras vezes este gesto fez com que fosse super fácil a adesão dele a escovar os dentes. Desde o primeiro dia, o Gui delira com o momento em que vamos lavar os dentes, um momento tão simples que não nos deixa indiferente de tão giro que é! 

 

Agora com 10 meses e meio o Gui já tem quase 6 dentinhos, por isso torna-se cada vez mais importante este gesto... Um gesto que irá marcar toda a diferença na sua saúde oral!

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A PRIMEIRA OTITE DO GUI

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Hoje fomos ao médico e descobrimos que o Gui tem afinal uma infecção a nível dos ouvidos externos, ou seja, tem duas otites, uma em cada ouvido! Afinal, havia um grande motivo para o choro compulsivo...

 

A otite é uma das doenças mais frequentes nos bebés, tão frequente que toda a gente  sabe do que se trata... Mas o que muita gente desconhece é o motivo desta frequência... A causa deve-se ao facto dos bebés terem a Trompa de Eustáquio (ligação entre os ouvidos e a garganta) mais curta e como estes estão muito tempo deitados a passagem de vírus e bactérias, da garganta e do nariz, para o ouvido, fica facilitada. Por este motivo, é que muitas das infecções de ouvidos surgem associadas às constipações e são mais frequentes durante o Inverno.

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Se numa criança maior fica fácil identifica a doença, num bebé torna-se mais complicado, pois eles não sabem exprimir a dor. De uma forma geral, o bebé fica bastante irritado, grita em vez de chorar, leva frequentemente a mão ao ouvido ou esfrega a cara com as mãozinhas, tem dificuldades em adormecer e, muitas vezes, tem prurido seguido de dor.

 

A dor é talvez o sintoma mais comum, se em alguns casos, é muito leve, na maior parte das vezes a dor é tão aguda que provoca um choro contínuo no bebé. Quando isto acontece, muitas vezes, o bebé recusa o biberão porque ao engolir, o ouvido mexe-se e dói, outras vezes o bebé tem dificuldades para dormir e chora porque o ouvido dói mais quando o bebé está deitado, uma vez que a pressão no interior do ouvido aumenta na posição horizontal.

 

Uma doença tão típica mas que exige acompanhamento médico especializado, pois só o médico é capaz de avaliar o problema e recomendar o tratamento mais adequado.

 

O Gui já começou o tratamento dele, e pela primeira vez começou a tomar antibióticos... A experiência não foi nada positiva, pois ele não achou graça nenhuma ao paladar do medicamento... Falta saber se amanhã ele fica mais receptivo e se habitua ao sabor, caso contrário não sei como vou fazer para o conseguir enganar... 

COISAS DE MÃE

Esta é a segunda vez que o Gui fica doentinho... 

Talvez seja uma virose, talvez sejam os dentinhos que estão a nascer

(o Gui já tem quase 6 dentinhos),

talvez seja "isto", ou talvez seja "aquilo"...

Mas esta incerteza, 

E este compasso de espera, 

Deixa o nosso coração de mãe tão apertadinho...

Seria tão mais fácil se pudéssemos ficar doentes

no lugar dos nossos filhos...

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"CARTA DA MINHA IRMÃ"

"Bem quando a minha irmã me pediu para escrever este texto disse-lhe que sim mesmo sem saber exatamente por onde começar…

 

Comecemos talvez por me apresentar. O meu nome é Sulay C, tenho 28 anos e sou a irmã mais nova, aquela que trabalhava e vivia na Alemanha... Mas não está mais...

 

Decidir emigrar para a Alemanha nos finais de Outubro de 2012... Confesso que na altura não pensei demasiado no impacto que ía ter esta minha decisão... Na época, o mercado de trabalho em Portugal não estava no melhor momento e as ofertas de trabalho eram mal remuneradas, por isso achei que devia arriscar e sair do país...

 

Com o meu pai a trabalhar na Alemanha, em Stuttgart, e eu tendo umas bases da língua alemã (bases estás adquiridas na escola e num curso intensivo que também fiz), achei que deveria aproveitar estes dois factos e tirar o melhor partido para a minha vida: a oportunidade de adquirir experiência profissional no estrangeiro e a oportunidade de viver com o meu pai.

 

Confesso que os primeiros seis meses não foram propriamente fáceis... Afinal as bases de alemão que eu pensava ter eram muito poucas para estabelecer um diálogo e compreender até as pessoas, o que fez com que não fosse propriamente fácil arranjar um trabalho e conciliar um curso de alemão ao mesmo tempo...

 

Foram quase três meses a enviar currículos e a ir a entrevistas... Até que no inicio de 2013 a minha sorte começou a mudar um bocadinho... Primeiro, consegui uma vaga num curso de alemão e logo depois consegui emprego numa empresa de reparações e tecnologia... Se este era o meu trabalho de sonho?! Claro que não era... Tinha saído de Portugal com uma expectativa muito alta de emprego, e sendo eu licenciada em Turismo, pensei que seria fácil arranjar algum emprego na minha área...

 

Apesar de não ser o emprego de sonho, arregacei as mangas e dei o meu melhor... Nunca pensei ficar 4 anos naquela empresa, mas acabei por ficar... E não me arrependo nada! Evoluí muito enquanto trabalhei lá... Comecei por fazer testes finais e de qualidade aos telemóveis/tablets, mais tarde passei para o atendimento ao público e, logo depois  fiquei responsável pela parte administrativa e assistente direta do CEO e diretor... Tinha quase tudo para dar certo, mas faltava o "quase"... E o "quase" tinha ficado em Portugal...

 

A verdade, é que apesar de estar bem profissionalmente, quando optei por sair de Portugal acabei por perder muito da minha vida pessoal em prol da vida profissional... E quem é emigrante sabe bem do que falo... A vida de emigrante não é propriamente fácil... Perdem-se tantos momentos que nunca mais voltam... E aos poucos começamo-nos a sentir “visitas” no nosso próprio país... Nunca quis ficar definitivamente na Alemanha, e embora houvessem momentos que achasse que isso iria ser o meu destino, procurei manter-me atenta à evolução do mercado de trabalho em Portugal... Até que essa oportunidade surgiu e eu achei que era a altura certa para arriscar novamente...

 

Estes 4 anos na Alemanha foram fundamentais para a minha evolução pessoal e profissional e foi à conta disto que eu consegui regressar a Portugal... No início do ano surgiu então uma proposta tentadora de uma empresa em Portugal que procurava alguém para trabalhar com o mercado alemão... E foi esta proposta tentadora, que tornou a dar uma volta à minha vida e me fez regressar ao nosso país e recuperar algumas das coisas que fui perdendo enquanto estive longe.

 

Se foi fácil regressar a Portugal?! Tenho que confessar que não... Sinto que preciso de me adaptar novamente, pois o ritmo de vida na Alemanha era muito diferente... É estranho até dizer isto mas é a pura realidade...

 

Estou quase há um mês em Portugal, e posso afirmar que não me arrependo em nada da decisão que tomei, mas também não me arrependo da decisão que tomei há cinco anos atrás quando decidi emigrar... Viver e trabalhar na Alemanha permitiu-me crescer e evoluir e foi esta emigração que me deu um novo olhar sobre a vida...

 

 Agora desejem-me sorte para esta nova etapa que ainda agora começou..."

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(Este foi o testemunho da minha irmã mais nova que regressou definitivamente a Portugal no passado dia 25 de Março... A ela, aqui vai o meu obrigado pelo seu testemunho e toda a sorte do Mundo... Quem sabe um dia eu também irei escrever uma carta semelhante.)

O PÃO DE LÓ AINDA É TRADIÇÃO...

E prova disso é o meu humilde blog que nestes dias de Páscoa bateu o record dos recordes: 2565 visitas... E o motivo?! A receita do Pão de Ló Húmido super fácil de fazer!  Falta é saber quantas dessas pessoas colocaram "mão na massa" e utilizaram esta receita na Páscoa!

 

Só espero que tenham gostado... 😉

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OS MELHORES PADRINHOS...

... São aqueles que, apesar de estarem longe, tocam no coração! 

 

O Gui é um felizardo por ter uns Padrinhos super-dedicados que,

não deixaram passar esta data em "branco"

e lhe enviaram por correio o seu primeiro "folar da Páscoa"...

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Digam lá se não foi um folar SUPER-super fofo e original... 💙

BOA PÁSCOA!

Como já vem sendo tradição, a Páscoa este ano volta a ser em Stuttgart, desta vez com o nosso Principezinho mas sem a minha irmã mais nova (não vos tinha ainda contado, encontrou uma boa proposta de trabalho em Portugal e regressou, em Março... Esta história ficará para um outro post). 

 

Aqui, apenas é feriado na segunda-feira, por isso só saímos no final da tarde, de carro... Uma viagem que promete ser cansativa, pois são precisas umas 7 horas para lá chegarmos... Se quiserem acompanhar mais de perto esta viagem, podem sempre dar um saltinho no Instagram do blog! 

 

Boa Páscoa para todos vocês e, já sabem, se quiserem algumas ideias giras para esta Páscoa (como as da imagem abaixo) vejam aqui...

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OS MODOS DE "GUARDAR" OS BEBÉS EM FRANÇA

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Em França, existem três formas de guardar os bebés: as creches, as "Assistantes Maternelles" ou as "Nounous".

 

As creches são normalmente públicas e subsidiadas pelas Câmaras Municipais, acolhem bebés a partir dos 2 meses até aos 3 anos e têm a desvantagem de existirem poucas vagas. As "Assistantes Maternelles" são amas com formação específica que podem acolher um máximo de 4 crianças na sua própria casa (tudo depende da licença que estas possuem), e que são supervisionadas regularmente por uma entidade. Por último, existem as "Nounous" que são uma espécie de ama sem qualquer formação e que tomam conta das crianças no próprio domicílio dos pais.

 

Depois, a partir dos 3 anos de idade, existem os jardins de infância (em francês, "école maternelle) que é um sistema gratuito.

 

As creches e as "Assistantes Maternelles" são os dois sistema mais utilizados pelas famílias para deixar os bebés, por serem muito supervisionados pelo Estado e por serem os mais comparticipados (a comparticipação varia de acordo com o salário do agregado familiar e a idade da criança). Porém, como o número de vagas nas creches é muito reduzido, e existindo uma taxa de natalidade elevada aqui, os pais vêem-se obrigados a recorrer mais às "Assistantes Maternelles"... E foi exactamente isto que aconteceu connosco!

 

Queríamos colocar o Gui numa creche, assim que eu recomeçasse a trabalhar, porque a ideia de deixarmos o nosso bem mais precioso na casa de alguém que não se conhece fazia-nos um bocadinho confusão... Mas o sistema francês tramou-nos, e depressa fomos confrontados com um sistema muito mais direccionado para que os bebés/crianças fiquem aos cuidados das "Assistantes Maternelles".

 

Só para terem uma ideia, além das vagas nas creches serem muito limitadas, só nós podemos inscrever naquela que pertence à cidade onde temos residência. Ora, no local onde moramos existe apenas uma pequena creche, fizemos a inscrição na Câmara Municipal (em francês, "Marie") quando estava grávida de 6 meses, em Abril de 2016 (pois aqui a inscrição deve ser feita nessa altura) e foi-nos dito que a vaga ficaria prevista apenas para Setembro de 2017. 

 

Faltava agora saber como iríamos encontrar a tal "Assistante Maternelle"... 

 

Felizmente, os franceses estão bem organizados nesta área, e em cada cidade, existe uma lista de "Assistantes Maternelles". É a própria Câmara Municipal que fornece essa lista e encaminha os futuros pais para o RAM (em francês, "relais assistantes maternelles"), um espaço físico destinado ao encontro de todas as amas, bebés (até aos 3 anos) e pais.

 

O RAM funciona como um espaço de informação, de acompanhamento na procura de uma "Assistante Maternelle" e, ao mesmo tempo, de escuta, onde os pais também podem ir com os bebés para que estes possam interagir com outros bebés (existe uma espécie de atelier, que promove este tipo de encontros algumas vezes por semana). Além disso, este é um local também de encontro para as "Assistantes Maternelles" que serve para melhorar a qualidade do acolhimento feito por estas, e procura combater o isolamento no domicílio promovendo encontros semanais entre todas as "Assistantes Maternelles" e os bebés. Para os bebés o RAM proporciona uma excelente oportunidade para estas conviverem com outras crianças e usufruir de uma série de actividades em grupo. 

  

Em Dezembro, dirigi-me então ao RAM e foi-me dito que não haviam Assistantes Maternelles" disponíveis, por isso teria que procurar nas cidades vizinhas... Ainda cheguei a ir a uma dessas cidades, mas acabei por não contactar ninguém... Decidimos que o melhor seria fazê-lo depois das férias de Natal... E ainda bem que assim foi, pois quando regressamos fui surpreendida com uma boa notícia: havia uma pessoa que estava disponível para acolher o Gui a partir de Março...

 

Fizemos uma visita os três na casa da "Assistante Maternelle" e ficamos com uma boa impressão, tão boa que decidimos contratá-la.

 

Não sei como funciona em Portugal, mas aqui, a partir do momento que contratamos uma "Assistante Maternelle" passamos a ser "empregadores", por isso é obrigatório fazermos um contrato indeterminado com essa pessoa, temos que lhe pagar o ordenado ao fim do mês e declarar esse pagamento, todos os meses, ao centro de emprego, através da internet (Pajeemploi), de forma a recebermos uma ajuda monetária do Estado Francês. Uma série de burocracia como os franceses gostam...

 

Antes de começarmos a verdadeira fase de "guarda" do nosso bebé, existe um período de adaptação a que a criança tem direito, para que a integração ocorra da melhor forma possível. Este períodos pode ser de um mês, no caso do contrato ser a tempo completo, ou de uma semana, no caso de ser parcial. No caso do Gui, o período de adaptação é de uma semana, pois ficará uma média de dois dias por semana com ela, exactamente os mesmos dias em que estarei a trabalhar.

 

Não é que me agrade trabalhar 12 horas por dia e em fins de semana alternados, mas confesso que acaba por ser muito vantajoso para o Gui. Pois faz com que tenha menos turnos por semana, e nos fins-de-semana em que trabalho terá sempre o pai disponível, o que faz com que o nosso Principezinho acabe por ficar pouco tempo longe de nós!

O GUI FEZ 10 MESES

O Gui fez 10 meses na passada quinta-feira e, como prometido, festejamos mais esse dia.

 

Este mês o Gui apenas engordou 100 gramas, pesa agora 9kg200gr, em contrapartida cresceu 3cm, o que faz com que ele agora tenha 74cm.

 

Poucos dias depois de completar 9 meses, e ainda em Portugal, o Gui teve a sua primeira virose... Fez febre, teve um episódio de vómito, chorava imenso e andou quase 2 dias a comer pouquinho... Felizmente correu tudo bem e ele voltou rapidamente ao seu estado normal... 

 

Este mês começou a gatinhar mesmo a sério (não a rastejar como fazia quando começou), consegue até andar agarrado aos móveis ou ao sofá, começou a ter muito mais equilíbrio e adora que o segurem pelas mãos para que ele possa dar passos grandes, tem cada vez mais energia! Acho que muito em breve estará a andar e a correr!

 

Consegue sentar-se sozinho, brincar sentado, e quando está de pé adora atirar os brinquedos para o chão e agachar-se para o apanhar de seguida (faz imensos agachamentos consecutivos! Eh... Eh... Eh...). 

 

Está cada vez mais atrevido, é capaz de lançar um sorriso a um estranho mas quando este lhe fala ou se aproxima, esconde o rosto cheio de vergonha, e assim que o desconhecido deixa de olhar para ele, ele torna a sorrir para ele, como se estivesse a desafiá-lo.

 

Os brinquedos (e não só) continuam a ser óptimos para atirar ao chão ou para bater com eles numa superfície dura (no chão, numa mesa, num móvel), quanto mais barulho fizerem melhor! 

 

Continua a dizer "chau" com as mãos e a abanar a cabeça para dizer "não" ( agora de uma forma mais intencional), a novidade é que aprendeu agora a bater palmas. 

 

Interage cada vez mais connosco e tenta comunicar palrando, repete imensas vezes "ca-ca" e "pa-pa" e por vezes tenta repetir palavras que lhe dizemos.

 

Continua a adorar que dancem com ele, cantem, que falem, que o movimentem no ar, que brinquem, que lhe façam cócegas, que atirem objectos para o ar e que joguem ao "cu-cu" com ele.

 

O banho passou agora a ser mais complicado, para ele a parte do lavar "era desnecessário", agora está numa fase que só quer brincar na água com os bonecos dele. 

 

Este mês ficou também marcado pelo aparecimento de mais dois dentinhos... É verdade, quase a completar 10 mesinhos começaram a nascer os dois dentinhos de cima, os chamados "incisivos centrais superiores". Escusado será dizer que o sorriso dele agora está ainda mais fofo! 

 

A sua personalidade começa a ficar agora mais vincada, demonstra desagrado quando não gosta de algo, faz birras, grita para chamar a atenção ou quando está zangado, e até com o corpo é capaz de demonstrar que não quer estar ali ou acolá (começa a arquear as costas e a esticar-se todo como que a dizer que não quer). Detesta que o contrariem e fica zangado quando lhe dizemos "não" ou o impedimos que fazer alguma coisa.

 

Algo que ele continua a não ser muito adepto é "dormir", de noite é capaz de dormir umas 7 ou 8 horas (sem descontar aquele tempo em que acorda para comer) e de dia dorme um total de 2 horas no máximo!

 

Em relação à alimentação, o que mudou foi o facto dele voltar a comer o pão e as bolachas sozinho (entre os 8 e 9 meses mês achou que tanto um como outro eram óptimos para atirar para o chão, por isso só comia quando colocávamos na boca pedacinhos pequenos para ele comer). Adora agora pão, basta ver alguém a comer que começa a pedir, e começou a gostar de beber água.

 

Um facto interessante é ter começado agora a interessar-se pela nossa comida, por isso sempre que estamos a comer, aproveitamos para lhe dar alimentos simples para que ele possa experimentar (como massa, arroz, frutas e legumes cozidos).

 

Em relação à amamentação mantém-se: mama uma vez de manhã, e umas 2 ou 3 vezes durante a noite. Vamos lá ver durante quanto tempo vou continuar mais a amamentar, pois agora que comecei a trabalhar, confesso que custa mais um bocadinho.

 

A grande novidade deste mês foi, o Gui começar a ir para a ama, confesso que pensei que ía ser bem pior, mas felizmente tudo tem corrido às mil-maravilhas e o Gui tem-se adaptado muito, muito bem!

 

Como vêem, este mesinho passou a voar mas deixou marcas de desenvolvimento muito importantes para o Gui, é mesmo giro ver tantos progressos em tão pouco tempo... Sabemos que tudo passa demasiado rápido, e é por isso que procuramos aproveitar e desfrutar  de todos estes deliciosos momentos! 💙

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COISAS DE MÃE

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Desde que o Gui nasceu, a nossa casa transformou-se numa verdadeira creche... 

É o babycoque, é o carrinho de passeio, é a alcofa, é a cadeira para comer, é a "cadeira baloiço" para ele brincar, é o carrinho dele brincar, é o "ginásio", é o tapete para ele brincar, e mais uma série de artigos que tornaram a nossa sala  mais colorida!

Isto sem falar dos produtos de higiene e dos inúmeros brinquedos que o Gui, ao longo do dia, vai espalhando por onde passa...

Como é que é possível um ser tão pequenino consegue ter tanta tralha e desarrumar tanto uma casa?!

LEGALIZAR UM CARRO PORTUGUÊS EM FRANÇA

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Quando decidimos emigrar para cá fizemos a viagem no nosso próprio carro, pois assim teríamos um meio de transporte próprio, para nos facilitar a vida. E se o nosso objectivo inicial era vender o carro passado algum tempo, por este ser um veículo comercial, com o tempo acabamos por mudar de opinião e decidimos legalizar aqui o carro.

 

No início queríamos fazer apenas a inspecção do carro cá em França, pois mesmo o carro tendo matrículas portuguesas era possível circular na estrada com a inspecção feita cá (depois o carro só poderia circular em França), o problema é que para essa inspecção ser feita era obrigatório um documento chamado "certificado de conformidade europeu". Na altura, nem sabíamos que documento era esse...

 

Ora, o Certificado de Conformidade Europeu é um documento emitido pela marca do automóvel que fornece todas as características do carro. Esse papel tanto pode ser pedido no país onde se vai matricular o carro como no país de onde o carro veio, no nosso caso o pedido teve que ser feito cá (através do site da marca) uma vez que esse documento não existia para o nosso carro em Portugal... Enfim... Não me perguntem o motivo da não existência desse papel em Portugal, o que eu sei é que para obter este papel perdemos tempo "de um lado para o outro"... Entre fazer o pedido em Portugal e receber a resposta negativa, entre ter que pedir cá e receber o papel... Enfim... Só esse papel custou 200€! O cúmulo é que esse papel tinha uma validade de apenas 3 meses, ou seja, para o ano teríamos o mesmo problema para fazer a inspecção ao carro, teríamos que comprar de novo o mesmo documento... Por isso, fomos de certa forma "obrigados" a legalizar o carro...

 

Com o Certificado de Conformidade Europeu fizemos então a inspecção (em francês, contrôle technique), inspecção essa que ficou mais barata por termos comprado um vale no site da Groupon! É verdade, aqui em França, ao contrário do que acontece em Portugal, o preço de uma inspecção pode variar muito de sítio para sítio... De uma forma geral o preço ronda os 70€, mas com o vale acabei por pagar apenas 35€ (é de salientar que a inspecção aqui é feita a cada 2 anos, isto para matrículas de carros franceses, caso contrário só tem validade de 1 ano).

 

A seguir foi necessário ir às Finanças para obter o "justificativo fiscal" (o chamado "quitus fiscal") um papel gratuito, que indica se o veículo está em situação regular. Para obter esse documento foram necessários os seguintes documentos:

- o livrete do carro (original + fotocópia);

- um cartão de Identificação do proprietário do carro (original + fotocópia);

- e o comprovativo do domicílio (original + cópia) com menos de 3 meses (comprovativo da morada que irá aparecer no novo livrete francês, pode ser uma factura de electricidade ou de gaz, uma factura de telefone fixo ou telemóvel, uma folha de impostos ou uma factura do pagamento do seguro da casa).

 

Depois de termos todos estes documentos, foi necessário ir à “Préfecture”, correspondente ao local de residência, para fazer então a mudança do carro para francês, de modo a obtermos o novo livrete do carro (a chamada "carte grise")... Aqui foram precisos os seguintes documentos:

- Certificado de Conformidade Europeu ou Atestado de Identificação (original+fotocópia);

- Livrete do carro (original+fotocópia);

- Cartão de Identificação do proprietário do carro  (original + fotocópia);

- Comprovativo do domicílio (original + fotocópia);

- Inspecção feita em França, há menos de 6 meses (2 meses se o carro tiver tido uma contra-visita);

- Formulário cerfa n°13750*05 preenchido (pode descarregar aqui);

- Justificativo fiscal.

 

No final, pagamos 145€ para ter o novo livrete do carro ("carte grise"). Mas atenção, que esse preço varia de acordo com: o carro, a data de circulação do veículo, o número de cavalos fiscais, a emissão de CO2, o tipo de combustível e a região onde se mora, por isso, para quem pretende saber o preço real da "carte grise" pode sempre fazer uma simulação directamente no site.

 

No final, é emitido um certificado provisório do carro para fazer o seguro do carro em França e as matrículas (pagamos 35€) , ficando logo apto para podermos circular (esse papel provisório só é válido unicamente em França). O prazo de entrega para a "carte grise" definitiva depende da "Préfecture", no nosso caso foram apenas precisos 48horas para o documento chegar a casa, em carta registada com aviso de recepção. 

 

Depois disto, e já em Portugal, é necessário ir ao IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes) com uma fotocópia do antigo livrete do carro e uma fotocópia do novo livrete (carte grise) para que o carro deixe de estar registado nas finanças em Portugal (caso contrário continuará a receber o pedido de pagamento do imposto de circulação). No caso do Seguro do carro são necessários os mesmo documentos, para este ser cancelado e sermos reembolsados nalguma quantia.

 

Para informações mais detalhadas pode sempre consultar o site: https://www.service-public.fr/

 

SERÁ GENÉTICO?!

Hoje foi mais um daqueles dias que o Gui decidiu que dormir de dia não era para ele... O problema é que ele de noite também não dorme muito, acorda várias vezes para comer e acorda cedo.

 

Hoje, por exemplo, dormiu no máximo umas 8h durante a noite (sem descontar às vezes que acordou para comer), acordou às 7h e pouco, durante a manhã dormiu apenas 5 minutos, no fim do almoço dormiu outros 5 minutos (na cadeira onde almoça - facto se aconteceu pela primeira vez!) e só adormeceu às 17h quando saímos de carro (acordou depois às 19h para jantar).

 

De noite, com um banho relaxante até adormece com alguma facilidade, mas de dia nem sempre é simples e quando dorme, a maior parte das vezes dorme pouco.

 

Andei a investigar e descobri um artigo que diz que "a forma como decorre a sesta, à tarde, pode estar relacionada com factores ambientais, como a luz no quarto, por exemplo; por outro, uma noite de sono tranquilo pode estar dependente de factores genéticos". Eu cá acho que o sono, de uma maneira geral, deve ter mesmo a ver com a genética pois não consigo arranjar outra explicação... Algo que não foi transmitido por mim, nem pelo meu marido, pois se dependesse de nós, teríamos um verdadeiro anjinho a dormir cá em casa! (Eh... Eh... Eh...)

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E A VIDA MUDOU...

Já devem ter reparado que ontem não publiquei nenhum post, isto de recomeçar a trabalhar e conciliar a vida profissional com a pessoal, faz com que fique sem tempo para dar um saltinho até aqui... Passo a explicar o motivo...

 

Recomecei a trabalhar no mesmo hospital, o que mudou foi o facto de deixar de trabalhar de noite e, a meu pedido, passei então para o turno diurno... O horário continua a ser de 12 horas de trabalho (das 7h45min às 19h45min), 11 horas remuneradas, pois temos 1 hora para o almoço que não é paga. 

 

A vantagem que existe no hospital que trabalho é que o horário é sempre igual, ou seja: existe um horário rotativo que nunca se altera, por isso podemos organizar a nossa vida para o ano inteiro em função disso. Só para terem uma ideia:

- numa semana trabalho 5 dias (segunda, terça, sexta, sábado e domingo)

- na semana seguinte 2 dias (quarta e quinta)

- a seguir, 3 dias (terça, sexta, sábado e domingo)

- e na última 2 dias (quarta e quinta)

- depois o horário repete-se com os 5 dias, e assim sucessivamente

Desta forma, e como a carga horária também é de 35horas/semana, acaba-se por ter muitas mais folgas do que num horário de 7horas/dia mas, não duvidem de uma coisa, nos dias em que se trabalha deixa-se mesmo de ter vida própria!

 

Este tipo de horário fixo, que não existe em Portugal é, sem dúvida, excelente. Foi com isto que conseguimos contratar uma ama para o Gui a tempo parcial, pois só precisamos que ele fique na ama durante a semana, e nos dias em que trabalho.

 

Recomecei então a trabalhar nesta segunda-feira, exactamente na "semana maior", naquela em que trabalho 5 dias... Como não havia vaga no serviço onde trabalhava de noite, mudaram-me para outro, algo que já sabia que podia acontecer, mas o importante para mim era deixar de trabalhar em horário nocturno.

 

Durante o tempo que tive de licença de maternidade, o hospital mudou completamente o programa informático para registar a informação dos doentes, medicação e afins, por isso precisava de alguma formação nesta área, além daquela que fazia parte do próprio serviço... As rotinas, as burocracias... Enfim... Quem está dentro desta área sabe bem do que falo....

 

Tive o cuidado de passar, na semana anterior, no serviço, para me apresentar à chefe e saber como iria ser a minha suposta integração... Apenas "um dia com uma colega", dizia ela... E se 1 dia eu já achava demasiado ridículo, mais ridículo foi recomeçar a trabalhar e colocar-me sozinha com uma ala só para mim...

 

Cheguei ao serviço a pensar que teria, ao menos, 1 dia para alguém me explicar minimamente as rotinas do serviço, mas nem isso me deram... Resultado: o serviço com 2 alas, com 1 enfermeira em cada ala... Veio um colega do departamento de formação, das 7h45min às 10h30min, para me explicar como funcionava o programa informático, ao mesmo tempo que me ajudava a distribuir a medicação aos doentes, e a avaliar as glicemias, as tensões arteriais e afins... (Sim, porque, tal como em Portugal, tudo é informatizado, e temos que registar tudo ao mesmo tempo que fazemos o nosso trabalho...)

 

Cheguei ao fim do dia "sufocada" com tanta informação que tinha recebido, sem falar que tinha 17 doentes, dois dos quais com alta clínica, e duas entradas de dois doentes transferidos de um outro serviço... Enfim, nunca vi disto em Portugal.... No mínimo, há sempre um mês de integração (dependendo do serviço)... Mas eu nem pedia tanto, ao menos meia dúzia de dias para me integrar minimamente em condições! No dia seguinte, como já conhecia minimamente as rotinas, acabou por correr um bocadinho melhor, mas mesmo assim ainda preciso de mais tempo, torna-se quase impossivel trabalhar correctamente assim!

 

Foram dois dias muito cansativos, porque as noites em casa também não foram propriamente para dormir... Com o Gui a acordar imensas vezes para comer, não ficou nada fácil acordar cedo, cuidar dele, levá-lo à ama e ir trabalhar... Fiquei com a sensação que passei a trabalhar de dia e de noite!

 

O que vale é que o marido acabou por se safar muito bem, e conseguiu dar o jantar ao Gui, o banho e preparar, ainda, o nosso jantar! 

 

Isto de acordar cedo fez com que o Gui adormecesse mais cedo também, por isso quando chegava a casa já ele estava a dormir! 

 

O fim-de-semana que vem promete ser interessante também... Vai ser a primeira vez que o Gui vai ter apenas o papá com ele...

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